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10/set

Os fins justificam os meios? Foi assim que o season finale da 4ª temporada de Teen Wolf começou. Confesso que, por mais que estivesse ansiosa, não botava tanta fé no episódio. Digo isso porque a temporada não teve um bom andamento. Ao considerar todos os cliffhanger dos anos anteriores, Jeff tinha como missão bolar algo à altura, de um jeito que mostrasse que a saída de alguns personagens não afetara em nada. Foi difícil, não? A trama seguiu o mesmo compasso da semana passada, soltou algumas migalhas, removeu outras, até chegar a mais um final que me deixou com lágrimas nos olhos e com o coração entalado na garganta. De novo, quase sacrifiquei uma caneta por causa do embate final e de todas as supostas mortes, traumatizadíssima por causa da Era Allison. Sem dúvidas, a ideia central foi promover um duelo que nasceu com base no viés humano, um detalhe importantíssimo que calhou na mensagem final do 4º ano da série: evolução.

 

Aviso importante: a resenha ficou meio grande porque aproveitei para dar um parecer geral da temporada. Não briguem comigo!

 

Em um belo dia de Lua Cheia, Kira me aparece na vala sendo isca para testar os ânimos de Scott que já estava de cosplay Berserker. Meu sangue parou na testa quando ele a atacou. Sinceramente, achei que a temporada fosse terminar desse jeito, pois a cena parecia uma conclusão (o que faria o resto da trama ser um flashback para explicar como as coisas chegaram até ali. Felizmente, não foi o caso). Acreditei na morte da Kira, pois a Arden não participou de tantos episódios (uma pouca vergonha porque ela assume uma personagem principal). Já estava até preparada para ler as matérias do Jeff justificando isso, com ódio nos olhos. Ainda bem que não passava de uma pegadinha (algo que se prolongou até o Derek).

 

Kira abriu dois vieses na trama. O 1º se referiu à Kate que esclareceu como sobrevivera depois que fugira do domínio dos Calaveras. A explicação foi muito simples e vaga pro meu gosto. A werejaguar é atraída pelo templo Tezcatlipoca (conhecido pelo título do episódio) e lá encontra os Berserkers que, por uma ironia do destino, a protegem. Cria-se um elo de confiança e Kate aprende a dominá-los. Lindo, mas não. Além de fugir com extrema facilidade, La Loba ainda teve a sorte de controlar seres sobrenaturais que poderiam comê-la viva. Como assim? Qual é a desse apelidinho que a reconhece praticamente como dona dos Berserkers? Essa incoerência vem da ausência de uma explicação do que ela é. Não referente ao lado The Bone Woman, mas ao que a personagem se transformou. Essa foi uma das incógnitas da temporada que ficou por isso mesmo.

 

Como Kate consegue criar um Berserker? Só colocar a máscara? Como ela fez Derek ter 17 anos de novo? O que ela roubou dele? E, o principal, como ela controla o poder do templo a seu favor? Ou comi bola ou faltaram essas respostas. Esperei ansiosamente por uma explicação mais detalhada desse plot, mas isso não aconteceu e foi meio que uma decepção. Ok, Kate sobreviveu, e as dúvidas que ficaram prolongam o mistério. Deaton sabe das coisas, o que pode garantir um esclarecimento no 5º ano de TW. Mesmo assim, me sinto enganada.

 

Evoluções… Ou quase

 

O 2º viés trazido por Kira foi o fator evolução. Confissão: fiquei meio indignada com o fato dela não saber se curar. Fiquei de cara, pois a personagem agiu a temporada toda como se fosse o Parrish, alheia ao que realmente é, sendo que não era. Kira foi uma das poucas (se não foi a única) que ganhou um episódio inteiro para explicar seu background. Por qual motivo? Para ela tomar tapa na orelha toda vez que entra na briga. Dói ver que o que rolou na storyline dela na 3ª temporada não serviu de absolutamente nada nesta, nem mesmo em duelos menores. Quando achava que a raposa se daria bem, ela tomava um rodo. Eu até engulo o fato de não saber como colocar um osso no lugar, sendo que não deveria, pois a mãe dela é uma figura presente e a teria ensinado. Até parece que haveria um relaxo desses.

 

A personagem passou 12 episódios na dança da katana e não teve sucesso em nenhum momento. Como isso é possível sendo que ela é uma das protagonistas? Treinar um recém-sobrenatural nunca foi o ponto de partida em Teen Wolf. Sempre foi o autodescobrimento. Scott, Allison, Lydia… Todos se viraram. Kira sabe o que é, tivera incontáveis oportunidades para se aprimorar, mas faltou inteligência na sua storyline (especialmente por causa da agenda apertada da Arden). De protagonista, ela passou de mera coadjuvante. Achei isso muito chato, pois a adoro. Agora que Kira tem mais poder, espero que a evolução do gene fox não empaque como aconteceu nesta temporada.

 

Derek foi esquecido, simplesmente deixado de lado nesta temporada. Porém, ele evoluiu. Como assim? Antes de chegar lá, preciso desabafar o quanto machucou vê-lo “morrer”. Eu tive que pausar o episódio para xingar o Jeff, sério. Estava tão mexida que nem acreditei que o lobo que saltou na Kate era ele. Foi lindo! Voltando ao ponto de evolução, uma das propostas do personagem foi aprender a sobreviver sem poderes. Seria uma redescoberta. Com o curto espaço que lhe foi dado na temporada, Derek aprendeu muitas coisas em pouco tempo de tela. Percebam: Derek aprendeu a atirar enquanto Kira só acendeu uma lâmpada. Sentiram o drama? Enfim, a storyline do Hale foi compacta e corrida. Nem deu para sentir medo por ele. Voltar a ser lobisomem foi o encerramento de um ciclo e, aparentemente, o personagem voltou como antes, só que mais forte, mais neutro, mais confiante.

 

Metade dos créditos vai para Braeden. Sei que há uma turma que não a suporta, especialmente por ter sido lançada na nova temporada no estilo Malia. Eu me apaixonei pelo pouco que a mercenária fez. Ela tem uma presença muito forte e marcante. Surtei todas as vezes que a personagem pagou de valente. Entendo a falta de desenvolvimento, e isso inclui amoroso, mas ela merece Derek. E vice-versa. Sim, ambos não fizeram nada, só dormiram de conchinha. Contudo, ambos mudaram por meio do outro, e isso eu admiro demais. Ela deixou de pensar como mercenária. Ele abraçou o lado humano para se virar – algo que deve ter incomodado pacas, pois, desde que se entende por gente, a própria defesa vinha dos benefícios de ser lobisomem. Braeden e Derek inflaram meu coração em todos os momentos que apareceram, com destaque para as cenas de combate. Os dois são complementares. Um estimula o outro a ser melhor e isso é bom.

 

Foi uma pena não terem trabalhado melhor a storyline desses dois. Tudo ficou a Deus dará. Eu gostaria que Derek continuasse humano, pois esse detalhe o tornou mais prestativo, mais consciente e mais preocupado, especialmente consigo mesmo. Mas fico feliz pela reviravolta. Na medida do possível, ser humano foi bom, embora tenha sido surreal a tranquilidade diante da morte, bem como o súbito bom caráter da Braeden. Exijo melhorias.

 

Scott deixou de ser o lobo adolescente. Antes tarde do que nunca. O personagem passou a temporada contornando os caminhos que poderiam torná-lo um assassino. Nada disso aconteceu (e eu temi muito). Nesta temporada, o Lobito me tirou do sério algumas vezes por causa da passividade em resolver certas coisas, o mesmo sentimento que me dava vontade de socar a Kira. Quando achava que se rebelaria, ele colocava o rabo entre as pernas e ia para casa. Pela primeira vez, Scott agiu como Alfa. De quebra, faturou um nível a mais de rapidez e de força que o fez arrebentar Peter como uma cena do filme Matrix. Fiquei comovida e surpresa por Liam ter sido responsável por esse clique. Foi genial, justamente por sair do clichê menina traz o boy de volta. A lealdade do Beta foi um dos pontos mais adoráveis do 4º ano de TW. Sem eira e nem beira, Liam bateu no peito e não aceitou ser deixado para trás. Ele nem ligou de dar de cara com os Berserkers, aqueles que tiraram o seu sono. Adorei a iniciativa. Menino Liam foi o achado da temporada. Está de parabéns!

 

Pausa para falar do Chris Argent (e daquele chamado Peter)

 

É engraçado refletir sobre esses dois personagens e perceber como um realmente mudou e o outro nem um pouco. Chris começou TW como um suposto vilão, aquele que odeia qualquer bola de pelo transitando em Beacon Hills. Peter parecia o mocinho debilitado, mas não passou de um doido obcecado por poder. Em tese, Chris deveria ter continuado como o cara malvado e Peter deveria ter encontrado um tipo de redenção depois que voltou à vida.

 

Nada disso aconteceu.

 

A missão de Chris Argent ao longo da temporada foi sair da negação causada pela perda de Allison para aceitar as circunstâncias que lhe tomaram a filha. O que o personagem precisava era voltar a ser o que era. Todo o caminho tortuoso o levou a isso, pois ser caçador está no gene dele. Não adianta. Para isso acontecer, o season finale trouxe a queda dos Argent e a ascensão dos Calavera. O confronto dos irmãos deu respaldo a isso e meu coração ficou aos frangalhos. Kate pode ser o que for, mas ela sempre foi apaixonada pela Allison. Eu disse isso na semana passada e, vê-la entoar o nome dela, cheia de mágoa, me feriu. La Loba queria que a sobrinha fosse sua igual, basicamente o mesmo pensamento do Peter com a Malia. Quando a werejaguar entoou em alto e bom som, e na cara do irmão, que Scott e Cia. são responsáveis pela morte de Allison, meu lado fangirl foi afetado.

 

Chorei, dolorosamente. Quando Chris atira na irmã, fiquei chocada, pois estava ali, diante dos meus olhos, mais uma mudança significativa do personagem. Ele se comprometeu a caçá-la, justamente por ter se extirpado do código criado por Allison. O caçador voltou ao antigo ponto de partida: nós caçamos aqueles que nos caçam. Como disse na semana passada, Chris foi um dos poucos personagens que teve uma storyline condizente, cheia de altos e baixos, e que trouxe as mais diferentes mudanças de caráter. Eu queria ver o mesmo acontecer com Parrish, um cara que tem tudo para ser tão grandioso quanto o Argent. E, claro, amaria se ambos se tornassem parceiros no futuro.

 

Em contrapartida, Peter deveria ter evoluído, mas continuou no mesmo lugar. A sede de poder foi a ruína do personagem. Durante sua trajetória, ele pagou de bom samaritano, teve a chance de ser legal, mas Chris terminou com esse papel. O único ponto fraco do tio Hale é Derek. A expressão dele ao ver o sobrinho quase morto foi demais para a minha saúde. Admito que tenho uma divergência de opiniões com relação a ele por ser outro que também não fez absolutamente nada, isso desde a season 3. Não havia mais storyline, o que o estagnou. O lobo temido passou a ser motivo de chacota de um bando de adolescentes. Que belo fim de carreira, hein? Considerando a storyline de Peter nesta temporada e seu lado megalomaníaco, no mínimo, ele tinha que ter saído 50% bem-sucedido. Tio Hale plotou por – em tese – 4 anos para terminar na Casa dos Ecos. Lamentável! Mesmo com o flop, é bárbaro assistir a intensidade que Ian dá ao personagem, sempre um banho de atuação.

 

Foi demais vê-lo como ator dentro do próprio plano, empenhado em movimentar os amigos de Scott até o México com um enorme senso de humor. Peter provou de novo que não tem limites ao tentar converter Malia logo de uma vez para o lado negro da força, dando descrédito ao discurso altruísta do Lobito sobre não matar e tudo mais. Acreditei que a coiote viraria a casaca por ainda ser muito impetuosa. De fato, Tio Hale teria lucrado muito se o plano tivesse dado certo. Scott morto e uma filha corrompida seria o seu céu. No fim, foi até feio vê-lo como o recalcado da história, todo indignado com o poder de um adolescente. Liam sambou na cara dele e achei um máximo. Em 4 temporadas, Peter continuou com os mesmos pensamentos idiotas. Até gostei do cliffhanger, o demônio da gola V sendo arrastado para o andar das trevas e, de quebra, sendo companheiro de Valack. Eis oficialmente o gancho para a próxima temporada. Estou curiosa!

 

Considerações finais

 

Mesmo com alguns minutos a mais de duração, o embate foi a salvação do season finale. A chegada dos Calaveras, seguida da presença de Chris e de Parrish, garantiu o impacto da trama. Foi tudo choroso e tenso, mas ainda sinto falta de incontáveis coisas. O episódio usou da ação para camuflar as falhas, escorregões e falta de respostas. Jamais imaginaria que Kate sairia viva e começo a crer que Jeff e Cia. estão com sérias dificuldades em desapegar da personagem. O que mais ela poderia fazer? Eu não vejo nada. Afinal, o sonho Argent morreu quando Chris migrou para o lado dos Calaveras.

 

Jeff queria que esta temporada resgatasse os antigos moldes de Teen Wolf. Ele conseguiu, na medida do possível. Considerando minha experiência com a série, senti que esses 12 episódios serviram apenas de apresentação. Uma temporada a parte por causa dos new faces. Os novos personagens deveriam ser abraçados e os velhos amados ou odiados de novo. Por causa dessa intenção, os subplots não funcionaram. No caso, a mitologia. Repito que foi um pecado deixar esse ponto de lado para dar atenção ao Benefactor, pois todas as informações dadas ficaram incompletas e com resoluções fracas. O showrunner uniu o antigo ao atual, o que acarretou retrocessos maravilhosos. Além disso, houve a tentativa de respeitar a memória daqueles que se foram. Missão quase completa.

 

Honestamente, chego aqui com um pouco de estranheza, especialmente no quesito dinâmica de grupo, uma ideia que dessa vez não funcionou. Motivo? Porque havia estranhos no bando de Scott. Quando havia ação, sempre alguém ficava de fora ou todo mundo ficava preso ou metade era impedida de lutar. Isso me fez lembrar (e amargurar) da “dança” sincrônica da season 3. Claro que algumas figuras se ausentaram da ação principal, mas senti o medo e captei o esforço, detalhes que faltaram na nova formação da turma do Lobito. Só Stiles rendeu uma dramatização. Até mesmo Liam. Eu não senti a força da equipe porque os membros estavam despreparados.

 

O season finale usou e abusou do lado humano dos personagens. Foi muito “vamos botar a mão na massa”, como se não existisse o benefício de poderes. O que concluo é o mesmo pensamento que me faz pegar leve com TW: quem sabe, esse despreparo foi um meio de frisar que o enredo se desenrola em um universo adolescente. Os personagens não são donos de uma storyline que exige pose de super-herói. Independente de salvar o dia, ainda haverá um pai para castigar por desobediência, uma mãe orgulhosa com um presente de reconhecimento e um amigo para dar um bestiário. É por isso que gosto tanto da série, pois ela peca no que não pode ser alterado, ou seja, na sua essência. Os personagens são sobrenaturais, mas, acima de tudo, são humanos. E foi assim que a temporada foi encerrada.

 

Se olharmos bem, muitos personagens começaram um ciclo e o concluiu. A maioria mudou. Lydia não é mais a namoradeira de antes. Stiles é mais preciso. Malia passou a compreender melhor o que é calor humano. Liam aprendeu a se controlar. Braeden deixou de ser mercenária. Chris retornou para a sua vocação. Scott abraçou o gene True Alfa. Derek aprendeu a se virar. Nesse quesito, a temporada foi bem-sucedida. Porém, ela capengou muito e teve que suar para garantir mais um season finale de perder o fôlego. Muitas coisas não foram respondidas e ficaram à mercê da imaginação dos fãs.

 

Espero que não fique só nisso…

 

A refletir

 

Peter parou no andar das trevas da Casa dos Ecos na companhia de Valack. Só eu acho que o tio Hale terá suasanidade – que já era comprometida – mais comprometida ainda? O bom é que esse plot pode ser visto como sinal do futuro da Kate (duvido que ela morra).

 

É oficial: Braeden era uma detetive. Não só isso, como ficou obcecada por um codinome: Desert Wolf. Mas eu estou muito empolgada com esse plot.

 

Chris Argent, volte aqui e me explique esse Yellow Wolfsbane.

 

Chris Argent, volte aqui e me diga que você forjou a bala com Yellow Wolfsbane em homenagem à Allison. Sei que você aprendeu a usar pequenos detalhes…

 

Alguém notou que Chris avisou para o bando do Lobito que eles ficariam de boa? Araya não cobrará a mordida dada no Liam?

 

E o mistério do Parrish ficou para o futuro. Amei a iniciativa da Lydia em fazer um livro de capa dura com as páginas do bestiário. Foi muito amor!

 

É isso, pessoal! Adorei escrever as resenhas de Teen Wolf, não esperava que fosse cobrir a temporada toda, pois estava cheia de receios. Foi incrível e estarei aqui no futuro (e em outras resenhas). Obrigada a todos que leram e comentaram. <3

Stefs
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  • heyrandomgirl

    Evelyn que comentário mais fofo *_* Seja bem-vinda ao blog e fico feliz que goste das minhas resenhas. Eu sempre fico emocionada com isso, de verdade. Coloco todo meu coração em cada parágrafo dos meus textos. Não consigo me conter! Saber que pessoas como você gostam desse falatório todo me deixa mto feliz <3

    Eu tô tãoooo atrasada em The Walking Dead e a série tá tãoooo pra trás da minha lista. Eu sou mto desorganizada Hahahahahaha Mas é bem capaz que faça um review geralzão. Só que demorará um tiquinho >< Sugestão anotadinha!

    Beijossss e obrigada novamente pelo comentário <3

  • Evelyn Mendes

    Simplesmente incrível. O jeito que você escreve a fala sobre a serie.. É como se lesse nossos pensamentos enquanto assistíamos. Amo suas resenhas e sempre leio tudo com muito gosto. Sempre que tem ep novo corro aqui para ver..
    Sugestão: Por que não faz uma resenhas de The Walking Dead? Comecei a assistir tem um tempinho e estou simplesmente A-PAI-XO-NA-DA
    Beijos