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21/out

Hoje continuo com a saga do Help, Escritor! com dicas básicas para aspirantes a escritor. Dei uma relaxada com o blog na semana passada porque estava no auge da tendinite, mas agora está tudo certo. O post será curtinho, basicamente um lembrete para ser lido todas as vezes que a preguiça de botar a mão na massa pegar de surpresa.

 

Prewriting. Eu poderia deixá-los com a definição literal: pré-escrita. Porém, ao menos no meu ponto de vista, essa palavra mágica significa muitas coisas. Muito mais relacionada ao ato, não ao sentido. Seja qual for a melhor definição, ela envolve o momento que antecede a real escrita. Um aquecimento antes de deixar os dedos sangrarem no computador.

 

Um exercício típico do Prewriting é o free writing.

 

Geralmente, quando empaco, o problema está no final do capítulo, no outline ou em algum ponto X que se resolve com uma reescrita básica, algo que dá novos ares ao enredo. Essas atitudes se adquirem com a prática, pois você terá – ao menos se espera – uma relação com a história ao ponto de enxergar rapidinho o que não está dando certo. Caso nada disso funcione, recorro ao free writing (escrita livre). Tenho incontáveis capítulos à parte do We Project, escritos sem compromisso, e já cheguei a transferir muitas coisas para o manuscrito. Como a história depende de alguns retrocessos, costumo escrever essas partes, sem nenhum tipo de pressão psicológica, para entender onde quero chegar. Fazer isso me ajuda demais. Vocês não fazem ideia!

 

A parte boa de escrever sem compromissos é que você não se preocupa com correções e nem com qualidade. Não que isso não aconteça na hora de produzir a história verdadeira, pois é preciso desligar o editor interno para não se preocupar com tanta coisa ruim. A escrita livre dá uma folga ao cérebro e é bem capaz de novas ideias jamais pensadas pipocarem. Literalmente, o free writing é um vômito de palavras. Você segue seu compasso, relaxa a cabeça, quem sabe cria uma short fic bem legal… É um processo instintivo.

 

Isso quer dizer que você precisa se permitir, especialmente a escrever porcaria. Como sempre digo: o 1º manuscrito tende a não ser a versão final. Não é só sentar e escrever. Ainda rolará muitas edições, acreditem. O free writing é uma folga que dá certo comigo quando preciso entender determinada ideia. É como se fosse uma impressão. Nem me atenho ao cenário, características e situações. Os flashbacks que escrevo chamo de spin-off do WP, pois só levo o personagem que precisa ser compreendido – o que ele passou em dado momento, como se sentiu, quem estava com ele, etc.. Nesse caso, nem uso um outline e sempre me surpreendo com o resultado porque raramente fica do jeito que minha mente esboça.

 

Às vezes, o free writing pode ir mais além que uma pausa para se desligar da história da qual se está empenhado. Ela pode acarretar em um capítulo, sem querer. Melhor! Até no começo de outro plot. Para quem está com medo do Word, escrever sem compromissos, só para testar uma ideia, pode gerar ótimos resultados justamente por não exigir tanta tensão. Ao pensar em uma escrita despreocupada, aquela de final de tarde, depois do almoço ou no caderninho de cabeceira, é possível deixar o medo de realmente começar de lado.

 

Por isso, a escrita livre pode ser desleixada, sem pé e nem cabeça. Há pessoas que investem em diálogos, por exemplo. Eu invisto em flashbacks. Sempre aparecem ideias boas ou melhores daquilo que se espera. Eu sempre indico escrever fanfics que também ajudam a dar aquela relaxada e contribuem para aguçar a criatividade ao sair da zona de conforto. No free writing, invista em algo sem o peso da responsabilidade de querer escrever uma história bacana ou exigir algum tipo de perfeição. Reforçando: é uma escrita livre. Tipo tema de redação.

 

Outras coisas que ajudam na pré-escrita

 

Pesquisa: isso cabe para tramas mirabolantes, especialmente que precisam se apoiar em fatos concretos, como um tipo de governo. Suzanne Collins pode ter pensado na distopia de Jogos Vorazes, mas tenham certeza de que ela não bolou o sistema ditatorial sem um pouco de pesquisa. Por mais que esse detalhe não seja aprofundado nos livros dela – as atitudes falam mais que as descrições – é importante você dominar aquilo que quer escrever. Não é preciso ser uma enciclopédia ambulante, pois nem tudo cabe no livro. Isso vale para doenças, fobias, personalidade, países e assim por diante. É sempre bom traçar esse background antes de mergulhar na escrita.

 

Leitura de livros do mesmo gênero: no meu caso, o que tem me ajudado bastante são séries e filmes. Algumas partes do We Project requer uma pesquisa mais visual e assisti-los são mais eficazes para mim. Porém, encontrei ideias valiosas em livros de gênero parecido, alguns encontrados do nada. O importante de ler temas semelhantes e publicados é que você compreende o estilo de escrita. Seja em 1ª ou em 3ª pessoa, um sistema governamental opressivo, enfim, há muitos exemplos dos mais variados autores que podem servir de espelho para não fugir tanto do já foi feito. É embasamento criativo (que não é para ser copiado, pois é plágio, ok? Pensem que toda ideia pode ser melhorada).

 

Música e leitura dos capítulos anteriores: dois itens que me ajudam a entrar no clima da história. No caso do We Project, não consigo ouvir uma música específica por muito tempo. Tenho que fazer isso antes. Geralmente, escrevo com música clássica de fundo (não é frescura, gente! A cantoria tende a me distrair porque quero cantar junto hahaha). Quando estou empenhada em histórias mais românticas, daí sim consigo me adaptar a uma trilha sonora melosa.

 

Fazer/Rever o outline: eu sempre encontro coisas das quais esqueci e refaço/acrescento algumas ideias (saibam mais sobre o outline).

 

Ter um bloco de notas para tudo: tenho dezenas de agendas, post-its, anotações no celular, enfim, sou uma pessoa armada para o embate na hora da escrita. É bom ter um caderninho que possa ser carregado em todos os lugares, algo meio old school que aprecio bastante. Mesmo com um outline “fixo”, sempre faço outro, especialmente quando as ideias estão bem confusas. Isso me acalma e não escrevo agitada (o que tende a render páginas de porcaria).

 

Pausa: antes eu ficava com vergonha de mim mesma ao parar de escrever. Às vezes, o motivo era válido. Outras vezes, nem tanto. Não me atenho tanto a inspiração para escrever, pois acho que força de vontade está acima de qualquer coisa. Porém, nem sempre isso funciona, pois as ideias param de fluir. Ao invés de insistir, como sempre fazia, resolvo parar e rever tudo o que fiz. Isso evita capítulos deletados, frustração, chateação e indignação. E novas ideias nascem, muitas inesperadas. Para mim, pausar a escrita é como solucionar um problema presa em 4 paredes. É difícil, mas o insight sempre vem, acreditem.

 

Muitas coisas acontecem depois da elaboração de um outline – como a falta de vontade de escrever. Um comportamento unânime. Uma das coisas que aprendi ao estar envolvida com o We Project é que a palavra inspiração deveria ser trocada pela palavra estímulo. Você precisa estar rodeado de coisas que lhe dê motivos para sentar e produzir. Aquele empurrão, nem que seja para escrever meia página no Word, o que já é muita coisa. Atitudes pequenas combatem aquele desânimo básico ou diminuem a culpa de não ter feito nada (um sentimento que me mata).

 

Neil Gaiman já disse: seja um dia bom ou ruim, faça boa arte. Nem que seja 1 parágrafo.

 

Acho que, conforme se escreve, mais coisas você aprende sobre si mesmo. Nunca cansarei de dizer isso. No meu caso, foi a oscilação de humor. Outra lição valiosa que aprendi: você é a mala sem alça de si mesmo. Um pentelho que vale por mais de 10 pessoas. É preciso descobrir a melhor maneira de driblar o próprio pessimismo – o que nem sempre é fácil.

 

É aí que vem a procrastinação. Uma palavra que muitos têm alergia.

 

Outra coisa que aprendi conforme escrevo é que é preciso pausar. Eu não posso trabalhar no piloto automático. Para mim, não compensa. Tornei-me muito atenta aos detalhes, especialmente no quesito outline. Se eu não tiver um plano do que escreverei a seguir, não me atrevo a escrever nada, pois sei das chances de frustração. Aquele escreve + deleta é um tiro no meu peito! Assim, o outline se tornou o meu estímulo. É nele que sempre encontro as razões para continuar. Pausar também me ajuda quando não sigo para canto algum. Nada como um banho inspirador ou uma maratona de séries. Às vezes, só é preciso desanuviar a mente, o que costuma levar 24 horas, mas sem culpas.

 

Eu tenho certeza de que estou esquecendo de alguma coisa, mas considerei alguns hábitos que já se tornaram rotina na minha vida de wannabe escritora. Espero ter ajudado!

Stefs
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