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16/out

Parece que as coisas começam a se normalizar em Chicago Fire. Depois dos episódios triplos que prolongaram com sábia inteligência o luto pela Shay, o intuito agora é voltar ao caminho que faz essa série estarrecedora. Para isso, nada como uma bela dose de rotina e alguns problemas pessoais para mostrar que a vida continua no 51º Batalhão. O episódio desta semana foi um misto de apreensão e de tristeza. Nem sei ao certo o que senti, mas achei tudo muito intenso por causa do fantasma da paramédica. Fiquei triste a cada menção, como se os showrunners quisessem firmar pela última vez que Shay se foi e que devemos aceitar isso pelos olhos e pelo coração de Severide. Além da amargues final do luto, outro ponto extremamente importante foi o tema de transição, tanto pessoal quanto profissional de Mills e de Gabby. Até incluo o Kelly, o único fio interligado à memória da melhor amiga.

 

Severide foi o destaque desta semana e continuou em negação. Tenho que dizer que racho horrores com as atitudes de bebum dele. Adoraria tê-lo como companheiro de copo. As palminhas animadas e o riso alegre eram puras fachadas de uma pessoa que ainda tenta não pensar nos acontecimentos da explosão. Foi dele a cena de mais impacto esta semana e fiquei com o coração na boca. Só mesmo Severide para ir atrás de um atirador, como se não estivesse nem um pouco a fim de preservar a própria vida. É muito fácil vê-lo como um desistente por causa do pouco caso que tem dado a coisas mínimas – como ter abrigo na casa do Casey – e, sinceramente, considerei a atitude de ir para o centro da bagunça no trem meio autodestrutiva. Às vezes, uma pessoa no luto busca sarna para se coçar. Geralmente, para se sentir mais viva ou por não ver mais objetivo na própria existência. É barra!

 

Dar o peito para morrer, ainda mais meio desnorteado por causa da bebida, não me fez pensar logo de cara no heroísmo que Severide representou no momento. Fiquei bem agoniada por causa do bom hábito de não saber o que esperar. O Tenente nos trilhos com a mulher baleada me deixou aflita, pois vou dizer que esses túneis não são os melhores lugares para se dar um passeio. Palavra! O personagem foi corajoso, não tem como negar, mas achei estranho ele ter enchido a cara e estar completamente consciente para exercer o trabalho. Considerarei isso como um benefício da soneca (dormir ajuda a diminuir o poder do álcool, acreditem!) e pelo que chamo de vocação para fazer o job, especialmente em momentos de alta tensão – que foi o caso. Severide arrasou ao mesmo tempo em que colocou em cheque o próprio estado emocional.

 

Mesmo com um salvamento bem-sucedido, que rendeu a aparição da Burgess (que estava poderosa na abordagem dos membros da gangue) e Sean (que mantém o espírito de conselheiro intrometido), Severide continuou a caminhar na corda bamba. Tenho que dizer que achei o cúmulo o Boden ter que chamar a atenção dele. Várias vezes! Esse bloqueio com relação à Shay o fez agir em alguns momentos de um jeito estúpido e só relevarei por causa dos sentimentos dele. Como Dawson bem pontuou, Severide precisava de um motivo para sair da escuridão, de uma razão para se agarrar e voltar, e esse foi o grande passo para a aceitação. Porém, foi meio triste vê-lo dizer ao Casey que não tem mais ninguém e foi aí que o perdoei.

 

Severide vem de um arco de má sorte. Desde Katie, o Tenente não tem se dado bem no quesito emocional. Neste episódio, o objetivo era fazê-lo aceitar a situação pós-explosão e a mulher que tomou o tiro foi o caminho para isso. Ela foi o impulso para Severide dizer o que não disse para si mesmo: Shay morreu. Acabou. Ou aceita ou continua sendo babaca. A expressão dele no final do episódio doeu na alma. Ainda mais quando penso que todos os elos de carinho que ele criou da 2ª temporada pra cá lhe foram tomados bruscamente. Shay é a constante maior, mas é possível imaginar que ele tenha acumulado tudo e duelou com tremenda dificuldade para digerir o que bloqueou. Basicamente, o mesmo processo da Dawson, que veio do drama da Jones. Meus sentimentos com relação ao personagem esta semana me deixaram indecisa, pois uma hora me compadeci e na outra quis jogá-lo pela janela.

 

Só depois de muita reflexão para entender o que esse bombeiro estava passando.

 

Confesso que esperava mais do Casey. Ok que o conselho dele calhou como um gatilho para a aceitação de Severide, mas dava para fazer mais. Os conflitos do Tenente do Esquadrão estavam claros, se derramando pelas bordas. Boden representou uma ponte crucial para esse processo e amei todas as chamadas de atenção. O que achei mágico é que Severide tinha tudo para surtar, eu meio que esperava isso, especialmente depois que Casey foi atrás dele na salinha. O bombeiro estava naqueles dias que não se deve sair da cama e queria estar morto a cada menção à Shay. O nome que fez questão de evitar depois do incidente. Com leves cutucões, acho que Severide conseguiu uma libertação. Espero que ele esteja melhor semana que vem, pois não há mais necessidade de estender esse plot.

 

Fiquei muito entusiasmada com a Dawson de bombeira e o começo desse plot foi além do que esperava. Não no quesito força, porque eu sei que ela tem muita, mas no quesito comportamento dos companheiros de trabalho. A ex-paramédica sempre foi endeusada. Para tudo, ninguém hesitava em dizer que ela é maravilhosa. Agora, ovacioná-la não faz parte do pacote dessa transição, pois Gabby se tornou inferior a todo mundo. Foi genial do começo ao fim Herrmann supervisioná-la durante os chamados. Achei a frieza um máximo! Dawson percebeu que o pedido para ser tratada com indiferença, com profissionalismo e como qualquer outra bombeira, não é tão legal assim. Literalmente, aqui está um caso de que fala e prática não condizem. Uma das razões de viver da personagem é provar que é boa e foi isso que ela buscou no decorrer do episódio. Afinal, Dawson tem um pequeno problema de ego. Ela não aceita ser minorizada. Ela não aceita falhas. Ela ficou claramente possessa por não ter dado conta do job e não lidou bem com as chamadas de atenção.

 

Não era isso que queria, Dawson? Pois receba!

 

Não me entendam mal, eu gosto muito da personagem, mas é delicioso vê-la sair do pedestal. Dawson ficou morta de inveja da Jones no caminhão e se divertiu quando a ex-companheira de Academia era chutada, especialmente por Herrmann. O que vai volta, né? Ficou claro que Gabby meio que achou que essa transição seria uma belezinha. Que Casey seria durão, mas não tanto. A confiança dela estava no auge e foi sensacional ver isso despencar. Nada como ser açoitada durante o expediente e sentir na pele a emoção. De novo, Herrmann repetiu a dose de pseudo-Tenente e a mandou direto para a cozinha. Caí pra trás! Foi sofrível ver que Gabby chegou ao ponto de pedir arrego para o boy. Em contrapartida, a personagem não perdeu a chance de mostrar certa superioridade contra as pegadinhas dos parceiros de job e usou os acontecimentos do 1º dia de treinamento como estímulo para ser melhor. Dawson sambou no improviso no último chamado, sua primeira lição como Candidate.

 

Eu gostava tanto do Mills na 1ª temporada e me pergunto se só eu tenho achado ele um porre. O antigo bombeiro também passou pela transição e estreou na ambulância. Se ele estava feliz e confiante? Nem um pouco. O coração dele estava cheio de inveja pela ex-namorada. Às vezes, até me esqueço que Peter e Gabby tiveram alguma coisa, pois ambos mal se olham nas fuças. Chego até a pensar que a dinâmica dele com Brett não será das melhores, o que exige um chamado fatal, pois ambos estão a base do sonífero. Tenho que dizer que fiquei inconformada com a chamada de atenção que Mills deu na Sylvie, como se estivesse na ambulância há mil anos. Achei injusto. Sei que a novata não tem experiência para o caos de Chicago, mas poderia ter rolado uma gentileza, até porque ele também sentou agora na janelinha. É certo ser um pouco duro para balançar as estruturas de outras pessoas, mas ambos estão na mesma posição. Mills pode ter a experiência visual para atrocidades – e meses de Batalhão –, mas isso é insuficiente para se sentir o bonzão.

 

O plot da Brett começou a se destrinchar e estou contente. Não sei porque os fãs da série implicam com ela, sendo que só agora a personagem terá a chance de provar seu valor. Tudo bem que isso começou errado, pois ela é uma mentirosa. Ah! E sabe guardar segredos (vale o lembrete). Posso dizer que achei o Harrison meio freak? Não tem como confiar num cara que abandona a mulher no altar e depois de meses volta atrás, como se fosse o Silvio Santos, preparado para tornar qualquer sonho possível. Botem um freio nesse mané! Ele me saiu como um belo stalker e a pobre da Sylvie aparenta ser ingênua. Só aparenta, embora aquela expressão de boba me faça ter pena. Oh! Lord!

 

Para finalizar, Herrmann foi negado no posto de Tenente e na hora pensei em uma troca com o Severide – caso ele não saia da fossa pela Shay. A oferta de mudanças no 51º Batalhão está de vento e popa, não? Herrmann mandou bem com a Dawson, quem sabe ele tem a mesma chance que o Otis anda tendo, e brinca de ser Tenente por um dia.

 

Espero que na próxima semana o babado seja outro. Tá na hora de deixar a Shay descansar em paz, né?

Stefs
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