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02/out

Eu não sei se é só comigo, mas ainda estou de luto pela Shay. Estava muito apavorada só de pensar em assistir a esse episódio de Chicago Fire justamente por não saber o que esperar. O clima permaneceu pesado e ficou solto no ar o sentimento de viver cada dia como se fosse o último. Tenho que dizer que os outros membros do 51º Batalhão me parecem meio deslocados (isso sem incluir os novatos) depois da explosão. Como se 6 semanas tivessem sido suficientes para digerir os últimos acontecimentos. Não que eu esperasse um rio de lamúrias, mas a confortabilidade de alguns (Cruz, Mouch, etc.) tem me incomodado um pouco. Entretanto, parece que esta temporada se empenhará forte na dramatização. Não me espantei quando me vi aos prantos de novo, como se não houvesse amanhã.

 

O episódio frisou a perda de Shay. Por causa disso, a trama continuou meio morna. Os chamados semanais não causaram tanto estardalhaço por terem tido o mesmo objetivo da semana passada: focar no vazio deixado pela paramédica. No episódio anterior, Dawson ganhou um pouco mais de atenção e tivera seus sentimentos trabalhados e, dessa vez, o foco foi em Severide. Esse respaldo serviu para concluir o arco da explosão. Depois de assistir ao episódio, concluí que seria desumano se esses dois personagens virassem a página tão rápido. Ninguém se desvencilha de uma perda tão impactante de uma hora para outra, e acho bárbaro quando a ficção respeita esse timing. Dawson e Kelly ainda sofrem e sentem o peso do luto.

 

Agora, ambos migraram para a fase final que é a aceitação.

 

Não houve salto no tempo que os motivasse a ficar bem do dia pra noite. Juro que se não os visse desmoronar, ficaria completamente insatisfeita. Foi de muito tato mostrar que esses personagens ainda estão feridos e arrebatados. É a ordem natural das coisas. Manter esse viés tristonho foi extremamente crucial para dar um tipo de libertação a eles.

 

O intuito do episódio foi situar Severide na trama já que o personagem ficou de fora do 51º Batalhão na semana passada. Não foi nada bonito vê-lo com aquele sorrisão, como se a mudança para o apartamento do casal de amigos fosse um brinde antecipado de final de ano. Eu tenho trauma de personagens que choram em um episódio e aparecem no outro como se nada tivesse acontecido. Não sou tão fã desse estado de dormência à la Elena Gilbert. Ninguém dá a volta por cima de uma hora para a outra. O máximo que ocorre é negação, um status que abalou Dawson na semana passada e que agora pegou Severide pelos calcanhares. O bombeiro se protegeu na fachada, bloqueou os sentimentos pondo a mão na massa e distraiu os pensamentos na bebida. Compreensivo.

 

Como disse Lindsay, cada um tem um jeito de lidar com a perda. O problema é que Severide não estava com o pique de debater o que sentia, ao contrário de Gabriela que tentou e só desabafou depois de muita pressão.

 

Severide não é meu personagem favorito, mas tem me cativado desde a season premiere desta temporada. Não há dúvidas que ele dá o seu melhor quando os sentimentos estão à flor da pele. Vê-lo despedaçado sempre é algo que machuca. Lembro-me da época da Katie, momentos difíceis que o deixou aos frangalhos. Contudo, ao mesmo tempo em que mastiga a dor, o bombeiro dá aval para o seu lado hostil aflorar. A versão dele esta semana não foi tão diferente do que costuma ser. Porém, me surpreendi, da mesma forma que aconteceu com Dawson, pois esperava uma reação muito pior. Severide, no meio do mato, fugindo da dor, lhe deu a chance de “ficar de boa”, um clima que se molda quando queremos contornar um problema. Assim que Tenente Kelly pisou no 51º Batalhão, imaginei sapatos voando na ignorância.

 

Por ser convicta de que o bombeiro é meio imbatível, que tudo consegue, que tudo faz, que tudo dá um jeito, vê-lo fraco, incoerente e perdido me deixou balançada. Ele é a pessoa que imaginaria revoltada, sem paciência, sem saco para mostrar serviço. Severide agiu totalmente ao contrário do que esperava e gostei disso. Não o descaracterizaram, mas lhe deram mais nuances que ressaltaram a sensibilidade que dificilmente demonstra. Isso acarretou um comparativo entre Dawson e ele: ambos focaram no trabalho, sorriram para fingir que tudo estava bem, se permitiram e mergulharam na lama, e desmoronaram quando o gatilho Shay foi cutucado. Essa montanha-russa de emoções não deixa de ser algo inédito de ver quando esses personagens ganham o foco, pois os dois são racionais e práticos. Não há quem os faça baixar a guarda, a não ser uma calamidade. No caso, Shay, a melhor amiga em comum.

 

Foi excelente ver a postura firme, decidida e solícita de Severide. Meio Dawson na semana passada, toda prestativa e atenciosa. Ao contrário da paramédica, o bombeiro não recebeu Sylvie de braços abertos (aqui a hostilidade) e achei justo darem a ele o direito de não tratar tão bem uma mulher que tem a fisionomia semelhante a da melhor amiga. O personagem trabalhou como se tivesse focado na promessa feita com Shay, a de priorizar o trabalho, não importando o quanto a vida estiver ruim. Confesso que dei risada da bebedeira dele, Severide revelou toda sua tristeza no Molly’s, e fiquei sem chão ao vê-lo desmoronar diante da Lindsay. Fiquei satisfeita por terem dado foco a dor dele, já que Dawson teve a vez dela na semana passada. Foi válida essa alternação, pois era preciso sim mostrar os dois lados da moeda.

 

Depois de ter chorado as pitangas no episódio passado, Gabriela voltou ao ponto em que sua vida parou antes da explosão. O que vi foi uma mulher que estava apavorada diante da ideia de seguir em frente, como se fosse um pecado ser feliz depois da perda da melhor amiga. Mesmo meio neurótica, Dawson foi atrás do dela. Era óbvio que a transferência não rolaria, não só para complicar o casório com Casey, mas para aumentar os debates sobre machismo. Achei um máximo a cara de pau da paramédica em levar umas cervejinhas para aquele grande cretino do Welch e seu bando, e em jogar com grande estilo o quanto esse demônio perdeu em não aceitá-la. Eu não sei se fico triste ou feliz com isso pelos seguintes motivos:

 

1.: se Dawson fosse transferida, seria incrível vê-la em um ambiente com clima tão pesado, em um espaço que qualquer mulher não é bem-vinda. É fato que a personagem se daria mal no começo e depois arrasaria.

 

2.: seria muito sem nexo incluir o 105 em Chicago Fire. Não há espaço na trama para apertar duas equipes de bombeiros e não ornaria com o propósito da série que é só dar foco na rotina e na vida dos membros do 51º Batalhão.

 

De todos os casais que já acompanhei na ficção, Dawsey é um exemplo que se assimila em muitos pontos a um casal adulto da vida real. Os dois possuem um desenvolvimento de storyline incrível, especialmente por não terem esquecido dos pontos altos e baixos de um relacionamento. O que sempre achei encantador entre Dawson e Casey é como eles cresceram, lado a lado, passo a passo. Devagar, sem pressa. Uma das coisas que amei quando mergulhei em Chicago Fire é essa demora em consumar um relacionamento (ou qualquer plot responsável pela tensão da trama). Aqui não rola esse papo de amor à primeira vista. Muitos showrunners deveriam assistir essa série para entenderem o que é construção de romance. Depois de muitas intempéries, ambos estão noivos. Oficialmente. Confesso que fiquei na corda bamba com eles na temporada passada, os conflitos meio que bobos e de revirar os olhos, mas fez parte do processo. Pirei que nem uma condenada com a caixinha com a aliança e aqueles sorrisos bobos que deu gosto de apreciar. Eu gosto demais da química Spencer x Raymund.

 

Melhor que isso foi ver Gabby desmoronar de novo. Digo “melhor” pelo simples motivo dela ainda sofrer pela perda da amiga. Por ainda rolar toda uma culpa e um receio de seguir em frente. Há beleza na tristeza, e o desespero da personagem ao se dar conta de que não terá mais Shay para contar as novidades me deixou sem estruturas. Casey tem exercido um papel extremamente fundamental não só na vida da noiva, como na do Severide, e tenho gostado de vê-lo como alicerce. Alguém precisa ficar no meio desses dois para mantê-los no eixo. O luto gera pensamentos ruins e sentimentos de incapacidade, de frustração. O efeito rebote é do jeitinho que Gabriela descreveu: sempre pega de surpresa. Tanto ela quanto Severide terão muito que trabalhar para colocar o emocional no lugar e espero que esse ritmo seja mantido. Tem sido interessante (e devastador) acompanhá-los sem eira e nem beira, sentindo e ponderando a ausência de Shay.

 

Outros pontos

 

Os chamados da semana foram bem sutis de novo. Só o 1º foi assustador. Os demais só serviram de plano de fundo para criar um mistério ao redor da Sylvie (qual é a dela, gente? Muito me chamou a atenção o fato de ser boa com segredos) e para colocar Mills em perigo só como um lembrete de que o trabalho dessa turma pode levar mais um deles. Tudo suave para não tirar a atenção do Severide e para terminar/iniciar algumas storylines.

 

A parte não tão engraçada ficou por conta – como sempre – do Herrmann. Posso dizer que acho esse plot meio deslocado? Parece que esse quarteto está em outro plano em que a perda de Shay não aconteceu. Os únicos que mostraram incômodo foram o Otis e o próprio Herrmann que continuou preso à ideia de abrir uma franquia do Molly’s inspirado na teoria de “posso não estar aqui amanhã”. O bom dessa storyline é que Cruz tem grandes chances de ter destaque, algo que só aconteceu lá na 1ª temporada. Eu gosto do jeito atrapalhado dele.

 

Mills já foi uma pessoa legal e o plot dele me irritou antes mesmo de começar. Como ele me tira as próprias conclusões com base nas justificativas da mãe? A maior mentirosa de Chicago? Não curti a explosão do bombeiro para cima do ainda incógnito parente e acho que ele se arrependerá, como de praxe. Eu não confio na mama Mills, embora tenha aceitado a tese de que Henry e ela sumiram do mapa com o filho por motivos de racismo. Seria uma pauta interessante de trabalhar na série, mas acho que não é o momento. Afinal, é bem provável que o dilema da Dawson não terminará e não há espaço para mais um tema polêmico. Não agora.

 

Eu imaginei que algo maior estava programado para Lindsay e Severide, mas o que vi foi um cold shoulder tremendo da parte dela. Apaixonei-me ainda mais pela detetive. Adoro mulheres na ficção que se priorizam, que se dão valor, que deixam as coisas bem claras. Erin foi fina e correta com o bombeiro, pois deu a entender que ele sumiu por 6 semanas sem aviso. Severide foi bem cara de pau em dar uma ligadinha para ela, viu? A personagem provou que é independente demais, que respeita não só os limites do próximo, como os próprios. Arrasou!

 

Agora, o fogo pode rolar solto (mas que não me leve ninguém, pelo amor de Deus!).

 

PS: eu me acabo com o Chief todo preocupado com a Donna. Que não aconteça nada com esse bebê, pois vou para Chicago invadir os estúdios da NBC.

Stefs
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