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03/out

Que episódio complicado, não? Toda vez que acho que o Voight já cansou de surpreender, os escritores de Chicago P.D. dão um jeito de me deixar sem palavras. Uma das partes mais sensacionais desta série é que os plots sempre são dados aos pedaços. Pequenos teases para nos inquietar enquanto os conflitos se desenrolam. Como comentei na resenha de Chicago Fire, gosto muito desse prolongamento. Acho perfeito ver como os showrunners seguram determinados pontos sem transmitirem a sensação de que somos enrolados. Eles sabem dividir as storylines que são destrinchadas aos poucos para aumentar a tensão.

 

Esse detalhe contribui para tirar qualquer um do juízo. É fato que muitas coisas poderiam rolar esta semana, o episódio anterior abriu várias possibilidades, como o probleminha do Halstead, mas nada mais sensato que apenas provocar. Tudo ocorreu naturalmente, a passos lentos que incitam e que envolvem. Só sei que o resultado foi um coração na mão e a vontade de dar um montinho no Voight.

 

O caso semanal não teve nada a ver com Bembenek, mas é provável que ouviremos muito sobre ele. Chicago P.D. deixou claro na temporada passada que o trabalho em cima de um grande vilão significa deixá-lo na penumbra até o retorno ser conveniente. Ao menos, é o que se espera para a S2 também. Enquanto esse momento à la Pulpo não chega, o babado envolveu Voight e o seu passado. Fico sem reação quando um pedaço da vida do nosso caro Sargento vem à tona, pois eleva as mais variadas sensações. Como dizem por aí: como é possível odiá-lo em Chicago Fire e amá-lo em Chicago P.D.? Juro que faço essa pergunta toda vez que a storyline dele dá uma dessas. Do frio para o quente. Esse é Hank Voight.

 

As mortes que ganharam foco neste episódio não foram apenas uma suposta treta do crime organizado, mas um cutucão no ego desse homem que apenas é revestido de uma camada de gelo. Voight tem um tremendo coração. É meio estranho reconhecer esse fato quando o Sargento desmorona, até porque ele acolheu Erin, então, isso meio que denuncia que o personagem não é tão ruim assim. Foi meio estranho não vê-lo estourar, impaciente, como de costume, pois o caso da semana atingiu proporções pessoais.

 

Não tinha nada a ver com vingança e retaliação. Esse viés mostrou que Voight não passa de um perdedor. Não tem a esposa, o pai não deve ter sido um santo, o filho é um irresponsável… Ele não tem nada a não ser o trabalho, o que dá mais respaldo ao foco dele em sempre salvar o distintivo.

 

Voight pode ser contido em N pontos, mas, ao menos para mim, o olhar o denuncia. Quando Antonio avisa sobre a nova vítima, encará-lo foi o suficiente para saber que este episódio teria um Q de familiar, um peso pessoal. Foi um dilema que trouxe um pedaço do passado do Sargento que, a cada episódio, mostra que tem muita história para contar. Essa cena, que também deu aval para ressaltar o azedume de Erin, provou que Beghe sabe dominar o próprio personagem. Do prático e incisivo, ele passa para o sentimental e ponderador. Basta cutucar a ferida certa. Com um estalido, aquele homem animalesco, sempre tão impaciente, foi derrubado. Nem todo mundo é o que aparenta, nem mesmo o melhor amigo, e isso acarretou um plot twist que me deixou sem fôlego. Nick não era tão camarada e reconhecer isso requereu reflexão. Não é à toa que Voight preferiu guardar na memória a parte boa.

 

Por ser Voight, jamais daria a ele um BFF. Esse cargo, na minha mente, é muito bem ocupado pelo Al. Quando o lado humano do Sargento vem à tona, é fato que a trama fica mais densa. A perda de Nick o fez reviver muitas coisas. Mal acreditei na caixinha de fotos dentro da gaveta, pois isso não é típico do Voight. Ao menos, não é o que esperamos dele. Por ele viver na defensiva, é impossível não se chocar ao vê-lo rememorar momentos felizes. É de chorar! Por eu ser extremamente ligada na nuance sombria do personagem, me derreto quando as fraquezas se revelam. É maravilhoso dar de cara com o improvável lado do bem do Voight. Isso me faz indagar como ele virou um policial corrupto. Só pela grana mesmo? Ele não faz o tipo que é influenciado. De novo, Voight foi uma caixinha de surpresas.

 

Fiquei passada quando Nate se revela como o criminoso. O pensamento que me abateu foi: como julgá-lo? Ele fez justiça com as próprias mãos, uma atitude extremamente errônea. Por mais que um cidadão mereça ser extirpado do mundo, ninguém tem direito de tomar essa decisão. Quando Jay o descobre, eu estava agarrada a descrição do olhar frio, aceitando a tese de que o garoto não passava de um maluco que encontrou na carreira militar a autoridade para fazer o que bem entendesse. O que se desenrolou foi um tapa na minha cara e na do Voight. Nate só queria proteger a família. De novo: como julgá-lo? É complicado, pois se tratou de uma pessoa sã que escolheu o meio errado para acertar as contas. Claro que não deixa de ser homicídio, tem que ir em cana mesmo, mas o caso do Nate é aquele que ata as mãos. Em tese, o adolescente não estava errado, só queria se vingar. Um talento perdido.

 

O drama do Halstead

 

 

Jesse tem arrasado muito nesses dois últimos  episódios, outro que merece um montinho. É aqui  que vale meu comentário de que certos plots são  dados pedaço por pedaço para criar uma atmosfera  impregnada de tensão. Por eu ser muito acelerada  quando o assunto é Chicago P.D., achei meio  anormal Jay estar tão tranquilo em mais um dia de trabalho. Achei incomum os outros detetives estarem de boa. Acho que parte da minha mente, que é muito fã de Homeland, esperava o FBI na porta da Unidade de Inteligência. Pobre de mim! A abertura do episódio relembrou que a cabeça dele ainda está em jogo a mando de Bembenek e os primeiros sinais de que ninguém está de brincadeira foi dado em dois momentos: a invasão no apartamento e a tentativa dentro do bar. Essa última cena me deixou boquiaberta. Não só por ter criado um estrondoso cliffhanger para semana que vem, mas pela forma como Erin saltou para protegê-lo. Eu não sei lidar com a parceria desses dois. Juro!

 

Jay pediu para morrer neste episódio antes de alguém tomar a iniciativa. Ele é outro que por detrás do jeito irônico e impulsivo tem um tremendo coração. Gostaria que Chicago P.D. investisse em flashbacks, mas a premissa é tão fechada que torna essa ideia meio impossível. Precisaria de mais tempo de série (olha aí, NBC!). Chorei como uma bela manteiga derretida quando o detetive assume o controle no hospital, ressaltando a meta da carreira militar. Os braços erguidos, o olhar de medo e o discurso dele me deixaram no chão. Eu não posso mais com o Halstead. O personagem deu um show e conseguiu até tirar um pouco do brilho do Voight da depressão. Estou amando essa storyline que ainda nem começou direito.

 

Os demais babados

 

Eu sou apaixonada pela Bush em todos os sentidos, desde a época de One Tree Hill, e fico pasmada como  me apaixono ainda mais por tudo que ela faz. Erin  sambou essa semana, tanto em Chicago P.D. como  em Chicago Fire. A personagem estava maravilhosa  ao lidar com a mãe. Ficou mais nítido o quanto a  detetive se fechou para se proteger. Ela é durona e  não tem papas na língua. É fato que metade do que Erin se transformou teve Voight como fonte de inspiração. Ao longo da trama, foi dado o palco para que mãe e filha colocassem o papo em dia. Preciso frisar outro ponto que acho formidável na série: o jeito de casar o passado dessa turma com os acontecimentos do presente. Chicago P.D. não só traz suspense nos casos semanais, mas no que esses detetives foram antes de assumir os postos que têm hoje.

 

Lindsay viveu demais, o que lhe trouxe traumas e, provavelmente, complexos. Sim ela é forte, independente e destemida, mas vamos nos lembrar do 1×06 em que ela aparece vulnerável por achar que deveria tirar satisfação com as “amigas” da escola ao ponto de mostrar que se deu bem na vida. Quando a detetive fala que ajudou Bunny em uma overdose com 9 anos, fiquei cheia de ódio. Um ódio que aumentou quando essa senhora comenta que tem o mesmo sangue que Erin, como se isso fosse lhe dar um pouco mais de crédito. Que bom que, nesses casos, pai/mãe é aquele/aquela que cria. Essa coelhinha comeu palhacitos.

 

Alguém sentiu falta do núcleo da Platt? Foi inédito não ter Burgess e ela. Achei estranho demais, pois adoro os pitacos da Sargento que costumavam ocorrer, independente do caso semanal. O tenso é que não senti falta e me dei conta desse “furo” só quando comecei a escrever esta resenha. Sem o Atwater, esse subplot perdeu totalmente o interesse.

 

Houve muitos pontos altos neste episódio de Chicago P.D. que foi, mais uma vez, imbatível. Fiquei com as emoções à flor da pele. O viés foi completamente familiar, tanto para o Voight quanto para causador dessa bagunça sentimental. Vale um adendo sobre a parceria do Sargento e Antonio, uma investida que tem tudo para ser promissora. É bom vê-los em um posto semelhante, meio gerente e subgerente. Quem também merece um pouco de carinho é o Ruzek que, por mais que tenha mudado a postura no meio da ação, continua atrapalhado e com pinta de novato. Rachei horrores com o fato dele não saber como fazer um retrato falado.

 

Estou ansiosíssima para conferir o próximo episódio. Alguém proteja o menino Jay!

Stefs
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