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20/out

Este episódio me deixou meio indecisa. Acho que foi um tanto quanto arriscado deixar Clara assumir toda a trama, pois as chances dela agir de um jeito insuportável eram altíssimas. Digo isso por causa do ego elevado da personagem que consegue ser pior que o flerte para cima do Doctor (ao menos era). Senti estranheza quando a vi colocar os sapatos do Time Lord, mas até que gostei. Como disse em algumas resenhas, Clara me deixa na corda bamba. Há momentos em que a adoro, outros nem tanto. Outro detalhe maravilhoso dessa trama cheia de suspense foi a concepção visual dos inimigos da vez. O que foi o efeito 3D? Tem como levar esse episódio para o cinema? Achei fantástico! Bem como a mini-TARDIS. O trabalho de edição foi excepcional – como sempre. Nem parece as montagens dos 3 primeiros anos do reboot da série, dignas de muitos risos.

 

Doctor e Clara abriram o episódio em um clima apaziguador. Pareceu até que ambos tinham entrado em um acordo depois de tanta discussão. A companion continuou a brincar de affair e achei graça do 12º falando que ela poderia deixar as roupas na TARDIS. Parece um romance, sendo que não é um romance. O pobre do Danny voltou a pagar de trouxa ao descobrir que a namorada não tinha se demitido do posto de companion e achei muito válido não rolar uma DR. Afinal, não era o momento. Foi de muito bom tato essa pequena mentira de Clara ter caído por terra, pois a temporada está colada no episódio 10 e não vi Danny agir como o tal novo companion (da mesma forma que Rory na 5ª temporada). Não aguento mais esse joguinho da Clara. Estava mais do que na hora de barrá-la.

 

O erro de pouso, em uma anormal Bristol, arrancou boas risadas por causa do tamanho da TARDIS. Achei fantástica a reação do Doctor perante o acontecimento inusitado e achei ainda mais fantástico a súbita “crise de burrice” dele. Os faniquitos por não compreender o que rolava provou que nem tudo esse homem domina. Esse sinal de fraqueza é bem-vindo, ainda mais quando falamos dessa versão que não admite nem um pouco ser deixado para trás. Abandonar o posto de chefe, de gênio e de salvador do dia para permitir que Clara assumisse e brincasse de Doutora deve ter doído bastante no ego. Ainda bem que o Time Lord levou bem de boa e não deixou de admirar as decisões da sua companheira. Fiquei no chão quando ele a elogia, crente de que não haveria mais vida fora da própria espaçonave.

 

A proposta da trama foi a mesma do episódio anterior. Os aliens não foram importantes, só estavam ali para testar uma nova perspectiva da relação de Clara e do Doctor. De novo, a situação tinha como objetivo fincar a confiança abalada no Orient Express e na viagem para a Lua. Inclusive, captei a intenção de fazer ambos se enxergarem de um novo ângulo para tirarem as próprias impressões devido à troca de sapatos. Clara se tornou a chefe e o Doctor a companion de bolsa. Fiquei no chão com a expressão do Time Lord ao escutar como Clara o vê. A trama em si ofereceu essa chance de percepção e usou muito bem o ditado de ‘se colocar no lugar do outro’. Não passou de mais uma lição de casa que essa dupla precisava para não rolar a milésima discussão sobre moralidade.

 

Por outro lado, fiquei satisfeita com a pausa dos surtos da companion, um detalhe que já tinha virado um disco arranhado. Gostei de ver Clara assumindo o controle da situação e de ter percebido que não é tão simples assim ser o Doctor. Há algumas semanas, ela exigiu o altruísmo do 12º, bem como um pouco mais de sensibilidade ao lidar com as pessoas que estão em perigo. A cena crucial que a fez perceber que não é tão fácil ser salvadora e altruísta foi quando coordena o grupo junto com Rigsy. Ela notou, cheia de amargura, que para seguir adiante precisaria mentir e atiçar falsa esperança. Isso a deixou em parafuso, pois a primeira coisa que pensou foi em salvar todo mundo. Porém, a companion voltou ao que o Doctor disse na semana passada: só há escolhas difíceis e, mesmo assim, é preciso escolhê-las. Achei genial a personagem perceber esse dilema a partir do momento em que mergulhou nesse mistério digno de calafrios.

 

Sozinha, Clara pôs na balança e mediu o que é ser um Time Lord, tanto na sacada final quanto nos últimos minutos quando, aparentemente, não há mais saída.

 

Deixar Clara assumir a problemática da trama, que me soou muito The Leftovers, com desaparecimentos de pessoas em massa, sem mais nem menos, foi de muita responsabilidade. Jenna é maravilhosa, mas sua personagem vive de momentos. Acredito que, por meio do caos, Clara compreendeu de uma vez por todas o que é ser Time Lord. Nada mais sensato que pô-la no lugar dele e fazê-la enfrentar os mesmos conflitos internos diante da possibilidade de não conseguir salvar ninguém. Não tem nada de poético ser o Doctor e Clara sentiu na pele. A parte excelente foi a tomada de decisão no final da trama que fez toda a diferença por ser uma resolução by Clara Oswald. Não by Doctor. A personagem preservou os próprios instintos para resolver o problema com os aliens.

 

Ao invés de se perguntar e ter como resposta uma atitude típica do Doctor, a companion partiu do próprio raciocínio e ganhou milhões de pontos por fazer do simples uma jogada tremenda para não só travar os inimigos, como para recarregar a TARDIS. Enquanto o Doctor sempre resolve tudo com pensamentos aliens, Clara humanizou o impasse. A menção à Família Addams e a fuga da mãozinha do Doctor foram sensacionais.

 

O ponto negativo da Clara veio no final do episódio. O Doctor assumiu que ela foi boa durante o perrengue, por que forçar a barra para escutar a mesma coisa, só que de perto? Detesto esse desespero dela em ter aprovação. É o problema do ego, o que mais me tira do sério (quando não é o flerte). A personagem arrasou, mas, nos minutos finais, queria que ela fosse achatada por causa da necessidade de ser elogiada. Uma necessidade maior que fazer o 12º ser mais transparente com o que sente. Clara não consegue ficar contente, né?

 

Quem também aprendeu bastante, claro, foi o Doctor. Glorifiquei de pé o posicionamento dele diante dos aliens, chamando-os de inimigos, todo raivoso, protegendo os humanos que até alguns dias dissera que não “era seu problema”. Capaldi humilhou de novo.

 

Por mais que tudo tenha sido muito lindo neste episódio, começo a ficar com a sensação de que falta alguma coisa. Se formos somar tudo o que aconteceu nesta temporada, só temos as bipolaridades do novo Doctor, Clara e os surtos, Clara com Danny, aventuras no espaço e a crise de companheirismo entre o alienígena e a humana. A temporada está quase perto de acabar e o que interessa ainda não saiu da penumbra. Por isso, estou à espera de uma tremenda reviravolta, pois, no quesito plot central, a season 8 não trouxe muita coisa. Sendo bem sincera, quem tem segurado tudo é o Capaldi. De novo, ganhamos um teaser de Missy muito interessada em Clara. A possível vilã assiste a vida do Doctor no streaming e daí? Vão mesmo, literalmente, achatar tudo para o final da temporada?

 

Os episódios estão magníficos, mas entrei no piloto automático, como se já soubesse de tudo o que acontecerá. Não sei se isso é impressão minha, pois há muitas dicas soltas em cada episódio, mas parece tudo meio previsível (mesmo não sendo. Só o comportamento dos personagens). Cadê a real tensão da trama?

 

Sinto que essa temporada terminará no ‘continua’. Não é possível!

Stefs
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