Menu:
27/out

Demorou, mas eis que finalmente chegou o episódio que me fez chorar que nem uma criança. Ele bateu fundo, deu uma chacoalhada e não demorou muito para eu me encontrar aos pratos. A intenção da história foi magnífica, cheia de valores marcantes. Como já disse em algumas resenhas, o que sempre fica comigo quando assisto a algum episódio de Doctor Who é a mensagem e, nesse final de semana, fui banhada por incontáveis delas. Tenho que dizer que In the Forest of the Night tomou o pódio de Listen na minha lista de favoritos. Ele me balançou e me deixou em pausa dramática por tudo ter terminado incrivelmente bem.

 

A trama abriu com o encontro inusitado entre Doctor e Maebh. De novo, me acabei de tanto rir com os comportamentos do Time Lord que provou de novo que não sabe lidar com nenhum tipo de humano. O personagem se apresentou um pouco azedo e impaciente em comparação aos últimos episódios, e cheguei a imaginar que ele se comportaria daquele jeito intragável que tanto adoro. Porém, houve uma pitada de diversão em cada palavra dele, especialmente por não conseguir maravilhar a garotinha. Achei demais vê-lo indignado com o fato da TARDIS não surpreendê-la. Mesmo com esse encontro inusitado que rendeu boas risadas, que fez rolar até um entrelaçar de mãos (que o Doctor se saiu muito bem, inclusive, melhor que os abraços), Londres voltou a chamar a atenção por estar, subitamente, tomada por uma floresta, do dia para a noite. Quando vi a promo deste episódio, imaginei que ele seria um tanto quanto encantado, mas não imaginava que seria totalmente. Fiquei apaixonada.

 

Logo saltamos para o zoológico e vemos Pink liderando um passeio escolar junto com Clara. Se ainda faltava algum motivo para amá-lo, este episódio lacrou. O teacher arrematou meu coração. Foi muito legal a dinâmica dele com os alunos, uma atitude de líder que vem de anos de treinamento e de serviço no exército. Foi demais ver os pequenos respeitá-lo e adorá-lo. Foi demais vê-lo tão empenhado em salvar a equipe e achei certíssimo todos os cortes dados em Clara por causa do Doctor. Era de se esperar a descortesia entre o Pink e o Time Lord, mas o que rolou foi apenas um altear de sobrancelhas. O professor se comportou muito bem para quem estava sendo a ponta otária do “affair” da companion. O 12º ainda não o curte – se é que algum dia curtirá por causa do fator soldado –, porém, parece que ele entendeu como funciona o cérebro desse alienígena. Achei muito incrível vê-lo priorizar o real e o palpável.

 

Morri com a reação dele em querer lavar a roupa suja com Clara depois, pois a prioridades eram as crianças. Quis estapear a companion por decepcioná-lo na caruda. Não aguentei com a expressão triste do Pink ao notar que foi enganado esse tempo todo. Enfim, o personagem é sensacional. Em todos os sentidos. Ele tem sido essencial para fazer Clara conflitar com muitos pontos pessoais por ela estar no embate mundo humano x alienígena.

 

Em contrapartida, Clara voltou a ter momentos. Digo isso porque achei bem chato da parte dela se esquecer da turma de alunos assim que viu a TARDIS. Ela pode ser a garota impossível, mas cadê o instinto de professora? Bem, ele sumiu por longos minutos, né? Ok que seria difícil não se empolgar ao ver o grande salvador do universo, ainda mais diante de uma anormalidade, detalhe que olhos de companion não veem como aleatório. Só acho que faltou um pouco de senso de prioridades. Clara só voltava a si quando Pink lhe dava um cutucão. Se o 12º fosse o 11º, tenho certeza que esse comportamento seria pior. Fiquei bem chateada por ela não ter percebido o quanto magoava o boy nessa brincadeira de omitir as viagens e por tê-lo entristecido algumas vezes na caruda ao deixá-lo para trás com a turma.

 

Clara nem conseguiu ser discreta com a sede de brincar de companion. Achei sem noção, como rasgar seda para o Doctor na frente das crianças. Não tinha necessidade, né? Aceito-a fangirling, mas faltou respeito, especialmente com os sentimentos do namorado. Sorte a dela que Pink é compreensivo. Se fosse outro, já a teria mandado passear, literalmente. Por outro lado, da metade para o final do episódio, a personagem deu uma melhorada, pois percebeu o que de fato é importante. Adorei vê-la incitar a curiosidade do namorado para todo aquele acontecimento, na tentativa de fazê-lo entender porque o tal “affair” com o 12º é tão incrível.

 

De fato, o teacher contrabalanceia os instintos da namorada. Clara tem muita experiência na TARDIS e age automaticamente como parte do cérebro do Doctor. Pink a faz desacelerar. Isso é bom, pois, no final, a garota impossível terá o colo de alguém, cuja presença aparenta ser permanente. Ao menos, se pensarmos nos teases sobre o casal no decorrer da temporada.

 

Chorei com ela por causa da decisão de deixar o 12º, um momento precioso, tão quanto os outros que rolaram neste episódio. Foi para morrer escutar o Time Lord admitir que a Terra é o mundo e o ar dele, uma evolução tremenda para quem pulou do barco e deixou o futuro do planeta nas mãos de Clara há alguns episódios. Os olhinhos lacrimejantes do Doctor não passaram despercebidos, sofri quando ele diz que pode salvá-la, e ela simplesmente recusa. É muito bom ver que ambos pararam com as bicadas e resolveram se compreender um pouco mais, especialmente em momentos decisórios, que sempre geravam treta. Dessa vez, o dilema aparentava não ter a mínima solução, pois as árvores soaram como inimigas. Vê-lo recuar fez toda a diferença no ápice da trama, pois, conforme comentei há duas resenhas, os surtos do personagem que decidiam o futuro de algum lugar se tornaram previsíveis.

 

Aparentemente, o impasse do súbito reflorestamento não tinha solução, e ambos concordaram pela primeira vez, sem pressionarem um ao outro. Apenas, deixaram a coisa rolar. Agora sim é possível dizer que o Doctor se entregou aos encantos da companion e vice-versa.

 

Adorei os retrocessos das crianças e dos comentários. Ruby me fez rir incontáveis vezes, assim como Bradley. O espaço que essa turma conquistou deixou a trama extremamente humanizada. Nada como tornar um evento solar em um projeto escolar prático. Nem sei o que dizer sobre o Time Lord lecionando e ficando a ver navios porque ninguém entendia bulhufas. Surtei com o Doctor maluquinho com a pentelhada fuçando a TARDIS. Deu para notar também o quanto o alienígena estava um pouco mais humano, mas sem deixar de cutucar certos comportamentos dessa raça que ainda o surpreende e o indigna.

 

Quero adotar a Maebh! Gente, quero essa menina para mim. Ela foi tão fofa ao longo do episódio que… Só sei sentir. Senti tanto que foi culpa dela as minhas lágrimas. Devo dizer que ela me lembrou da little Amy Pond por causa da jaqueta vermelha, mas isso só foi um mero insight de uma mente nostálgica. Essa menina foi a razão deste episódio ter sido tão lindo e maravilhoso. Basicamente, quem solucionou a trama foi essa personagem junto com as outras crianças que pensaram nos mínimos detalhes. O ponto de vista inocente respondeu as dúvidas do 12º, tais como um desenho, o que contribuiu para que tudo se tornasse mais especial. Enquanto assistia, me bateu um sentimento estranho de ser professora como a Clara.Não dá mais tempo Hahaha.

 

Quando Maebh menciona a irmã, fiquei sem chão. O jeito perdido dela de achar que sempre perde as coisas foi demais para minha saúde. Foi destruidora a cena em que o Doctor e ela estão frente a frente para descobrir o que aflige o planeta dessa vez. Doeu mais quando a garotinha diz que precisamos ter menos medo e mais confiança. Doeu ainda mais quando a menina indaga os motivos das pessoas irem embora. Amei mesmo o espaço dado a ela, pois proporcionou uma história muito emocionante.

 

O episódio foi um digno conto de fadas, mas sem príncipes e princesas. Foi uma bela história infantil, com heróis inusitados, tais como a floresta que protegeu o planeta Terra. No final de tudo, foi destacada a habilidade das pessoas em se desesperar rapidamente com qualquer anormalidade. Se há árvores empacando o caminho, é melhor destruí-las. Não há tempo para estudar o caso, como o Doctor costuma fazer, e é sempre viável apostar no meio mais prático. Achei muito legal também o fato de conciliarem a mídia e a tecnologia, reforçando questões de timing e de comunicação, bem como pontuar a nossa facilidade em esquecer. Uma vez que o problema é solucionado, não tem porque pensar nisso, certo? Só o medo fica intrínseco depois do trauma e, adaptando as palavras do Doctor, se não esquecêssemos, a humanidade não seria um show de atrocidade diária. Teríamos mais respeito uns com os outros, e com o ambiente do qual vivemos. Não é só uma questão de respeitar uma floresta, mas de partir de pensamentos pequenos e inspiradores, como os citados por Pink ao longo do episódio.

 

A se pensar: Maebh afirmou que escutava uma voz. No caso, a de Clara. Na hora, pensei em Missy, que fez uma nova pontinha no final do episódio, nem um pouco feliz pelo sucesso do Doctor. Foi bem fácil pensar que essa mulher programou as tragédias desta temporada, ainda mais se resgatarmos o episódio 8×03, que mencionou o banco de dados cheio de heróis. Pela promo do próximo episódio, a galera das teorias, pelo visto, não estava tão errada em dizer que Missy poderia ser um eco da Clara – ou ter qualquer envolvimento com essa companion. Ela a escolheu e só semana que vem começaremos a entender isso.

 

Eis o início do final de mais uma temporada de Doctor Who.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3