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06/out

Eu estou sem palavras. Só sei sentir por este episódio maravilhoso, pois meus sentimentos estão completamente divididos. O cenário mórbido, que não passava da nossa querida e amada Lua, foi o palco que combinou muito bem para o atrito feroz entre o 12º Doctor e Clara. Eu não sabia de que lado ficava. Facilmente, seria uma barata tonta entre os dois para apartar o barraco. Tudo foi sensacional! Sem dúvidas, o melhor episódio desta temporada.

 

A trama abriu com o clímax. Clara e Courtney chamaram a atenção da humanidade por um motivo que só foi revelado quando o Doctor entrou em cena, lá em Coal Hill, local onde essa aventura teve o pontapé inicial. Courtney foi o achado da vez (embora, chatinha), caí pra trás quando Clara conta sobre o papel psíquico do Time Lord, roubado e usado como fake ID. Até que a adolescente se saiu muito bem para quem saltou na TARDIS pela primeira vez, uma obra de caridade do 12º que não se esforçou em sorrir com carisma (os sorrisos dele me dão medo, isso sim) para ela. Foi muito pertinente a personagem ter sido o estímulo para o alienígena e Clara se morderem, um atrito que foi o coração do episódio. Courtney foi apenas a ponta do iceberg por ter iniciado a discussão sobre o dever de se importar. Enquanto um achava que não tinha a mínima obrigação de passar a mão na cabeça de qualquer humano, independente da idade, o outro apertava o botão da razão por ser emocional demais. Só vi barraco!

 

Essa tensão migrou para a TARDIS e esse trio acabou em 2049, em uma Lua prestes a se espatifar. As criaturas da vez não passavam de aranhas para os olhos humanos e germes para os olhos do Doctor. O cenário que se abriu confirmou um incrível trabalho de edição. Fiquei embasbacada! Senti-me como uma criança chegando a um parque de diversões que intimida e que ao mesmo tempo deslumbra. Melhor que isso foi ser embalada por Murray Gold, cuja trilha sonora deste episódio dançou perfeitamente com a trama (como se isso nunca acontecesse, né? Só foi mais marcante dessa vez) e me deixou aflita, sem saber o que esperar. Uma das coisas que tem sido brilhantes nesta temporada de Doctor Who é esse cuidado com a fotografia. Literalmente, cada episódio tem sido um flash. A imensidão visual deste episódio, o filtro monocromático que intensificou a morbidez do cemitério lunar, enriqueceram esse convite assustador. Sem gravidade, sem oxigênio e sem saber que tipo de alien se escondia na penumbra, Doctor, Clara e Courtney elevaram a tensão em meio à sensação de claustrofobia.

 

Além do visual, as atuações atingiram o ápice. Capaldi e Jenna tiveram suas melhores performances neste episódio. Doctor teve ótimas frases-chave que foram o bastante para tirar Clara do eixo. De novo, o 12º mostrou como é fácil mudar da água para o vinho. Antes de ir para o cerne da problemática, o personagem não hesitou em se gabar do quanto é bom, o mesmo comportamento de episódios anteriores. De novo, ele acha nem um pouco anormal colocar as pessoas a sua frente para se ferrarem. O Doctor fez jus ao ditado antes você do que eu, e isso rebateu em Clara, lançando-a em uma espiral emocional. A todo instante, a companion tentava trazer à tona a humanidade que essa figuraça insiste em fingir que não tem. A cada dia que passa, tenho certeza que o 12º é geminiano. É tão bipolar quanto eu.

 

O 12º divertiu com as mesmas tiradas sacais e brilhantes, mas incomodou no auge do episódio: o momento em que joga a toalha e solta a decisão do futuro da humanidade nas costas da companion. Fiquei horrorizada! Passadíssima! Não é a primeira vez que o Doctor dá uma mancada com a Clara, mas, dessa vez, doeu forte. Essa neutralidade de que o planeta é seu e não meu me faria fácil lançá-lo na máquina de lavar para ver se o cérebro voltava para o lugar. Tirar o corpo fora com uma justificativa tão egoísta me deixou desolada.

 

O bom dessa versão do Doctor é que nunca é tarde para se chocar com as atitudes dele. Ele é excêntrico e racional. Desde o 1º episódio, o personagem não tem facilitado. Esse conflito de fazer ou não fazer, de deixar na mão ou ajudar, tem sido vieses sutilmente abordados até chegarmos aqui, neste episódio, que alcançou o pico do conflito que atingiu proporções inimagináveis. Para mim, esse foi o momento em que o 12º provou que é muito mais alienígena que humano. Achei bárbaro como o Time Lord estufou o peito e saiu de cena deixando Clara, Courtney e a astronauta à mercê da sorte, como se nunca tivesse tido algum envolvimento com a raça humana.

 

Jenna deu o melhor da sua personagem neste episódio. Nada como uma mudança de ator para tirar Clara daquela vibe irritante de crush pelo Doctor. Ela tem melhorado desde a mudança de Time Lord. Eu vi o quanto a atriz agarrou a raiva de Clara e, por alguns segundos, me esqueci da antipatia que sinto pela companion. Tudo bem, a professorinha foi sensata. Ela tinha o direito de ficar frustrada e ralhar com o Doctor. Porém, a garota impossível se deixou levar e se decepcionou feio justamente por vir da vibe de um Doctor que sempre passou a mão na cabeça dela. Que sempre a achou genial e que lhe dava liberdade de fazer muitas coisas. Isso me fez voltar ao 1º episódio desta temporada. O ego dela estava em todos os lugares bem como a síndrome Hermione Granger. Clara não gosta de ser contestada. A cena em que ela quer ir embora da Lua por causa da Courtney reforçou isso. A personagem acha que tem um poder tremendo sobre o Doctor e fica revoltada quando não é atendida. Gosto da Clara quando age como consciência do Time Lord, não como a mãe/namorada dele. Por isso, sempre tenho conflitos quando falo da personagem.

 

Eu acho bonito o altruísmo da Clara. Faz parte do que ela é. Admito que fiquei extremamente receosa quando a garota impossível resolve fazer uma enquete com o planeta Terra para definir o futuro do exoparasite. Quando vi as luzes se apagarem, meu coração bateu de alívio, pois esse é o ser humano agindo dentro da própria bolha de segurança. Achei fenomenal essa negativa, pois, na vida real, as pessoas agiriam da mesma forma. Só Clara compreendia aquela questão por viajar com um alienígena. Ela aprendeu como companion que nem tudo merece ser aniquilado e acha que tudo merece uma 2ª chance. De novo, a negativa a fez desmoronar, uma reação coerente. Se as luzes ficassem acessas, detestaria o episódio com todas as minhas forças. Harness foi gênio em não romantizar o roteiro do seu debut em Doctor Who. Não é porque a série preza o bem que tudo tem que ser uma beleza.

 

O discurso final de Clara foi de aplaudir de pé. Ela teve toda razão ao jogar umas belas verdades. O Doctor corre atrás de humanos para ter companhia. Ele trafega no planeta Terra e de um jeito, digamos, bizarro, se empenha para proteger aqueles que “não são problema dele”. Fiquei extasiada e fora de mim com a chamada de atenção da companion. A reação final dela quebrou o pensamento de que toda pessoa que encontra o alienígena precisa dizer amém a tudo que ele faz. Acima de tudo, deixar determinadas coisas passarem batidas. Achei demais Clara não ter ido pelo caminho prático no quesito emocional. Ela não celebrou a vitória. Como poderia se o Doctor, o dito amigo, a apavorou sem pensar duas vezes?

 

Clara estava sensível e astuta na medida certa, mas bateu de frente com o embate entre realidade e expectativa. O Doctor não mentiu ao dizer que sabia que sua companion faria a escolha certa, mas isso não foi o suficiente para corrigir um erro. Afinal, esse Doctor gosta da glória só para si e recebeu o balde de água fria de Clara. Acredito que agora sim a teacher verá o Twelfth como Twelfth. Desde o início, ela achou, do fundo do coração, que o seu novo “amigo” regeneraria nos mesmos moldes e caiu feio do cavalo. A companion vem de uma sequência de rasteiras dadas pelo 12º que não tem habilidade de tratá-la como a rainha da TARDIS. O problema que causou o surto e o inconformismo de Clara foi único: expectativa demais. Faltou um pouco de senso da parte dela em ter se esquecido do primeiro susto que tomou ao ser abandonada no restaurante na companhia de um clockwork android. O Doctor fez a mesma coisa neste episódio, porém, a atitude foi mais radical.

 

A Capitã da equipe de astronautas disse que não se pode colocar em risco certas coisas ao pensar em ser legal. Vamos ver no que isso mudará Clara.

 

Esse conflito gerou um embate moral que tornou o episódio emocionalmente complexo. Você tem uma decisão de ouro em mãos. Você pode salvar ou destruir. A trama brincou com o improvável e o plot twist, que emendou com a discussão final entre o Time Lord e Clara, acarretou em uma separação que tem cara de ser temporária. Eu amei este episódio do começo ao fim. Por enquanto, é o melhor da temporada em todos os quesitos.

 

PS: amei a camisa de bolinhas do Doctor.

 

PS²: E o que dizer do Danny, gente? Aonde se arranja um boy desses?

 

PS³: semana que vem tem Foxes e eu tô meio que surtando!

Stefs
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