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23/out

No dia 16 de outubro, aniquilei mais uma horcrux ao ir no show de outra banda muito amada pela minha pessoa: Thirty Seconds to Mars. Confesso que me sinto até mais fraca ao ponto de ter sido derrubada por uma gripe assim que o efeito Jarolda passou. Depois de Fall Out Boy e de Imagine Dragons, nada como fechar o ano (no quesito show, ele já acabou para mim) com chave de ouro. Nem acredito ainda que estava lá, no Espaço das Américas, derretendo no calor de São Paulo, mas firme e forte para assistir a uma missa de Jesus Leto.

 

Eu poderia dizer que a espera compensou, mas, como cogitei em vender meu ingresso por meses a fio, não fui dominada pela ansiedade. Sinceramente, estava anestesiada. Como assim? Calma que explico. Eu tinha ficado contentíssima não só com o fato da banda confirmar shows no Brasil, mas também porque a data em São Paulo era no mês do meu aniversário. Nem pensei duas vezes em me dar esse presente pelo simples motivo: a apresentação aconteceria em maio. Não só isso. A apresentação aconteceria uma semana antes da do Fall Out Boy. Sendo assim, criei uma bolha de expectativa, daquelas enormes, de sair quicando pelo chão, quando Jared furou ao adiar as apresentações da América Latina. Entendem meu hate?

 

Revoltadíssima, guardei o ingresso no fundo da gaveta e, literalmente, o esqueci lá. Sim, Jared magoou meu coração aniversariante, como se tivesse recusado o convite para a minha festinha. Vida nada justa. Conforme os meses passavam, meu botão para o 30STM estava desligado, até que chegou setembro e fui atrás do papelzinho disposta ao extremo em vendê-lo. Comecei a analisar as ofertas e possibilidades, as semanas começaram a voar, e lá estava eu colocando esse “passe” para Marte na bolsa, rumo a realizar mais um sonho.

 

Como vocês sabem, eu amo sonhos. Especialmente quando eles se realizam.

 

Sinceramente, me pergunto o que tinha dado em mim para cogitar a venda do meu ingresso. Talvez, o grande impulso para eu quase fazer isso foi porque meu aniversário já tinha passado, a simbologia foi destruída, e todo o pensamento especial tinha sido pisoteado. Isso me desanimou e não estava nem um pouco a fim de ver a Jarolda. Não é à toa que, às vésperas, minha empolgação estava abaixo de zero. Quando o vi naquele palco lindo, quis estapeá-lo.

 

Amor e ódio, vejam bem. É assim que lido com capricornianos (homens, no caso, porque a Mônica, a colaboradora aqui do RG, é capricorniana e ainda não começamos a nos matar).

 

Cheguei bem tarde no Espaço das Américas, porque não tenho paciência para esperar e ficar parada no mesmo lugar. Meia hora antes dos portões abrirem. Como não tinha nem a meta de bater ponto na grade, entrei bem de boa. Não passei nenhuma frustração. Só estava preocupada com o horário de término, pois meu plano era voltar de metrô. Deu tudo estranhamente certo e meia-noite eu já estava na minha casa assistindo The Vampire Diaries.

 

Pontos marcantes do show

 

Crédito: Stephan Solon | Move Concerts

 

Quando o 30STM saltou no palco com Up in the Air nem me importei com meu joelho zoado. O tanto que gastei de energia nessa música não está escrito no gibi. Deveria ter me poupado, pois terminei o show escorada na grade da pista comum (sendo que estava na premium). Minhas estruturas começaram a ir abaixo com Search and Destroy. Eu não tenho estribeiras para essa música. Na verdade, para nenhuma do álbum This is War.

 

A casa começou a cair pro meu lado com This is War, Conquistador e Do or Die. Ao entoar essas canções, Jared começou a trincar o pequeno iceberg que havia dentro de mim. Do or Die me tira do sério e não deu para bancar a garotinha emburrada porque o ídolo não lhe mandou um tweet desejando parabéns (Deus, não tenho limites!). O calor estava de matar, mas o ânimo das pessoas ao redor me embalou e foi muito difícil me segurar. A hora de lavar a alma veio com City of Angels e End of Days, minhas duas apostas para eu abrir o berreiro. Tinha certeza de que ficaria em posição fetal, mas nada aconteceu. Na verdade, foi um momento de puro desabafo interno. Deixei-me levar pelo compasso.

 

Dentre as músicas que mais esperava era Hurricane. Tanto na versão acústica como na de estúdio – ainda mais com o rei Kanye West – ela é perfeita. Eu me arrepio só de pensar. O gelo terminou de derreter de vez aí. Para me humilhar, Jared emendou com Alibi e The Kill. Faltou Was it a Dream?, ok? Levarei essa frustração para a vida.

 

Em todos os shows que vou, fico em contagem regressiva para saber em que momento chorarei e nunca acerto. Percebi que estava feliz demais para derramar uma lágrima de emoção no show do 30STM. Estava extasiada e contaminada positivamente, e não havia espaço para tristeza (aquela tristeza boa, de se permitir a emoção do momento com aquela música que toca lá no fundo). Porém, eu tinha certeza de que derreteria com Bright Lights.

 

Golpe vindo de Marte dado com sucesso.

 

Além de ter ficado deslumbrada com a dedicação da banda e da equipe em trazerem o melhor da turnê para nós, vale o destaque para o gogó de Jared ao cantar From Yesterday, outra música sensacional. Fiquei eliminada! Jurava que ele não tinha mais vocal para isso e, de novo, sambou na minha cara. Vox Populi foi a surpresa forçada que deu supercerto e queria dar montinho em geral. O show encerrou com Closer to the Edge e deixou o gosto de quero mais.

 

Jared demonstrou uma preocupação tremenda durante o show, tanto visual como no bem-estar do público. Essa figuraça não perdeu a chance de resmungar do ar-condicionado e exigiu água para a galera da grade. Isso com muitos ‘fucks’. Ele é simpático demais. Um palhaço, socorro! Mais divertoso que isso (divertido feat. gostoso) foi ver, da minha distância, aqueles olhos lindos brilhando de choque por causa da sequência de coros que retumbaram o Espaço das Américas. Perdi totalmente a minha voz.

 

Além de tudo isso que escrevi, o que impactou também foram as bexigas lançadas no meio do público. Um contraste incrível contra a luz. Senti-me em uma piscina de bolinhas e ri que nem uma idiota. O ambiente ficou absolutamente mágico, fiquei embasbacada.

 

Por ser muito intensa com as coisas das quais sou apaixonada, demorou muito para minha ficha cair. Nem acredito ainda que assisti a mais um show da minha vida. Não só isso. Assisti a mais um show da minha vida como se estivesse na minha casa, o palco amplo, extremamente iluminado. Tomo à esquerda, Jared no centro e Shannon no topo. Tive a visão completa e fiquei maravilhada. Só foi terrível para tirar fotos – a não ser que você tivesse bandeado uma semi-profissional –, porque o Jared parecia uma santidade ou um fantasma, engolido pelos fachos de luz. Só tirei duas do telão para deixar o momento registrado.

 

Crédito: Manuela Scarpa

 

Bright lights, big city… She dreams of love. Bights lights, big city… He lives to run.

 

Jared Leto passou pela minha vida na adolescência, lá na década de 90, quando aluguei Lenda Urbana. Aqueles olhos lindos, aquela carinha de bom moço, todo jornalista, me fez morrer de amor. Como não era uma pessoa viciada em internet na época, foi engraçado ver o clipe de The Kill. Lembro-me que virei para minha irmã (que iniciou o vício Mars) e disse: mas que coisa, eu conheço esse cara de algum canto. Pois bem, Jared era meu jornalista, de olhos lindos e cara de bom moço, daquele meu filme de suspense favorito. Fiquei chocada com aquele visual emo (cabelo preto, unha preta e sombra preta). Isso não me abalou e implorei para um conhecido gravar um CD com todas as músicas da banda. Vejam bem, gravar CDs na época era tão awesome quanto inserir o pen drive em uma TV hoje.

 

O primeiro álbum fala muito mais comigo que A Beautiful Lie, não nego. Porém, quando This is War chegou, fiquei para sempre jogada no chão. Não conseguia ver o clipe de Kings and Queens sem chorar. Eu chorava toda vez que aparecia na televisão. Ainda choro. Da mesma forma que gosto de livros e de séries que conversem comigo, o mesmo vale para a música. O 30STM tem me inspirado há muito tempo e cada música é como se fosse destinada para mim e se encaixa em determinados momentos da vida. Com Love Lust Faith + Dreams não foi muito diferente, pois, como disse, cada canção, cada trecho, cada batida e cada grito são responsáveis por um processo de reabilitação emocional.

 

No Espaço das Américas, olhei para os lados para ter certeza de que estava ali. Era algo que jamais tinha visto. Foi meu primeiro show do Mars. Sintam o peso disso. Algo jamais presenciado. Meus sentimentos afloraram, pouco a pouco, conforme cada investida não só da voz do Jared, como dos efeitos visuais. Na verdade, nem posso chamar de efeito, mas algo, algo ali, naquele momento, criou um ambiente fora do normal. O simples, com o respingar de pequenas nuances, tornou tudo perfeito. Até a chuva de papel picado ficou sensacional contra as luzes. Parecia neve e eu queria me banhar até me engasgar com um pedaço na garganta. Sou doida!

 

Vou dizer uma coisa bizarra: eu sou apaixonada pelo cérebro do Jared. Podem rir, mas é a mais pura verdade. Eu admiro o esforço dele em tudo que faz. Eu sou apaixonada por pessoas criativas e originais. Que não se espelham no outro para criar algo próprio. Ele é honesto, em todos os sentidos, e não se dá por vencido. Ele sabe o poder da sua música, bem como o poder dos fãs, e essa preocupação torna o produto final inspirador. Jared sempre reforça o quanto é importante seguir seus sonhos e ser apaixonado pelo que faz, e estou com ele em todos os sentidos.

 

Milhões de palavras poderiam definir o que senti ao ter visto o Thirty Seconds to Mars. Uma delas seria sonho realizado, mas não é o suficiente. Passei dias após o show à procura de uma palavra que pudesse definir como me sinto e acredito que seja plenitude. Quando escuto cada música da banda, sinto conforto. Senti-me em uma bolha de proteção em que tudo é possível. Sério. Jamais conseguirei descrever o show e depositarei aqui o meu inesquecível. A banda é incrível. As músicas são sensacionais ao vivo e a energia foi impregnante. Mesmo de longe, fui tragada por todo aquele espetáculo e, no fim de tudo, só sei sentir.

 

E não mais importante: conheci minhas filhas que há muito tempo falava só por Facebook. Inclusive, a minha colaboradora linda Mônica (que é marida, ok?). <3

Stefs
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