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26/out

A ilusão se estendeu esta semana também. Sinto-me dopada. Meio lesada, sabem? É estranho chegar aqui com mais uma quantidade de pensamentos positivos, pois The Vampire Diaries não tem dado motivo para felicidade a mais de duas temporadas. De novo, me senti diante da versão antiga da série, com toda a preocupação na mitologia, sem se apegar tanto a chatice de shipper. De certo modo, a trama deu prioridade à ação e às incógnitas, ao mesmo tempo em que baqueou com surpresas das quais ninguém esperava. Tudo bem que não gostei da conclusão, mas não deixou de ser meio impactante. Sinceramente, ainda estou em conflito comigo mesma por ter achado o episódio muito bom, ao ponto de ficar minimamente empolgada sobre o que acontecerá a seguir.

 

E digo mais: depois de assisti-lo, senti aquela cosquinha nada bem-vinda, uma falsa indicação de que as coisas têm possibilidades de melhorar. Eu não sei quantos de vocês sentiram a mesma coisa. Só sei que não estou a fim de ser enganada por causa de uma faísca.

 

Sem sombra de dúvidas, o episódio valeu por resgatarem Defan depois de mil anos de espera. Saltitei em círculos e fiz uma roda de oração. Não consigo entender os motivos dos quais aniquilaram a melhor parte da série por causa da Elena. Não consigo aceitar esse papo de uma garota acima de uma irmandade. Fui educada com Supernatural e isso me frustra demais. Quando li a sinopse e vi as fotos, fiquei fora de mim. Fiquei ansiosa. A espera valeu a pena.

 

Aproveito para dizer que amei a ausência da Caroline. Depois de três episódios, se ver livre do disco arranhado, daqueles extremamente insuportáveis, de Mystic Falls rendeu uma folga gratificante. Desculpem, mas, se a personagem estivesse inclusa, capaz que continuasse a resmungar das mesmas coisas. Assim como não dá para aguentar mais o “siga em frente” do Stefan, o “me, me, me” da Caroline está impossível de digerir. Infelizmente, ela tem sido o ponto baixíssimo desde que a temporada retornou. No aguardo de melhoras.

 

Twilight Zone

 

Como de praxe, começarei a falar sobre Damon e Bonnie. Morri de amores com os resmungos dele para protegê-la de Kai, bem como a defensiva dela contra os dois assassinos da vez. Bamon incitou a trama logo de cara, com perguntas extremamente pertinentes: como sair dali? Por que estavam vivendo o mesmo dia? A mais importante: aquele inferno pessoal seria de quem? Kai ou Damon? Tenho que dizer que, independente da química berrante entre Kat e Ian, e do quanto essa dupla dinâmica tem proporcionado momentos de encher o coração de alegria, não quero acreditar nas chances de não haver respostas para os buracos desse plot. Toda vez que olhava para o Salvatore, com suas milhares de doses de uísque, me perguntei onde é que diabos estava o sangue.

 

Sim, bebida alcoólica segura os ânimos do vampirismo, mas não engana a fome. Como disse na semana passada, se o personagem sofre com a verbena, seria lógico vê-lo angustiar pela sua refeição favorita.

 

Só acho que Damon deveria estar definhando a uma altura dessas. Esse Twilight Zone está muito tranquilo, muito bonitinho, muito fácil de se obter qualquer coisa. Damon e Bonnie podem estar sensacionais nesse universo paralelo, mas a falta de lógica bateu ali e ficou. Eles estão muito bem adaptados para um inferno que pede uma penca de dificuldades. Nem Kai pode ser considerado um empecilho, pois ele estava à toa e houve incontáveis chances de matá-lo. Achei bizarra a maneira como Bonnie abraçou as ideias dele – tudo bem que foi uma questão de sobrevivência –, mas ela só voltou atrás ao saber da proveniência desse cidadão.

 

Desde quando ela desliza assim? Qual foi a dificuldade do Damon em quebrar o pescoço do Kai depois de saber de todos os paranauês para sair dali? O Salvatore já fez isso por motivos menores e agora ficou besta?

 

Bonnie não é estúpida e sempre conseguiu pegar as coisas no ar. Damon não é estúpido em deixar uma ameaça como Kai respirando por muito tempo. Fiquei possessa com a cena em que a bruxa permitiu uma aproximação do bicão da vez, atitude que roubou o poder dela para uma pequena demonstração. Tipo, oi? Considerando a promo do próximo episódio, isso se tudo for verdade e não flashback, Kai não será tão útil quanto aparenta. Houve muitos momentos em que o Salvatore poderia silenciá-lo. Achei um abuso a facilidade de Kai controlar ambos, ao ponto de ameaçá-los de morte, sendo que só tem poder roubando dos outros. Pelo amor de Deus, né? É a nave da Xuxa mesmo, não é possível.

 

Resmungos à parte, palmas pela maneira como esse plot se desenvolveu ao longo do episódio. Ficou muito interessante. Fazia tempo que TVD não se empenhava em uma lição de casa como essa, explicando um feitiço passo a passo, criando um mistério sobre as possibilidades e a taxa de erros. Sem contar que Kai foi melhor apresentado e isso me prendeu ainda mais. Definitivamente, é esse tipo de personagem que estava em falta na série. Como disse durante as resenhas da 5ª temporada, Markos nem era vilão, pois a causa dele era muito compreensível aos olhos humanos. Kai, ao contrário, é um exterminador. O último que tivemos com essa vibe foi Klaus. Disse na resenha do 6×02 que Dries e Plec não souberam moldar uma nova mitologia, o ponto-chave, o segredo, a razão desse universo ter feito sucesso e ter se mantido por 3 anos absurdamente atraente. O bruxão trouxe suspense e inquietou, uma carta coringa que tem a impressão de que será anulada muito em breve.

 

Está certo que Kai não passa de uma versão 2.0 do Kol, bem como Enzo é uma tentativa frustrada de Klaus. Até diria que essa pegada tem como intuito trazer o velho apelo dos Mikaelson para TVD, pois dar um spin-off para os Originais fez o irmão mais velho capengar até aqui. Desculpa, mas os filhos de Esther são insubstituíveis.

 

Na semana passada, não deu para senti-lo como agora e, como gosto de vilões, quero muito que Kai permaneça por mais tempo. Ele é sádico, zombeteiro, controlador, ousado e insolente. Consegui odiá-lo o tempo todo e, sentir isso, foi um sinal de que esse personagem tem potencial. Ao menos, por enquanto, pois sabemos o futuro de Kols. Todos morrem quando nos apaixonamos por eles. Fiquei passadíssima com os motivos de Kai estar empacado com Damon e Bonnie. Fiquei ainda mais largada no chão quando ele simplesmente assume a chacina com um grande sorriso petulante nos lábios. O moleque é destruidor demais.

 

Aparentemente, parece que TVD encontrou um pote de ouro, mas se depender de Plec e Dries, que amam dar respaldo a assuntos bestas, acredito que o futuro de Kai ficará por isso mesmo. É fato que a série precisa de um personagem sem limites desde que tiraram Klaus de cena e tornaram Damon uma manteiga derretida. Seria sábio mantê-lo por mais tempo, pois ele conseguiu trazer à tona a sensação de perigo constante. Meu, o bruxão me mata a família dele, sem emoção alguma. Ele não pode ir a canto nenhum. Joga o Tyler na vala, não sei, mas deixem o Kai. Estou muito empolgada com a storyline dele. Esse cidadão me convenceu pela naturalidade ao lidar com seus instintos um tanto quanto sociopatas. Ainda mais porque o fatídico 20 de maio de 1994, dia de eclipse, não passava do seu inferno pessoal. Quero mais!

 

Adendo: vi teorias no Tumblr de que Kai poderia ser um Nogitsune, uma storyline que se desenrolou nos livros, justamente quando Stefan foi parar em outra dimensão, uma prisão comandada por esse ser sobrenatural arteiro, sádico e mentiroso. No papel, Elena e Damon estão empenhados em tirá-lo de lá junto com Bonnie e Meredith. Até que seria interessante ver Kai como um por ter a personalidade parecida. Seria ainda mais interessante porque ele é do Coven Gemini (o que deu a entender), o mesmo que Enzo e Stefan cutucaram para buscar uma maneira de trazer Bamon de volta. Ele foi expulso e deve ter um instinto de vingança tremendo.

 

Agora, pergunta que não quer calar: onde entram Liv e Luke? TVD já começa a espremer um monte de personagem sem a mínima necessidade.

 

Voltando a Bamon, não entendi muito bem porque os dois foram empacar justamente nesse dia já que, aparentemente, não há elos similares com Kai. Damon até que dá para entender, pois, se pensarmos bem, ter realizado um crime sem um pingo de remorso seria o bastante para ser tragado por esse inferno. Kai e ele têm isso em comum. Bonnie não tem explicação, até porque Grams prometeu que cuidaria dela. Pelo que consegui capturar, a bruxa só estava ali para gerar um conflito moral e pessoal sobre dois homens que cometeram assassinatos por motivos injustificáveis. A diferença é que ela viu que um continua do mesmo jeito e o outro mudou. No fim, o envolvimento dela ficou muito a entender como uma escolha. Ela teria que deixar um e chegou ao ponto de adiar o feitiço. Achei incrível a relutância de Bonnie ao saber das verdades dos dois. Soou meio injusto para ela. Afinal, a bruxa nunca matou ninguém por bel prazer.

 

Acredito que a inserção dela entre ambos foi uma chance de pensar e de balancear as coisas. Bonnie não encontrou arrependimento em Kai, mas viu isso em Damon.

 

A bruxa quase foi ludibriada pelas boas e fingidas intenções do bruxão. No fim, ela viu que só tinha Damon, o que a ajudou a concluir os próximos passos. O que impulsionou isso foi o fato do Salvatore querer retornar não só por Elena, mas por Stefan. Foi nesse momento que Bonnie se convenceu de quem deveria ficar no inferno. O arrependimento do vampiro transbordou e, de algum jeito, ela entendeu que as pessoas mudam. Ela contrabalanceou as opções.

 

Flashback Defan

 

Como disse na semana passada, esse papo do Stefan em seguir em frente não dá mais. Gosto muito do personagem, o respeito bastante, mas chega. Juro que fiquei bem irritada quando ele repete isso e depois fiquei na minha por, finalmente, ver uma justificativa para essa atitude. Eu sabia que esse comportamento dele não era aleatório. O Salvatore não faz nada sem algum tipo de propósito. No caso, foi pagar penitência de um jeito bem estranho.

 

Eu estava de saco cheio do Stefan insistir em recomeçar (Caroline contribuiu muito nisso), até chegar o flashback dos anos 90. No fim das contas, o Salvatore não estava sendo caprichoso, frio e tudo mais. De alguma forma, Damon sempre foi o impulso para ele buscar uma vida melhor, uma vida humana, uma vida anônima. Sendo assim, essa iniciativa é algo intrínseco à storyline do personagem. Não vem de hoje. De novo, o irmão o  empurrou para longe à procura de um, digamos, disfarce para não ter que relembrá-lo. A diferença é que agora envolve a negação da perda e, de novo, Stefan não conseguiu se livrar da angústia. Vamos lembrar que ele sempre abraça tudo e amargura até a morte.

 

Como o personagem mesmo disse no flashback, ele sempre apostou nas próprias reviravoltas, mas Damon representa o impulso do tema “recomeçar”. De novo, Stefan mergulhou no velho hábito por causa de um desgosto. É claro como água que ele se sente um lixo em não saber como remediar o problema e, subitamente, me peguei pensando em Bonnie. Ela sempre o ajudava, especialmente a controlar Damon. Sem a bruxa, o que resta? Recorrer a um comportamento contínuo que vem de anos. Até porque Elena é igual a um zero à esquerda.

 

Gostei muito do flashback, em todos os sentidos. Ele foi esclarecedor, especialmente por situar as passagens de Damon e de Stefan em Mystic Falls. Foi um banho de nostalgia, em todos os sentidos. A começar pela década, pela trilha sonora e pela notícia da morte do Kurt Cobain. Lembro-me que fiquei passada com o ocorrido ao vocalista do Nirvana. Bati palmas com Zach e com a Xerife Forbes. Foi lindo! Surtei, inclusive, com o velho Damon que não existe mais na série. Aquele Damon que tornava a dinâmica Defan ardilosa de assistir. Lembrei-me como ele costumava torrar minha paciência por não ter limites, e foi até engraçado sentir tudo isso de novo. Como antes, queria estapeá-lo por ser babaca, mas, como bem sabemos, o peso da eternidade de sofrimento ainda estava em vigor em 1994. Ambos nem sonhavam com Elena Gilbert e ansiei por uma menção mínima que fosse a essa família.

 

Eu quero esse Damon de volta, por favor! Ele me fez rir e morrer de ódio por justa causa.

 

Da mesma forma que adorei revê-lo todo surtado, sem limites, incoerente e com a humanidade inexistente, também gostei do Stefan sendo pentelho com a própria alimentação, na defensiva e, claro, com o típico erro altruísta que o fez sofrer ao longo da 1ª e da 2ª temporada da série por dar oportunidade a quem, na época, não merecia. Como de costume, lá estava Stefan dando uma chance para Damon, uma pessoa que não tinha a mínima intenção de mudar. Como de costume, lá estava Stefan limpando a sujeira.

 

Foi fácil prever logo de cara que Damon tinha matado a esposa de Zach. Juro que cheguei até a associar o massacre da família a ele, pois, até então, esse mundo em outra dimensão soou como o inferno pessoal dele. O que sempre me irritou no Salvatore, e é um sentimento altamente imutável, não é nem o fato dele matar (Stefan também passou pelo mesmo), mas os motivos que o impulsionavam/impulsionam a cometer essa barbaridade. Damon matou Zack por se sentir culpado pelo passado. O mesmo Lexi. Como se um simples quebrar de pescoço fosse suficiente para apagar a lembrança de uma estupidez. O personagem amargurou seus crimes com o passar dos anos, algo que só foi acontecer ao se assentar de vez em Mystic Falls, e este episódio tentou transmitir esse remorso. Male, male, o vampiro conquistou nuances mais humanas. Uma fatia disso foi por causa do Stefan.

 

Resumindo o flashback: Stefan sempre acreditou no melhor do Damon e deu as costas ao menor sinal de fracasso. Damon sempre viveu frustrado com Stefan e aniquilou as pessoas próximas e amadas do irmão ao menor sinal de negativa.

 

Uma reflexão sobre Damon

 

Com o tempo, aprendi que o problema do Damon sempre foi precisar demais do Stefan, mas nunca admitir isso com todo seu coração. Com honestidade, sabem? Antes, tudo que saía da boca dele soava com ironia e desprazer. Não tinha como levar a sério. No flashback, o Salvatore até diz que o irmão é o mais próximo da humanidade que possui, mas, a meu ver, soou como mera lorota. Por causa da ausência do Stefan, muitos o julgam como péssimo irmão (como a besta do Enzo) por nunca ter estado lá quando Damon precisava. Temos a época da Augustine, por exemplo. Ele ficou a ver navios, mas tinha a crença de que Stefan o salvaria. Porém, ninguém lembra que Damon não valia o mínimo de esforço. Fatos reais.

 

Digo isso porque todas as tentativas do Damon em recomeçar eram falsas. Ele era babaca e agia a base da pirraça, e nunca reconheceu tais atitudes. Isso foi acontecer depois de anos. Demorou muito para o Salvatore se pôr no lugar (e ainda é rebelde quando é consternado, mas faz parte da personalidade dele). Ao longo da jornada Defan, Damon nunca parou para pensar que as mancadas do Stefan aconteceram porque ele nunca fez por merecer. Ele não o respeitou – ao menos, não até Elena entrar na vida dele – por estar muito concentrado na tal eternidade de sofrimento. Detesto como TVD o pontua como vitimizado e injustiçado. O flashback tentou vender isso bem de leve e não é bem assim. Cada ação do Stefan acarretou uma reação do Damon, para o mal. E vice-versa. É inegável: antes da 3ª temporada, esse personagem não era digno de absolutamente nada. Certas coisas têm limites, sabem?

 

Exemplo: ser babá de um vampiro com mais de 100 anos que deveria se comportar como irmão mais velho. E ser mais coerente, né?

 

Claro que os dois amadureceram com o passar do tempo. A relação Defan evoluiu a passos de bebê e sinto uma tristeza tremenda por ter sido esquecida à mercê de um triângulo. Damon sempre teve problemas para mudar porque nunca teve coragem de encarar os próprios erros. Inclusive, os próprios sentimentos. Ele sempre viveu no piloto automático. Concordei quando Stefan pontua a existência dele como incômoda, pois, na época, era a mais pura realidade. Todas as insensibilidades do Damon nos dois primeiros anos de TVD ainda são muito vívidas. Ninguém lembra, mas Stefan tentou remendar Damon milhões de vezes, principalmente por se sentir culpado pela transformação. Afinal, ele forçou a barra.

 

Isso aconteceu também no sentido contrário, mas, o que pega aqui, é que Damon demorou muito para agir como uma pessoa madura. Ele é o mais velho. Tinha que cuidar do mais novo e não perturbá-lo. Sei bem do peso Katherine, uma infantilidade, uma chateação do Salvatore porque não foi o primeiro a ser mordido. Por muitos anos, ele teve recalque, não adiantam negar, especialmente quando o irmão ficava de boa. Antes de sentir qualquer coisa por Elena, Damon estava muito empenhado em roubá-la de Stefan. Por mero esporte.

 

Damon não é coitadinho. Nem muito menos Stefan. Ambos têm sangues nas mãos. Aos baldes. A diferença é que Stefan não preferiu o caminho mais fácil para remoer a perda do irmão, algo que Damon não hesitaria em fazer porque nunca aprendeu a lidar com a dor. O ‘não’ é o grande complexo da vida desse personagem, em todos os sentidos. O flashback mostrou isso. A temporada passada também. Não lembram? A tia Stefs refresca a memória: Damon recebeu um quique da Elena e foi lá cometer atrocidades – até para cima do Jeremy. Alguém falou alguma coisa? Não. Agora se fosse o Stefan…

 

O que me incomoda é que Damon sempre recebe na cabeça uma flanela com lustra móveis. Ele sempre foi um fracasso em entender o que o outro sente, especialmente as decisões. Os únicos momentos que vi isso com extrema genuinidade foi com Alaric. Não, não acho que a Elena foi a fonte inspiradora dele. Ela pode ter sido o caminho por causa do amor (Damon nunca foi amado com reciprocidade), porém, ao menos para mim, Ric foi a pessoa que o fez mudar. Os dois passaram por altos perrengues na 3ª temporada atrás do Stefan e ele ficou com o melhor amigo até a morte. Com o teacher, Damon aprendeu a ser companheiro, a ser solidário, a ser cortês. Rose também tem peso por ter trazido o melhor do personagem. Elena só fez o favor de amá-lo, mas realçou as irresponsabilidades dele. E a chatice, claro.

 

Damon pode não ter aprendido muitas coisas com Stefan, mas mudou por causa das situações que o forçaram a ser menos egocêntrico. O Salvatore lutou por Ric e Rose até o fim. Por isso mesmo que não incluo Elena no pacote, porque, para mim, ela estragou o que há de melhor nele. Da mesma forma que sentia falta do brilho dela sozinha, eu sinto falta dele sozinho, sendo ele mesmo, como na outra dimensão com a Bonnie. Damon e Elena têm essências individuais incríveis e acho realmente uma pena ter que reduzi-los de novo a um relacionamento. Ter romance faz parte de TVD, mas, do jeito que se tornou uma completa distorção de personalidades, seria de extremo valor manter essa individualidade.

 

Todos. Todos mesmo, precisam se redescobrir com extrema urgência.

 

Eu espero que toda essa reflexão em cima desse flashback traga novidades sobre Defan. Os irmãos precisam de mais tempo juntos. Precisam conversar, lavar a roupa suja. Sem Elena. Sem Caroline. Quem for. Os dois sempre foram o bastante para dar conta de qualquer recado e eu quero muito que a irmandade volte a ser um dos focos desta temporada.

 

Adendo: senti nojo do Damon chamando a baby Caroline de adorável (o que foi a peruca da Xerife Forbes, gente?). Lembrei na hora do que ele a fez passar, sodomizando a garota, torturando psicologicamente. Juro que fiquei com uma tremenda vontade de vomitar.

 

Adendo²: isso me fez pensar no quanto seria terrível Damon e Stefan diante da pequena Elena. Gente, eu passo mal só de pensar. Se formos colocar a idade na balança, não há coerência alguma. Agora entendo completamente a indignação do Ian em não querer Elena com seu personagem. Faz sentido porque até eu fiquei meio enojada (tô rindo disso, sério).

 

O sistema de Stefan Salvatore

 

Admito: surtei com as interações entre Stefan e Elena. Surtei com ele todo brincalhão, como se tivesse dormido com o Bozo. Sinceramente, a melhor coisa que podem fazer pelos dois é mantê-los nessa vibe. Porém, vamos combinar que nada disso foi real. Era tudo mentira, gente, porque os personagens não eram eles mesmos.

 

O engraçado foi ver a Santa Gilbert ser a Caroline. Na semana passada, comentei que houve uma troca de sapatos entre as duas e, de novo, isso se repetiu. Elena simplesmente sentou na garupa da moto do Salvatore e se mandou para compreender esse tal sistema do Stefan. Só eu a achei uma tremenda amiga da onça? Caroline contou seu segredo e Elena vai lá atrás do ex?

 

Eu ri alto!

 

Elena estava adorável. Na verdade, ela foi adorável o tempo todo. Eu vi muito da Caroline ali, sabem? Quando ela costumava ser amiga do Stefan e não a “ex” desesperada por atenção. Stelena nunca teve um momento assim, de boa, pois ambos sempre foram rodeados pela tragédia. Os dois não tiveram tempo de cultivar uma amizade e logo saltaram para o romance. Eles não possuem essa parte que acho extremamente vital – de um jeito bem construído e, especialmente, saudável – no currículo deles, e achei de muito bom grado darem essa chance por mais que fosse falsa. Digo falsa porque Stefan estava em negação, só se esforçou para que Elena acreditasse que ele estava bem. E ela está desmemoriada. Jamais ela estaria naquela vibe se ainda mastigasse a perda do Damon.

 

Essa é a parte triste, pois aprovei a ideia deles serem amigos. Isso desde a temporada passada. A chance de ambos conseguirem se restabelecerem emocionalmente juntos é genial.

 

Mas. Vamos lembrar que Kevin Williamson não está mais entre nós.

 

A Santa Gilbert conseguiu me fazer morrer de amor de novo por ser aquela pentelha que não desiste das pessoas facilmente. Depois de muito tempo, ela usou o benefício do vampirismo, mas a humanidade estava ali, o tempo todo. A cena do bar foi outro ponto altíssimo do episódio, uma brincadeira descompromissada. Achei demais ver como ela entrou na jogada do Stefan sem um pingo de receio, extremamente desencanada. Queria apertá-la! Repito que é essa naturalidade que faltava nela. De realmente se entregar as coisas, especialmente aos experimentos. Elena estava apagada e entregue às lamúrias, uma chatice, cheia das gracinhas tontas e de atitudes que a tornaram indigna de ter um Salvatore e de ser chamada de protagonista. Bem como ainda ter amigos.

 

Stefan e Elena repetiram a dose de dinâmica tranquila, sem peso do romance. Um dia comum para se tomar cerveja e comer batata frita. Foi tudo lindo até o Salvatore revelar o que é realmente o tal sistema. Que beleza ser espancado, né? Só que não! Achei incrível Elena surgir para salvá-lo, como Bonnie fez com Damon na semana passada. Gosto quando as garotas assumem os problemas por vontade própria, algo que também não tem acontecido mais na série. Saber que Stefan virou masoquista mostrou que a superação era lorota, como venho dizendo há 3 resenhas. Sério mesmo que acreditaram que ele, simplesmente, tinha jogado a toalha? Só se fosse na minha casa e tenho dito.

 

Como disse há algumas resenhas, cada um tem sua forma de lidar com a dor. Ninguém esquece um ente querido de uma hora para a outra, e foi na surra do Stefan que você vê o quanto Elena foi covarde. Caroline pode estar insuportável, mas, ao menos, ela está tentando. Stefan pode estar se automutilando, mas tentou e está perdido. Jeremy pode estar sendo autodestrutivo, mas ele é adolescente e esse é o caminho mais fácil para fugir do que sente. Elena não se permitiu a nada disso, um detalhe que gerou o babado que ganhou meu dislike.

 

Juro que fiz contagem regressiva para o Stefan dar com a língua entre os dentes sobre Damon. Ele teve muitas oportunidades e foi fazer isso no limite da razão. Errado. Totalmente errado. Mas ao mesmo tempo certo, porque ele partiu em defesa do irmão. Elena não tinha moral de falar mal do ex-namorado, nem sem memória, vamos combinar. Porém, fiquei num misto de irritação e de chateação pela forma típica com que os escritores pesam tanto determinados saltos na trama para durarem o quê? 2 episódios? Palhaçada.

 

Fiquei realmente chateada por terem feito Stefan jogar isso na cara da Elena. Não foi justo, não foi pertinente. Foi até meio que baixo. Ok que acredito que até eu gritaria com ela e a chamaria de farsante, mas achei desagradável como esse wake up call aconteceu. Foi cedo demais. Eu disse que essa pacificidade da Elena era ilusão. Daquelas temporárias.

 

Vejam bem, Elena repetiu mil vezes durante este episódio que Damon era um monstro. O que matou foi ela insistir nessa ideia e ainda dizer que não entendia porque Stefan ligava para o irmão. Claro que isso foi um tiro. O que me indigna é que fizeram todo um teatro para a Santa Gilbert perder as memórias só para voltarem a romantizar uma atitude egoísta. Com uma bela página de diário. Really? Pior foi saber que essa decisão pode ser remediada com mais uma sessão de terapia com Ric. Taí porque não quero sentir esperança na série.

 

Elena para Elena

 

Alaric can restore your last memories, all you have to do is ask. But I hope that you don’t. I tried it the other way and I didn’tsee an end to the pain. I want you to rediscover yourself in the absence of the one who defined you. If you feel  any hope for the future at all, then you already better off. You’ve been given a chance to start over. I want you to take it, I want you to be happy.

LISPECTOR, Elena sem as drogas

 

Achei a passagem no diário lindíssima. De certa forma, senti verdade, mas só no trecho final, quando Elena diz para Elena que espera pela não recuperação das memórias. Que ela precisa se redescobrir, definir sua identidade. Acima de tudo, recomeçar e ser feliz. É isso que sempre almejei para a Santa Gilbert. Que ela voltasse a ser, pelo menos, 50% do que era antes. Não é errado se apaixonar e ter um namorado. Ou mergulhar nesse sentimento. Já disse isso por aqui. O que foi péssimo durante o decorrer dos episódios é ver que a protagonista, a mulher dita como heroína, centralizou toda sua vida em um relacionamento. A prova é a passagem “ausência da pessoa que a define”. Ninguém define ninguém. Cada um é responsável pela própria personalidade, independência e vivência.

 

Por isso, voltamos nas atitudes da Elena, da 4ª temporada em diante, que não condizem com o que acontece na realidade. Isso é um péssimo exemplo. Na ficção pode até parecer bonito, mas não é se formos pensar na faixa etária das pessoas que assistem TVD. Plec e Dries se esqueceram da mensagem e de trazer mulheres fortes para o cerne da trama. Elas forçam essa necessidade da mulher ser dependente do homem. Nem Jane Austen fazia uma coisa dessas com as protagonistas. Na série, há uma histeria romântica que não é agradável de assistir.

 

A Santa Gilbert vem de uma storyline arrebatadora, marcada de grandes perdas, e nem por isso ela deixou de lutar pelas pessoas que amava. A Elena pós-sire bond não conseguia pensar em nada a não ser em si mesma e no boy. Não vamos nos esquecer da chamada de atenção épica do Jeremy na temporada passada. Até ele se sentiu esquecido e permanece nessa mesma vibe por achar que a irmã não tá nem aí. Odeiem, mas Elena sem memória é a melhor versão depois de 2 anos de série e fiquei contentíssima por essa cidadã ter negado as memórias. Pelo menos, por enquanto, pois ela é um joguete. Um peão estilhaçado. Sem personalidade. A personagem é outra que precisa se redescobrir com urgência e isso requer uma vida à parte. Sem contar que essa decisão pode ser uma chance de reconstruir Delena com mais dignidade. Ou dar a ela uma vida por si mesma, com prioridades.

 

É essa a sequência real da vida. Quando você perde o namorado, quem é que sobra? A família e os amigos. Se você não conciliar os dois, cultivar e cuidar, o fim é igual ao da Elena alucinando com ervas. Isso não é coerente. Em hipótese alguma. Toda mulher tem direito de amar e ser amada. Contudo, jamais se esquecer de se valorizar.

 

Eu queria muito que tivessem segurado esse plot das memórias. Fiquei decepcionada, especialmente se mensurarmos o escarcéu que foi feito para Elena esquecer Damon, resultando dois episódios péssimos. É o que venho dizendo, dão o doce e o tomam bruscamente.

 

Os demais plots

 

Alaric fez falta e o pouco que falou, falou bonito. Esse é um belo exemplo de atitude que Elena deveria ter assim que perdeu Damon. Ela resmungou da eternidade sem ele, como se não tivesse perdido muito mais. Ric humilhou Jeremy da melhor maneira possível, pois, de fato, o aborrecente está tão insano quanto à irmã nos primeiros episódios. Ele é outro que perdeu demais, mas a atitude autodestrutiva não é de se espantar. Isso aconteceu com a Vicki. Ric trouxe à tona muitos daqueles sentimentos incômodos ao resgatar a própria trajetória na série. Fiquei sem palavras. Meus olhos se encheram de lágrimas. Como ele disse, há ressentimento para toda eternidade e isso vai desde Isobel até o vampirismo. Assim como Matt, o teacher é o raro personagem puro que vê tudo como é, não no preto e branco.

 

We found a way to keep going.
LISPECTOR, Ric
Adendo: alguém percebeu que o Damon pegou a mãe da Elena e depois a Elena? Eu não sei por que esses pensamentos vieram. Foi culpa do flashback com a Xerife Forbes, me acudam.

 

 

Tripp também me deixou sem eira e nem beira. Pirei quando ele conta para o Matt que voltou para Mystic Falls e lembrou de tudo o que aconteceu com a mulher. Caça aos vampiros justificada com sucesso. Fico imaginando o que mais pode acontecer se alguém da turma for jogada ali, pois, de uma forma geral, todo mundo tem a mente distorcida. Isso me fez pensar até no Matt, Caroline e Jeremy, o trio compelido ao longo das temporadas de TVD. No caso, Matt e Jeremy saíram da cidade para ir à festa da Elena, não? E voltaram, certo? Eu quero drama das memórias deles também. Não é conveniente, mas é pertinente.

 

Matt foi incrível todo sacana para tirar informações de Tripp. Good boy!

 

Para piorar, Sarah se revelou como uma Salvatore e não gostei nem um pouco disso. Qual é o objetivo? Torturar Damon? Fazer Stefan se sentir uma porcaria? Não cansam de zoar Defan, né? Parece que os escritores não entendem que eles são o coração de tudo. Mais que o ridículo triângulo amoroso. Não me conformo, da mesma forma que o retorno da Ivy que me fez lembrar da Vicki. Certeza que ela será um porre! Nossa, gente, por que não pensamos na possibilidade do Enzo ter dado sangue a ela, né? Poxa vida, estava ali o tempo todo, só a gente não viu (citando Pitty). Achei a coisa mais sem noção.

 

Eu não quero criar expectativa com nada que envolva a série. Foi tudo muito bom, mas ainda não me banhei na cachoeira da burrice para me deixar levar.

 

Sendo assim, continuarei com o pé atrás.

Stefs
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  • heyrandomgirl

    Alow, alow, alow <3

    Eu ainda estou meio apavorada com as possibilidades, de verdade. Ainda mais porque a promo deu uma animada nas coisas. Não quero pensar sobre isso agora hahahahha

    Defan <3 Ainda não me conformo com a escassez de cenas desses dois desde que Delena virou. A cena dos dois lavando o carro foi muito incrível e, por mim, ambos podiam viver daquele jeito para sempre e todo sempre.

    Elena tbm é outra que podia ficar desse jeito pra sempre. <3 Tava tão fofinha que <3 Stefan me deixou meio bolada por estragar o dilema da Santa Gilbert, mas ao mesmo tempo achei válida a atitude. Acho que ele estava em estado de estupor. Não queria sentir nada. Foi um desligar bem diferente do normal e só com porrada. Eu acho que soou mais como punição, sabe? Porque o bichinho não faz a menor ideia do que tem que fazer :(

    Simmmm <333 Damon virou a melhor pessoa na companhia do Ric e da Rose, e tenho dito. Ric sambou demais na cara do Jeremy. Se o little Gilbert continuar um porre esta semana, tá autorizado jogá-lo na vala Hahahahaha

    Beijos sua linda <3

  • gabrielle araujo

    mais uma vez você tirou as palavras da minha boca, amei esse episódio, tanto que fiquei até com uma pontadinha de medo, pois se tem uma coisa que aprendi durante todos esses anos em que assisto TVD é que nunca se pode esperar muito da série, pois os escritores adoram nos iludir à toa. O flash back sem duvida foi o ponto alto do episódio, foi muito bom para esclarecer algumas dúvidas e amarrar umas pontas soltas como você bem pontuou, mas o que mais gostei foi de ver a interação Defan naquela cena deles dois lavando o carro, por um segundo imaginei eles humanos antes do furacão Katherine, Stefan sendo brincalhão quando Damon pediu uma dose de sangue de animal foi lindo e poxa com eu sentia falta desses momentos. Depois de um século me ví assistindo a minha série favorita again, e o que foi a cena no bar, faz uma eternidade que eu não gostava tanto de uma cena onde Elena está incluída, sem dúvidas ela fica melhor sem o drama de um romance com um Salvatore, fiquei com uma pontadinha de decepção no final do episódio quando Stefan provoca aquele cara para bater nele, pois isso prova que ele está lidando com a dor da perda provocando dor em si mesmo, mas se ele não fizesse isso não seria o Stefan que amamos, Como a Caroline disse ele sempre é o que mais se importa, e confesso que fiquei emocionada quando ele diz a Elena que ela amava o Damon pelo mesmo motivo que ele amava, que apesar de todas as coisas que Dmon tinha feito ele não podia viver sem ele, eu sempre fico mexida quando Stefan demonstra o quanto ama o irmão,
    PS: também concordo que Alaric e Rose tem mais credito na mudança do Damon do que Elena, eu lembro que a primeira vez que eu vi o Damon demonstrar sentimentos de verdade foi quando ela estava morrendo. E por falar em Alaric, eu batI palmas de pé pra ele com o seu discurso pro Jeremy foi simplesmente incrível. Congratulations pela resenha maravilhosa e até semana que vem.
    até semana que vem,