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04/out

Eis que estou aqui depois de meses para resenhar esta série que começou de mal a pior (mas eu estava com saudades de vocês <3). Mais uma vez, Caroline Dries assina o retorno e me convenci de vez de que há preguiça de escrever algo incrível (apenas revejam o trabalho dela na 3ª temporada e comparem com a 5ª). A promo já tinha denunciado o fiasco e não estou surpresa. A season premiere da 6ª temporada de The Vampire Diaries foi fraquíssima, sem propósito, sem tensão e sem cliffhanger. Tudo parado para dar atenção às lágrimas da Santa Gilbert. Parecia até um naufrágio e vi o reinício dos mesmos erros da temporada passada, a começar pela falta de objetivo na trama. Sei que não é do feitio de TVD entregar o vilão logo de cara, mas, no mínimo, o final deixava algo para se pensar. Não considero o comercial de margarina Bamon como algo interessante, porém, foi bonitinho (entrarei em detalhes no final da resenha que mais parece uma tese).

 

A ausência de um gancho impactante para o próximo episódio já é um item a se preocupar. Não foi dado nada que pudesse motivar quem assiste, a não ser quem vê a série por causa de shipper. Quem se preocupa com o enredo (pessoas do meu time), deve ter tido o mesmo desejo que eu: furar os olhos da Elena até saírem lágrimas de sangue. Focar na choradeira dela foi extremamente desanimador. Minhas esperanças para esta temporada não estão nas alturas e o episódio só me lembrou do quanto a Santa Gilbert se tornou uma personagem frustrante. Se fosse um bloco de lamúrias, tudo bem, mas tornar isso o carro-chefe do retorno da série forçou a amizade. Em 40 minutos não foi dado absolutamente nada e estou meio que inconformada, pois a passagem de tempo foi de 4 meses.

 

Sei que cada um tem seu tempo para superar determinados acontecimentos, mas, sinceramente, alguns personagens ganharam um roteiro exagerado demais se formos considerar o timing. Para uma série que sempre atropelou os sentimentos de perda, especialmente da protagonista, não vi coerência em estender o luto e a negação por tanto tempo. Um mês ou dois, ok, mas quatro? Elena e Cia. já tiveram espaço menor de tempo para superar a angústia do luto de temporadas passadas – e que foram mais impactantes. Do nada, todo mundo mergulhou nas trevas? Tem algo errado aqui.

 

Eu serei uma de poucos que continuará com TVD até o final e é bom avisar que não relevo certas coisas. Já peguem o colete à prova de balas porque soltarei os tiros.

 

Preciso dizer que não estava tão errada em pensar que esta temporada, pelo menos até agora, tentará resgatar tradições que um dia marcaram o universo de The Vampire Diaries. O começo do episódio foi um balde de nostalgia retrógrada. Ao mesmo tempo em que rolava a narrativa de Elena, o desenrolar dos fatos soou como uma reapresentação da série que, na verdade, não passou de um pretexto para situar a posição de cada personagem na trama que ainda não é trama. Houve uma pequena tentativa de voltar às origens: um casal no meio do mato, a apresentação da localização (Mystic Falls, VA) e o ataque de um vampiro (que meio mundo já sabia que era Elena). Depois, saltamos para Whitmore, o novo lar da turma sobrenatural que, do nada, estava tão engajava nos estudos sendo que nem passou pelo ensino médio. Foi uma comédia como a formatura na 4ª temporada, sinto muito.

 

Além disso, o que aumentou a estranheza foi o senso de normalidade, sendo que todos pararam de ter uma rotina, digamos, comum por causa dos dilemas sobrenaturais. Elena médica? Ela não queria ser escritora por inspiração da mãe (sério, ela mudou tanto assim para se espelhar no pai, o surtado da Augustine)? Tyler feliz na faculdade só porque voltou a ser humano? Ric como professor dos dois só porque não há outro lugar para inseri-lo? Esse foi o típico cenário da 1ª temporada. Até mesmo a inserção do evento esportivo. Desde que Elena se transformou em vampira, as tradições típicas da série foram aniquiladas e não tem como negar que toda essa vibe gerou estranheza. Se tivessem mantido parte do clima estudantil no percurso até aqui, garanto que não seria tão bizarro ver esse povo na faculdade. Ainda mais Elena querendo brincar de Grey’s Anatomy. Não, né?

 

A narrativa da Elena se desenrolou até que bem, nada mais sensato que descrever o que aconteceu com essa turma depois da queda do Outro Lado. Entretanto, a magia morreu quando é revelado que ela, na verdade, relatava tudo isso ao Damon e não ao costumeiro diário. Juro que fiquei esperançosa quando a vi no cemitério, a voz dela norteando os últimos acontecimentos. Eu sou daquelas que ainda pira com a essência dos diários e achei sem lógica alguma aniquilarem esse processo só porque Stelena acabou. Que morte terrível a minha em ter sido iludida logo de cara, imaginando Elena espremida em um canto, pensativa, com o diário equilibrado nas coxas. Acho que preciso aceitar que é só The Vampire agora.

 

Confesso que esperava uma preocupação maior da parte de todo mundo com a situação de Mystic Falls, porém, devo admitir que isolar a galera foi uma ótima investida para entendermos a dor de cada um. O episódio frisou a todo o momento frases com “seguir em frente”, “recomeçar”, “todos em negação”. Nada melhor que entender isso individualmente.

 

De todos os depressivos, quem me convenceu foi Matt. Nem posso dizer que ele estava triste, mas foi bom vê-lo bem. Eu o imaginava resmungão e com o típico comportamento inquieto por querer os amigos sobrenaturais de volta. O personagem me surpreendeu, até me convenceu de que ingressar no esquadrão de polícia é uma boa pedida, algo que achei absolutamente surreal vindo da boca da Dries. Matt nem quer a turma de volta, está na cara, um detalhe muito importante já que, no season finale da 5ª temporada, ele comentara do quanto seria bom uma cidade sem o perrengue sobrenatural. Literalmente, o humano está na Lua, porém, tem que pagar de bom samaritano e dizer que está com saudade da galera.

 

Vê-lo focado e com a autoestima elevada merece os parabéns. A atitude para cima de Jeremy foi compreensível, pois não cabe a ele exercer um milagre. Chega de insistir em quem não quer ser ajudado, né? Uma das melhores coisas que aconteceu com Matt da temporada passada pra cá foi o domínio da síndrome Susana Vieira, sem paciência para quem tá começando. O personagem me enche de ilusões em toda temporada por motivos de plot, só que, dessa vez, ficarei neutra. Por enquanto, faz sentido ele querer proteger, mesmo que Jeremy tenha dito que não há mais perigo na cidade já que o sobrenatural só fica nas bordas. O humano nunca soube se defender dos problemas “anormais” de Mystic Falls, sempre pegou o rebote, e participar do esquadrão pode ser útil.

 

O interessante será quando essas duas realidades o pegarem de jeito, porque ficou claro que Tripp e a Xerife dificilmente terão um acordo. Só sei que foi ótimo vê-lo de cabeça erguida. Matt sente ainda a perda, mas endureceu ao encontrar um propósito. Um propósito que está em falta na roda de amigos dele.

 

Por mais que o retorno de Ric tenha a tag fan service, foi ótimo revê-lo em cena. Sempre gostei do personagem e tenho um pouco de fé de que a storyline dele será do babado por causa do fator “vampiro com assinatura Mikaelson”. Sem contar que ele está preocupado com a situação de Mystic Falls, sendo o auxiliar de Caroline. Por enquanto, a meta foi situá-lo, como se fosse algum tipo de novidade esse homem assumir o posto de professor. Foi sensacional, e ao mesmo tempo estranho, o lifestyle ao avesso dele – o sangue é o novo álcool, o paralelo Dalaric (I’m germaphobe!), a chamada de atenção em Elena –, mas tudo isso me fez relembrar do quanto ele é querido. Rachei o bico pela forma como o teacher agiu com Jo, como também o pulso firme em colocar Tyler no lugar. É reconfortante ter uma figura adulta no meio dessa turma. Só achei meio X a aula de “estudos ocultos”. Por que médicos estudam isso, Elena?

 

Jeremy, Tyler e Luke

 

Jeremy só me comoveu diante da foto da galera. Ainda bem que não deram tanta atenção a ele, pois já bastou um Gilbert aos prantos. Tenho que dizer que achei sensata a reação dele à perda da Bonnie. Ele se comportou como o adolescente que ainda é (jogar videogame, dar uns amassos e encher a cara são evoluções do emo da 1ª temporada. Vamos dar um desconto porque poderia ser pior). Inclusive, Little Gilbert não é mais caçador (algo indiferente, pois o personagem nunca fez nada de útil).

 

Já voltei a detestar o Tyler em menos de 2 cenas. A TPM dele sempre me tirou do sério. De novo, o também humano tem muito que lidar, especialmente no quesito raiva (algo que já vimos e que não será surpreendente). Pelo visto, quem lhe dará uma mãozinha é Liv. Como a esperança Forwood foi aniquilada, a tentativa é fazer com que esses dois deem certo. Preciso dizer que fiquei contente de rever a bruxa. Gosto da ousadia e da petulância da personagem, do revirar de olhos cheio de asco para essa turma. Liv foi rainha em destruir as estruturas de Tyler ao defender Luke. Fez certinho! Outro ponto é que o não mais híbrido está de boa com a Caroline. Ainda bem.

 

Agora, segurem minha mão! Por que Luke colocou o rabo entre as pernas? De onde vem essa culpa pela perda de Bonnie e de Damon, sendo que o personagem nem os conhecia? Por que colocar os gêmeos como os vilões, sendo que Luke tomou uma decisão corretíssima no season finale da 5ª temporada? Eu não sei o que foi pior, ele ter dado as ervas para a Santa Gilbert ou repetir incontáveis “desculpa”. Querido, você não tem motivos para ficar na pior. Esse insight nada brilhante, como pretexto para diminuir uma culpa que não deveria existir, só para colocar Elena ainda mais no pedestal, me fez encher a pia para me afogar. Vejam bem, considerando só o lado da moeda, Luke não fez estrago algum.

 

Luke protegeu Liv, um tipo de atitude que até eu tomaria. Uma atitude que Elena, em seu juízo normal, também tomaria se fosse Jeremy prestes a morrer. Tenho certeza que Stefan faria a mesma coisa pelo Damon. Seria surreal se Luke deixasse a irmã na mão, a única família que possui, em nome de dois desconhecidos. Bonnie até que vai, porque os gêmeos estudaram com ela, mas seria um absurdo deixar um ente querido morrer para salvar pessoas que nem fizeram parte do convívio. De novo, o personagem quebrou uma regra do coven para alimentar um capricho da Santa Gilbert, um pecado que o desvalorizou. Eu gosto do Luke e bato na tecla: ele não foi errado coisa nenhuma. Esse povo tem que parar de ser egoísta. De vez em quando, faz bem colocar os sapatos do próximo.

 

Contrata-se Tefinho Salvatore!

 

O que foi esse homem brincando de ser humano feat. mecânico? Eu ri da cara dele ao ter o salário descontado. Real life, sucks! Tenho que dizer que até que gostei da química dele com a Ivy, nunca é demais ver aqueles olhos verdes brilhando, embora escondesse os resquícios do luto por Bonnie e por Damon. O que pegou mesmo na pequena aparição dele foi a ligação de Elena. Se ele estava certo em dar aquele quique? Óbvio que estava! O Salvatore ainda foi muito educado, pois eu teria apertado o dedo mais fundo na ferida à la Klaus.

 

Stefan Salvatore conquistou sua independência na temporada passada. Ele sentiu na pele o quanto sempre se importou demais e os outros de menos. Ao sair daquele cofre, o personagem sofreu uma mudança e tanto na personalidade, como na postura. Em curto espaço de tempo, o vampiro teve que superar o estresse pós-traumático, a frustração de ter o cérebro fritado, o castigo de ver que Elena e Damon não se preocuparam com ele e assim por diante. Stefan aprendeu a força a se fechar, a ser mais cauteloso, a ponderar antes de agir por causa de todas as dores que sentiu na temporada passada. Acima de tudo, ele resolveu seguir em frente. Ele passou do vampiro que chora por tudo para o vampiro que segura a onda. Caroline e Elena queriam vê-lo lamuriar, mas se é uma coisa que o Salvatore também aprendeu é mostrar sofrimento uma única vez. Depois, é só com ele e ninguém mais. Mystic Falls jamais seria o lugar ideal para o personagem se recuperar. Nem Whitmore ou qualquer lugar que tivesse um membro da turminha do mal.

 

É cansativo ver Stefan como alicerce de todos. Vê-lo agir ao contrário foi um deleite. Era claro que seria ele o responsável em dar uma sacudida na insistente Elena e um cold shoulder na Caroline. Tendo em vista o que ele passou, nada mais sensato que deixar os outros se debaterem e correrem em círculos. Faz bem. É tranquilizador chegar aqui e ver que o Salvatore não voltou a ser o ripper. Que ele escolheu lidar com isso de um jeito humano. Sendo bem sincera, Stefan foi o personagem mais próximo do status de negação. Ele ainda mastiga o luto e não digeriu a perda do irmão e da Bonnie. Não dá para dizer com toda certeza os motivos dos quais o vampiro simplesmente anunciou que desistiu. Talvez, ele tenha jogado a toalha, o que acho improvável. A questão é que o Salvatore não estava a fim de papo e isso é normal. Se alguém ainda tem dúvidas da humanidade dele, este episódio deu a maior prova disso. Eu me vi agindo da mesma forma. Eu não iria querer falar com ninguém, nem muito menos ouvir palavras de estímulo. É a dor dele. Só ele sabe como contornar isso.

 

Stefan não disse em voz alta, mas se sente culpado. Ele sempre se sente culpado, é da natureza dele. Evitar Mystic Falls é uma forma de contornar os pensamentos que, com certeza, vão e voltam desde o show do Outro Lado. O que a maioria das pessoas esquece é que os Salvatore representam uma irmandade ao avesso. O irmão mais novo é quem dá conta do mais velho. Uma coisa que ninguém lembra é do quanto Stefan se sente responsável pelo Damon. Em parte, isso é culpa da série que não lembra que TVD é Defan.

 

Ele tem uma eterna dívida com Damon. Se é uma das coisas que Stefan sempre quis de um jeito muito genuíno era ser perdoado. No season finale da temporada passada, o personagem disse em alto e bom som que, pela primeira vez, o irmão mais velho tinha tudo o que queria. Agora, imaginem ter que resgatar toda essa história a cada ligação, a cada menção de Mystic Falls. É tortura! Imaginem juntar tudo isso e se sentir um lixo por não ter conseguido trazer o sangue do seu sangue do Outro Lado. Pior, ter que desistir por não ter encontrado uma solução. É barra!

 

Sendo assim, o toco na Elena ainda foi muito gentil, pois dava para ser mais cruel. Porém, não é do feitio do Stefan pisar forte no calo. Esse gene é do Damon.

 

Mamãe Caroline

 

Uma das coisas boas e raras que ainda permanecem em TVD é a chance de pegar dois ou três personagens e acarretar um comparativo. Nesse caso, Elena e Caroline.

 

No começo do episódio, a Santa Gilbert assumiu a narrativa, cheia de animação, como se estivesse bem, sendo que tudo era fachada. Caroline arrematou o final com uma narrativa sincera, cheia de dor e de preocupação por ser a única interessada em reconquistar o lar. O atrito aqui aconteceu com uma chamada de atenção de Elena, que foi o fim da picada, criticando Caroline por ainda se prender à Mystic Falls. A vampira foi extremamente fria com o comportamento da amiga, sendo que ela deveria ser a pessoa a estimular esse desejo de destruir a magia dos Viajantes por ter um irmão além da fronteira completamente na derrota. Elena quem deveria correr atrás do Ric em busca de respostas.

 

O comparativo vem ao medir as atitudes de Caroline que voltou a ser Caroline depois de muito tempo. Ela foi a pessoa que bateu o pé por querer encontrar um meio de destruir o paranauê do Markos. Uma das características principais da vampira é a facilidade em se apegar. Ela jamais teria pique de continuar na universidade sabendo que não tem mais o seu refúgio. A mãe dela ainda mora lá, o que justifica perfeitamente sua necessidade de estar colada na fronteira de Mystic Falls. Caroline não agiu com base no luto e na negação, mas no desejo de ter algo a que se agarrar. Da mesma forma que Luke, a personagem ainda tem senso de família.

 

Infelizmente, Caroline é a única que tem alguém especial além da linha. Elena também tem, mas estava ocupada alucinando com o namorado. Senso de prioridades, cadê? Alguém precisava ser sensato e, na ausência de Stefan, Caroline foi a escolha condizente. Se ela agisse muito diferente, sem um pingo de esperança, seria inadmissível. A personagem continuou dentro da essência, uma recuperação boa, pois a detonaram na temporada passada.

 

Um lencinho para Elena Gilbert

 

Elena situou o começo desta temporada e eu quis acreditar que ela seria aquela pessoa saltitante, que todo aquele papo de drogas era um pesadelo, uma edição da promo só para impactar e colocar o fandom no chão. Quem acabou tendo o pesadelo fui eu. Como pode, gente? Cada vez na pior. Eu queria que Elena retornasse empenhada, de cabeça fria e curtindo a solteirice. Quatro meses, galera! O papo das ervas rendeu uma expressão nada bonita para o rosto trakinas da Nina e me deu vontade de ligar pro Klaus. Só ele para dar um jeito nessa bagunça. Quando soube que a vampira recorreria a isso para manter o elo com o boy, respirei fundo e não pensei no sire bond (mentira que pensei de novo, me soquem, por favor!).

 

Digam-me: quantos anos Elena Gilbert tem para pagar esse mico? E se permitir a isso? Foi vergonha alheia, vai! Considerando que ela mesma se incumbiu de repetir que lidou com a morte várias vezes, era de se esperar um comportamento maduro. Ainda mais quando vem de uma pessoa que nunca, nunca mesmo, sentou para refletir sobre uma morte por sempre ficar em estado de dormência. Se formos rever cada premiere pós-morte, em nenhum momento Elena surtou. Ela só foi ajoelhar diante de Jeremy e, ao invés de enfrentar, berrou o famoso I can’t. A vampira viveu em estado de estupor depois do ocorrido com Jenna, John, Alaric, e agora me dá esse show, se achando a graduada em luto? Chama a Katniss que ela ensina.

 

Por essa e entre outras que uma das maiores falhas de TVD foi nunca ter trabalhado o psicológico da Santa Gilbert depois das perdas. A personagem sempre apresentou uma compostura fora do normal, isso porque toda a família dela foi tragada para o cemitério. Poderiam sim ter dado a ela uma forma mais decente de lidar com a perda do Damon. Ela repetiu a cena lastimável do season finale da 5ª temporada, totalmente infantil. De novo, trincaram o desenvolvimento que a personagem não possui mais. De novo, Dries e Cia. a empacaram na pior. A ideia foi romantizar o luto da Elena, mas o que vi foi uma garota que continua a retroceder. Para mim, foi mero desleixo. Preguiça de fazerem algo melhor.

 

Eu já vi pessoas enfrentarem o luto. Não é bonito, nem elegante. Realmente traz períodos de negação, de revolta, de frustração e de incapacidade. Reviver o rebote da perda nunca é fácil. Fica um buraco incômodo no peito e dá sim a impressão de que nada e nem ninguém será capaz de tapá-lo. Fica sim a impressão da impossibilidade de superar e de seguir em frente. Sendo bem dura agora, superar tem muito a ver com querer. Elena berrou em alto e bom som que não queria esquecer, que não queria abrir mão e que não queria recomeçar. Covardia. Não foi nada bonito ver o quanto Dries se empenhou para colocar uma personagem que nem pode mais ser chamada de protagonista em uma situação tão deplorável.

 

Eu entendo que não foi só um fim de relacionamento. O namorado dela “morreu”. O cara que ela achou que passaria toda a eternidade. Ok rever fotos, abraçar a camiseta, sentir aquela cosquinha incômoda de saudade por alguém que nunca mais verá… Eu entendo até demais.  Isso é sinal de importância e achei de muito tato vê-la agradecer ao Damon pelos momentos vividos. Depois de eras, ela agiu de coração. Porém, foi vergonhoso o surto para cima do Luke ao ponto de culpá-lo por uma atitude que, com um pouquinho mais de sensatez, ela entenderia muito bem. Como disse, duvido que se fosse Jeremy prestes a morrer durante um ritual, no meio de gente que nem conhece, ela o teria deixado morrer. Bem… Isso é uma suposição, pois Elena mudou. O irmão nem é mais sua prioridade.

 

As pessoas culpam o Damon pelo que Elena se transformou. Eu dou 30% de responsabilidade. Afinal, ela fez as escolhas que a mudaram. Contudo, tenho que dizer que essa “diferença” aconteceu a partir da transição para o vampirismo. Os escritores não souberam desenvolver essa nova versão da personagem que terminou como um peão no meio de dois caras que já deveriam estar de saco cheio de “compartilhar” a mesma mulher. No meu ponto de vista, Damon foi um estimulador das irresponsabilidades da namorada. O cara não é santo, né? Ele sabia perfeitamente o que fazia ao isolar o relacionamento só na cama.

 

O peso dessa influência sobre Elena ficou evidente no final do episódio, no momento em que ela surta e berra para que ele saia da sua cabeça. Dries esclareceu essa cena e afirmou que o Salvatore foi fruto da imaginação da vampira, o que justifica o comportamento tão pentelho dele. De um jeito meio esquisito, senti que a aparição do Damon tinha a ver com a consciência da Santa Gilbert. Estranhamente, ele a criticava, a provocava e jogava verdades. O boy representou o lado sensato que a garota ignorou no decorrer do episódio. E, por favor, ele falou cada coisa para ela que eu glorifiquei de pé.

 

Se é uma coisa que não tem dado certo é Elena como vampira. Na verdade, nunca deu certo. Quando ela pergunta ao Ric sobre gostar do vampirismo, vi uma pequena luz no fim do túnel. Afinal, a Santa Gilbert nunca quis ser o que é, foi uma hipocrisia tremenda ela dizer que amava a transformação na 4ª temporada, e voltar a esse ponto me deu um pouco de esperança. Meu sonho é revê-la humana, pois só assim ela voltará a se importar consigo mesma e com os arredores. Ouvi-la dizer que odeia encheu minha bolha de ilusão, até porque a personagem só resmungou sobre isso por não ter o Damon. Quando a personagem transitou, esperava vê-la forte. Mais independente. Mais protetora. Infelizmente, Elena é a responsável por tudo que se transformou. Ela agarrou a influencia de Damon e vemos agora uma personagem descaracterizada. O que me choca é que a dondoca costumava ser melhor que isso.

 

Elena tinha o próprio timing e tinha reações que condiziam com sua personalidade. Agora, é difícil responder a questão: quem é Elena Gilbert? Além de chorona, ela continua egoísta ao ponto de jogar nas mãos de Stefan, o destino, a responsabilidade de lhe dar esperança. A personagem não queria conforto, mas um desejo atendido. Achei ótimo o Salvatore tê-la barrado, bem como Luke que foi um lindo ao jogar na cara dela que é hora de encarar a realidade. Sinceramente, foi impossível se compadecer por ela. Literalmente, queria estar morta!

 

Em 40 minutos, Elena voltou a ferir o próprio self. Ela feriu o amor à família e aos amigos. Quantas vezes ela pronunciou Bonnie? Nenhuma. Em que momento ela realmente se esforçou para tirar Jeremy da fossa? Nenhum. Nem adianta dizer que o feitiço de Mystic Falls a impediria de dar auxílio, pois quem quer mesmo sempre dá um jeito. Vejam Caroline! Ela não tinha encontros com a mãe? Então. Elena não estava faminta e não foi morder o casal? Podia muito bem usar essa energia para ficar um pouco com o irmão. Total falta de força de vontade.

 

Entendam: não é errado se apaixonar. Não é errado se entregar de corpo e alma. Não é errado não querer abraçar os sentimentos que assomam o peito depois da perda. Isso faz parte do processo. Porém, você escolhe como lidar. Somando tudo que Elena já passou, o que aconteceu neste episódio foi digno de um Framboesa de Ouro e não sei porque os escritores ainda insistem em dar foco nessa vibe que é muito 5ª temporada. Chega, né?

 

Quando achei que Elena tinha terminado, lá vai ela com a pior ideia: pedir para Ric apagar as memórias do Damon para “tentar sobreviver”. Brequem aí! Eu não sei se estou velha, mas achei isso uma tremenda falta de respeito com o “falecido”. Elena me passa 40 minutos no perrengue e, do nada, pede para esquecer? Como assim não existe esse papo de seguir em frente? Claro que existe, só que a Santa Gilbert virou uma covardona de primeira linha. Dries mandou a mensagem errada que terminou de afundar o episódio. Eu tive que voltar a cena para ter certeza de que a vampira sugerira uma barbaridade dessas. Tudo bem que essa ideia mirabolante tem um ponto “positivo”: dar um reboot na série. Só assim para continuar o pesadelo chamado triângulo amoroso (por que Deus?). Tá demais essa Elena optando pelos caminhos fáceis ao invés de ser mulher e enfrentar as aflições.

 

Na boa, que Ric apague as lembranças do Damon e faça o favor de levar as do Stefan junto. Mandem os Salvatore aqui pra casa. Garanto que ambos serão muito bem tratados.

 

It’s been 84 years…

 

Assino com todo mundo que falou que os segundos finais valeu o episódio. Bamon fez meu coração feliz. Explico! Amo os dois nos livros. Sempre foi minha paixão enrustida. Os dois batem forte no meu coração. Acho formidável a construção desses personagens que perduram entre o asco e o receio, depois do querer e não poder. Ver isso se concretizar na série, por meros segundos, em uma cena sem o menor cabimento, ativou meu lado fangirl. O ponto negativo é que a incoerência da Dries e Cia. não têm limites. Bem que tentam surpreender, mas estamos falando de um buraco além do Outro Lado. Que lugar feliz, não? Quero viver lá também. Faria panquecas com o Damon ao som de Backstreet Boys.

 

O meu desejo Bamon era algo que queria ao longo da 2ª ou da 3ª temporada. Vê-los juntos, em algum lugar, e um tanto quanto tranquilos, me deixou contente. Isso sem peso amoroso. Eu nunca vi o Damon sob uma luz tão natural como naqueles míseros segundos. Eu nunca o vi tão bem. Até as feições dele estavam mais suaves. Sei lá, o Salvatore parecia mais leve, não por estar com Bonnie, mas por estar em algum canto que não lhe dá preocupações. Eu gostei dessa sensação, pois ainda almejo a vida dos Salvatore sem a Elena.

 

Finalizando esta resenha monstro

 

A premiere não foi bem-sucedida como o esperado, vide audiência que caiu demais. Pode ser o efeito Ian, mas espero que isso sirva de soco para os produtores entenderem que The Vampire Diaries já chegou em um caminho que não dá mais para insistir. Amo o elenco, amo revê-los toda semana, mas sem trama não dá para sobreviver. Literalmente, vejo só os Team Delena acompanhando a série, porque basicamente é só isso que tem para assistir. Saudades trama! Saudades mitologia! Saudades cliffhanger! Saudades criatividade!

 

Outra coisa, quinta-feira é dia da Rainha Shonda Rhimes, o pesadelo da CW. Se Dries e Cia. não pararem de escrever fanfic, acho que podemos pensar que da 7ª temporada TVD não passa.

 

Semana que vem preparem mais lenços para a Elena. Ajuda, Luciano!

 

PS: desculpem pelo tamanho da resenha. Eu não consigo ser sucinta com as coisas que gosto (ao mesmo tempo que odeio hahahaha). <3

Stefs
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