Menu:
11/out

Antes de falar sobre o episódio, agradeço pelos comentários e pelas leituras na resenha passada. Dois fatores que servem de motivação para eu continuar a aumentar o número de páginas dos meus textos, um processo que me consome o dia todo. Vocês são lindos! <3

 

De novo, o tamanho da resenha – que, ultimamente, nem merece mais esse nome – está enorme em comparação a da semana passada. Motivo: há dois reviews. Tcharam!

 

Agora, o episódio!

 

Que morte terrível essa de The Vampire Diaries. Nem consigo sentir o peso do luto, pois a falta de coerência atingiu o ápice esta semana. Quando o episódio estava prestes a me conquistar, Stefan é humilhado e Elena descobre que ama Damon em um momento nada apropriado. Reclamei da Dries na semana passada e agora é a vez da Plec, a pessoa que assinou esse roteiro quase redondinho. Um roteiro que ela escreveu nas férias. Imaginem o sorrisão diabólico dela, pois eu o imagino bem. Sinceramente, não acredito que a série conseguirá manter o pique daqui por diante, a audiência sinalizou isso de novo ao despencar um pouco mais com relação à premiere (que caiu em relação à premiere da 5ª temporada), mas, pelo visto, o alerta vermelho ainda não é o suficiente para que a CW a cancele.

 

Em um parecer geral, o episódio teve um ponto bacana: Bamon. Vamos combinar que a trama começou errada, pois, na minha mente, bem como de muitos showrunners, é vital emendar o cliffhanger de uma temporada passada com o início da outra. Claro que em TVD tem que ser do avesso ou não seria TVD. Sem dúvidas, a dupla, que claramente ainda se detesta, foi, de novo, um frescor. Praticamente, uma quebra de rotina, pois não tá dando para suportar os outros personagens. Bonnie e Damon saltaram sabe-se lá para onde, com direito a mãos entrelaçadas e a expressões de estranheza que beiraram a comédia. O plot Bamon foi fragmentado em duas passagens de tempo: 4 meses e 2 meses antes da situação atual de Elena e Cia., o que os mostrou empenhados em explorar para descobrir onde diabos estacionaram. No caso, em 10 de maio de 1994, em uma Mystic Falls sem uma alma viva.

 

Essa ausência de humanos e do sobrenatural na Mystic Falls dos anos 90 me cheira muito mal, pois, na temporada passada, a ideia do Outro Lado não deu certo. Ficou chato, sem pé e nem cabeça. Comentei no aquecimento que insistir nesse plot é furada, mas, depois do que aconteceu em dois episódios, tudo que rolar daqui por diante estará abençoado pela viagem na maionese das showrunners. Só tenho aquele medo típico de estenderem demais a lacuna Bamon (vide promo do 3º episódio) por causa dos fãs (o que é bem provável que aconteça, porque TVD só funciona a pedidos). Enfim, seja lá qual é o plano (que não me dá nem um pouco de esperança), Damon e Bonnie focaram não no “onde”, mas no “quando”. Por enquanto, só temos uma data.

 

Gostei da preocupação e da empolgação de Bonnie no quesito magia, um sinal que, mesmo no além, ela ainda preserva o que nasceu para fazer. Damon continuou na vibe incrível da semana passada, queria que ele continuasse ali para não ter que sofrer na série de egoísmos da não mais namorada Elena Gilbert.

 

Sinceramente, Bamon merecia um spin-off que deixaria Ana Maria Braga orgulhosa, com dicas de culinária e de estilo de vida. Sério! Tem como deixá-los lá para sempre e todo sempre? Acho que eles podem encontrar o caminho para Storybrooke, cantar Let it Go, abraçar a Regina… Tá parei! Essa foi a única parte que conseguiu me prender um pouquinho neste episódio por ser novo e diferente. Por mostrar esses personagens em um clima inédito e delicioso. Inclusive, por ter o toque dos anos 90. Sou uma criança dessa época e é óbvio que surtei quando o Damon me cutuca o suporte de CDs. É muito bom rever o Salvatore cheio das gracinhas, detalhe que morreu graças à descaracterização que o fez muito próximo da personalidade insustentável da Elena. E a trilha sonora! Só acho que deveriam ter escolhido o arco de 1997/1998, porque a música pop era divina (Britoca feat. boy bands).

 

O que pega agora: Bonnie farejou uma nova presença. Uma bruxa? Por causa do foco sutil na pauta magia, é bem provável que um ser mágico esteja empacado no mesmo lugar. Faria mais sentido. Digo isso por causa do grimório e do colar da Elena (que era da Esther) que vieram à tona neste episódio. Isso resulta em bruxaria. A bruxaria que Bonnie bem pensou que poderia tirá-los dali. Não acho que seja Katherine, pois a personagem não tem nada que possa ajudá-los. Sem contar que ainda não há um bruxo que se preze na trama, a não ser Luke e Liv. Claro que seria maravilhoso o retorno da little bitch, mas ela já deu tudo o que tinha que dar. Só sei que está na cara de que será preciso um feitiço reverso para trazer Bamon de volta.

 

Quem são Matt e Jeremy na matinê de domingo? Um sendo mala e o outro impaciente, como viver? Por que os escritores não os matam ou dão uma storyline decente para ambos? Nossa, que dificuldade! Tanta dificuldade que o Tyler foi barrado neste episódio, nem apareceu. Não comentei na resenha passada porque ela estava enorme, mas o little Gilbert já era para ter passado dessa fossa com a mesma rapidez que a Elena. Na perda de Jenna, o personagem tinha um trabalho para esfriar a cabeça, via fantasmas e fumava maconha. Uma rotina até que superior de um adolescente que agora resolveu imitar a irmã. No caso dele, acho que estou sendo meio fria, porque foi uma tontice prendê-lo à caixa postal da Bonnie. Ou ele está de luto ou ele está ocupado pegando a meninada da cidade e enchendo a cara. Não dá para ser babaca, dormir com X garotas e depois choramingar o quão está aborrecido no celular, duh!

 

Percebe-se que esse comportamento sem nexo é um defeito Gilbert e os brothers acham lindo pagar de autodestrutivos. Preparando o CD do Simple Plan para eles (Welcome to my Life).

 

O triste é ver os BFF em uma Mystic Falls sem magia e não tirarem proveito disso. Dá para explorar muita coisa, especialmente por causa da presença de Tripp que se revelou como um Fell. Melhor, um amigo próximo da família Gilbert. Vejam bem a tentativa de resgatar as temporadas passadas ao trazer mais um membro de família fundadora que, possivelmente, não terá futuro. Até porque nem a Plec o define como vilão ainda. Mais deprimente que isso é colocar Sarah, a garota que Elena mordeu e que Caroline varreu a mente, no meio deles. Matt está focado no propósito, empenhado ao esquadrão, e não merece ser babá do amigo irresponsável e de uma suposta garota misteriosa que tem um comportamento muito folgado para quem sentou agora na janelinha.

 

De frente com Stefan Salvatore

 

Estou exausta da má escrita que pegou Stefan Salvatore pelos calcanhares, sem chance de folga, desde o meio da 4ª temporada. Às vezes, acho que a Plec aprova os roteiros que o condenam como uma forma de despejar seu ódio pelo Kevin Williamson, não é possível. Nem consegui ficar com pena do personagem, pois estava ocupada morrendo de vergonha pelo Paul. Quem acompanha os projetos do ator, sabe que brincar de vampiro não representa metade do talento que ele tem. Não depois de Venice. Dói vê-lo de canto, sendo que ele poderia morrer no circuito do cinema independente. Larga desse osso, Paul! Eu sei que você está de saco cheio.

 

Acho que nem preciso dizer o quanto fiquei indignadíssima com a morte da Ivy, certo? Uma mulher bacana, interessada, humana e caidinha pelo Stefan. Paraíso boicotado por um babaca chamado Enzo. Foi muito fofo da parte dela fazer o café da manhã e muito carinhoso da parte dele consertar a situação ao convidá-la para jantar. Não posso quando esse homem assume a cozinha, gente, simplesmente não posso. Nessa cena, estava tão claro o quanto ele estava confortável na própria pele. Ao menos, por fora. O que matou é essa condenação do personagem por ter “desistido” de procurar pelo irmão. Bem… Ele jogou na cara de todos que tentou, né? Plec escreveu isso como se fosse um pecado tremendo seguir em frente. O que me preocupa, às vezes, é lembrar que há adolescentes que assistem a série, muitos sem pré-julgamento, e que acreditam piamente que Stefan está errado.

 

Que mal há em seguir em frente? Qual foi a motivação de tanto escândalo? Tento entender o escarcéu de ódio pelo personagem. Quando ele choraminga, reclamam. Quando ele fica perto da Elena, reclamam. Quando ele se isola, reclamam. Quando ele segue em frente, reclamam… Resolvam! A justificativa que Stefan deu foi totalmente válida. Ele procurou e não foi bem-sucedido. Não dá para insistir em uma ruela sem saída. O que o Salvatore deveria fazer? Cortar os pulsos e chorar? Claro que não. Talvez, considerando como o vampiro era antes, era bem capaz dele ter virado ripper ou ter ficado na fronteira de Mystic Falls, mas os altos e baixos da temporada passada o impediram de agir como Stefan Salvatore, aquele que chora.

 

Frisei isso na resenha da season premiere desta temporada. Ele ainda teve a dignidade de procurar, sendo que nem deveria. Afinal, quando o vampiro estava na pior dentro do cofre, Damon estava ocupado com a Elena. É o que disse: a irmandade dos Salvatore é ao contrário. O mais novo cuida do mais velho. O que o mundo precisa engolir é que Stefan amadureceu, uma raridade dentro desse grupo que não consegue largar de determinas coisas. Ele é outra pessoa desde os perrengues da temporada passada e nem deveria voltar para Mystic Falls. Não depois de engolir críticas inválidas, nada condizentes, com argumentos pobres vindas de Caroline e do Enzo.

 

O show na casa do Stefan foi uma bela lição de como descaracterizar até aquele que se tornou regular da última temporada pra cá. Caroline perdeu a razão ao cobrar coisas do Salvatore impulsionada pelo que sente (e não é amizade). Já começou errada! Ela é outra que passará por uma modelagem básica de personalidade para Steroline acontecer. Triste, mas verdade. A personagem perdeu o resto de respeito que tinha comigo ao apoiar Enzo e agir daquele jeito escalafobético com o Stefan. Citando-a, a explicação para todo esse ódio despejado vem do rótulo: ele é sempre a pessoa que se importa. Esse é o grande problema da expectativa elevada, ainda mais quando falamos de Caroline que se apega fácil e não lida bem com um tapa cheio de verdades. Quem não se lembra dela morta de ciúmes do Tyler?

 

Caroline me envergonhou neste episódio, ainda tento entender o surto e as lágrimas no carro. Vejam bem, ela estava aos prantos por estar magoada pelo block de 4 meses do Stefan e não porque não há mais esperanças para Damon e Bonnie. Troca de prioridades para acender a faísca de um romance. O vício da Plec e da Dries.

 

Eu a perdoei na semana passada por estar dentro da caracterização normal. Por causa do pretexto de enfiar Steroline goela abaixo, Caroline foi vítima de novo do OOC. Em outras palavras, ela estava completamente fora da personagem e acho que isso será definitivo. No fim, a vampira apenas ressaltou o incômodo geral sobre o novo lifestyle de Stefan e terminou na implausibilidade movida, especialmente, pelo ciúme da Ivy. Ficou na cara! Pessoas felizes incomodam e o Salvatore incomodou demais. Caroline não gostou nada disso e só fez o favor de denunciar na caruda o quanto Elena e Cia. são acomodados e dependentes dele. Afinal, quem realmente está à procura do Damon e da Bonnie? Ric, Enzo e ela. Enquanto isso, Elena só quer apagar as memórias, Matt quer ser patrono de Mystic Falls e Jeremy só quer zoar…

 

Até entendo, em partes, essa “dependência”, porque Stefan sempre foi o alicerce para tudo, algo fomentado desde que TVD estreou, mas chega, né? A pessoa que tinha que cobrar alguma coisa não estava nem aí. No caso, Santa Gilbert. Cadê que Caroline foi lá dar um showzinho para cima da melhor amiga? Claro que não iria. A vampira preferiu ser intrometida, chata e insolente com Stefan por causa do defeito de se apegar muito rápido (e do fan service). Pirei com a cara de tacho dela ao saber oficialmente que foi renegada. Não teve como não rir, gente, me desculpem, especialmente por saber que o Salvatore atendeu Ric e Elena. Ou seja, esse papinho “ele não se importa e não atendeu ninguém” é mera lorota. Ele só não estava interessado no modo Caroline de operação, ué.

 

Pior foi aguentar o momento nonsense do Enzo. A aparição dele neste episódio foi uma das poucas coisas que me empolgou, as cenas dele antes de chegar no Stefan foram divertidíssimas, mas meus sentimentos positivos desvaneceram quando ele se atreveu a cutucar a relação Defan. Ninguém deve cutucar Defan sem argumentos válidos. Isso me en-fu re-ce. Do que Enzo sabe? Enquanto o barraco rolava solto em Mystic Falls, o pseudo-Klaus com pinta de novo Damon era objeto de pesquisa da Augustine. Quem ele pensa que é para dizer ao Stefan “irmãos não desistem”? Quem ele pensa que é para citar “a eternidade de sofrimento”? O intuito foi dar um wake up call no Salvatore para fazê-lo sair da toca. Ok. Só que o argumento foi sem fundamento porque o personagem não manja de nada.

 

Stefan jamais abriria mão do Damon e foi o cúmulo da estupidez dar ao Enzo uma fala que não orna com a jornada da série. Poético seria se a frase saísse da boca do Ric, pois ele sim viu tudo o que os irmãos enfrentaram. Foi uma crítica tão inconsistente quanto o discurso fajuto da Caroline. Uma crítica tão inconsistente quando lembramos que Stefan se vendeu para o Klaus para salvar Damon da mordida. Está bom para vocês ou preciso dar mais lembretes?

 

Claro que precisa e darei com muito gosto. Leiam isso aqui (especialmente quem acha que Stefan não está sofrendo nem um pouco com a ausência do irmão):

 

Você nunca esquece da família, não é? Mas a cada vez que se alimenta, o sangue ajuda a esquecer. 

– LISPECTOR, Klaus. 3×01.

 

Agora, respondam: o que tinha na geladeira do Stefan? Sangue humano, aquele que o torna ripper. Ele virou ripper? Não! Ao contrário de muitos, ele teve maturidade e compostura para não se afogar para o lado negro de si mesmo por causa da perda do Damon (não incluirei a Bonnie porque o irmão é o peso real na vida do Stefan). Sangue dá força a ele e, agora, seria como álcool. Beber para esquecer, a reação automática dele para tentar bloquear a perda. Optar por não ser o estripador mostra a preocupação em não passar dos limites, um sinal de que ele quer ficar consciente e centrado para o que tiver que enfrentar. Estou exausta de certas justificativas semelhantes a “vou votar no Aécio porque o PT tem que sair” que é igual a “Stefan não se importa e tem que morrer”. Estou velha e gostaria que me poupassem do AVC.

 

Adendo: Stefan chegou ao coven Gemini primeiro que o Enzo. Who run this mother…?

 

Lembrete²: no 3×01, Elena tinha uma pista do paradeiro de Stefan e Damon não estava nem um pouco interessado. Ela foi lá, cobrou e descobriu que era mera aparência porque o Salvatore rastreava o irmão pelas costas dela e, depois, cobriu os rastros do ripper. Algo semelhante ao comportamento do Stefan que afirma que seguiu em frente, mas está empacado por falta de opções. Outro lado >>>> ripper. Mais complexo, né? Bloquear as pessoas foi um comportamento para evitar encheção de saco e cobranças. Não tenho dúvidas disso.

 

Entrevista com a Elena

 

Foi nessa parte que meus humores com este episódio se esvaíram. Até que eu estava gostando dele por causa do fator nostalgia, mas o final colocou tudo a perder. Quando digo que The Vampire Diaries teve uma morte terrível não foi por motivos Delena, mas pela falta de tato da Plec em ter escrito um episódio que criou divergência justamente com outro que ela também assinou: o 3×01, na companhia de Kevin Williamsom. Esse plot da Santa Gilbert querendo apagar as memórias trincou um ponto da jornada da série. Explicarei com detalhes.

 

A ultrapassagem de limites começou com a ideia de Elena apagar as memórias do Damon. Repito que achei a ideia de extremo mau gosto por ser um desrespeito a ele e por não trazer nenhum tipo de evolução e amadurecimento para ela. No desenrolar do episódio, a vampira estava bem focada na limpeza emocional que, infelizmente, não foi pensada por um motivo justo. Ao acompanhar as cenas Bamon, me perguntei: como Damon se sentirá ao ver que foi deletado, uma decisão meramente egoísta da namorada? Não acho isso um gesto de amor da parte dela, mas de covardia. Sabem por quê? Porque Elena pontuou para Caroline que fazer isso era uma questão de sobrevivência. Como se Damon fosse matá-la…

 

Reviver as cenas entre Damon e Elena me deu saudade. Lembrei-me do quanto achava extremamente egoísta amar duas pessoas e querê-las ao mesmo tempo (Elena não quis chutar nenhum dos Salvatore por saber que escolhendo um perdia o outro). Contudo, Ric teve razão em dizer que esse é um comportamento normal, e eu concordo. A diferença está no quanto. Fiquei balançada com os flashbacks, especialmente por causa do fator nostalgia ao rever fragmentos do tempo em que a série era brilhante. As melhores cenas do casal se desenrolaram na 3ª temporada (isso é uma opinião particular) e a escolha de algumas delas para o revival foram justíssimas. A trajetória desses dois personagens começou a se solidificar no 3º ano de TVD, com um roteiro maravilhosamente bem escrito, como qualquer outro viés da trama nessa época de ouro. Sdds!

 

No primeiro encontro entre Elena e Ric, tentei compreendê-la. É difícil lidar com um sentimento tão delicado que é perder alguém que se gosta tanto. Cada um reage diferente, claro, mas é fato que amar alguém, ainda mais quando você mergulha de corpo e alma, pode levar tudo de uma pessoa. Literalmente, quando termina, você pensa como dará a volta por cima, especialmente quando o relacionamento muda o seu interior de alguma forma. Isso é um pensamento pessoal que não condiz com a Elena, pois a vampira não quis dar a volta por cima. Ao invés de sentir e se libertar, ela escolheu o meio prático. Não é à toa que a covardia dela se provou ao querer que Ric passasse a borracha numa tacada só. Entendo que reviver momentos machuca, mas tenho certeza que o teacher fez isso para ter certeza de que esse era o desejo dela. Afinal, ele estava distorcendo as memórias que envolviam o seu BFF.

 

Dói abrir mão de uma pessoa que não é mais sua. Dói se obrigar a esquecer. É difícil recuperar o rumo quando se acha que não tem muitas opções no quesito seguir em frente. Dependendo de quem você ama e do quanto, fica sim a pergunta: o que vem agora? O amor é assim, desnorteia, derruba e tudo mais. Porém, Elena não representou isso a partir do momento que resolveu sentar e acionar o delete para “sobreviver”. Como se uma pessoa fosse responsável pela vida da outra (só pai e mãe entram nesse quesito, ok? Hahaha), outro pensamento que a escrita de Plec deixou fluir para soar como um horror, pois é mais “bonitinho” uma garota se açoitar por um cara. Nada contra Twilight, mas Elena tem sido a Isabella Swan de Mystic Falls.

 

Não importa se Elena é vampira ou não, faltou dignidade. Faltou força de vontade. Para mim, ela desonrou o tal amor que sente pelo Damon. Seria um ato de sacrifício se os dois tivessem sentado e resolvido isso juntos, por ser melhor e viável. Não para um, mas para os dois. Há coisas maravilhosas neste mundo, mas, na visão da Plec, um boy é o bastante para suprir qualquer coisa. Quem são a família e os amigos no final das contas?

 

O apoio ao argumento acima vem no momento em que Elena diz a Caroline que, se Damon voltar, Ric pode enfiar na cabeça dela as memórias de novo. Adoro os botões alternativos de TVD: liga e desliga, tem memória e não tem memória, tá morto e volta…  Foi sensacional a patada do Jeremy na hipocrisia da Elena. Tive que rir do “Damon me deixa perigosa”. Repito que não culpo 100% o Salvatore pelas mudanças dela, afinal, a dondoca definiu seu percurso sozinha (tirando a parte do vampirismo). Quem se viciou nas ervas? Ela. Ninguém a empurrou. Elena está tão fraca que chegou a recuar da decisão de apagar as memórias para alucinar. A que ponto chegamos? De novo, houve a tentativa de romantizar a atitude da personagem, mas não passou de mero capricho.

 

O fim incoerente

 

Vamos falar de coisa séria. Cheguei na questão de interesse geral: quando Elena soube que amava Damon? Nunca foi omisso na série o objetivo de fazer a Santa Gilbert gostar do Salvatore em meio ao romance com Stefan. Era a tacada dos escritores para polemizar ou não teria graça. Essa “revelação” dela não me chocou. O que pegou foi o momento em que isso aconteceu. O momento que abriu brecha para eu notar que este episódio foi o verso do roteiro original do 3×01, só que totalmente distorcido pela mente solitária de Julie Plec.

 

Quando vi o tal momento, o momento em que Elena sentiu o amor por Damon açoitá-la, eu não quis escrever esta resenha porque me senti burra. Como se tivesse visto uma série qualquer e não TVD.

 

Por isso, resolvi teletransportá-los ao 3×01.

 

Aviso importante: prometo que entenderão o que quis dizer sobre a Plec ter trincado um ponto da jornada de The Vampire Diaries no 6×02.
The Vampire Diaries (3×01) – Birthday
Escrito por: Kevin Williamson e Julie Plec. Ambos ainda compartilhavam a cadeira de showrunners de The Vampire Diaries nessa temporada.

 

O momento: aniversário da Elena, mas os Gilbert estão de luto pela Jenna. Stefan zarpou de Mystic Falls na companhia do Klaus. Damon não esconde mais o que sente pela Santa Gilbert, Ric está na derrota e Jeremy vê fantasmas.

 

Objetivo central do plot desse episódio: encontrar Stefan, o até então namorado da Elena.

 

Pergunta: por que Plec arruinou o 6×02 ao resgatar o respectivo roteiro que ela mesma escreveu no 3×01 para justificar o início do amor de Elena pelo Damon?

 

Resposta: Má fé ou amnésia. Ou, como dizem, escrita incoerente (meu voto fica aqui). Afinal, Elena só queria saber se o Stefan estava vivo.

 

Motivos: se vocês reverem esse episódio imparcialmente, verão que Damon e Elena estavam em uma vibe emocional totalmente diferente. Não digo isso porque “Elena estava com Stefan”, mas por causa do objetivo da trama. Ok. Os olhos do Salvatore berravam de amor por ela, porém, a mente e o coração dela só queriam saber onde diabos estava Stefan. É desse jeito que a personagem sempre funcionou: fica obcecada por uma situação ao ponto de não pensar em mais nada. Elena não queria uma festa de aniversário, mas saber do paradeiro do boy (agora, a personagem não quer saber de nada a não ser eliminar Damon da cabeça. A diferença é que no 3×01 ela ainda era humana e segurava as pontas, agora não).

 

Não houve uma parte da trama do 3×01 que a Santa Gilbert não tenha frisado a importância de saber onde o até então namorado estava. Para isso, ela iniciou uma investigação com Caroline. O que Damon fazia? O mesmo, só que na companhia do Alaric. Delena só tinha mente e coração para o Stefan, especialmente porque ele estava na fase ripper, deixando corpos para todos os lados.

 

Lembrete: Damon queria agarrar a Elena porque tinha ganhado um beijo no leito de quase morte no final da 2ª temporada. O alguém que estava totalmente convicto do que sentia era o Salvatore. Bastam olhar as expressões bobas dele diante da Santa Gilbert. Em contrapartida, ela não hesitou em dizer que o beijo foi um gesto de despedida por achar que ele morreria. Claro que esse acontecimento foi o pontapé inicial para mexer as estribeiras dos dois. Contudo, considerando o que TVD era, uma série que sabia emendar o cliffhanger de uma temporada para outra e que sabia trazer para o cerne da trama os plots mais importantes em season premiere, só havia duas coisas vitais no 3×01: a passagem do luto pela Jenna e encontrar Stefan. Nada mais.

 

Outro fator importante: no 3×01, Elena e Damon estavam na maior parte do tempo separados. Não foi criado, em nenhum momento, território que poderia convencer quem assiste a série (os preocupados com trama e coerência) de que Elena se apaixonou pelo Salvatore em uma trocadinha de olhares diante do espelho. A cena é fofa, mas não tinha clima para a Santa Gilbert o amar na lata.

 

Lembrando que ambos estavam muito ocupados em rastrear Stefan. Amor era o 2º plano.

 

O que foi real no 3×01, segundo Stefs

 

Elena na derrota no começo do episódio

 

De novo, Elena estava 100% focada em encontrar Stefan. Damon estava mais preocupado em poupar Elena do que Stefan tinha se tornado. Por amor, claro. Sem contar que o Salvatore estava muito ocupado com Andie, a namorada jornalista que foi morta por Stefan, o que o tirou do eixo ao ponto de berrar com a Elena nos minutos finais do episódio. Fui atrás de rever a cena do colar e não senti Delena acontecer ali.

 

O tiro é: os dois não estavam tão conectados como o 6×02 tentou aparentar nesse momento que respondeu a grande questão do episódio. Nas demais do retrocesso que pertenceram a 3ª temporada sim, sem dúvidas. Sou grande fã da que Damon retrocede e a beija (3×10), pois, para mim, foi ali que Delena trocou, oficialmente, um gesto que mudaria tudo. Juro que até a dança deles na 1ª temporada é mais convincente que a do colar. Até a do beijo no leito de morte.

 

Essa cena do colar é curta. Sem intensidade. Só tem o objetivo de entregar o acessório. Quem está com expressão de apaixonado é o Damon, que a sonda, como fez em cada episódio da 3ª temporada até fazê-la ceder. Normal. Porém, Plec me dizer que Elena viu o amor nascer nesse dado momento é arruinar parte de uma das melhores temporadas de TVD. É distorcer o que realmente aconteceu no 3×01 em âmbito geral, um pensamento facilmente contestável tendo em vista o 6×02 . Só penso que tal norte do roteiro foi para acabar de vez com o triângulo amoroso. Mas que jeito insensível, né? Pisar em cima de uma fatia do fandom que, de certa forma, ainda tentou apoiar a série apesar dos pesares. Para não dizerem que estou maluca, o mesmo se repetiu com Klaroline, a arrogância da showrunner no auge ao dar o doce e o tomar bruscamente, mas de um jeito que matou toda a trajetória entre Klaus e Caroline.

 

Por que destruir todos os romances de TVD? Deixo a resposta com vocês.

 

Por que foi tudo errado?

 

Como disse, o 3×01 e este episódio são frente e verso (respectivamente) por causa de alguns detalhes parecidos (além da Plec tê-los escrito): Elena passava pela mesma crítica habitual, pois meio mundo queria que ela parasse de correr atrás do Stefan para seguir em frente. Nesta, a mesma coisa. A diferença é que Elena botava a mão na massa e, dessa vez, optou pela covardia. A personagem era o suporte da casa, especialmente para Ric que sofria a perda da Jenna, com direito a barba do luto. Aqui, vemos o contrário.

 

Achei uma falta de tato mexer em um ponto nada a ver de um episódio extremamente significativo por N motivos para fazer o barro acontecer. Pois é, não aconteceu. A ideia foi aliviar um erro de storyline cometido por duas pessoas que, no mínimo, ou se esqueceram do que já escreveram na série ou simplesmente anunciaram que largaram tudo de mão. É triste o ponto que esse triângulo – que não é mais triângulo – chegou. Sabe o que é pior? Sinto-me chateada pelas duas partes porque Stelena e Delena conflitaram para um ser desmerecido e o outro elevado. Male, male, esses shippers eram o coração de tudo. Ambos os casais tinham histórias consistentes até a 3ª temporada. O 3×22 foi estarrecedor para chegarmos ao que… Uma era pós-sire bond feat. Steroline? A soma disso deu um produto final indignador: Elena não se lembra mais do Damon, só porque não estava disposta a aguentar o tranco. Um reboot.

 

Mensurem as diferenças entre a Era Williamson feat. Plec e a Era Plec feat. Dries. Triste!

 

Fim da revisitação.

Concluindo o raciocínio

 

Eu fui uma pessoa que resmungou horrores do sire bond por ter achado uma falta de respeito ao shipper Delena. Quando digo que o casal estava melhor na 3ª temporada, foi a mais pura verdade. Havia atrito, receio e tensão. Nuances que se perderam e que foram pisoteadas devido à transição de Elena para o vampirismo. Para ficar com o Damon, a personagem teve que mudar radicalmente. Ela não aprendeu com ele. O sire bond foi o impulso para uni-los sendo que o sentimento já existia. Eu detesto tanto essa ideia por achar que ambos precisavam de um encadeamento de plot romântico decente. Para mim, o elo foi a coisa mais porca ever.

 

Há vários tipos de amor. Elena anunciou que foi fiel ao Stefan, eu acredito nisso, pois ela só foi mudar mesmo ao ingerir o sangue do Damon. O que aconteceu no 6×02 para trazer tamanha infelicidade foi a total divergência. Este episódio deveria ser uma emenda de todos os momentos Delena, porém, não foi isso que aconteceu. No fim, soou como se Elena já estivesse apaixonada, sendo que ela estava na dúvida e focada em outros assuntos. Na minha concepção, o que foi feito é mais uma motivação ao caos, pois tenho certeza de que Plec e Cia. amam ser xingados no Twitter. É o medidor deles para gerarem mais ódio. Afinal, a série ainda é dela com ou sem o Kevin. Quem são os fãs a não ser uma parte do cardápio? Quem são os personagens a não ser meras marionetes de uma votação pior que a do Big Brother?

 

Mexer com o passado é perigoso e, no mínimo, os escritores deveriam fazer a lição de casa antes de se perder desse jeito. Plec arruinou o próprio trabalho ao não ser coerente na escolha do “quando Elena se apaixonou pelo Damon”. Havia muitos. Mais inesquecíveis que a do colar. Como disse, era óbvio que isso aconteceria no arco Stelena, o desastre foi escolher esse quando.

 

Quando Elena diz que amou Damon naquele respectivo momento, acredito no amor por gratidão. Aquele carinho que nasce por meio de um gesto que, no caso, foi a devolução do colar. Foi um momento solidário do Salvatore, algo que não se via no personagem o tempo todo. Quando ele era dócil com qualquer pessoa, vide Ric e Rose, era mágico. Era um sinal de que ele queria ser bom. Contudo, tentar enfiar goela abaixo que foi nessa troca de gentilezas que o amor da Elena nasceu é destruir a construção de um plot (de muitos) impecável para ambos os shippers.

 

Tentei procurar dentro de mim o que este episódio transmitiu. Nada. Plec, Dries e Cia. pegaram um trabalho de quase 6 anos e o jogou no lixo. Pergunto-me se um dia houve Kevin Williamson em TVD. A série perdeu o apelo, o suspense, a mágica. Mais importante: perdeu a mensagem. Antes, sofríamos com a transição de cada personagem por sabermos que além do sobrenatural havia uma humanidade a ser preservada. Havia amor em grupo, cumplicidade e companheirismo. Havia abraços conjuntos, sorrisos calorosos e choros silenciosos que mostrava o quanto essa turma penou para ter um encaminhamento de trama que agradasse os fãs. Acima de tudo, havia Defan.

 

O 3×01 é um exemplo de trama minuciosamente encaixada, peça por peça. Tudo aconteceu por uma motivação e o encaminhamento acarretou um tremendo cliffhanger. É fato que, desde a saída do Kevin, Plec e Dries não conseguem criar um conflito interessante. Ambas não sabem desenvolver o principal: a mitologia. A “força” delas vem do triângulo, outro detalhe destruído por incoerência. Agora que ele não existe mais, qual é o plano?

 

Considerando o timing em que comecei a me dedicar às resenhas de TVD, aprendi a desligar minhas preferências (foi difícil) para tentar ser ao máximo justa. Acredito que muitos devem pensar: essa menina escreve horrores, isso nem é resenha. Posso ser imparcial na medida do possível, mas jamais deixarei de ser sincera. Se isso requerer 20 páginas, que seja.

 

Isso dá quase 4 anos de resenhas. Amadureci, especialmente no quesito ponto de vista dos shippers da série. Eu não suporto triângulo amoroso, essa é a verdade. De qualquer tipo. Quando vejo escritores que preservam um único amor, bato palmas e glorifico de pé. Vide Teen Wolf que sou extremamente fangirl. Admito que no auge de TVD fui muito dura com Delena. Literalmente, comecei a vê-los sob uma luz diferente quando revi as temporadas e enquanto fazia os textos. Não tenho muita experiência direta no fandom porque ele me assusta. Por já ter visto fãs serem açoitados, minha maturidade de 28 primaveras não me permite engolir esse tipo de coisa. Para vocês terem ideia, toda vez que sobe um comentário, faço uma pausa dramática Hahaha.

 

Não passo a mão na cabeça nem de Harry Potter, um relacionamento de mais de 10 anos, quem dirá de TVD. Tento ser justa por achar que alguns fãs se sentem sozinhos, especialmente aqueles que colocam o storytelling acima de casais. É por essa fatia que ainda estou aqui.

 

Comentários Finais

 

Tripp se revelou um destruidor de seres sobrenaturais, um repeteco da 4ª temporada que marcou pela explosão que aniquilou boa parte do Conselho. Sinto que esse plot seguirá pelo mesmo caminho, uma reprise do flop, pois o sobrenatural sempre prevalece, não os humanos.

 

E qual é o mistério dessa Sarah, hein? Já odiei a personagem.

 

Pelo visto, teremos um novo coven chamado Gemini (como amei esse nome, jus ao meu signo) em breve. Seria uma chance do Luke e da Liv terem um pouco mais de atenção ao invés de serem o estepe para suprimir a dor alheia.

 

E, no fim, ganhamos uma Elena sem as memórias do Damon. Posso admitir que fiquei 1% feliz? Só por causa daquele sorriso lindo da Dobrev que me lembrou da humanidade da personagem, um gesto que não era tão sincero desde a transição para o vampirismo. Admito que, apesar de tudo, estou curiosa para vê-la solteira, sem o peso dos Salvatore. Eu sempre quis isso e ao menos um pedido foi atendido pela tia Plec. Quem sabe assim, quando a Santa Gilbert voltar para um deles, haja um percurso mais decente que o visto da 4ª temporada pra cá.

 

Mais uma vez, desculpem pela palestra. Eu não me contive.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3