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03/nov

Eu não sei o que dizer sobre este episódio de Doctor Who. Meus neurônios estão em uma dança frenética por causa da pancada de informação, o que acho injusto, pois sou meio do contra sobre espremer todos os detalhes centrais perto do season finale. Porém, considerando que é desta série que estamos falando, o melhor sempre fica para o fim e ainda tento definir meus sentimentos sobre o que vi. Ao longo da jornada do 12º Doctor, acompanhei muitas teorias sobre a Missy e abracei duas: a possibilidade de ser eco da Clara ou de ser o Mestre. Fui grande entusiasta da primeira opção, pois o comportamento fangirl dessa personagem remeteu demais a companion. Essa ideia se repartiu a partir do momento que foi fácil associar os esqueletos aos Cybermen e o jeito cínico dessa mulher lidando com o Time Lord. Jamais seria a River, como bem cogitaram. Morri com a descoberta para nunca mais querer voltar.

 

Devo admitir que a Clara me irritou, de um jeito que pausei o episódio algumas vezes para respirar fundo e prosseguir. Ela me tirou do sério como jamais tinha feito antes. Ao menos para mim, se é uma coisa que me incomoda é mulher na ficção desesperada ao ponto de pisar nos amigos ou na família por um boy. Não aceito bem esse tipo de atitude e me revoltei. Está certo que um Danny Pink não passa despercebido, não é todo namorado que é atencioso e compassivo com a namorada que gasta mais horas diárias entre o tempo e o espaço do que com ele, mas nada disso justifica o momento de loucura. Admito que ficaria em negação com a perda, especialmente depois de dizer as três palavrinhas mágicas que são dificílimas de serem pronunciadas. Quando a personagem pega todas as chaves da TARDIS, senti vontade de estapeá-la. Quando ela joga uma por uma, queria arremessá-la na larva. Ainda bem que essa situação não passava de uma pegadinha, pois, juro, quis esganá-la por ser tão sem noção.

 

Vejam bem, a garota impossível passou metade da temporada tentando entender a nova versão do Doctor, escalou uma montanha tremendamente complexa para firmar uma confiança, algo que conseguiu penosamente. Considerando que Clara passou mais tempo com o Time Lord ao invés do Pink, não me conformei quando ela deixa a dor falar mais alto ao ponto de desafiar e trair aquele que tanto insistiu para ser mais que um alienígena. De esfaquear aquele que nem ela conseguiu abrir mão. Sei que estou sendo ranzinza, mas não aceito traição, nem que seja de mentirinha. Depois de tudo que Clara exigiu do Doctor, o súbito surto dela por causa do luto me deixou desconfortável e desacreditada. Ainda bem que era pegadinha, pois o pouco que gosto dela foi facilmente aniquilado neste episódio, fato.

 

A parte boa dessa brincadeira é que ela serviu para sacudir o companheirismo entre o 12º e Clara. O limite que Clara chegou para ter Pink de volta os uniu mais. Foi bem estranho o Time Lord sair com superioridade da discussão, pois a companion sempre empina o nariz e acha que tem razão (algumas vezes sim, outras não). Achei genial, claro, ainda mais se pensarmos nos sentimentos humanos que o personagem tentou evitar ao longo dessa jornada. Quando ele diz para ela ir para o inferno, achei que fosse real, até vibrei de alegria. A garota impossível precisava de um corte desses, pena que era só uma jogadinha do Doctor, mas foi o suficiente para meu coração tremer. Quem não mandaria uma pessoa para o inferno depois de uma mancada dessas? Eu a teria chutado da TARDIS, sem brincadeira.

 

Agora, o que chamou a atenção foi a coleção de post-its da companion. Será que haverá uma resposta para essa súbita empreitada que nunca deu a entender que Clara estava empenhada? Quais eram as novidades nada boas no final das contas? Só o eu te amo para o Danny?

 

Fiquei sentida com a morte do Pink. Muito mesmo. Foi uma trollagem tremenda, nível Moffat. Achei até que era a Missy cortando a ligação dele com a Clara, e pedi auxílio dos universitários, pois parecia outra pegadinha. Até que foi. O golpe baixo no coração da Clara – e no meu – trouxe a misteriosa dama da Terra Prometida para o cerne da trama. Nada como aniquilar alguém próximo e tão amado da pessoa que escolheu. No caso, a companion. Gosto demais de ver mulheres no poder, ainda mais sendo sarcásticas, inteligentes, impiedosas, estilosas e tudo mais. A espera valeu a pena, pois essa senhora sambou linda.

 

A maioria das “dicas” soltas em cada episódio começaram a fazer sentido por causa da presença dela, como a menção dos androides e, talvez, os rabiscos do Doctor que dizem ser menção de Gallifrey. Já amo a Missy, uma bela Time Lady que também pode ser chamada de Mistress ou, se preferirem, de Mestre. Demorou, mas surtei como se não houvesse amanhã com o retorno de uma das personas mais top da vida do Doctor.

 

Pirei com a Missy recebendo o 12º, as bitocas me fizeram rolar de rir. Quero beijar a ponta do nariz do Capaldi também, pode? Tenho certeza que essa jogadinha foi para dar a impressão de que a Time Lady era a River, só para aumentar a ansiedade para o final do episódio. Bem jurava que a identidade dela só seria revelada no season finale. Quem chutou “Missy é o Mestre” ganhou uma estrelinha da tia Stefs. Era superfã dessa teoria, especialmente porque esse/essa personagem não dá as caras há muito tempo e contribuiu para dar um up tremendo na jornada do 10º. Já estou vidrada e a bagunça nem começou. Estou tão empolgada que me encontro em contagem regressiva para semana que vem.

 

O ponto relevante neste episódio foi a explicação do que seria a Terra Prometida, que também atende como Submundo, Nethersfera, 3W ou um point turístico de Londres. O objetivo era desmistificar o conceito de morte ao mesmo tempo em que a ideia de morrer se revelasse mais aterrorizadora que o normal. Pior que me peguei refletindo profundamente sobre alguém falecido sentir o que acontece durante o enterro ou a cremação. Eu não lembro o nome da doença, mas há casos de pessoas que só aparentam que morreram e, na verdade, estão vivos e são velados com o diagnóstico errado. Juro para vocês que tenho medo disso e, só de pensar na possibilidade de sentirmos a terra na cara ou o fogo na pele, tenho calafrios. Adoro essas viagens na maionese que, de alguma forma, deve ser o questionamento de muita gente que queima os neurônios para entender a pós-vida.

 

Foi fácil identificar que os esqueletos nos aquários eram os Cybermen. Não por insight, mas pelas fotos promocionais deste e do próximo episódio. Admito que eles não são meus vilões favoritos, mas fiquei bege como tudo se encaixou, desde o Wi-Fi até deletar, formatar, aperfeiçoar… Palavras de ordem típicas de um Cyberman. Inclusive, até o disco rígido de Gallifrey, a cereja do bolo deste episódio, foi uma referência tecnológica desses seres e do quanto Missy é íntima do Doctor. Ainda estou jogada com as verdades da trama. Demorarei horrores para me recuperar, de verdade. Gosto muito quando há uma lição de casa assim, de ver como peça por peça se encaixa, de um jeito que o cérebro explode.

 

Outro ponto muito interessante foi o trabalho em cima das emoções do Doctor com relação à Clara. Ele frisou durante a trama, incontáveis vezes, o quanto ela deveria ser forte, mesmo que tivesse o coração partido. Ele pediu muitas vezes para a companion manter o queixo erguido para tentar suprimir a dor pela perda do Danny. Isso casou perfeitamente com aquilo que Missy mais despreza. Não é à toa que lá na Terra Prometida, basta deletar tudo o que sente no iPad. No mundo da Time Lady é fácil expurgar sentimentos, o que torna a proposta de resolver tudo com um pressionar de botão muito tentadora. Ainda mais quando se tem visitantes que enfrentam uma montanha russa emocional.

 

Todos sentiam demais neste episódio, inclusive o 12º. Ele mostrou uma preocupação por Clara que não implodiu com tanta clareza até aqui. Achei muito tocante vê-lo bolado, tentando animá-la, sem perder o jeito frio e cético, duas características que marcou essa versão do Time Lord. O Doctor não podia ser simplesmente prático, pois se tratava de uma perda real. Uma perda que o cegou de ver o que era óbvio. Missy foi brilhante em pontuar essas emoções, deixando nas entrelinhas como elas atrapalham qualquer plano. O desespero do Doctor ao ver que caiu em uma perfeita emboscada me deixou sem chão. Ri do grito dele para despachar o povo, mas, como a Time Lady disse, há mais mortos que vivos no mundo. Acho que o alienígena precisa vir para São Paulo, porque a população daqui só incha.

 

O episódio foi uma bomba de informação. Sem dúvidas, vale assisti-lo de novo antes do season finale, pois ficou evidente que muitas lacunas ainda estão abertas. No mais, a trama trabalhou o companheirismo entre a Clara e o Doctor em meio a uma falsa traição, bem como permitiu que muitos sentimentos viessem à tona ao som da marcha dos Cybermen. Estou ansiosa para semana que vem, ao mesmo tempo em que não quero que DW acabe.

 

PS: foi muito bom ver o flashback do Pink como soldado. Isso desvirtuou a ideia de que ele serviu no espaço. Agora, me pergunto onde o nome da cor se encaixará ou se foi algo bobo solto na trama só para desviar as atenções. Esse Moffat, vou lhes dizer…

Stefs
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