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10/nov

Eis que mais um final de temporada de Doctor Who chegou e já estou cheia de saudade das artimanhas, das dancinhas e dos surtinhos do Capaldi como 12º Doctor. Algumas perguntas foram respondidas, algumas pessoas foram sacrificadas, o vilão quase prosperou e empacamos com a possibilidade de passarmos o Natal em Gallifrey. O encadeamento das situações foi eletrizante, o compasso do que aconteceu no final de semana passado foi respeitado, e houve momentos intensos e reviravoltas surpresas graças a uma escrita imprevisível. Jamais imaginaria que Kate morreria, por exemplo, ainda bem que houve um revés que acarretou emoção suficiente para me deixar no chão e o Time Lord também.

 

Assim como nos outros episódios da temporada, o season finale voltou a bater na tecla de moralidade. Isso incluiu não só o alienígena, como Clara, Pink e até mesmo Missy, o combo de estrelas que brigaram em meio à dança de um bando de mortos-vivos dispostos a destruir a humanidade. Só faltou tocar Thriller versão Cybermen.

 

Clara voltou a me decepcionar. Achei surreal o comportamento dessa pessoa. Afinal, ela estava abaladíssima no episódio anterior, quase tendo um colapso por causa do boy. Do nada, a companion me aparece extremamente sã ao ponto de raciocinar contra um Cyberman. Oi? Clara estava maravilhosamente equilibrada para quem tinha terminado de falar com Danny. Isso porque nem houve salto no tempo. Subitamente, a garota impossível me apareceu confortável e confiante. Isso que chamo de facilidade em externar os sentimentos. Achei incoerente e torci o nariz. Na pegadinha do Doctor, a personagem estava muito disposta em botar tudo a perder e, se o amor pelo Pink fosse tão forte, foi de muita sagacidade a professorinha desligar o botão do luto para ser quem não é.

 

Moffat forçou a amizade ao dar a ela de novo o rótulo de Doctor e, de quebra, a abertura. Gente, ela não fez nada. Brincou de estátua magoada porque foi uma tonta em só perceber o valor do namorado tarde demais. Qual foi a real iniciativa? Nenhuma. Lembro-me que Missy disse que a companion foi sua escolha ideal, mas o motivo por detrás disso não foi aprofundado. O que se ficou sabendo é que a Time Lady a uniu ao Doctor, uma pessoa controladora contra uma pessoa que não gosta de ser controlada. Só! Fiquei de cara, ainda mais quando a personagem entoa que a pessoa que jamais trairia ou mentiria era o Time Lord. Prefiro pensar que isso aconteceu devido ao peso da falsa traição para cima do 12º, porque, para uma garota que estava perdidamente apaixonada, ela me saiu como uma bela tratante.

 

Nesta temporada, Clara teve momentos bons e ruins. Ela começou com o pé esquerdo por ter ficado na bolha de ver o Doctor como um futuro namoradinho. Por ser um sentimento intrínseco ao 11º, o que sobrou foi explorar a personalidade dessa personagem, um ponto que só me fez desapreciá-la com frequência. A companion se tornou minha nova Rose Tyler, tanto ibope para pouca coisa. Sendo bem cruel, achei bem feito a professorinha perder o namorado. Clara foi insensível com Danny várias vezes, o episódio 8×10 foi a maior prova disso. A companion o magoou. De novo. O impacto das mentiras foi tão marcante que o teacher as carregou para a versão enlatada, a sensação de traição à flor da pele. Foi frustrante.

 

O único momento que Clara ganhou meu amor foi ao perceber que falhou. Para uma pessoa meio arrogante, foi bom ela ver que é propensa a erros. Óbvio que a personagem não engoliu isso com facilidade e foi meio inadmissível vê-la transferir a culpa para o Doctor. Missy foi um efeito colateral surpresa. A companion aprendeu a ser tão prática que não percebeu que o incidente foi humano e natural, a diferença é que uma Time Lady não estava inclusa no pacote. Em contrapartida, Clara foi destemida em sacrificar o homem que amou. Corajosa, pois eu não teria peito para isso (ao menos, acho). Só no final do episódio a perdoei um pouco, só por ter deixado o Time Lord ir para casa. Ela abriu mão da sede de saltar na TARDIS por ter visto uma real consequência dessas viagens no tempo e no espaço. E, claro, das mentiras.

 

Danny me deixou arrasada. Por alguns segundos, me perguntei como ele (e o pai da Kate) era o único enlatado humanizado, sendo que os demais não hesitaram em seguir as ordens da Missy. Depois de refletir, acho que isso tem a ver com o fato dele não ter deletado as emoções antes da transição, algo que as outras pessoas que chegaram à Nethersfera poderiam ter feito sem pensar duas vezes. Afinal, é tentador ter a disposição um botão para apagar o que sentimos. Como bem disse o Doctor, a dor mensura o quanto infligimos a nós mesmos e aos outros, um detalhe que Missy despreza, e nem todos aguentam o tranco. Por isso, a Time Lady se empenhou em criar uma nova ordem de Cybermen extirpando emoções no processo. Ser sentimental é sinal de fraqueza, já diziam muitas histórias por aí.

 

Mesmo na versão em lata, Danny manteve o desprezo pelo Doctor, fez provocações pertinentes, mas o que machucou foi o ar desolado em saber que Clara não era tão fiel como o esperado. Nem todo affair termina bem, certo? Doeu quando ela afirma que a única pessoa que não mentiria e tudo mais era o Time Lord, o que sucumbiu no choque da revelação que fez do teacher o babaca incluso em um triângulo nada amoroso. Em compensação, ele foi o verdadeiro herói da história e, o mais engraçado é que, além de salvar a humanidade, o personagem conquistou o respeito daquele que o desprezava – vide Doctor. A cena final me deixou sem fôlego. A voz de comando, o desejo de servir e proteger. Isso combateu com o asco de soldados muito claro do Time Lord. Quem diria que um fosse salvar o dia e não o idiota na caixa de polícia (quote do 12º).

 

Pink assumiu o cliffhanger conclusivo com autorização do presidente, se sacrificou em nome da humanidade com orgulho, e garantiu um retorno em forma de eco que me fez amargurar essa possibilidade de morte, morrida, matada sem chance de retorno. Vejam bem, tudo em Doctor Who tem a mesma facilidade de ir como de voltar, e torço para que o teacher dê as caras de novo. O personagem foi uma grata surpresa nesta temporada e, com certeza, tem muita história para contar. Clara e ele precisam ter filhos, lembram?

 

Oh Missy, you’re so fine, you’re so fine, you blow my mind, hey Missy, hey Missy

 

A trama também deu espaço para Missy revelar mais sobre si mesma. Amo personagens teatrais e ela estava sob medida. A trilha sonora casou magnificamente com essa wannabe Mary Poppins. O que foi ela pousando com o guarda-chuva, gente? E o quase flash mob dos Cybermen? Pirei demais! Essa personagem balanceou o caos com extrema elegância, não poupou no sarcasmo ao revelar que tinha os mortos a seu favor, e divertiu com muito charme. Missy foi responsável por um The Walking Dead com tecnologia Cybermen e tenho fé de que a storyline dela não se encerra por aqui. Ri demais das interações com o Doctor, especialmente o efeito do presente de aniversário, a fim de fazê-lo enxergar que ambos são iguais e que poderiam ser BFFs, rumo à Gallifrey, para brincarem de Viajantes no Tempo. Comédia!

 

A caracterização da Missy ficou sensacional, bem como os trejeitos de maluca recém-saída do hospício. As cenas dela no avião foram impagáveis. Quero aquele controle para me livrar de inimigos quando achar pertinente!

 

A mama dos Cybermen fez o favor de trazer outra pessoa maravilhosa para o cerne da trama: Kate. Sempre passo mal com a presença da UNIT, por menor que seja. Quando vi a personagem ser despachada do avião, xinguei o Moffat de todos os nomes possíveis e inimagináveis. Amei a conclusão dada a ela, por mais que tenha ficado surreal. Isso serviu para fazer o Doctor se rebaixar um pouco mais ao assumir sua admiração por soldados. A mágoa ainda está comigo sobre a Osgood. Não quero acreditar que ela foi desligada com o controle remoto da Missy. Estou seriamente chateada.

 

E, de novo, Doctor passou pela terapia. O caráter dele voltou a ser testado graças à Time Lady e ao general Pink. No fim, o objetivo real da inserção do Mestre teve muito a ver com sentimentos. Missy não estava ali para iniciar um novo duelo, mas para mostrar que o Time Lord e ela são semelhantes. Pink também foi muito efetivo nisso ao ser o atrito em um momento de decisão extremamente crucial. Em outros episódios, o 12º não teria pensado duas vezes em apoiar um curto circuito para salvar o dia e o faria pessoalmente. Agora, não teve discurso, só chorumelas. O alienígena se viu diante da típica chance de sacrificar alguém para se dar bem, algo que tem feito desde que se regenerou, sem um pingo de remorso. A saia justa provou o quão leal ele se tornou a sua companion, apesar das circunstâncias.

 

Para quem ingressou na TARDIS com repúdio a qualquer coisa vinda dos humanos, o 12º evoluiu sentimentalmente a cada episódio por meio da vivência com a companion. Ele tomou na cara incontáveis vezes para entender o que é amor, amizade, cumplicidade e outras emoções positivas que essa versão teve dificuldade de engolir. Esse Time Lord se viu, pela primeira vez, em um dilema que não soube contornar. Afinal, Danny era sua tática, sua resolução, detalhes que seriam suficientes para fazê-lo agir. O personagem até se viu no momento em ter que escolher entre Missy e Clara, confrontando o que sentia. O Mestre tentou usar o artifício que tanto despreza para abatê-lo e, no fim, o alienígena optou pela mais pura das conclusões: o amor é uma promessa.

 

Achei incrível o resgate do papo do Doctor ser um bom Dalek, uma ideia que ainda faz sentido. Ele pode ter descoberto que não é bom e nem mal, mas ainda há ódio e remorso. Agora que descobriu que o próprio lar não está perdido por aí, o personagem tem uma grande chance de confrontar os próprios medos. Por ser uma versão mais sombria, o 12º terminou a temporada com um dos corações descongelado. Invejei a Clara ao abraçá-lo e não me aguentei de emoção ao vê-lo chateado, outro comportamento que indicou uma tremenda evolução. Os acontecimentos da trama encerraram o arco do Time Lord no quesito humanidade.

 

O season finale teve muita coisa boa e muita coisa sem pé e nem cabeça. Achei o final muito simples e prático. Gostei dos retrocessos que esclareceram algumas incógnitas – como a mulher da loja – e que deram respaldo a certos comportamentos e pensamentos do Doctor, conferindo emoção na dose certa. A alternação de cenas para explicar o momento Y com o X foi preciosa, especialmente quando o 12º conflita consigo mesmo pela milésima vez.

 

Além disso, o final da temporada reforçou a impressão de despedida definitiva entre a dupla dinâmica. Cada personagem conquistou breves resoluções (ainda não acho que Missy e Danny se foram para sempre justamente porque foi tudo muito simples e prático), sem deixar pano para a manga sobre o que virá a seguir. Não houve expectativa, mas um final feliz e infeliz.

 

Não há muito que pensar, a não ser o que o Doctor pediria de Natal ao Papai Noel.

 

No geral, a temporada teve bons episódios. Tenho que dizer que achei muito válido trazer para Doctor Who o peso da mídia tradicional e online, o que garantiu um ar mais jovial para a série. O que é o mundo sem Tumblr e sem selfies, né? Incluir logo a versão ranzinza do Doctor nisso tudo foi awesome. Falando nele, Peter Capaldi reinou e conquistou o primeiro lugar de meus Doutores favoritos. Eu sabia que ele não me decepcionaria. Esse senhor sambou, literalmente, e mal posso esperar para o especial de Natal.

 

PS: sou contra a política de shippers em DW, mas o 12º e Missy podem se casar. Muito mais química que o 11º e a River. Sorry, not sorry!

Stefs
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