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26/nov

Há algum tempinho, trouxe para vocês uma explicação básica sobre o que é e como fazer um outline, seguindo a sequência de dicas dadas por Karen Wiesner que foram inspiradas na tarefa de escrever um livro em 30 dias. Hoje, falarei um pouco do processo de brainstorming, aquele em que você pega as caraminholas mentais e as transforma em plots, subplots e afins.

 

Não me custa repetir: sou grande fã de bloquinhos, caderninhos e post-its. A parede do meu quarto já chegou a parecer um mural digno de série policial. Perto da minha cama, há várias agendas, para as mais diferentes histórias, em que anoto qualquer ideia por mais boba que seja. Em certos dias, tenho crises em que apenas frases pipocam na minha mente e as anoto, pois tendem a ser ganchos para algum capítulo ou então as guardo. Vai que um dia elas se tornam um plot completo? Garantias!…

 

brainstorming, ou tempestade de ideias, faz parte de qualquer início de projeto. Seja livro, blog, campanha, etc.. Essa palavrinha é uma ordem em agências de publicidade, por exemplo, pois cada cliente possui necessidades diferentes e a equipe responsável precisa queimar os neurônios para bolar algo criativo e original. Quando envolve a escrita, isso se define em uma palavra: pesquisa. Cenário, nome dos personagens… Depois o destrinchar de cada subplot e plot. Mais tarde, os capítulos. Esse é o processo que nasce junto com o outline.

 

Acreditem: ideias vêm nas mais variadas situações. Por isso, é importante sempre ter meios para fazer anotações, nem que seja o celular.

 

No caso do We Project, eu o dividi em 3 partes – que não é uma trilogia, diga-se de passagem. Fiz essa repartição por plot para não me perder e para não deixar que nenhuma ideia escapasse. Em cada uma delas, desenvolvi o coração da trama. Para dar conta, tenho uma agenda dividida em 3 partes também, cada uma com as respectivas ideias que me norteiam conforme escrevo cada capítulo. Como disse no post sobre outline, tenho um roteiro para praticamente tudo, até para o timing em que um personagem terá dor de cabeça.

 

Quando escrevia apenas com o que tinha na cabeça, o resultado tendia a não ficar como queria e percebi que demoro muito mais para produzir. Esse era um hábito que tinha por causa das fanfics – que simplesmente sento e deixo a inspiração me guiar –, mas o WP é um tanto quanto mais complexo. Ter papel e caneta a mão me poupou momentos de estresse. Sem um roteiro, demoro quase 2 horas para ter um capítulo redondinho. Verdade seja dita!

 

Sobre o brainstorming, Wiesner dá a dica de ter um arquivo para cada ideia forte, mesmo aquelas que você não desenvolverá no momento. De novo, isso cabe a cada um. Há pessoas que nem precisam de um outline para escrever e se dão muito bem com as caraminholas na cabeça.

 

Sem dúvidas, a escrita é mais produtiva e rápida. Digo isso por experiência própria. Antes, tinha o hábito de escrever um capítulo em cima do outro. Agora, dou uma pausa de 1 dia para fazer o brainstorming. Wiesner defende essa ideia, afirmando que é importante dedicar um dia ou uma semana antes de escrever para mergulhar nesse processo, especialmente para a cena que será desenvolvida. Isso funciona muito! Dá um tempo ao cérebro.

 

Essa tempestade de ideias também se estende a caracterização dos personagens, pois não dá para começar sem conhecer, no mínimo, os protagonistas. Tendo esse apoio, você terá controle da história. Reforço que escrever é um trabalho quanto qualquer outro e é preciso planejar o processo com cautela. Como se você realmente dependesse disso. Ter as ideias organizadas no outline tornará a escrita mais fácil. Antes, ficava muito perdida e agora consigo amarrar melhor cada capítulo sem ter que deletar metade do que fiz.

 

Tudo bem que ainda confio nos insights que surgem durante a escrita e que não fazem parte do roteiro, o que me surpreende. O negócio é não ficar bitolado. Deixem a coisa toda fluir. Nada mais tenso que se tornar escravo do outline. Não façam disso!

 

Eis algumas sugestões bem bacanas dadas por Wiesner:

 

– Ler um livro ou assistir a um filme do mesmo gênero que você escreve. Isso funciona, gente! Minha coleção de séries policiais só tem aumentado com o passar dos meses;

 

– Trilha sonora. Contei no post de outline que, dependendo do projeto, música tende a me atrapalhar. No caso do WP, só consigo com instrumental. Salvo alguns momentos mais leves, que não tem tanta ação ou um raciocínio que precisa ser destrinchado. Minha dica é escutar a trilha antes de escrever para entrar na vibe da história, ao mesmo tempo em que relê os capítulos anteriores. Isso é precioso!;

 

– Para quem escreve, sair não é apenas sair, é observar o comportamento alheio. Gestos, movimentos, conversas… Sinto falta das minhas aventuras no busão, pois absorvia conversas muito úteis. Pessoas são um baú de insights, juro. Outra coisa, Wiesner sugere que o escritor explore os lugares reais que farão parte da história;

 

– Essa é minha dica: não se prenda muito ao que está no outline. Anote o que acha pertinente e, se no meio da escrita você querer ir para outro caminho, faça isso e veja o que acontece;

 

– Wiesner e eu indicamos: dê a história para algum conhecido de confiança ler. Não escolha aquele que diz amém a tudo ou o crítico que acha que sabe demais. Escolha alguém em que haja um meio termo. No caso do WP, tenho uma séria preocupação com romance. Não gosto de insta love. Isso requer conselhos de pessoas um tanto quanto frias hahahaha;

 

– Essa ideia é bem legal: escreva uma carta para um dos personagens ou o entreviste. Muitos autores fazem o que eu chamaria de currículo, até mesmo dos antagonistas, com nome completo, formação, hobbies, etc.. Isso é excelente;

 

– Já falei para sair da internet, né? Pois saia da internet. Às vezes, o problema está no Wi-Fi safado que tira sua concentração. Escrever é trabalho. Fatos reais.

 

Em um belo dia, fiz um post choroso sobre o We Project em que relatei o momento em que deletei tudo para começar de novo. Tudo porque estava empacando mais que carro velho. Foi uma libertação que me fez adotar os roteiros. A decisão tornou minha escrita mais focada. Fiz roteiros atrás de roteiros em folhas de sulfite, e separei tudo e todos. A investida deu muito certo! Para mim, é primordial ter material de consulta. Sei que a magia da internet está ao alcance de todos, mas gosto do papel e da caneta. Sou old school.

 

Por outro lado, há outro processo de criação chamado Mind Map (Mapa Mental). Não deixa de ser um outline, mas, em agências de publicidade, esse é um brainstorming mais agressivo. Ele engloba tudo e pode levar horas para ficar pronto por ser uma teia. No mundo da escrita, há quem comece a desenvolver subplots e plots e depois os protagonistas. Há quem prefira começar no sentido contrário. Tudo parte do que você acredita ser o objeto central. A razão da trama. É onde, geralmente, nasce o plot. Após isso, vê-se o encaminhamento da história.

 

Vamos pensar em Harry Potter:

 

Tela do MindMeister

 

Inspirei-me em A Pedra Filosofal de um jeito bem resumido porque a trama é enorme. Harry Potter é o principal personagem que move a história que foi dividida em 7 livros. Organizei meu Mind Map com alguns questionamentos que geraram outros tópicos que podem se tornar os subplots que darão sustento para o plot central – que é pegar a pedra filosofal. Sim, a história precisa de situações menores para garantir o encaminhamento, mas de um jeito que façam sentido e casem com o contexto.

 

No WP, comecei pela protagonista e interliguei as pessoas das quais haverá uma forte ligação, pois elas serão a base que a farão se mover. Depois, pensei na problemática que cada uma trará para ela, o tipo de envolvimento, etc.. Ao lado, desenhei as instituições e qual é o papel dela dentro de cada uma. Além disso, tive que pensar no final do livro, pois os subplots e os plots de cada repartição da história precisam atingir o objetivo que pré-determinei. Muitos escritores escrevem o fim primeiro antes de qualquer coisa. É uma dica.

 

A meta é: a ideia principal precisa abrir um leque para outras coisas. É bom usar palavras curtas para não ficar aquela missa toda no Mind Map, mas, às vezes, uma frase pode auxiliá-los melhor. Não tenha pressa de terminar.

 

O MindMeister é bem legal para fazer esse trabalho, porque é possível escolher um layout ou criar um próprio para organizar as ideias. É permitido mudar as setas de lugar também. Há disponível a versão gratuita com o grande porém de permitir apenas a criação de 3 mapas. A parte boa é que você pode deletar projetos anteriores para continuar a usá-lo na versão free. Outra parte boa é a possibilidade de exportá-los para o computador.

 

O Mind Map é o mestre do outline. O espelho. Depois, você irá rachá-lo em roteiros. Para quem tem dezenas de personagens na história, desenvolver esses dois processos torna tudo mais eficiente e organizado. Antes, não tinha me preocupado com esses detalhes e enfiei o pé na jaca. Não gostei do resultado, as coisas se tornaram bagunçadas e daí veio a vontade louca de resetar tudo e fazer de novo. Um dos meus erros: tinha focado apenas na personagem principal e me dei conta que ela ficou muito chata. Inclusive, o outro personagem principal ficou um porre. Ninguém merece! O primeiro rascunho do WP sofreu alterações bruscas e tudo anda nos conformes. Quando comecei a 3ª parte, não senti mais nenhuma dificuldade dos dois últimos anos.

 

O brainstorming é uma atividade analítica que exige do cérebro um trabalho criativo e visual que se reflete nos resultados que tendem a ser muito completos. Mais completos que um outline que tende a ser fragmentado. Isso consome energia, minha gente! Os insights a serem aplicadas no Mind Map ou no outline podem ser inúmeros. Depende do que você precisa. Isso será mais efetivo para quem escreve que nem doido. Isso aconteceu comigo… Saí do controle. A parte positiva é que tem muito material anterior que usei nos manuscritos atuais.

 

Outro ponto positivo do brainstorming é que ele dá ânimo. No meu caso, tenho dilemas com plots. Como disse, dividi a história em 3 partes. Por mais que tenha um plot para cada um, há os subplots, e é o momento que pego minha faquinha de rocambole. Isso é desafiador, mais que digitar um capítulo a tarde inteira.

 

Para escritores, ter ideias reunidas em algum canto é uma ótima fonte de consulta. Isso não quer dizer que novos insights não podem ser aplicados. Isso expande o projeto.

 

Espero que tenha ajudado. Até a próxima coluna do Help, Escritor! (que não decidi ainda qual será!).

Stefs
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