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25/nov

Em 31 de Julho de 2013, o New York Times publicou uma matéria sobre a família do Stephen King, e é claro que meus olhos brilharam de emoção. Foi assim que conheci a Kelly Braffet, esposa do Owen, o King mais novo. O que mais me chamou atenção na entrevista da Kelly foi a seguinte citação:

 

“It took me two years before I could actually speak in front of Steve and Tabby.”

 

Ou seja, ela demorou dois anos até conseguir falar na frente dos sogros. Jennifer Lawrence teria um comportamento parecido, eu também. A Kelly é fangirl do Stephen, a vida foi engraçadona o suficiente para fazê-la casar com um dos filhos dele. Além disso, ela escreve bem pra caramba. “Essa mulher zerou a vida”, era o que eu estava pensando quando terminei de ler a matéria. Fucei ela no Twitter, e imaginem o tamanho da minha surpresa na hora que ela me respondeu AND me seguiu de volta. Gente, liguei até para minha avó para falar que a nora do Stephen King estava falando comigo. Mentira, para minha avó eu não liguei. Mas liguei para o meu pai.

 

 

Uma coisa que conta muito para mim na hora de ler um livro é saber sobre o autor; se é gente boa, se é humilde, de onde tira a sua inspiração, etc.. A Kelly é tão gente como a gente que já tinha me ganhado antes de eu ter a chance de ler um livro dela. Eu não sei o que acontece nesse país para ela ainda não ter sido traduzida aqui.

 

Eu comecei a falar com ela na época do lançamento de Save Yourself, sua terceira publicação, e estava em cólicas para ler o livro. Pedi para o meu namorado, na época fazendo intercâmbio nos Estados Unidos, comprar a edição de capa dura para mim, e aceitei o duro desafio de esperar quase um ano até ele voltar para o Brasil para poder ler. Enquanto isso, ela disponibilizou Hung Up no site dela, o conto que deu origem a Save Yourself. Se você não sabe se vale a pena pagar IOF para ler o livro, recomendo fortemente que leia o conto primeiro.

 

 

Agora, sobre o livro. Uma história pode ser bem escrita, ter começo, meio e fim e ser bem estruturada, mas se as personagens não forem reais, nada disso me convence. Eu quero me identificar com aquelas pessoas, quero poder entender o que elas sentem e o porquê de agirem da maneira que agem. Quando eu li Hung Up, me identifiquei muito com o Patrick, um dos protagonistas. Mas em Save Yourself, me identifiquei com mais outras três personagens, de tão bem construídas que elas são.

 

O que me chamou mais atenção na escrita da Kelly é o foco que ela dá para os protagonistas, fazendo tudo girar em torno deles e o resto parecer um pouco embaçado. É engraçado que eu mesma escrevo desse jeito e até então não tinha certeza se isso era uma coisa boa ou não. Foi uma experiência interessante experimentar esse estilo como leitora.

 

 

O Patrick é um cara que mora com o irmão e a namorada do irmão, trabalha numa loja de conveniência e tem toda a cidade contra ele, porque seu pai foi preso por atropelar e matar um garotinho. Quando as coisas começam a complicar dentro de casa, a Layla aparece e bagunça ainda mais a vida dele.

 

Ela é uma adolescente gótica que enfrenta os próprios problemas e acaba envolvendo também a Verna, sua irmã mais nova. Um comentário que foi feito na matéria do NYT foi que Save Yourself pode ser considerado como uma versão moderna de Carrie, o que faz sentido. Eu mesma, enquanto lia, pensei nisso em algumas passagens. Porém, o livro vai muito além do bullying adolescente que beira à maldade.

 

A Kelly não escreveu um livro sobre uma menina que viu seus poderes aflorarem ao ser humilhada pela mãe e pela escola inteira, e sim um livro sobre como a condição humana se propaga, para o bem e para o mal, em uma cidade pequena. A história é temperada com vários toques de dramas e traumas pessoais das personagens, e não tem nenhuma influência sequer do sobrenatural. A única coisa que eu gostaria era que ela tivesse se aprofundado mais na história da Caro, a cunhada do Patrick. Mas acredito que isso daria pano pra manga de outro livro.

 

 

Eu dei cinco estrelas para Save Yourself no Goodreads e acho que a Kelly é uma autora que todo mundo deveria ler. Fico torcendo muito para traduzirem os livros dela por aqui, mas, enquanto isso, vale a pena fazer o esforço para ler em inglês. Eu sei que eu já estou louca de vontade de ler suas duas primeiras publicações!

 

Vocês podem ler a matéria do NYT aqui

Site: Kelly Braffet

Twitter: Kelly Braffet

 

Na Prateleira

Título: Save Yourself
Autora: Kelly Braffet
Editora: Crown Publishing
Sem tradução no Brasil

Mônica
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