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14/nov

Pensei seriamente em pular a resenha de SVU, mas eis que resolvi fazê-la por causa do crossover. Eu não conseguiria resumir o que senti no desenrolar da segunda parte dessa história incômoda e emocionante em dois parágrafos extras no review de Chicago P.D..

 

Eis uma nova experiência e um post especial.

 

Para quem chegou agora, o novo big crossover da NBC começou em Chicago Fire, onde houve a abertura do caso que uniu essas três séries. Em SVU, houve a exploração e a busca por testemunhas e evidências. O quebra-cabeça, que contou com a participação de Halstead, Lindsay e Voight, foi disposto sobre a mesa e só restou desconforto e choque. Nunca assisti a essa série, também da NBC, que, atualmente, conta com 16 temporadas. Tenho que dizer que me apaixonei pelo dinamismo dela. Por ter sido uma experiência inédita, não podia deixar meu lado fangirling de lado, especialmente quando a Mariska está envolvida. Sabia que essa mulher era maravilhosa, mas, como Sargento, alguém me ajuda! Sinceramente, já penso no esforço – que cogitei no ano passado – de correr atrás de assisti-la. O duro é retornar até 1999.

 

O caso girou em torno do tráfico de crianças para um tremendo esquema de pedofilia. Um tema delicado e que faz qualquer um ficar em pausa dramática por saber que esse crime é real e acontece, todos os dias, embaixo dos nossos narizes. Não vemos, mas crianças são exploradas, diariamente, dentro de organizações muito bem alinhadas para não serem descobertas. Por isso gosto tanto de séries policiais por tratarem um tema, ainda mais polêmico, no nu e no cru, sem delongas, sem romantização, garantindo uma tremenda angústia. Teddy, irmão de Erin, vítima e testemunha principal, mexeu com meu emocional que ficou ainda mais no chão quando Jocelyn, outra vítima, reforçou a dramatização.

 

Ambos dão aval para Olivia, na companhia dos membros da Unidade de Inteligência de Chicago, juntar as peças não só para descobrir os envolvidos, bem como para resgatar outra criança que serve de “exemplo” para entendermos como funciona o trabalho dos criminosos.

 

Se não bastasse imaginar o quanto as pessoas que fazem isso são doentes, a escandalização fez parte deste episódio de SVU ao mostrar que o esquema de pedofilia ultrapassa limites nauseantes, como reproduzir em streaming a exploração das crianças. Henry me deixou desesperada ao implorar para ir embora, por recusar o que lhe era comandado e juro que fiquei até com pouco de medo do que aconteceria perto da trama acabar. Por ser criança, ainda mais de 12 anos, a maldade do mundo ainda está no preto e branco. Quando ela se torna colorida, resta uma culpa que não existe, um sentimento que consome Teddy por se achar responsável por toda a exploração que passou com tão pouca idade. É aí que vemos o quanto uma situação dessas pode acabar com a vida de alguém, que passa a acreditar piamente que nasceu para passar por um perrengue desses.

 

Fiquei inconformada em muitos momentos, mas essa foi a intenção. Com um tema desses, não se espera delicadeza. Os mesmos estereótipos de criminosos foram trabalhados, todos com uma vida pacata e normal, mas com um segredo doentio embaixo do tapete ou no fundo de algum drive de computador. Só me restou revolta por saber que o que aconteceu não é mentira. É a mais pura realidade. Pena que na vida real não há tantas Olivias e Voights que, de alguma forma, saem bem-sucedidos. Neste caso, queria muito que a vida imitasse a ficção. O que resta é o desconforto de saber que isso ainda existe e que a polícia tem uma dificuldade tremenda em barrar um esquema assim, algo muito bem pontuado no episódio.

 

Por nunca ter assistido SVU, tenho que dizer que gostei muito da passagem de tempo no mesmo ritmo em que transcorre a investigação. Enquanto em CPD tudo é corrido, nessa série – não sei dizer se isso acontece com frequência, por isso peço ajuda dos universitários – pontua-se a localização e a data, o que contribui para deixar a situação mais aflitiva. Senti-me agoniada com cada passo dado pelo time da Olivia, passos de bebês que demoram a chegar a algum canto, mas chegam. Quando tudo se desmembra, revelando que pessoas de dentro de instituições que visam o bem-estar infantil são responsáveis por essa teia, só resta o nojo.

 

O caso me fez lembrar daqueles anúncios de jornal que sempre pedem por atores mirins, um argumento pontuado (não necessariamente dessa forma) por um dos integrantes desse esquema que se desenrola em SVU. Às vezes, até vejo anúncios sem noção em postes, sobre casa para garotas com aluguel barato e tudo mais. Há pessoas que infelizmente caem nisso, os jovens desesperados. Às vezes, não há para onde fugir. No âmbito adulto, essa ingenuidade é contestável, mais um motivo para se inconformar por causa da falta de limites de certos seres que nem deveriam ser chamados de humanos. O caso foi muito bem destrinchado, gerando um novo cliffhanger, extremamente tortuoso, que continua em Chicago P.D..

 

Fico pasma com a habilidade dos escritores em encaixar as peças e destruir as próprias evidências para dar aval para algo mais acontecer. Não tenho palavras, só sei sentir.

 

Chicago P.D. dentro de SVU

 

Lindsay e Jay não fizeram tanto, mas reforçaram a ideia de serem parceiros e de estarem ali, ao lado um do outro, para o que der e vier. Morri de rir quando Jay rasga seda para a detetive e tenta se explicar, de um jeito totalmente desconfortável, que é uma questão de trabalho. Sabemos perfeitamente que há um amor enrustido, ok? Não aguento essa tortura Linstead, mas gosto tanto quando as situações ficam nas entrelinhas. Sem contar que Voight parece muito seguro em deixá-los a sós. Meu coração não suporta tanta pressão psicológica.

 

O episódio ganhou peso com a chegada do Voight. Isso não foi de surpreender. Olivia e ele se unem, caminho andado para eu shippá-los. Sou fangirl, me deixem! Como Sargentos, o conflito entre ambos foi acarretado pelo desejo de resolver as coisas com rapidez e abordando o emocional, ou com o Voight’s Way, em outras palavras, com atitudes ilegais. Claro que Hank tentou impor o seu jeito de lidar com trambiqueiros, mas, como Olivia disse, as coisas funcionam diferentes em NY. Nunca pensei que chegaria o dia de alguém colocar o Sargento no lugar, ainda mais uma mulher. A expressão dele de criança consternada porque não poderia dar uns tapas em uma testemunha foi de chorar. O papo de “o que acontece na caixa, fica na caixa” não colou dessa vez.

 

Outro ponto sensacional foi Voight, pela primeira vez, disfarçado (foto acima). Estou desmaiada! Junto com Olivia, ambos brincam de pais de Henry, com direito a expressões desoladas e lágrimas nos olhos. Nessa curta cena, visualizei o casamento desses dois personagens, os filhos, Linstead como padrinhos, as Unidades trabalhando em conjunto para sempre… Meu coração explodiu com essa dupla pagando de pai e mãe. Ainda não me recuperei.

 

Erin versus Teddy
 

Uma das coisas que geram incógnitas em Chicago P.D. é a relação entre Erin e Voight. Em tese, sabemos de pouca coisa. A inserção de Teddy mudou a maioria dos meus pensamentos e gerou muitas perguntas: por que o Sargento salvou a menina, mas não o menino? Por qual motivo isso não aconteceu? São questionamentos que se resumiram há muitos “sinto muito”. Infelizmente, nada foi aprofundado, mas, o que foi fácil captar, é que a mágoa por parte de Teddy foi mastigada com o passar dos anos enquanto era vítima de um esquema de pedofilia. Erin andava com drogas embaixo do braço, se envolveu com pessoas esquisitas, foi acusada de assassinato, mas encontrou a luz ao ser acolhida por um dos caras mais temidos de Chicago. Qual foi o padrão de escolha, além de Erin ter sido babá por anos da própria mãe?

 

Um dos objetivos da trama era encontrar o irmão de Erin. Assim que Teddy se acomodou, o encadeamento dos plots deram golpes seguidos no meu estômago. Além do caso ter sido aprofundado, sabemos mais um pouco do passado da personagem de Sophia Bush. Especialmente sobre essa irmandade que ainda deixou um largo espaçamento sem respostas. Teddy é meio irmão dela, tinha 13 anos quando sumiu, enquanto a detetive tinha 15 e foi resgatada por Voight. Ambos tiveram uma adolescência conturbada e a separação, com rumos e obstáculos diferentes, deu um futuro completamente às avessas para os dois.

 

Quando ambos ficam frente a frente, o desprezo de Teddy é nítido. Foi impossível não pensar quando se deu o abandono. Erin justificou que deveria ter feito mais pelo irmão, mas só tinha 15 anos na época da separação. Eu até fiquei meio assim com ela por ter dado a entender que deixou as coisas rolarem, ao ponto de se esquecer dele, e acredito que essa situação foi um tapa na cara bem dado nela. Afinal, nós vemos todas as semanas o lado bom, forte e corajoso da Erin, mas está aí uma pessoa que é cheia dos mistérios por causa da sequência de péssimas escolhas. Não acho que seja possível odiá-la, pois, de certa forma, a personagem se redimiu ao aceitar auxílio do Voight. Contudo, se esquecer da família, ainda mais ela que limpou até vômito da mãe, me deixou um pouco passada.

 

Teddy se revelou um bom conhecedor da vida da irmã ao ponto de usar o nome do Voight e tudo mais, como também não escondeu o asco de estar diante do Sargento. Enfim, há muitas coisas na storyline da Lindsay que estão na penumbra e não tem como evitar a surpresa, bem no estilo Jay – que se chocou várias vezes com as revelações do passado do seu crush. É um plot que, com certeza, tem muito o que ser explorado. Sou a favor de flashbacks, porque sim.

 

Foi uma ótima experiência. O brilhantismo da trama do crossover em SVU se deu no final, quando a busca pelo líder desse esquema se torna prioridade por estar em algum canto de Chicago. Para isso, mais drama vem à tona quando, uma a uma das testemunhas do esquema são aniquiladas, o que corrompe as possibilidades de se chegar aos culpados. A trama foi devastadora, forte, pesada, de partir o coração, um assunto familiar de abalar as estruturas.

Stefs
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