Menu:
30/dez

Não, não. Não me esqueci da resenha do especial de Natal de Doctor Who. Peço desculpas pela demora, mas está meio difícil se desligar do clima de festividades.

 

Muito bem! Da mesma forma que a Clara estava com saudade dos sons da TARDIS, também sentia falta do 12º Doctor por motivos dele ser meu spirit animal. Nem preciso dizer o quão incrível foi revê-lo, certo? Além disso, me apaixonei exageradamente pela abertura temática, a repeti umas quinhentas vezes, mas são meros detalhes. Acho que nem preciso dizer que, pela milésima vez, essa versão do Time Lord me representou ao longo dessa jornada sonhadora no Polo Norte, especialmente sobre o ceticismo para cima do Papai Noel.

 

O especial de Natal abriu com um Papai Noel sendo Papai Noel, na companhia de elfos e de renas, nem um pouco apaixonado por essa festividade. Algo que me fez lembrar o azedume do Doctor quanto a coisas fofinhas e ao contato humano. Minha expectativa era ver como o 12º agiria diante do bom velhinho e, como esperado, o comportamento ranzinza me honrou. De todos os questionamentos que poderiam ser levantados durante o clima natalino, nada como escolher o mais clichê (e o mais real) de todos: você realmente acredita em Papai Noel?

 

Essa foi a indagação para salvar a Terra, o universo e tudo mais.

 

Se não bastasse ter um Papai Noel, os caranguejos do sonho foram responsáveis pelos conflitos que empacaram a trama em um mesmo lugar (e nem garantiram tanta tensão assim). Não que isso não seja recorrente em Doctor Who, mas, ao menos para mim, a ausência de ação fez toda a diferença. Um peso deixado de lado por causa da necessidade de reunir Time Lord e companion. Não nego que a ideia de ficar preso a um sonho foi interessante, bem como a dificuldade de sair dele. É um problema que qualquer um já passou nem que seja uma vez na vida. Contudo, o único momento que roubou meu fôlego foi quando todos percebem que ainda sonham e que estão prestes a morrer. Nada mais.

 

Achei demais os paralelos entre o Papai Noel e o Doctor que trouxeram uma das questões que o alienígena não disfarça o asco: realidade vs. fantasia. O conflito das coisas que existem e não existem, itens que tiram esse Time Lord do sério. Afinal, ele só trabalha com verdades.

 

Outro objetivo da trama foi reposicionar Clara como companion, o que calou a boataria sobre a saída de Jenna. Para isso, nada como o tema de segundas chances que serviu de apoio e de gatilho para que esses dois personagens, que há muito tempo não se viam, se acertassem. Houve também o proveito do clima para justificar a conclusão da 8ª temporada e, depois, foi maravilhoso ver o 12º empenhado em protegê-la. Nada como dar-lhes momentos para restabelecerem o que – quase – foi perdido.

 

Em meio ao caos e a um Papai Noel que não passava de subconsciente, a tentativa foi solidificar a confiança entre o 12º e Clara depois do samba da Missy e da perda de Danny. Em 1 hora, o Time Lord provou que sabe o valor da companion, e lutou do seu jeito confuso para deixar isso claro. Foi precioso vê-lo arriscar a vida para tirá-la do sonho. Uma atitude que ajudou a reafirmar essa parceria.

 

Achei justo Clara dar o último adeus ao Danny. O revival destruiu meu coração. Sofri demais com o pedido do teacher: ela só ter o direito de sentir falta dele por 5 minutos ao dia. Não consigo tolerar uma baixaria dessas. A lástima foi me convencer de que o personagem foi mal aproveitado. Ele só serviu para ser pivô da treta entre a companion e o seu “novo” Time Lord, algo que me tirou do sério. Pensei que o peso militar serviria de alguma coisa, pois houve impressões e indicativos no decorrer da temporada que sinalizaram uma possível importância. Capaz que Pink retorne, já que certas indagações, ainda mais vindas de um alienígena de Gallifrey, nunca são feitas por acaso. Não me surpreenderia!

 

Adendo: tenho que dizer que a cena em que Clara é atormentada pela mensagem na lousa e depois pelas palavras nas paredes foi muito O Iluminado. Acreditei que ela não conseguiria voltar à realidade por causa desse suave toque de terror.

 

A cena 5 estrelas foi a do final do episódio, óbvio. Ainda bem que o Papai Noel foi bonzinho com o 12º. Eita pessoa ruim de timing! Juro que tive um pequeno infarto quando Clara apareceu toda idosa, solitária, dando a entender que não superara Danny. Não sei vocês, mas vi Amy Pond nessa velhice por causa do episódio The Girl Who Waited, que foi até referência de muitas teorias sobre a Terra Prometida da Missy. Essa cena arrematou o papo de segunda chance, firmando a relação de companheirismo dos dois.O 12º derreteu meu coração ao mostrar que aceita Clara como ela é, não só como uma companheira de viagem. Esse homem, outrora insensível demais para digerir, não hesitou em demonstrar o quanto ela é preciosa. O receio dele em ser negado por ela me deixou sem chão, mas não mais que o paralelo com o especial de Natal do ano passado. O Doctor, segurando a mão da Clara, todo interessado nela, tanto para ouvi-la como para auxiliá-la, mexeu com meus sentimentos. Uma retribuição do que ela fez diante da versão anterior dele mesmo. Chorei na BR!

 

Agora, essa sou eu sendo chata: Moffat deve sentir falta do Matt Smith, né? Chega de referências do 11º pelo amor de Deus! É lindo, nostálgico, mas é hora do Capaldi. Uma vez ou outra, tudo bem, é normal e faz parte do universo Who, mas esse pequeno detalhe tem acontecido desde o começo da 8ª temporada. Se está tão difícil manter a Clara no mesmo compasso do 12º, que tal trocar a companion?

 

Antes que atirem, não sou hater hardcore da Clara. Cheguei a um nível que a tolero, sendo que simpatizava um pouco mais com ela. Essa senhorita me tirou do sério com o bendito crush e com os comportamentos bizarros ao longo da 8ª temporada. Algo que não me remete em nada a soufflé girl, a garota que adorei, e que nem estava perto de ser a versão impossível de agora. Não nego que a companion teve momentos sensacionais e que elevaram a atuação da Jenna, uma influência do monstro chamado Capaldi, um exímio ator.

 

Porém, a personagem ficou à mercê de um instinto mandão que não acho cativante. A única que acertou nesse quesito foi a Donna. Algumas atitudes da Clara me lembram a Rose (e se tivesse que escolher entre as duas ficaria com a Clara). A companion tem uma temporada pela frente para me reconquistar. Estarei aqui, observando…

 

Outros momentos

 

A cena do trenó me lembrou Harry Potter e acho que esse foi um detalhe que me ajudou a chorar (mais). Não consegui lidar com a alegria infantil do 12º ao assumir o trenó, bem como a confortabilidade com que aceitou um novo abraço de Clara. Talvez, chegou o momento de descongelar o outro coração que ainda está protegido por uma grossa camada de gelo – e que ajuda a manter essa versão mais interessante de assistir. Nada como pitacos e azedume, né?

 

Shona dançando e o Doctor indignado por existir um filme chamado Alien. Risos eternos.

 

No geral…

 

Algo que também amei neste especial de Natal foi o comando “teorizar”. Essa é uma das melhores coisas da personalidade desse novo – nem tão novo assim – Time Lord. Adoro quando o 12º provoca, exigindo que os presentes montem o quebra-cabeça, conduzindo o raciocínio que acarreta os picos na trama. Por mais que isso tenha me prendido, devo admitir que o desenrolar dos fatos foi meio arrastado. Tudo porque a meta foi criar um cenário para que Doctor e Clara retornassem para a TARDIS e esquecessem as tretas do passado para iniciarem um novo arco de aventuras. Só perdoo por isso.

 

No quesito mensagem, ela foi transmitida com sucesso. Quem é que nunca quis uma segunda chance, não é? Foi impossível não se emocionar. Tudo foi perfeito de assistir. Porém, fiquei com a mesma sensação do ano passado: faltou algo. Assim como achei que Matt Smith não saiu como merecia de Doctor Who, também penso que Capaldi poderia ter contado com um roteiro mais desafiador por ser seu primeiro especial de Natal. A resolução da história foi tocante, mas, por se tratar de um episódio como este, admito que esperava mais.

 

Sobre o Yippie-yah-yay: só eu achei que o bordão não ornou com a personalidade do 12º? Nada contra, mas, depois do Geronimo, tive fé de que a sentença-chave dessa versão seria algo amazing. Não algo que me fizesse lembrar do 10º, que só não era mais saltitante que o 11º… Enfim, acho que vocês entenderam.

 

Até a próxima temporada!

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3