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15/dez

Alguns livros nós damos a sorte de ler na época certa da vida, como é o caso de Harry Potter para todas as pessoas da minha geração que acompanharam a saga desde crianças, antes da existência dos filmes. Um Dia, apesar de ser uma história que eu acho que consegue falar com todas as idades, foi um destes livros que entraram no meu caminho com o melhor timing possível.

 

O meu primeiro contato, para variar um pouco, foi com o filme, estrelado pela fofíssima da Anne Hathaway e o Jim Sturgess. Em algum momento no começo do ano, eu estava procurando uma comédia romântica bem bobinha na Netflix e achei o título que me chamou a atenção quando estava no cinema, mas que acabei não indo ver por algum motivo. Gostei muito do filme, mas lá pela segunda metade percebi que não se tratava de uma comédia romântica e que de bobinho não tinha nada. Chorei demais, fiquei em choque e fui atrás do livro.

 

 

Um Dia conta a história de dois amigos, Emma Morley e Dexter Mayhew, durante vinte anos, desde o momento em que eles se formam na faculdade. A característica mais interessante (e por vezes irritante) é a maneira como o autor, David Nicholls, resolveu contar essa história: narrando um dia por ano deste período, muitas vezes cortando alguns acontecimentos importantes e deixando os leitores loucos de ansiedade.

 

Uma coisa que me chamou muito a atenção foi o quanto as personalidades dos dois se completam, e o quanto de cada um eu tenho dentro de mim mesma. Assim como a Emma, eu estou completamente frustrada com o período pós-faculdade que estou vivendo, tendo que aceitar a realidade de que meu diploma e todos os sacrifícios para consegui-lo não valem muita coisa, que eu ainda estou muito longe de ser alguém importante para o mundo, sem falar nas questões financeiras.

 

Por outro lado, e assim como o Dexter, eu gosto de ser livre, de tirar o tempo que for preciso para mim, de apreciar pequenos luxos e prazeres que podem não curar a fome mundial, mas que me satisfazem. A dinâmica destes dois perfis ao longo do livro me agradou muito, e foi impossível não me identificar com cada parágrafo, até depois dos vinte e tantos anos, porque me vi tomando decisões parecidas com as deles e traçando um futuro semelhante, espero que menos trágico, para minha vida.

 

 

Como a maioria dos comentários no começo do livro menciona, a história do Dex e da Em é atemporal, um dos seus charmes principais. Para mim, foi uma narrativa que me provocou muito em alguns momentos, fazendo com que eu encarasse algumas verdades cruéis sobre mim, mas que, acima de tudo, acalmou bastante todas as minhas preocupações e ansiedades com relação ao futuro, apesar do final triste e inesperado.

 

 

Abro parênteses aqui para parabenizar o tradutor do livro, Claudio Carina, que realizou um trabalho muito bom com as jogadas de linguagem e alguns termos em inglês, sem deixar que as piadas e outras passagens perdessem o sentido.

 

Embora eu não tenha visto o filme novamente após ler o livro, acho que foi uma adaptação muito bem feita, que não deixou de fora nenhum acontecimento importante e que conseguiu reproduzir muito bem o sentimento presente nas páginas. Até porque o roteiro do longa foi escrito pelo próprio David Nicholls.

 

 

Dou cinco estrelas e um lugar entre os favoritos na minha estante. Merece ser lido!

 

 

Na Prateleira
Título: Um Dia
Autor: David Nicholls
Páginas: 320
Editora: Intrínseca

Mônica
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