Menu:
23/dez

Este é o primeiro post de retrospectiva que faço para o We Project e já lamento por não ter tantas novidades. Porém, prometi um texto geral e eis ele aqui para concluir meu ciclo de 2014 na companhia desse pseudo-livro. Uma relação de amor e ódio desde 2012. Uma relação de deleite e de desespero que, pelo visto, não tem hora para acabar.

 

Deleite: nunca pensei que iria tão longe com a mesma ideia. Sou geminiana, codinome divergente, nickname “mudança súbita do quente para o frio e vice-versa”. Minha mente muda de lugar a todo instante e largar o WP já era algo aceitável. Não porque sou desistente, mas por causa do meu pequeno defeito de não lidar com monotonia/fazer a mesma coisa por tanto tempo. Viver no repeteco da mesma tarefa me incomoda demais. Foi bem difícil e, para minha própria surpresa, esse meu relacionamento perdura há dois anos.

 

Desespero: como disse, foi difícil. Havia dias que queria desistir pelos motivos comuns (que história mais lixosa feat. como você escreve mal, criatura). Por ter resolvido me dedicar 100% a escrita, sem trabalho fixo, foi muito complicado se adaptar a uma nova rotina. 2013 foi um ano conturbado, fazia muitas coisas ao mesmo tempo (job + blog + WP) e, quando me assentei, foi muito estranho ter todo o tempo do mundo para me empenhar ao projeto. Isso abriu espaço para neuras, crises, complexos e saltos emocionais. O desafio principal foi lidar comigo mesma.

 

O outro desafio foi escapar da sensação de se empenhar tanto a algo e, no final das contas, dar de cara com a realidade de que se perdeu tanto tempo para nada. Esse é meu maior medo, verdade seja dita. Às vezes, esse pensamento me empaca. Porém, há quotes por aí que nada é feito à toa se você aprendeu alguma coisa. E eu aprendi muito sobre o WP e eu mesma.

 

Rebobinando

 

Essa decisão de me dedicar à escrita começou quando pedi demissão. Não pensem que foi um belo dia de sol para chutar o balde, porque muitos pensam – e ainda pensam – que tive um surto no estilo Tulla Luana. Quem me motivou até o último dia de trabalho foi Neil Gaiman e o lema “faça boa arte”. Ele sempre será uma das minhas referências, sem dúvidas. Porém, durante o processo, me agarrei a outras coisas, e uma delas foi One Tree Hill.

 

Assim, usarei neste “retrocesso” do We Project alguns quotes dessa minha série idolatrada.

 

“Não é vergonha ter medo. Nós todos temos medo. O que você tem que fazer é descobrir do que tem medo porque, quando você sabe o que é, você pode vencê-lo. Melhor ainda, você pode usá-lo”.

 

Já contei aqui no blog que passei um bom tempo morta de pavor da minha escrita. Foi nesse período que aprendi como uma pessoa tem o poder de destruir algo que você é apaixonada. Ou ao menos, chegar perto. Isso poderia ter acontecido em qualquer momento da minha vida, mas foi justamente quando estava na faculdade. Tenho certeza que isso me afetou até saltar para o último trabalho que, apesar dos pesares, valorizou minha escrita. Inclusive, aprendi demais lá.

 

Por mais que tenha saído pela tangente desse dilema de repúdio a minha escrita, ainda tenho resquícios desse “trauma”. Vejam bem: não consigo reler nada do que escrevi. Usando o blog como exemplo, escrevo, dou uma revisada e, assim que publico, o texto morre. Como se nunca o tivesse escrito. Não me sinto confortável, mas sei que em dado momento terei que me despir desse medo. Até porque serei obrigada a reler o WP.

 

Por mais que acredite na história, a minha relação com a escrita por causa dessa pessoa mudou demais. Às vezes, não acredito no meu texto. Às vezes, fico na paranoia. Normalidades!

 

Escrever se aprende escrevendo. Um clichê verdadeiro. No meu antigo trabalho, aprimorei muitas coisas – sozinha. Ninguém me deu um manual de redação ou um manual com todas as novas regras ortográficas. Por algum motivo, entendi que ninguém desse ramo ajuda ninguém. Se seu texto for ruim, sempre terá alguém que fará questão de esfregar isso na sua cara. Se tiver excelente, sempre terá alguém para dizer que está terrível de qualquer forma. São poucas as almas solidárias que reconhecem que você é bom em algo, ok? Detalhes!

 

O medo também esteve comigo quando resolvi sair do meu antigo job. Uma decisão que oscilou no desenrolar de janeiro. A única coisa que eu pensava era na questão financeira. Será que conseguiria me manter pelo tempo que o universo quisesse? Será que poderia me dar “esse luxo” por algo 100% incerto? Uma das coisas muito claras na minha cabeça era o fato de querer desplugar da Matrix que me fazia escrever textos para os outros e plugar na que me faria escrever textos que me satisfizessem.

 

No caso, o We Project (que não é bem um texto, mas vocês entendem onde quero chegar). Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida pelos seguintes motivos/perguntas:

 

– O mercado para jornalistas está cada vez mais difícil. Pedir demissão nesses tempos é o mesmo que se suicidar;

 

– Eu estava infeliz e pensei incontáveis vezes: será que não dá mesmo para ser feliz de novo no job? Não, não dava. Até porque fui ignorada quando pedi mudança de cargo. Então, entendi como um sinal que apenas reforçou minha decisão;

 

– Era realmente impossível manter por mais um ano, ao mesmo tempo, trabalho e escrita? Sim, era. Estava saturada e 2013 tinha me deixado louca. 2014 foi moldado para eu focar em uma coisa só;

 

– E não menos importante: dinheiro. O demônio chamado dinheiro. Um dos fatores que faz muitas pessoas barrarem seus desejos e se manter na zona de conforto. Eu entendo. Não é uma decisão possível para alguns. Não é tão simples abrir mão do salário de todo mês. Porém, eu precisava disso. Vi a chance de sair e agarrei. Estava cansada de calar minhas vontades e de viver em uma rotina um tanto quanto segura.

 

Planejei, por 3 meses. Outubro, novembro e dezembro de 2013 foram os meses que mais me deram sinais de que realmente precisava fazer isso. Não estava sendo justa comigo e nem com o meu trabalho. Não tinha mais interesse, meu desempenho estava baixíssimo. Sem contar que lá não havia oportunidades que contribuíssem com meu crescimento profissional.

 

Se era para ficar empacada, resolvi ficar empacada dando uma chance para meus projetos pessoais. Juntei dinheiro e sobrevivi até aqui sem apuros financeiros. Tentei nesse meio tempo encontrar um emprego, mas só vi a prova do quanto ser jornalista continua difícil.

 

Como também já contei aqui no blog, acredito que as coisas têm seu timing para acontecer. Tenho certeza de que algo bom virá no meu caminho assim que finalizar as três partes do WP – que foi minha real meta de 2014. Enquanto não terminar, nada acontecerá (a meta é acabar tudo, tudo mesmo, até dia 31 de dezembro deste ano e estou quase lá).

 

“Eu quero desenhar algo que tenha significado para alguém. Sabe, quero desenhar a fé cega ou o fim do verão ou só um momento de clareza. É como quando vou assistir uma banda ao vivo e ninguém diz, mas todo mundo pensa, que temos algo em que acreditar de novo. Eu quero desenhar esse sentimento, mas não posso. E se não posso ser muito boa nisso, então não quero estragar tudo.” – Peyton Sawyer.

 

Essa é uma daquelas frases que eu poderia muito bem tatuar no meu corpo depois de todas as vezes que fui menosprezada. Das vezes que não me achei boa o bastante e que me privei de fazer o que gostava. Peyton refutou seu talento até reconhecer que os desenhos poderiam mudar a vida de alguém. Os desenhos eram sua forma de expressão.

 

A escrita é minha forma de expressão.

 

Passei muito tempo também atrás de um nickname, algo que a Peyton fez assim que publicou sua primeira tirinha. Sinceramente, estava de saco cheio de me camuflar. Não que menospreze minha “carreira” de ficwriter, jamais, até porque foi nessa brincadeira que percebi que escrever histórias é um dos meus pontos fortes. Minha crise com a escrita chegou a ser tão forte que nenhum blog sobrevivia por mais de 2 meses.

 

O RG é um milagre. Verdade seja dita!

 

A partir do momento que pedi demissão, tive que buscar essa pessoa que ama escrever, lá no fundo do meu âmago, e lhe dar uma chance. E levá-la a sério. Foi tão difícil quanto anunciar que não queria mais fazer parte do quadro de funcionários da empresa. O processo de “viver escrevendo” também não foi fácil, pois é algo que se faz sozinho. Você não tem mil mãos (infelizmente) disponíveis para lhe ajudar. Alguém pode dar uma grande ajuda no percurso, mas a maioria, senão todas, tomadas de decisões vêm da mente e do coração do escritor. Você lida consigo mesmo o tempo todo, ao ponto de se odiar. Ao ponto de não se aturar.

 

Não é à toa que tive meus momentos de fraqueza quando simplesmente achei que não dava mais e que era hora de procurar um novo job.

 

São fases, muitas fases. Muitas nuances. E o peso maior é justamente aquele que citei no começo deste post: e se tudo que fiz não valer de absolutamente nada?

 

“Sua arte importa.” – Lucas Scott.

 

Peyton arrancou todos os desenhos da parede e os jogou no lixo por não se achar boa o bastante. Eu deletei o WP totalmente do meu note várias vezes. Desisti dele várias vezes. Fingi que ele não existia várias vezes. Fingi que nunca cheguei a criá-lo. Quando esse conflito aconteceu, me vinha à mente outro clichê: se eu não fizer, ninguém fará. Essa ideia se tornou um acréscimo no meu estilo de vida em 2013 e cá estou eu, uma sobrevivente… Ou quase.

 

Um dos meus maiores objetivos de vida é ter um livro publicado. Quero um dia passar na livraria e vê-lo ali, nem que seja na última estante, nos confins da loja. Quero pegá-lo e mostrar que correr atrás do que acreditei valeu a pena. Foram com passos pequenos e pensamentos pequenos que dei aval há muitas coisas. Este blog é o maior exemplo disso. Jamais aniquilaria a simplicidade que ele tem.

 

O mesmo vale para o WP. Se um dia ele for publicado, não me importa quantas pessoas o lerão, desde que faça algum tipo de diferença. Isso é o que me basta. Em algum canto deste Brasil, o que importa é ver minhas palavras atingir nem que seja uma pessoa.

 

 

Não foi um desperdício de tempo se você aprendeu alguma coisa. Eu posso não ir a canto algum, mas lembrarei de 2013 com aquela sensação de que tentei. Abri mão do seguro para viver meu sonho. Eu sempre tentei inspirar as pessoas que, de alguma forma, chegam aos posts sobre o We Project, ou qualquer outro post. Dou meu total apoio para correrem atrás daquilo que almejam. É uma “política” da qual acredito muito e passei a acreditar mais quando senti esse drama na pele. Eu me sentiria uma tremenda fraude se chegasse aqui, impulsionasse alguém, sendo que não tive a experiência. Pois agora tenho e foi uma batalha tremenda. Foram quase 365 dias em que vivi dentro do meu sonho, um sonho extremamente incerto, mas agi como se fosse real. E foi mágico!

 

Também já disse aqui no blog que amaria chegar e dizer que deu certo. Essa é minha única lacuna que se manterá aberta por um longo tempo. No mais, posso dizer que não me arrependo de ter chutado o que me deixava infeliz e insatisfeita para abraçar o que me deixa feliz e satisfeita. Foi uma viagem longa, frustrante, estressante, dramática… Perdi uns bons fios de cabelo, horas de sono e peso. Mas eu não me arrependo em nenhum momento de ter passado esses meses em um acampamento com meus personagens. Por isso, finalizo com o clichê: não desista.

 

Independente do que você deseja – que pode não ter envolvimento algum com a escrita. Você não sabe o que acontecerá no final do processo. Eu não sei, mas continuarei tentando. É melhor do que não tentar, certo?

 

Ano que vem prometo ser mais fiel aos posts sobre o We Project. De fato, não tive tantas emoções com ele como em 2012/2013, porque combati mais meus desejos, meus complexos, por vezes minha baixa autoestima em um projeto que resolveu calhar comigo e que não tem um período certo para dizer adeus. Ao menos, não até eu deletar todos os arquivos de novo.

 

Quem sabe ano que vem eu me sinta mais à vontade em compartilhar o universo que criei. Espero que todos – nem que seja um pouco – tenham dado aval àquilo que acreditam em 2013. Que venha mais um ano de escrita! Deixo vocês com um dos meus hinos dos quase 365 de WP:

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3