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22/jan

Faz muito tempo que não trago um pouco de nostalgia para o blog, né? Hoje, passo um espanador nessa tag para falar do álbum Stripped, da Christina Aguilera.

 

Lançado em 2002, este é aquele álbum que pertence à categoria dos que salvaram minha vida. Por mais que grande parte da crítica tenha esmagado a qualidade ao invés de ter se esforçado em captar a mensagem que Aguilera queria transmitir, assino quando afirmam que esse é o melhor projeto musical dela. Compete muito com Back To Basics.

 

Fazendo um retrocesso básico, Aguilera pipocou na minha vida graças ao hit Genie in a Bottle, que pertence ao álbum que leva o nome da cantora, lançado em 1999. Lembro-me claramente a primeira vez que vi o videoclipe – não foi no Top 10 da MTV Brasil, mas no TOP 10 de um canal europeu. Ela não demorou a ser vista como a rival de Britney Spears, um rótulo que carregou até o lançamento de Stripped, álbum que realçou as diferenças entre ambas – sonoridade, poder vocal e controle criativo.

 

Não me entendam mal: Spears foi meu xodó. Até me decepcionar no Rock in Rio, em 2001. Isso não quer dizer que não a escute mais. Amo os trabalhos dela até o álbum Britney.

 

Voltando para Aguilera, ela começou a carreira musical no mesmo “barco” que Spears: no fim da adolescência. Idade que era ideal (acho que ainda é) para empresários gananciosos dar aquela explorada básica. Naquela época, a meninada era desesperada para ser como a estudante de pompons rosa que canta ...Baby One More Time. Além disso, havia uma regra de aparência a ser seguida: loira, magra, com ares de inocência. Mandy Moore contou em várias entrevistas que era praticamente obrigada a gravar determinadas músicas. Ela fazia pelo desejo de cantar, pois era o pop que estava na moda em meados dos anos 90.

 

Aguilera e Moore se assemelharam no desejo de combater o pop chiclete para mostrar quem eram musicalmente. Nessa época, muitas cantoras surgiram aos moldes da Spears e muitas boy bands acompanharam a sombra dos Backstreet Boys. Em tese, não havia criatividade nesse universo musical. Cada gravadora queria ter sua cantora loiríssima ou cinco garotos gatos para fazer dinheiro. Só! Não interessava o talento. Não é à toa que grande parte desses artistas só tiveram dores de cabeça por causa de roubos e de processos.

 

O cantor/cantora tinha que obedecer a gravadora. Não tinha jeito. Ou seguia a moda ou não tinha o sonho realizado. O pop em si parecia coisa de gente alienada, pois os artistas eram todos iguais. Esse grupinho de estrelinhas do pop sempre foi açoitado pelos artistas dos outros gêneros musicais, tais como Eminem (que amava encher o saco da Spears e da Aguilera).

 

O background de Stripped

 

Para esclarecer seus sentimentos, Aguilera se empenhou em Stripped, segundo álbum de estúdio que deixou muitas pessoas de cabelo em pé. Inclusive eu. Era esperada a continuação da saga da garota loira e inocente, mas a cantora se repaginou. Tingiu algumas madeixas de preto, botou uns piercings e ficou mais curvilínea. No quesito musical, ela fugiu do pop chiclete e assumiu todo o processo criativo desse projeto. O mais tenso de tudo: ela deixou a compostura de boa moça, sendo que o pop exigia isso.

 

Ela ressurgiu de um hiatus de 2 anos completamente suja (em um sentido positivo). Foi a primeira coisa que impactou, não as mudanças na sonoridade. Os críticos viram uma garota querendo ser diferente, enquanto alguns compreenderam a mensagem de Aguilera. Stripped é um álbum pessoal, intimista, inspirado em momentos bons e ruins da sua vida, desde o relacionamento com o dançarino Jorge Santos até problemas com o pai. De fato, ninguém estava preparado para uma reviravolta. Não só da Aguilera, mas de qualquer cantora pop. Quem viveu, sabe que Spears foi criticada por causa de I’m a Slave for You (até implicaram com a tatuagem dela nas costas).

 

Acredito que a sensualidade escancarada de Aguilera, que foi desde o photoshoot até o clipe Dirrty, cegou os críticos. Stripped é perfeito, do começo ao fim. Acima de tudo, verdadeiro. Ele tem as mais variadas sonoridades, um álbum eclético, com batidas de rap, hip-hop até blues. O intuito dela foi criar algo que falasse por ela.

 

Outra quebra é que Aguilera teve domínio criativo completo na produção de Stripped. Ela co-escreveu todas as músicas – excluindo Impossible, escrita e arranjada por Alicia Keys, e Beautiful da Linda Perry –, assumiu os arranjos, a edição, etc., algo que muitas cantoras não tiveram oportunidade de fazer naquela época. Ou por falta de oportunidade ou, infelizmente, por ser produto, como a Mandy Moore, que só conseguiu mostrar quem era musicalmente depois do álbum Mandy Moore.

 

Com Stripped, vi uma cantora pop em ascensão.

 

Acima de tudo, Aguilera se empenhou para mostrar que não tinha vergonha de si mesma (o que lhe rendeu um figurino que precisava do Esquadrão da Moda). E ainda não tem. Simplesmente, ela quebrou todas as regras, especialmente a impressão de que garotas do mundo pop são burras. Mesmo provando o contrário, ela foi criticada. Tanto pelo visual. Tanto por ser aquela garota que se apresentava em 2002 despida.

 

Minha edição de Stripped tem 20 músicas, divididas com pequenas introduções/interlúdios. O álbum é um diário da vida de Aguilera sobre fama, ser mulher, autoestima, relacionamentos, problemas familiares e até mesmo decepção profissional. Há músicas sensuais, como Get Mine, Get Yours, e a própria Dirrty, mas ambas não representam nem metade da qualidade que esse álbum possui. Do quanto ele é forte, poderoso. Além da nova sonoridade, distante do pop chiclete, o codinome X-Tina foi lançado nessa época.

 

Tenho que dizer que essa visão distorcida sobre esse álbum da Aguilera se deveu por uma escolha errada. Ela jamais deveria ter optado por Dirrty como single, mas o fez justamente para chamar atenção para a nova fase da sua carreira. De menina talentosa, a cantora recebia títulos de vulgar (ok que ela não facilitou também), e isso me dói porque Stripped é sensacional. É um álbum de muitas nuances, muitos sentimentos. Ele é longo, carregado, mas cada música compensa ser ouvida.

 

Era difícil na época um artista pop se desvencilhar do que a gravadora mandava e, ao invés de ser reconhecida por esse tremendo passo, geral só viu no que a garota de Genie in a Bottle “se transformou”.

 

Stripped: algumas faixas queridas

 

Can’t Hold us Down: a música defende o Girl Power e o quanto a sociedade ama reprimir e criticar a mulher se ela tiver os mesmos comportamentos que o homem. A faixa é animada, feminista, que defende a necessidade da mulher ser ouvida, não apenas vista.

 

Walk Away: nunca deixarei de dizer que a voz da Aguilera é valorizada tendo só o piano como companhia. Essa música é sobre uma desilusão amorosa.

 

Fighter: aquela música que você quer sair cantando na rua, especialmente depois de ter vencido um tremendo obstáculo. Aguilera compôs essa faixa devido a uma grande apunhalada profissional. Ela entoa em alto e bom o quanto o baque a tornou mais forte e batalhadora. É impossível não sentir o coração na garganta quando escuto essa música.

 

Loving me 4 me: é uma balada romântica muito linda, sobre o momento em que percebemos que estamos apaixonadas por alguém que nos ama por nós mesmas. Essa faixa faz parte do bloco que reconta o início e o fim do relacionamento dela com o dançarino Jorge Santos.

 

Impossible: tem todo o R&B da Alicia Keys impregnado e, de novo, realça a voz da Aguilera que cobre facilmente algumas teclas do piano.

 

Stripped: um álbum de superação

 

Beautiful, Cruz e Soar formam a minha tríade de hino e que qualquer pessoa precisa ouvir para redescobrir o caminho que quer seguir, bem como relembrar que você por si só é o suficiente. Esse é o bloco voltado para a autoestima, uma sequência de músicas que não tem como não chorar. Essas três canções me ajudaram demais na adolescência, e continuam a ajudar quando as coisas saem um pouco dos limites. Dou mais crédito a Soar, hino oficial, o primeiro de todos meus hinos pessoais.

 

Claro que não posso me esquecer de The Voice Within. A mensagem é clara: confie em você mesmo. Você é o bastante. Você é o suficiente. No videoclipe, Christina aparece fragilizada, os cabelos negros e soltos, apenas de camisola e descalça.

 

 

Keep On Singin’ My Song, a faixa que encerra o álbum com chave de ouro. Ela defende o quanto é importante preservar sua personalidade, suas crenças e seus valores. Como a letra diz, eles podem dizer o que quiserem, continuarei cantando a minha música. Outra parte de destaque é: toda vez que tentei ser o que eles queriam que eu fosse, nunca deu certo.

 

Stripped é o álbum que indicaria para qualquer pessoa, sem a menor dificuldade. Ele é uma raridade. Aguilera deu à cara a tapa ao apostar em si mesma. Literalmente, ela alçou voo, e não arregou. Eis um grande exemplo de trabalho que foi julgado mais pela aparência que pela sonoridade.

 

 

Aguilera provou também que não há nada de errado em ser você mesma. Que é importante fazer algo conforme a nossa personalidade. Por mais que Back to Basics seja o álbum de glória, Stripped sempre será o melhor para mim, não só por ter feito parte da minha vida, mas por me mostrar que não havia nada de errado comigo. Que eu poderia mudar, me arriscar… Desde que permanecesse fiel a mim mesma.

 

Eu tinha 16 anos quando comprei Stripped, uma das melhores coisas que fiz na minha vida. A capa está amarelada e o encarte desgastado, com algumas partes rasgadas de tanto que usei para cantar as músicas. Esse é um daqueles álbuns que salvaram a minha vida, pois estava em uma fase de transição horrenda, que me deixou desconfortável na minha própria pele. Naquela época, tudo doía com mais intensidade, não só por complexos e por inseguranças da idade, mas por medo do futuro que acreditei que não teria.

 

Resumidamente, Stripped é um álbum 100% otimista e empoderador.

 

Vídeos hospedados no YouTube e podem sair do ar a qualquer momento

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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Acho que eu vou ter que ouvir o álbum :)

  • heyrandomgirl

    Essas duas músicas (e os clipes) me deixaram em choque, porque estava acostumada com as poses de boa moça, daí sambei Hahahahahahha. Qdo era teen, tinha um amor alucinado pela Brit, até ela me dar uma marretada no RIR. Aguilera é amorzinho, mas ainda escuto as duas, então [e a Mandy Moore) Hahahahahahha

    Beautiful é maravilhosa <3

    Beijosss!

  • Olha, eu não sou lá mto do pop, nunca gostei desta canção Dirrty, sempre detestei o clipe ( assim como odeio Slave 4 you, da Britney), mas sempre achei a Christina uma cantora excepcional, carismática, talentosíssima. Só por este disco ter Beautiful, eu a aplaudo de pé, quem nunca cantou esta música de olhos fechados, sentindo-a sair lá do âmago? Rsrsrs Bjus, prima!