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16/jan

Por causa do milagre chamado Linstead, tive que acalmar minhas emoções para não comprometer a resenha. Como não canso de dizer, meu foco sempre será trama acima do romance, e as coisas esta semana em Chicago P.D. acarretou um interesse reverso. Afinal, todo mundo queria saber se Erin e Jay finalmente se beijariam. Aposto que metade do público nem deu atenção para a história que foi estressante e frustrante.

 

Quando digo que a trama foi estressante e frustrante não é no sentido negativo, mas por ter sido composta por mensagens e por situações que combateram os valores e os princípios de Erin. Houve muitos momentos incríveis com base na experiência da personagem na força-tarefa e digo com propriedade que eles foram ofuscados devido à expectativa Linstead.  Isso é bom e ruim, porque CPD não é só shipper.

 

Como fã, entendo completamente a ansiedade de finalmente ver um shipper sair do porto. Foi uma felicidade tremenda, mas jamais darei prioridade a Linstead, sendo que a fórmula de sucesso de CPD é 100% creditada ao trabalho que rola por detrás das câmeras e ao elenco regular. Sim, sou chata!

 

A transição para a força-tarefa poderia muito bem se passar de teaser para um spin-off que facilmente chamaria de Chicago Força-Tarefa. Foi muito estranho ver a equipe da Unidade de Inteligência nas sombras. Não gostei da folga dada ao time de Voight, que também estava em clima de transição, aos lamentos por Erin ter saído. Entendo que seria impossível envolvê-los em outro caso devido à necessidade de uni-los a Lindsay – ela ainda está na série e era preciso incluí-la. Porém, fiquei meio infeliz de ver essa galera “de lado”, na soleira do Lang.

 

O ponto positivo do destaque a força-tarefa, é que tivemos a oportunidade não só de conhecer um novo espaço que deu novos ares ao episódio, bem como novos instrumentos de trabalho e modos de operação. Itens que não se comparam em nada as artimanhas dos detetives de Voight para combater o crime. Incluído a isso, houve um breve resumo da hierarquia de trabalho – quem manda em quem –, um ponto que não fez a nossa querida Lindsay muito feliz. Não foi nada bacana vê-la barrada por Lang várias vezes, fato.

 

O caso desta semana colocou Erin no centro das atenções, uma boa sacada, já que a situação que uniu força-tarefa e Inteligência não prendeu tanto como de costume. Por mais que tenha envolvido um famoso e poderoso cartel, o atrito entre as novas pessoas que passaram a rodear a personagem se destacou, de maneira que ela sentisse na pele o peso da transição – a começar por Kylie, a testemunha desacreditada.

 

O nervosismo de Lindsay nesse novo universo foi o que deixou a trama estressante e frustrante, especialmente por mostrar que esse job não se compara em nada ao que ela fazia na Inteligência. Vê-la duelar consigo mesma, com suas prioridades, seus instintos e sua intuição trouxe a tensão que Mendoza não acarretou.

 

A experiência de Erin

 

Quando Erin recebeu a proposta de migrar para a força-tarefa pela primeira vez, o que ela escutou foi resumidamente isso: uma chance de remover o rótulo de Voight’s Girl. Dei apoio, e continuo a apoiá-la, até mesmo se ela retornar para a Inteligência.

 

Sob comando de Lang, Erin deu de cara com um ambiente de trabalho atípico, sem aroma de café fresco, nem a voz rouca do Voight e nem o sorriso afável de Halstead. Ela não contou com palavras de ânimo quando Kylie desapareceu, algo que aconteceria se estivesse na Inteligência. Ela também não escutou palavras gentis, só cutucões ao seu estilo de trabalho e a sua forma de investigar. A personagem transitou crente que seu modo de operação e de abordagem eram corretos e justos, mas se viu na dúvida quando Lang, meio que indiretamente, a forçou a se questionar sobre tudo isso. O maravilhoso é que Lindsay aprendeu a duras penas a ser muito leal ao que acredita, e foi assim que sobreviveu ao 1º dia de trabalho.

 

Vale frisar que, no começo do episódio, achei awesome ver a tensão dela sobre o novo avanço na carreira. Foi pertinente mostrar que essa mulher, sempre tão durona, também sente medo e receio sobre quem realmente é, o que faz e o que fará. A cena do banheiro foi maravilhosa e realçou o conflito interno que quase a engoliu. Pouco a pouco, a personagem se viu nadando em uma camada grossa de tensão devido a crise de ser como é e não pelo caso que se desenrolava.

 

De fato, ser uma Federal não é o mesmo que ser uma Detetive. Tem mais glamour e é fácil ser ludibriado pelos revólveres de alto calibre e pela sala com ar-condicionado. Erin viu isso de pertinho e Lang não disfarçou em nenhum momento o quanto é delicioso ser o que é. Uma realidade que deixou a personagem claramente infeliz. Simplesmente porque ela é humilde.

 

Erin lidou com atitudes, comportamentos e palavras que não fizeram parte do seu período na Inteligência. Como mesma definiu, sua família. Na companhia de Lang, a personagem viu hostilidade, arrogância e superioridade. Lindsay veio de um antro em que trabalho em conjunto é prioridade. Bem como a parceria e o cuidado na hora de lidar com testemunhas/informantes.

 

Lang cospe em tudo sem dó.

 

O agente é merecedor de críticas, mas me absterei disso, pois essa personalidade dele não é novidade. Basta assistir Homeland (e outras séries do mesmo gênero, como Graceland) para aprender que sempre haverá uma figuraça de nariz empinado, que dá vontade de arremessar a cabeça na privada. Ele é apenas mais um numa pilha enorme de personagens que acha que liderar lhe dá o direito de brincar de Deus.

 

Kylie, a informante, foi a ponte desse conflito Erin vs. Lang, e ressaltou as diferenças na hora de tratar um caso. De um lado, vimos uma mulher compassiva, que escuta, que não ignora detalhes por mais imbecis que possam ser. Contra isso, vimos Lang, o racional, o cético, o calculista. Aquele tipo de homem que se contenta com uma coletiva de imprensa e que não esconde o prazer do fato da pessoa que ajudou a dissolver o caso não ganhar nem um tostão pelos seus serviços. Essa cena me deixou tão nervosa que quis arranhar a cara desse moço.

 

Houve muitas coisas que Erin teve que engolir a seco e que serviram para engatar um novo norte profissional. A sacada brilhante é que tudo que aconteceu com ela resgatou o conceito de Chicago P.D., um lembrete de que a série pertence ao time de Inteligência, e não a força-tarefa. Ao longo de duas temporadas, esta série ensinou muito sobre valores, e Erin os adotou e não conseguiu aplicá-los em um ambiente mais gelado que o castelo da Elsa de Frozen. No fim, ela foi fiel a tudo que aprendeu e a si mesma, mesmo abrindo mão de alguns luxos (como seu revólver). O desenrolar dessa aventura destacou que sentir é um acréscimo.

 

Acho totalmente compreensível ela retroceder e pensar que esse job pode não ser uma boa escolha no final das contas. A transição trouxe uma reflexão mais sobre si que ao caso. Uma reflexão bem justa já que não consigo ver a possibilidade da força-tarefa ir adiante. Foi legal acompanhar o trabalho, a cena de abertura, que mostrou a invasão, foi muito bem alinhada e destacou como agentes atuam. Porém, não dá para dar foco a uma personagem e deixar os demais para trás. Erin é tudo de bom, mas CPD não é só ela.

 

A invisível Unidade de Inteligência

Os atritos da força-tarefa também se estenderam ao Voight. Uma tensão na cadeia de comando. Lang não hesitou em dizer que a Unidade trabalha para ele enquanto Hank, com toda certeza absoluta, diria que trabalha com a força-tarefa. Deveriam ter incluído a gaiola nesse plot, fato! Adoraria ver Lang surtar com isso (sendo que ele ficou todo boladinho com o tapão que o Rei deu na face de um dos associados ao Mendoza). O que se aprendeu é que os Federais são treinados com leite com pera e a Unidade de Inteligência com churrasco na laje.

 

Vibrei muito com os paralelos entre força-tarefa e Inteligência, escancarando como ambos são diferentes na hora de lidar com um caso. Foi incrível o realce dos modos de operação de cada lado (e foi uma delícia ver que Erin estava certíssima sobre o fato de Kylie ter se tornado uma vítima e não uma vira-casaca).

 

A zoeira de Atwater, do Ruzek e até de Roman me mataram. As expressões de desprezo de Lang para certos comportamentos foram impagáveis. A galera da laje botou ordem no barraco com apenas um insight e concluiu a perseguição de Mendoza.

 

Nada como botar a mão na farofa, certo?

 

Bônus: Linstead

 

Linstead me golpeou quando Jay foi acusado de matar Lonnie. O que aconteceu no 1×06 mexeu comigo, claro, mas foi apenas o pontapé de algo que ficou por muito tempo descrito como “impossível de acontecer”. Foi nesse episódio que ambos se enxergaram além do trabalho. Enxergaram-se de verdade pela primeira vez, assim como todos que acompanham a série. Fiquei mexida, mas Erin me deixou na defensiva. Quando o ocorrido com Lonnie veio à tona, recebi o meu tiro em poucos segundos. Segundos em que Halstead para no meio do caminho e a escuta, e Lindsay estende um cartão em sinal de preocupação. Esse gesto, pequeno e breve, me fez ver que o importar era recíproco.

 

Incluo a isso a forma como ele sempre a olhou, com seus olhos de céu (créditos a mama da minha Twin), parecendo um adolescente, vide foto acima. Toda vez que isso acontece, consigo escutar o suspiro. Linstead me ganhou nisso e em muito mais, especialmente porque amo o cara gostar primeiro da moça. É bom sair do clichê.

 

Vale lembrar que nunca houve intenção de fazê-los se envolver. Ao longo de 1 ano, ambos tiveram a chance de se conhecer, de solidificar uma amizade, de dividir a confiança ao ponto de segredarem assuntos até mesmo sobre o trabalho. Ele contou para ela sobre o pen drive do Jin e ela contou para ele a oferta da força-tarefa. Tudo antes do Voight. A cumplicidade deles inspirou minha torcida por um viés romântico. Não confio em namoricos que surgem do nada, tipo Burzek (que tem meu amém, mas jamais faria protesto com hashtag).

 

No caso de Jay e Erin, houve cuidado. Um desenvolvimento que cativou pouco a pouco, uma tortura deliciosa e agonizante. Esse desespero se deveu em grande parte porque esses personagens não estavam predestinados a ter o que aconteceu neste episódio. Quem acompanhou CPD desde o começo, sabe que o “Maybe One Day” era o mesmo que “Never”, já que muitos dos envolvidos com a série nunca escondeu a preferência por Linseride. Obrigada mundo por mostrar que Linstead é vida!

 

O que mais me encantou ao longo dessa jornada Linstead foi o comportamento do Jay. Ele respeitou todos os limites até ver a oportunidade de ouro. Um tiro que foi muito bem dado. Não sei vocês, mas o detetive é a ponta que sente mais. Ele nunca escondeu o interesse e o ciúme, por mais que se obrigasse a ser comedido por insistência dela e pela Lei Voight. Erin sempre foi muito impassível e ele muito transparente sobre seus sentimentos.

 

Sendo assim, concluo que Erin será a ponta que precisará de um desenvolvimento para que Jay seja correspondido. Seria perfeito demais os dois se gostarem logo de cara (que não façam isso, please!). Lindsay não tem boas experiências com o sexo oposto e, por mais que Halstead seja uma graça, já vejo uma nova barragem.

 

Agora, teremos que esperar para ver o que acontece. Com certeza, não será nem um pouco fácil Linstead engatar algo mais sério. Até porque é quase um fato que Erin retornará para a Inteligência, ou o cargo dela teria sido ocupado pela Burgess. Vejo Erin extremamente confusa, até porque o único homem que a ama (e que também ama) verdadeiramente é o Voight (não no estilo romântico, óbvio).

 

Queria falar mais sobre os motivos da minha pessoa amar tanto esses dois (quem sabe um post, hum?). Estou ansiosa para espiar o dia seguinte. Só consigo sentir neste momento. Aqueles sorrisos cúmplices me mataram e não superarei pelo resto da minha vida. Linstead, como não amar!

 

Os outros plots

 

Burgess rendeu boas risadas, mas não mais que Platt. A Sargento me fez feliz ao trabalhar na companhia de Roman. Meu sonho era vê-la em ação. Tomara que se repita mais vezes. Gente, e aquele boné? Não é à toa que ela é namorada do Mouch. Ambos nem precisam do Esquadrão da Moda, tão cheios de personalidade.

 

Deixo aqui meus parabéns para a Burgess. Sim, ela tinha que recusar a proposta de Voight, fim da história! Voltei a sentir firmeza na personagem, que negou a empreitada por não se sentir preparada e por Roman. Como disse na resenha passada, essa iniciativa do Rei foi muito obra de caridade. Ficaria enfurecida se ela tivesse aceitado. Hora de voltar ao plano inicial, Burgess: ralar muito e ingressar na Inteligência como uma rainha.

 

Concluindo…

 

Este episódio foi um total game-changing. Inclusive, cheio de novas experiências. Burgess continuará no mesmo lugar, com o benefício de um relacionamento esclarecido. Erin deixou em aberto se voltará a trabalhar com Lang. Linstead escalará uma tremenda montanha. Tudo foi questão de transição e de oportunidades.

Stefs
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