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13/jan

Há muitas coisas que me inspiram e uma delas é o movimento I AM THAT GIRL. Durante muito, muito tempo, procurei um tipo de organização da qual me identificasse ao ponto de querer representá-la. Ao ponto de querer falar sobre ela toda hora e de querer contribuir de certa forma. IATG é tudo o que preciso e precisei nos últimos tempos, especialmente no que condiz a uma tentativa linda de inspirar o sexo feminino.

 

I AM THAT GIRL (em tradução literal: eu sou aquela garota) é uma comunidade e um movimento que inspira garotas, diariamente, a amar, a expressar e ser quem elas são. Alexis Jones, fundadora, afirmou em entrevista ao jornal da Universidade de Westlake (da qual se graduou em 2001) que o pontapé do que viria a ser o IATG floresceu devido à necessidade de mudar o mundo, uma pessoa de cada vez.

 

A organização em si começou a ser projetada depois de participar da peça Os Monólogos da Vagina, história assinada por Eve Ensler. Foi ali que Jones percebeu o quão apaixonada era por storytelling, especialmente por ter ficado aborrecida em saber as atrocidades que o sexo feminino sofre. Isso a fez refletir e chegar à conclusão de que poderia acordar todos os dias e lutar contra isso.

 

Qual mulher não quer lutar a favor do próprio sexo?

 

I AM THAT GIRL

 

Jones resume I AM THAT GIRL como um movimento que tem o intuito de nos lembrarmos da preciosidade, da fragilidade, do poder e da reverência que a mulher merece. A fundadora defende a crença de que revoluções começam com um pequeno pensamento, mas o veículo da mudança são as pessoas que o abraçam e contribuem para torná-lo realidade.

 

A parte (de muitas) maravilhosa é que essa comunidade permite que garotas de qualquer parte do mundo se engajem, tanto online quanto offline. Por meio dos Local Chapters (Capítulos Locais), grupos femininos se organizam para propagar a mensagem de IATG. Por meio do blog, colaboradoras de todas as idades dão dicas de motivação ou falam de experiências pessoais que as salvaram.

 

De todas as coisas das quais me faz insanamente apaixonada pelo movimento é o empenho de tornar as dúvidas sobre si mesmo em amor próprio. Além disso, de pontuar que aquela garota é a versão melhor de cada uma, não importa a idade, a etnia, a classe social ou a religião. Acima de tudo, o IATG existe para aquelas que querem se sentir confortáveis na própria pele, que falam a verdade, que vê o melhor nos outros e que tem uma mente linda.

 

Além disso, fazer a inteligência o “novo sexy”, inspirar contribuição acima do consumo e colaboração acima da competição.  Isso é incrível para qualquer adolescente!

 

Bellism

 

Esse é um conceito que Jones aprendeu no ensino médio e que é aplicado no movimento IATG. Uma palavra que busca: definição de beleza, construção de uma comunidade poderosa para garotas e inspiração para dar autenticidade e confiança às mulheres, em qualquer lugar. Há também a determinação de celebrar o homem que ama e apoia a mulher, um detalhe que o site abriu portas a fim de fazer o sexo masculino se engajar na causa.

 

A missão real de Bellism é inspirar confiança autêntica nas garotas de um jeito que elas não só se amem e se aceitem, mas que se apoiem e não compitam entre si.

 

“Acho que, quando você investe em pessoas e em indivíduos, especificamente, isso permite que você veja o lado mais bonito do por quê estamos aqui” — Alexis Jones

 

I AM THAT GIRL se tornou o movimento mais próximo do meu coração. Acredito que comunidades como essa deveriam existir a cada esquina. Estamos em um século um tanto quanto trágico, meio desesperançoso para muitas adolescentes que deixam de se amar com mais facilidade em comparação ao tempo em que passei por essa fase. É importante que ideias assim nasçam todos os dias, a fim de ser um espaço para mulheres celebrarem quem são. IATG inspira garotas a ser uma versão melhor de si mesmas.

 

Minha adolescência nos anos 90 nunca deixou tão claro como agora o quanto as meninas jovens são afligidas com a falta de autoconfiança e de autoestima. Muitas não gostam do que veem quando estão diante do espelho e se escondem. Como sempre digo por aqui, a adolescência é a fase mais difícil das nossas vidas, a transição do jovem para o adulto, um salto que tende a ser complicadíssimo para uma garota. Inclusive, é a fase em que todas as escolhas definirão quem você será no futuro. É fato que, a cada década, as adolescentes mudam o jeito de “sobreviverem” a esse período que pode ser traumatizante.

 

Não hesito em dizer que o século 21 e as facilidades que veio com ele tornou esse pensamento de não pertencer mais atormentador. Em parte, por causa da internet que, no pacote, trouxe as redes sociais, um espaço que poucos conseguem dosar respeito e boa convivência, já que denegrir o outro é uma espécie de modo de operação. Todo mundo está propenso a isso, não só A jovem, como O jovem, e o homem adulto e a mulher adulta. O adolescente é tão frágil quanto uma criança e, às vezes, não tem suporte para lidar com a pressão. Uma pressão que gira em torno do conflito, do medo e do complexo. Tudo isso acarreta marcas permanentes que rebatem na vida adulta.

 

I AM THAT GIRL promove a reconquista de si mesma. Como está escrito no site: “todos os dias, garotas são bombardeadas com mensagens de ataque que afirmam o que ela NÃO É e nós trabalhamos todos os dias para fazê-la amar quem ELA É”. E isso tem funcionado satisfatoriamente por mais de 5 anos.

 

Tenho certeza que amaria contar com uma comunidade como IATG aos 15 anos, o meu período das trevas. Adoraria ter acesso a um material que me motivasse. Quando digo que a adolescência é mais difícil para as meninas é a mais pura verdade. De uma hora para outra, os complexos surgem motivados essencialmente pela aparência. Não é crime se cuidar, o problema está em se tornar escrava ao ponto de achar que só isso basta para os outros a amarem. Sendo que não é. Garotas não deveriam ter vergonha de serem o que realmente são.

 

“Eu acho que você precisa saber o motivo de fazer o que faz, porque o momento em que você esquece ou se perde do caminho, você está acabado” — Alexis Jones

 

Estou em uma fase da vida em que minha identificação maior com I AM THAT GIRL vem da necessidade de tentar inspirar as pessoas. Especialmente garotas. De tentar ajudá-las de alguma forma. Nunca saberei se isso de fato acontece, mas, desde o último ano para cá, sinto que é isso que tenho que fazer. Não há nada mais gratificante de saber que você é um exemplo para alguém. No meu caso, para minha irmã, que, com certeza, precisaria dessa comunidade de garotas quando estava na adolescência.

 

Acredito que toda pessoa que viveu essa fase do jeito complicado, conturbado e deu a volta por cima deveria se dar de exemplo para a nova geração que está mais perdida do que nunca. Não importa o quanto. Vale o lembrete: você nunca sabe quem inspira.

 

Jones fez um pensamento seu propósito. O que importa para a fundadora é tocar as pessoas. Nem que seja uma. E eu acho isso bárbaro. Ela é muito esclarecida sobre seus objetivos. Para mim, é isso que torna IATG muito verdadeiro. Se é uma coisa que me irrita é alguém se empenhar em algo para aproveitar a onda ou porque fulano também faz. Tenho um grande problema com coisas criadas sem sentimento e toda vez que acesso I AM THAT GIRL sou banhada com muito amor. A equipe envolvida ama o que faz (e elas amam, viu?).

 

I AM THAT GIRL ensina que garotas podem ir longe. Que elas são o bastante para traçar o próprio caminho. Que elas são lindas e especiais. Acima de tudo, ensina a comunhão do mesmo sexo.

 

Prepara que rolará muito sobre esse movimento aqui no Random Girl.

 

Acesse (em inglês): I AM THAT GIRL.

Foto via: Envolve Publishing

Stefs
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