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20/jan

E o Help, Escritor! está de volta, aê! – quanto ponto de exclamação, mas isso representa minha alegria porque adoro muito escrever esta coluna. Rebobinando, já postei sobre Outline, Prewriting e o Processo de Brainstorming. Considerando o hiatus do blog, acho que deu tempo para vocês brincarem de rabiscar vários papéis para sentir o drama, certo? Certo!

 

Lembrando que o norte atual desta coluna segue as dicas de Karen Wiesner, autora do livro First Draft in 30 Days (Primeiro Manuscrito em 30 Dias). Isso não significa que usarei todos os tópicos, já que abuso dos mais pertinentes (mas vocês podem dar sugestões se quiserem).

 

Hoje, falarei daquele momento que muitos escritores se divertem/se estressam: o esboço dos personagens. Como sempre friso por aqui, há pessoas que pulam essa parte por simplesmente não precisarem dela, algo que aconteceu comigo. Simplesmente, não consegui refletir sobre cada cidadão e cidadã que existiria (e que agora existe) no We Project. Eles ganharam forma conforme escrevia. Talvez, quando chegar à fase de releitura + edição, eu faça esse outline em específico. Afinal, tenho planos de mudar até o fundo da cor dos olhos da protagonista.

 

Se você quer conhecer a fundo os próprios personagens, especialmente o/a protagonista, a regra principal é: pesquisa. Sim, chegamos naquela outra parte tensa em que você gastará horas e mais horas no Google à procura de respostas. Essa é a palavra que nunca sairá de moda na vida de quem escreve. Independente do gênero.

 

Esse é um assunto que, me desculpem, acho besta. Calma, calma! Digo isso por causa das minhas zapeadas constantes em alguns grupos – o que me deixa com vontade de arrancar meus olhos. Não sabia que a arrogância de certos cidadãos se estende até a escolha de um bendito nome. Em outras palavras, se você escolhe Paul, você é um escritor fraco. Se você escolhe ASDGAS, você é um arraso de escritor. Please (revirando os olhos)!

 

Brequem aí e vamos conversar sobre isso!

 

Nomes difíceis são facilmente esquecíveis, a não ser que o personagem seja o absurdo do incrível. Caso contrário, você pode criar uma criptografia em cima do nome do cidadão, o leitor não dará a mínima se ele não for interessante. Muitos têm essa neura de que nomes difíceis são mais criativos e ousados que os comuns. Pode até ser, mas se o escritor se sente mais confortável com nomes simples, não há porque sentir vergonha/receio disso. Isso não afetará em nada se os personagens forem bem construídos, bem como o plot.

 

O que defendo é: qualquer nome é válido desde que o escritor se identifique com ele. Nada mais lamentável que você batizar o protagonista com um nome difícil por achar que essa decisão lhe garantirá 10% de sucesso. Jogando sujo, você, pessoa que lê este post, quando cria personagens, coloca filhos no mundo. Você é o pai/mãe dessa galera. Então, quais nomes lhe são de afinidade? Aqueles que realmente gosta? Que bate no fundo do âmago ao ponto de lhe fazer suspirar?

 

No meu ponto de vista, isso é o mais importante.

 

Exemplo para confortá-los: Rowling (minha referência de sucesso para tudo) escolheu a dedo cada nome da saga Harry Potter. Por se tratar de um livro de fantasia, esse é o mínimo que se espera. Afinal, há uma mitologia e os nomes precisam ter certa mágica. Malfoy tem a ver com dragão, que tem a ver com o principal material da varinha do personagem. Isso é perfeito, mas requereu muita pesquisa.

 

Porém, nada disso a impediu de escolher nomes comuns. Gente, HARRY! O protagonista se chama HARRY! Um dos nomes mais populares, repetitivos e grudentos do Reino Unido! Praticamente como AMY. Vejam: Ronald, Molly, Lily, James, Arthur, Narcissa…

 

Ela apenas associou personalidade + nome, partindo do simples.

 

E, lembrem-se, Rowling fez isso na época em que a internet não era essa maravilha do mundo. Agora, quem tem a bênção de criar nomes exóticos como Tolkien, por exemplo, VÁ EM FRENTE E ME ORGULHE!

 

Retirado do Tumblr

 

Voltando à sanidade, muitos escritores novatos acham que precisam de nomes em mandarim, como se isso fizesse a diferença, mas não é bem assim. Você pode usar o nome que quiser desde que se sinta confortável com ele. Desde que seu personagem flua com esse nome.

 

Quando digo fluir, é porque tive um probleminha de nome com um dos personagens, no primeiro manuscrito do WP. Acho que contei aqui no blog, não lembro. O protagonista se chamava Kaleb, um dos meus nomes favoritos para homens. O conflito nasceu quando li Divergente (o irmão da Tris tem esse nome, só que com C). Ok, não tem nada a ver Stefs com Veronica Roth, mas me senti desconfortável. Parecia que estava furtando o personagem, sendo que batizei o meu antes de ler o livro em questão.

 

Esse pensamento me empacou, porque o plot do meu antigo Kaleb deixou de fluir. Não deveria me importar, ainda mais quando dezenas de vilões se chamam Peter, mas fiz a alteração. Resultado: ganhei um novo personagem e uma storyline totalmente diferente.

 

Admito: não tenho talento para inventar nomes mirabolantes, mas defendo a ideia de nomes pronunciáveis. Jogos Vorazes tem a Katniss, mas Divergente tem a Beatrice. Por mais que muitos não considerem Crepúsculo como referência, Isabella e Edward são nomes simples e básicos, que ninguém, até mesmo o hater assíduo, esquecerá.

 

Há pessoas que têm o feeling para criar nomes que não pertencem aos 100 mais dados para bebês. Isso não quer dizer que sua criatividade é péssima. Lembrem-se que HARRY é apenas HARRY. Ele mesmo disso isso em A Pedra Filosofal e foi o menino que acabou com a guerra bruxa.

 

Faça sempre o que acha certo. Não vá pela onda dos outros.

 

Fazer um esboço dos personagens é um acréscimo ao outline. É uma folhinha a mais. Começá-lo é simples: minha pessoa escreveu todos os nomes dos personagens no Excel e comecei a lançar tudo que me vinha à mente sobre ele ou ela. Há quem indique as famosas entrevistas, com perguntas-chave, para se aprofundar um pouco mais, especialmente no quesito personalidade. Escreva tudo, até a coisa mais boba do universo – como amar chocolate.

 

Personagens são pessoas, tendem a ser gente como a gente. Dobby, maior exemplo.

 

O que coloquei na minha planilha (abandonada para sempre) do Excel: nome, idade, família, traumas, relações pessoais, características físicas mais marcantes, hábitos, etc.. Funcionou até certo tempo, pois me desliguei disso e segui o compasso da escrita. Se o gênero é que nem Jogos Vorazes, por exemplo, você pode criar uma nova aba para moldar o tipo de governo, algo que também fiz (e que consegui manter, só que no papel).

 

Outras questões que podem ser inclusas na hora de explorar o personagem são: profissão, medos, senso de humor, ambições, complexos, como os outros personagens o vê, etc.. De início, o mais importante é esboçar nome, aparência, passado e motivação por causa do plot.

 

Wiesner dá os seguintes insights para explorar as facetas dos personagens:

 

Descrição física: idade, cor dos olhos e do cabelo (e o tipo de corte), altura, tom da pele e estilo (considerando o período em que a história se desenrola). Isso também inclui falhas físicas, anormalidades ou desabilidades.

 

Traços da personalidade: aqui é a parte que perguntas são necessárias. Quais são os pontos fortes? As fraquezas? Tem vício e hobbies? Que tipo de entretenimento ou comida ela ou ele gosta? Como lida em momentos de pressão? Temperamento? E assim por diante…

 

Background: o passado é o que define, especialmente, o personagem principal e a problemática do plot. Parentes, amigos, eventos que aconteceram e como isso o/a mudou. A infância foi boa? Onde cresceu? Quais são as grandes vitórias e erros? Quais são os objetivos?

 

Conflitos internos: reflexão sobre ações, julgamentos e erros. O que o/a faz inseguro/a em determinados momentos? Qual é o maior conflito? Esse é o momento de trabalhar a complexidade do personagem principal, como ele se sente, detalhes que influenciarão na trajetória dele/dela.

 

Conflitos externos: reflexão sobre aquilo que impede o/a protagonista de atingir suas metas. Acidentes, perdas… As reviravoltas. Aqui nascem os motivos para simpatizar com o/a personagem para que os leitores continuem a acompanhá-lo/a até o final do livro. Inclusive, o encadeamento da trama. É hora de criar motivos para deixar o/a protagonista humanizado/a, apesar de todo o caos que enfrentará.

 

Ocupação e educação: trabalho, situação financeira, como o personagem chegou até onde está.

 

Quem leu Harry Potter e Jogos Vorazes, por exemplo, deve ter notado que a descrição dos personagens é extremamente limitada. Você só sabe, no máximo, três coisas sobre eles:

 

– Harry tem olhos verdes, cabelos negros e bagunçados, e uma cicatriz na testa. O primeiro sinaliza a mãe, o segundo o pai e o terceiro a história. Os Potter têm um papel tremendo na vida emocional dele e a cicatriz é a problemática, a causa do plot central ligado ao Voldemort.

 

– Katniss usa trança, tem o broche de Tordo, tem arco e flecha e mora no Distrito 12. Os dois primeiros são detalhes que a representam. O segundo é a habilidade de sobrevivência, e ao mesmo tempo o ponto fraco. O terceiro é o viés da história.

 

A maioria dos livros atuais de fantasia/distopia poupa nas descrições. Não porque o autor estava com preguiça, mas porque o editor, no mínimo, mandou cortar o que é gordo. Então, na hora de bolar o escopo dos personagens, economize nas descrições físicas. Ainda mais se seu livro for voltado para o público jovem. Ninguém se lembrará do sapato alto, do colar de ouro, do chapéu ou da unha pintada de vermelho, mas sim aquilo que os simboliza.

 

No caso dos exemplos acima: uma cicatriz em forma de raio e um Tordo.

 

Na próxima coluna, pretendo ajudá-los um pouco mais nesse quesito, ok? Deixem seus comentários, caso tenham alguma dúvida ou sugestão. <3

Stefs
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