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26/jan

Esta semana, o livro Orgulho e Preconceito da Jane Austen faz aniversário. Quem está feliz, mande um abraço virtual! Obviamente que o Random Girl trará alguns posts temáticos, a começar pela resenha desse livro maravilhoso chamado O Diário Secreto de Lizzie Bennet – um tema que se dividirá em dois por conta da websérie.

 

Quem assina este livro é Bernie Su e Kate Rorick, dois nomes envolvidos com a websérie, e que ajudaram a alimentar as caraminholas de Hank Green (o irmão do John Green) quando essa ideia veio à tona. Atitude que deu aval a uma nova adaptação de Orgulho e Preconceito, só que ambientada no século 21. Isso quer dizer que os personagens usam a internet, se vestem como nós e trocam mensagens via celular. As mudanças aconteceram no enredo, uma repaginada para melhor, o que trouxe um ponto de vista fresquinho desse universo que continua a cativar muitas pessoas.

 

O melhor de tudo: sem desrespeitar a essência de cada personagem de Austen.

 

A Lizzie Bennet do século 21 vive com as duas irmãs, Jane e Lydia, e tem como melhor amiga Charlotte. A mãe está desesperada para casar as filhas e o pai mantém a poker face. Familiar, não? Sim, mas as diferenças não demoram a pipocar na narrativa: a protagonista está finalizando sua pós-graduação em comunicação de massa e busca um objeto de estudo para sua tese. Dessa necessidade, nascem os vídeos em formato diário, a websérie de 100 episódios (e um pouquinho mais por causa dos bônus e dos spin-offs), que se transformaram nesse livro.

 

O Diário Secreto de Lizzie Bennet percorre os acontecimentos narrados em vídeo. Porém, não é um copia e cola, pois os relatos são, claro, como um diário, só que no papel. Há uma reapresentação do que aconteceu na websérie, porém, há o acréscimo de outros detalhes. Alguns sórdidos, como um babado quente da Jane, e outros amorosos, como o momento em que Lizzie começou a se apaixonar por William Darcy. O livro traz novidades que garantem aquele choque e aquele pensamento automático: mas isso não estava na websérie!

 

Lizzie reconta tudo em um diário rotineiro, com observações sobre a vida amorosa de Jane, as investidas profissionais da melhor amiga Charlotte, as loucuras de Lydia, a insanidade da mãe, a amabilidade do pai e o desprezo por Darcy. Há poucas transcrições do trabalho em vídeo. O tempo linear traz uma personagem divertida e é meio impossível não ler e ouvir a voz da Ashley Clements, a atriz que a representa. Algo que também acontece com os outros personagens que falam como nos vídeos. Mr. Collins me matou de tanto rir!

 

A personagem é totalmente distante da versão que estamos acostumados a ver ou ler. Ela é gente como a gente, mas mantém os pensamentos idealistas e o comportamento defensor característicos da personagem de Austen. Ela é cabeça dura, acha que está certa na maior parte do tempo, e quebra a cara incontáveis vezes. Por ser relatado no ponto de vista dela, muitas coisas são aprofundadas, especialmente sobre o que quer da vida. Lizzie é uma mulher de 24 anos, que sente na pele o peso de ainda não ser bem-sucedida, um detalhe que me identifiquei logo no primeiro vídeo da websérie.

 

No livro, se nota que a personagem moderna tem mais amplitude em comparação à clássica. Porém, ambas se identificam nos princípios de casar por amor e da necessidade de ser uma mulher de opinião. Uma das coisas fenomenais dessa modernização de Orgulho e Preconceito é a forma como as personagens desejam mais independência a um viés amoroso. Até mesmo Jane, a mais fraca das Bennet, que termina priorizando o lado profissional, deixando à mercê do Bing acompanhá-la ou não. Sem dúvidas, é a melhor coisa que fizeram com essa adaptação. Até mesmo com a Lydia.

 

 

Essa Lizzie do século 21 acarreta identificação automática. Ela tem sonhos e metas que vão além de falar mal do Darcy (e depois se apaixonar por ele). A parte dos sonhos foi a que mais me identifiquei, pois a personagem fica fora de si quando vê a melhor amiga ou uma das irmãs irem contra ao que almejam – o que não necessariamente tem a ver com um cara. No livro, dá para sentir mais o quanto a personagem é ranzinza e o incrível é vê-la mudar incontáveis vezes devido a uma sequência de erros que assiste ou acarreta.

 

A Lizzie do século 19 e a do século 21 se distanciam por questões de época. Afinal, vivemos em um mundo em que a mulher luta mais para ter uma independência profissional e financeira a casar e ter filhos. No caso do universo de O Diário Secreto de Lizzie Bennet, relacionamentos estão em segundo plano, algo que a Elizabeth Bennet de 1813 adoraria assistir.

 

Tanto na websérie como no livro há uma demora a se habituar a esses personagens modernizados. Sabemos quem eles são, o que fazem e como terminam, mas o mesmo não acontece em O Diário Secreto de Lizzie Bennet. Houve mudanças bem pertinentes em algumas storylines, tal como da Lydia, o que fortaleceu essa necessidade de tornar essa adaptação de Orgulho e Preconceito uma ode ao papel da mulher. O mesmo vale para os relacionamentos, pois alguns foram alterados, como o caso de Ricky e Charlotte. De novo, a essência de cada um deles foi preservada, embora o plot tenha sido repaginado.

 

O livro aprofunda a websérie sob os olhos de Lizzie, especialmente o relacionamento com Darcy, que é bem raso nos vídeos. Outras partes muito legais são os encontros com a Catherine De Bourgh e detalhes da permanência dela em Pemberley na companhia de Darcy e de Gigi. O que me fez morrer de amor foi o Sr. Bennet, que tem mais espaço, e foi fácil se apaixonar por ele de novo e querer conhecer sua coleção de trens.

 

Foi triste abandonar O Diário Secreto de Lizzie Bennet. Cada página que virava, doía no meu coração, pois não queria que o livro terminasse. Ainda estou apaixonada! Ainda não consegui me desprender! Darcy e Lizzie ainda ocupam meus pensamentos.

 

Não tenham dúvidas que esse livro entrará para a fila de releituras. Virou mimo de prateleira!

 

PS: Para aqueles que acompanharam a websérie, subam pelas paredes, pois há a carta que o Darcy escreveu para Lizzie na íntegra. Soltei um gritinho quando cheguei nessa parte.Que tal assistir The Lizzie Bennet Diaries, hum? A resenha da websérie rola esta semana!

 

 

Na Prateleira 

Título: O Diário Secreto de Lizzie Bennet
Autor: Bernie Su e Kate Rorick
Páginas: 364
Editora: Verus

Stefs
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