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13/fev

Briguem comigo! Esta resenha era para ter rolado na semana de aniversário de Orgulho e Preconceito, mas a vida me fez de otária. O que importa é que estou aqui para esbanjar amor por essa websérie linda chamada The Lizzie Bennet Diaries. Cheguei a comentar sobre o livro aqui no Random Girl e nada mais sensato que contar para vocês como tudo começou.

 

The Lizzie Bennet Diaries foi lançada em 2012. Desenvolvida e produzida por Hank Green (sim, o irmão do John Green) e Bernie Su, a websérie é uma adaptação contemporânea de Orgulho e Preconceito. A premissa segue o compasso de momentos-chave dessa obra clássica de Austen, tudo em formato vlog! Isso deu ao projeto ares joviais, capazes de atrair um adolescente que nunca ligou para esse romance.

 

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro com uma grande fortuna deve estar à procura de uma esposa”.

 

Logicamente, o assunto que dá pontapé ao vlog é o desespero da Sra. Bennet em casar as filhas. A frase clássica é apresentada por uma Lizzie Bennet muito distante da que vimos na pele de Keira Knightley. Ela é uma adulta comum, nerd, endividada, com 24 anos, que mora com os pais e que tenta concluir a pós-graduação em comunicação de massa. A personagem do século 21 abraça essa ideia de diário em vídeo, na companhia da melhor amiga Charlotte, por ser um projeto de tese, cujo objetivo é abordar a vida dela (e a mãe maluca que quer arrumar um homem rico para cada Bennet).

 

Porém, isso ganha proporções gigantescas, como se fosse mesmo o insight de uma menina que, no tédio, decide virar vloguer. Conforme faz os vídeos, ela ganha popularidade e se torna uma sensação online. Muito comum hoje em dia, não?

 

Lizzie foi repaginada para ser uma personagem de fácil identificação. Uma garota comum que teve a ideia de fazer um vlog que, magicamente, dá certo. Os relatos dela em vídeo são concluídos em 100 episódios, de 3 a 5 minutos. Um pouco mais ao incluir os spin-offs, que não podem ser pulados de forma alguma por ser complementares ao diário online da Lizzie, e o quadro de perguntas e respostas. Dá para matar no final de semana, por favor!

 

A principal sacada de The Lizzie Bennet Diaries é que o nome dos personagens mais marcantes da obra de Austen é preservado, mas todos ganham um estilo de vida diferente, especialmente as garotas que não terminam como nos livros – em partes.

 

O que foi alterado (spoiler free)

 

A websérie é ambientada na Califórnia. Como disse, nos tempos atuais. Muitos dos principais plots do livro migraram para o vlog, mas foram repaginados. Essa Lizzie tem duas irmãs, Lydia e Jane, não 5 como no romance de Austen. Ricky Collins é um empresário em ascensão, George Wickham é tutor de natação, Bing é estudante de medicina e Darcy é dono de uma empresa de mídia chamada Pemberley. Todos que movimentam o enredo de Orgulho e Preconceito estão presentes no diário online da Lizzie.

 

O formidável é que todas as storylines sofreram um upgrade e se adaptam a nossa realidade. Isso é o bastante para não arredar os olhos dos vídeos. Até porque o cast é fofo demais!

 

Da mesma forma que a mãe é um dos focos por querer casar as filhas, a chegada de Bing na cidade também compõe o enredo. Essencialmente, The Lizzie Bennet Diaries traz a história de Austen em relatos sob o ponto de vista de uma Lizzie contemporânea. Ela narra a chegada do crush da Jane, bem como o quão perfeita é Caroline Bing, e o quanto Darcy é um insuportável. Porém, como se fossem, literalmente, páginas de um diário.

 

O incrível é que o vlog transmite essa sensação de realismo, não sendo apenas um recontar de Orgulho e Preconceito. Por ter se expandido para Twitter, Pinterest e Tumblr, tudo ganhou mais veracidade. Em meio à rotina universitária, assistimos uma Lizzie Bennet desabafar um clássico como se fosse a sua vida pessoal com entusiasmo, conversando com o público-alvo, de forma interativa.

 

O que mais me surpreendeu (spoiler free)

 

A storyline da Lydia. Não curto a personagem, em nenhuma versão. Aquele jeito atacado dela me deixa de cara à la Lizzie Bennet. Admito que tive meus momentos com ela no desenrolar da websérie, mas a Mary Kate, atriz que a interpreta, é tão amor que superei a birra. Essa Bennet é a que mais muda no desenrolar da história modernizada para vlog enquanto Lizzie permanece basicamente a mesma. Ela é a única que passa por altos e baixos que a fazem transitar da filha caçula baladeira, cheia de vida, para uma menina apática por causa do romance com Wickham. Achei sensacional como esse plot termina.

 

E, antes que perguntem, essa Lydia tem 21 anos e não 15.

 

Outra coisa que amei demais é o teatro dos personagens, o meio para Lizzie inserir/envolve /apresentar os outros que nem sonham com a existência do vlog. Ela usa Jane ou Charlotte para interpretar a mãe, Darcy, Bing, etc., algo que muda conforme o decorrer dos episódios. Isso quebra a monotonia da narrativa, pois a personagem está sempre trancada no quarto narrando seu dia. Essa ideia dá uma animada tremenda.

 

O que mais, mais, mais, mais amei em The Lizzie Bennet Diaries foi a não “vitimização” da mulher. Nenhuma Bennet é uma porta. Todas têm poder de decisão, até sobre a mãe. Além delas, está Charlotte, que se destaca por ter pulso firme sobre o que deseja, com uma storyline totalmente diferente do livro. Achei tão genial quanto à história modernizada da Lydia. Green e Su conseguiram algo incrível: não fazer a mulher depender do homem, independente do amor que sente por ele. Girl Power!

 

A websérie trata com respeito à figura feminina, o real foco dessa modernização. Há sim um desvio do romance, a essência de Orgulho e Preconceito, mas isso não afeta em nada. Bing e Darcy estão na história, a diferença é que Jane e Lizzie são tragadas pela própria vida, em diferentes aspectos, tais como carreira. Bernie afirmou que o intuito era mesmo fazer dessas personagens fortes e independentes. Ideias transmitidas com sucesso. É muito claro que o objetivo desse projeto foi trazer para o cerne dos relatos situações e problemas de uma mulher no século 21. Isso quer dizer que tudo não é necessariamente sobre casamento.

 

A Elizabeth Bennet de Green e Su não é menos feminista que a Elizabeth Bennet de Austen. Ambas ainda possuem os mesmos ideais como pessoa e como mulher. The Lizzie Bennet Diaries traz mulheres que se preocupam com coisas diferentes e cabe a Lizzie expor uma opinião, que nem sempre é das melhores, no vlog. Por mais que seja a perspectiva da personagem, vemos as outras ganhar forma com base nas decisões que priorizam acima do romance. Acho que só os pais das Bennet continuaram como são, hein?

 

E, gente, Darcy é um hipster que usa boina de jornaleiro e gravata borboleta. Como não amá-lo até no século 21?

 

Os spin-offs

 

Como disse, não é permitido, em hipótese alguma, pular os spin-offs. Eles acompanham o vlog da Lizzie, mais precisamente quando ela viaja, ou seja, sai do quarto. Tem o diário da Lydia, uma tentativa da irmã de Charlotte ser web celebrity (achei terrível!). Fiquei apaixonada pelo “vlog” da empresa Pemberley que, na verdade, é um vídeo tutorial sobre um programa chamado Domino que serve para explorar os pontos de vista de Darcy e de Gigi no decorrer dos acontecimentos que se seguem com Lydia e Wickham.

 

De novo: não tem como pulá-los, pois um complementa o outro. Há playlists do YouTube que os incluem na sequência, o que não deixará ninguém perdido.

 

Concluindo

 

Ashley Clements merece todos os prêmios e aplausos por ter representado Lizzie Bennet. Ela é incrível, em todos os sentidos.

 

Se é uma coisa que lamento muito é não ter acompanhado The Lizzie Bennet Diaries na época em que foi lançado, pois a narrativa se expandiu e se tornou multiplataforma. E eu adoro isso e dou amém por não terem deletado as contas dos personagens das redes sociais! O vlog conseguiu ter seu próprio fandom, com direito há surtos para saber em que momento Darcy apareceria nos vídeos.

 

Mesmo fora de época, como morri de ansiedade para ver o rosto desse cidadão.

 

The Lizzie Bennet Diaries foi muito aclamada e conquistou o Emmy em 2013 como programa interativo original, o que reconheceu a efetividade desse realismo. Sem dúvidas, é uma das melhores adaptações já feitas inspiradas em Orgulho e Preconceito.

 

PS: depois de verem a série, não se esqueçam do livro – O Diário Secreto de Lizzie Bennet, que conta com mais detalhes os acontecimentos por detrás das câmeras (como a carta do Darcy).

 

Quel tal começar? (E não pulem os spin-offs!)

 

Stefs
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  • Fernanda Rodrigues

    Estou lendo o livro e vendo o vídeo. Intercalo de vez em qdo. Adorei essa Lydia. Sensacionalmente engraçada! Esse George é lindo d+! O Darcy é mais ou menos. Tô na metade dos vídeos, e foi bom cair aqui n o blog e saber que existem mais coisas no canal deles – estou vendo em outro que possui legenda. Como fã da Jane, estou amando!

  • heyrandomgirl

    Uma pena que é curtinho mesmo e nem tem o DVD aqui :( Às vezes, é uma tristeza ser brasileira hahahahaahah Pelo menos, o livro veio, então, temos que torcer para que o da Lydia venha tbm.

    Eu acompanhei uma websérie da Mary Kate, que nem é uma websérie. Ela faz uns vídeos bem legais, até fez um curtinho do livro Fangirl da Rainbow +_+ Foi minha morte! Ashley maravilhosa, ficarei de olho! Lizzie preferida junto com a Keira, sem dúvidas! <3333

  • Thuany Ramella

    Muito amor por essa web série, gente! ♥
    A adaptação ficou demais e o elenco é perfeito! Não tem como não gostar deles e não se divertir com as imitações hahahahaha
    Pena que é curtinho, em dois dias você consegue assistir tudo e depois fica com aquele gostinho de quero mais!! ;/

    Comecei a acompanhar o trabalho da Ashley depois que vi TLBD, ela é sensacional! Keira e ela são as minhas Lizzies do coração :))