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27/fev

Título: O Meu Eu Mágico
Shipper: Cath/Levi
Gênero: Declaração de Amor
Sinopse: short fic declaratória inspirada no universo do livro Fangirl, assinado por Rainbow Rowell. Faz muito tempo que não escrevo nada fora de Harry Potter, então, aviso aos navegantes que estou 100% sem prática para pensar em algo além dos Marotos (mentira porque penso no Levi toda vez que olho para o Eddie, ou seja, todo dia). Quem me encorajou a pagar este mico foi, óbvio, minha Person, que alimentou um parasita.

 

 

Tudo começou assim.

 

– Você é mágico.

 

Seus olhos sorriram.

 

– Escolho você no lugar de todo mundo.

 

E aquelas três palavras saíram cuspidas dos meus lábios.

 

Foi uma declaração. Espontânea. Mágica. Indolor. De duas pessoas aparentemente opostas que parece que se uniram graças às varinhas gêmeas do Harry Potter e do Lord Voldemort (pensemos que o Você-Sabe-Quem é uma pessoa adorável, ok?).

 

Um dos mistérios do meu universo, e que você desvendou, foi: como ser encontrada por alguém que te ama, primeiramente, pela sua mente?

 

Encontrada. Uma palavra que soa depressiva e frustrante. Como ficar sentada no banco da universidade à espera de um milagre. Mas, veja bem, nunca saí do quarto para fazer algo diferente. Algo que pudesse me fazer ser encontrada.

 

Até você me encontrar.

 

Foi incontrolável. Mágico. Aleatório. Nem deu tempo para pisar no freio.

 

A verdade é que: nunca acreditei em mágica. Minha costumeira verdade universal. Na minha mente, tudo é conquistado com muita luta e muito desgaste físico. Mas você simplesmente estava empacado na porta do “meu” quarto e eu, besta, o deixei entrar.

 

Mas, antes disso, tinha uma descrença nas pessoas e no mundo que me fez procurar rotas de fuga. Livros empoeirados e com lombadas gastas na biblioteca da escola. Filmes batidos de comédia romântica que passavam em um horário ofensivo na televisão. Personagens que me compreendiam e que me atraíam para o mundo acolhedor deles.

 

Mundos melhores em comparação ao meu agridoce diário.

 

Mundos mágicos.

 

Sem querer, passei a acreditar em mágica. Mas naquele tipo que tem como único objetivo manter alguém vivo.

 

Automaticamente, sem ao menos controlar, criei uma fantasia confortável, segura. Que nada se comparava a minha realidade conturbada, vivida junto com a minha irmã e meu pai.

 

Meu caminho da infância até os primórdios da vida adulta faria Alice sentir inveja. Um trajeto cheio de buracos, lombadas, freadas bruscas, sinais vermelhos persistentes e pessoas que carregavam nem que fosse um estilete para atacar qualquer parte do meu corpo. Um percurso que me fez criar uma redoma aconchegante e confortável que ganhou força com a fantasia e com um letreiro em neon escrito: não se aproxime, pessoa não mágica.

 

O resultado: me tornei uma pessoa apavorada. Sem tanto controle dos meus sentimentos.

 

Mágica e fantasia sempre foram meus nortes de vida. Sempre foi uma tarefa complicada despregar meu coração desses dois itens. Ainda não despreguei, como bem sabe. Afinal, esses dois itens me embalaram e continuam a me embalar. Sempre foi irresistível não se afundar em mais e mais universos fantasiosos, e se apaixonar por mais e mais personagens irreais. Tudo isso me salvou, mas não amenizou meu pavor a certas coisas.

 

E a certas pessoas. Ou… Todas.

 

Mágica e fantasia viraram meus sinônimos de amor e de agonia. Sentimentos que geraram incontáveis indagações – como posso viver em mundos mágicos? Como posso incluir a fantasia no meu convívio? Como ter esses personagens na minha rotina? Como poderia reforçar minha redoma, onde ninguém, nem mesmo a vida, poderia me tirar do eixo?

 

Fanfiction. A resposta que sugou meus medos e meus anseios. Que silenciou o ruído de pensamentos e de pessoas desagradáveis. Que acalentou meus dias, bons e ruins. Que me trouxe – e ainda traz – alegria e desespero, especialmente quando não havia nada a não ser um abajur, um edredom, um pacote de bolacha e um capítulo para ser finalizado.

 

Até você chegar.

 

Lembra-se quando lhe disse que você era mágico? Pois bem, é a mais pura verdade.

 

Foi naquele dia, na cozinha, com aquele cheiro impregnante de ovos. Deselegante para os padrões românticos que costumo escrever barra pensar. Naquele momento, debatíamos mais um capítulo da minha insegurança. E você me calou. O intervalo entre palavras, o silêncio que tanto me incomoda, atiçou algo dentro de mim.

 

A língua ardeu, queimando, a mente borbulhando sentenças incoerentes em busca de uma que pudesse perfeitamente defini-lo.

 

Mágico. A palavra que deslizou pela minha língua, doce, agradável. Um sinal de reconhecimento. Um sinal de que você agora faz parte da mágica intrínseca a mim e que duvidei demais com o passar dos anos. Até realmente crer que magia existia. E não precisei de um Hagrid para isso.

 

Quando você me disse que escolheria a mim acima de qualquer pessoa, o estampido do feitiço me arrematou. O que poderia fazer a não ser dar a minha redoma mais uma nuance mágica?

 

Mágica sempre foi meu apoio para praticamente tudo. Um impulso que me levou a conhecer novas pessoas, descobrir novos mundos e moldar esse meu amor pela escrita. Um percurso que sempre me norteou a querer por mais e mais dessa magia, implorando para que nunca acabasse, especialmente ao achar que as histórias que se passavam na minha cabeça, ou as que escrevia, deveriam viver sempre nas reticências – leia-se: viver para sempre.

 

Quis viver mergulhada em um pote mágico. Porém, nunca me dera conta de que uma fatia essencial de mim estava em falta. No caso, ter alguém mágico para compartilhar a minha magia. Amigas fazem isso, claro, mas um companheiro, com O mesmo, era algo que jamais acreditei que teria. Um companheiro que me entendesse. Que se entregasse as minhas ditas loucuras. Que me esperaria terminar um capítulo sem achar isso uma bobagem.

 

Que ouviria minhas histórias sem me desestimular.

 

Então que você começou a me amar pela minha mente.

 

Nem por todos os feitiços de Simon o consideraria a pessoa ideal para ingressar no meu mundo secreto. Afinal, passei parte da minha vida tendo uma vida dual – até que continuo a ter, mas você tem um jeito de me tirar da toca porque é isso que você faz. Quando nos encontramos pela primeira vez, pensei, por horas, que poderiam virar meses, como um cara, com essa estúpida camisa xadrez e com esse sorriso ridículo que vai até os olhos, poderia dar atenção a uma pessoa que muitos chamariam de “coitadinha solitária e sem amigos”.

 

Buhu!

 

Não é fácil encontrar pessoas que entendam a sua mágica. Umas permanecem quando a compreendem e se empenham em agregá-la de certa forma as suas vidas. Outros escapam, por não serem mágicos o bastante para entender que certas partes da vida é muito mais que luxúria. Nessa última opção, imaginei que você fosse esse tipo de pessoa. Reagan me fez julgá-lo, verdade seja dita. À primeira vista, você era um baladeiro, rato de academia, que só comia proteína, e pegador. Por essa e entre outras que seu interesse por mim foi assustador.

 

Não é fácil compartilhar um segredo… Meio bobo. Mas você entendeu. E, então, o vi trincar a redoma que me protegia essencialmente de pessoas que jamais entenderiam o que eu fazia. Ou que entenderiam o que queria para minha vida – que é escrever até morrer. Isso, sem considerar a Wren, minha primeira pedra de apoio.

 

Sempre tive a impressão de que aqueles que sabiam o que fazia – é impossível não ter essa paranoia, ainda mais quando você começa a cancelar qualquer compromisso para escrever –, me achavam meio deprimente e solitária. Sim, sou louca por gostar tanto de algo ao ponto de querer tatuar na própria pele. Sim, tive minha fase deprimente e foram muitos personagens que me salvaram. Sim, sou solitária, porque escrever é um trabalho solitário. Mas não são todas as pessoas que entendem isso sem contestar com um julgamento típico.

 

E eu tinha certeza que você era dessas pessoas com um julgamento típico.

 

Em um dos capítulos da minha vida, tentei impressionar os outros pelas coisas que fazia. Não deu certo. Por isso mesmo que passei a me perguntar: como alguém me amaria primeiro pela minha mente? Sempre tive essa ideia, e ainda tenho, de que um cara para gostar de mim deve me amar primeiro pelas coisas que faço. Pelas minhas causas. Pelo meu trabalho. Depois disso, ele tem permissão para olhar torto para minha camiseta com desenhos minimalistas do Kubrick ou com uma xícara de café imensa ou do ator que sou muito fã.

 

No fim, aprendi a manter meus interesses e tentei me convencer de que sou ideal. Não abandonei minha mágica. Ainda mais quando a mágica me fazia, e ainda me faz, uma pessoa mil vezes melhor.

 

Sabe aqueles filmes de comédia romântica em que uma garota espera uma mensagem do além? Pois bem… Sempre acreditei piamente que seria encontrada por causa da minha presença online. É mais fácil que me encarar pessoalmente.

 

Mas lá estava você na porta do quarto. Tornando tudo intimista. Tão intimista que queria correr para as colinas.

 

Você lerá este texto sozinho. Não me empertigarei em seus braços para lê-lo enquanto seus lábios passeiam pelo meu pescoço (golpe baixíssimo, diga-se de passagem). Dessa vez, falo de alguém real, não de um personagem. Falo de uma pessoa mágica, ou seja, você.

 

Não há nada que possa descrever quando duas pessoas se encontram e as mágicas são correspondentes. Sem manual de feitiço. Sem necessidade de prática. A pessoa entende você por você. A pessoa quer fazer parte da sua vida por simplesmente entender como sua mágica funciona. Seria esse o conceito de almas gêmeas?

 

Levi, você é mágica pura e genuína. Inacreditável e imbatível. Até com cheiro de Starbucks.

 

Você é mágico e eu o escolho acima de qualquer pessoa.

 

O Meu Eu Mágico, postado em 27 de fevereiro de 2015 por Magicath, autora do FanFixx.net.

 

N/A: Mais conhecida por você como Cather.

Stefs
Postado por:       

       
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Chorei com esse comentário, tchau!

  • Mônica Oliveira

    Você é muito Cath, cara <3333