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23/fev

Rainbow Rowell é uma escritora muito querida. Muito, muito querida. Por isso mesmo que ela contará com um especial no decorrer desta semana por causa do seu aniversário. Nada mais sensato que começar com uma apresentação básica, tanto para quem conhece pouco quanto para quem não a conhece. Ou para quem quer conhecer mais.

 

Nascida em 24 de fevereiro, Rowell tinha feeling para a escrita desde a adolescência. Seus neurônios funcionavam com mais vigor para criar enredos. Não que ela não fosse boa em outras coisas, mas desenvolver histórias sempre foi seu ponto forte. Na escola, chamou a atenção dos professores por causa das suas produções textuais e não demorou muito para participar do típico jornalzinho do ensino médio. Isso a inspirou a engatar a formação em jornalismo. Anos mais tarde e já graduada, a autora foi colunista por 10 anos e chegou a trabalhar na área de publicidade e propaganda – uma de suas especializações.

 

Essa vida agitada de autora best-seller ainda é muito recente. Considerando o seu debut, em 2011, nem faz 4 anos que Rowell ganhou o mundo literário. Ela só foi pensar em escrever algo original entre os 20 e 30 anos. E, quando começou, não se deu nem um pingo de descanso.

 

Anexos é o primogênito, mas quem lhe abriu portas foi Eleanor & Park, lançado em 2013. Não apenas por motivos de ter sido um best-seller, mas por ter deixado pais furiosos com as condições de vida de Eleanor e a boca suja dos protagonistas. O livro acabou sendo visto como obsceno e o barraco só aumentou quando a desconvidaram para uma feira literária.

 

Nos calcanhares de Eleanor & Park, veio Fangirl, que começou a ser escrito no NaNoWrimo, em 2011. Em 2014, Ligações chegou às prateleiras, o último livro até então, que será lançado aqui no Brasil no mês que vem pela editora Novo Século.

 

O interessante da escrita da Rainbow é a fuga da mesmice. Ela tem quatro livros nas prateleiras, tanto para adultos quanto para adolescentes, com assuntos diferentes. E isso é possível porque cada um tem um pouco dela:

 

Anexos: ela queria escrever uma comédia romântica, que o leitor sorrisse no decorrer de toda a leitura. Rainbow pensou em cada cena como se fosse um filme, cujo enredo se desenrola bem pertinho do bug do século. A profissão de Beth calha na fase colunista da autora.

 

Eleanor & Park: mais pessoal porque o 1986 deles foi o 1986 dela, com todas as menções culturais, como a influência do rádio, as fitas cassetes e os quadrinhos. Por mais que tenha sido alvo de críticas, Rainbow só queria que Eleanor tivesse mais que um lar conturbado, o que engatou na responsabilidade de Park dar algo bom a ela. Há problemas familiares, sensações do primeiro amor e como a música exerce uma influência tremenda na vida dos protagonistas.

 

Fangirl: representa sua vida universitária. É uma carta de amor ao fandom e à fanfiction. Cath é uma personagem que precisa sair do imaginário para o real, e vencer seu lado introvertido. A inspiração veio depois de assistir ao último Harry Potter, saga que Rainbow é 100% fã. E há o fato dela ter escrito fanfics – que diz a lenda que não foram publicadas porque não havia ninguém que as lesse.

 

Ligações: fala sobre atritos no casamento e na possibilidade de recuperar o amor que está prestes a se perder. Enquanto um é mais ocupado, o outro sofre com a ausência. Basicamente, a vida de Rainbow como escritora e a do marido que cuida dos filhos.

 

Cada livro traz uma parte ou uma experiência da vida de Rainbow. Assim que foi publicada, ela passou a encarar essa profissão como um risco constante. Não no sentido negativo, mas no pretexto de ser desafiador. Ela escreve sobre os mais variados temas e não há aquela impressão chata de ler a mesma coisa do mesmo autor, só com uma capa diferente. Cada um deles atrai fãs específicos que podem muito bem amar um mais que o outro.

 

A causa principal que faz Rainbow escrever enredos diversos veio de um conselho da editora dela: você não precisa escrever livros que todo mundo gosta. Ter uma carreira de escritora é sobre encontrar as suas pessoas, aquelas que especificamente irão apreciá-la. Isso casou com a meta dela em escrever para fazer com que as pessoas se apaixonem. E acredito piamente que isso tem a ver com vivências anteriores. Ninguém amará Fangirl tanto como uma ficwriter, por exemplo. Uma mulher que passa por problemas de casamento pode amar mais Ligações a Anexos, os livros adultos de Rowell.

 

Parafraseando-a: se os leitores são jovens e nunca se apaixonaram, quero que saibam como isso funciona. E se eles são adultos e se apaixonaram, quero que sintam isso como um senso de memória.

 

As emoções em cada livro de Rowell são verdadeiras. Dá para sentir em cada virada de página. E isso só é possível porque ela sente que seu trabalho é realista. Porque ela respira histórias de amor e condena os filmes de comédia romântica que vendem um romance impossível. E eu concordo plenamente! Amor não é apenas olhar para um cara e dar um suspiro. É um duelo que começa consigo mesmo e, de algum modo, se expande e atinge a pessoa de seu interesse.

 

Rainbow acredita em tudo que escreve e a recompensa é quando escuta que um livro tocou um fã. Tocar pessoas é o que a impulsiona. Isso só é possível também porque os personagens são palpáveis e tangíveis. Reais. Como se existissem Beths, Caths, Lincolns, Levis, Parks e Eleanors na nossa vizinhança. Algo que é totalmente possível. A autora escreve com foco em assuntos cotidianos e, mesmo assim, dá realismo a esses conflitos e a esses personagens.

 

O ponto-chave dos livros de Rowell é identificação. Algo muito fácil, especialmente por serem narrados em 3ª pessoa (um serviço mais complicado com livros em 1ª). Ela não é uma escritora de um único gênero ou de um tipo de público. Ela se empenha e se dedica nessa transição entre universo adolescente e adulto. Como disse, cada título tem um pouco dela, o que faz de suas histórias distintas entre si, mas honestas.

 

Tão honestas que, na época do boom de Eleanor & Park, uma das perguntas mais recorrentes era sobre Park ser surreal. O que, automaticamente, rebate nos seus outros personagens masculinos, sempre tão sensíveis e compreensíveis com as mulheres de seu interesse. Ao pensar em Park, a autora não queria apenas um garoto interessado na cultura pop, mas que fosse capaz de sentir. Essa capacidade de um garoto sentir fez muitos críticos colocarem os meninos de Rowell como uma fantasia. Uma utopia.

 

Afinal, as circunstâncias dos personagens podem ser condizentes, mas os meninos não.

 

A autora os defende com unhas e dentes, de novo, por causa das suas experiências. Ela não considera Park uma fantasia. Um “garoto ideal” para cativar leitoras. Rowell acredita que um garoto como Lincoln, Levi e ele poderia pensar tudo aquilo escrito nos livros com relação a uma garota. Os exemplos: o marido e os irmãos que inspiraram seus maravilhosos personagens masculinos.

 

Rainbow sendo Rainbow é fangirl sendo fangirl. Quem a segue no Twitter sabe que ela tem dedos descontrolados, especialmente quando o assunto é Harry Potter ou Sherlock. A autora ama HQs, algo que a cativou na adolescência por causa de um vizinho. O pai dela era um grande fã também, mas guardava todas as revistinhas para os irmãos. Quando começou a ganhar um dinheirinho, adivinha o que ela fez? Acertou quem disse que comprou os dela.

 

Ela também faz playlists para seus livros, inspirou o primeiro Clube do Livro no Tumblr – que nasceu junto com Fangirl. Como já é de praxe, os direitos de Eleanor & Park foram comprados pela DreamWorks e Rainbow ficou responsável pelo roteiro. Recentemente, em entrevista para a revista Time, ela afirmou que tinha terminado o 1º rascunho e que estava sob análise.

 

E suas histórias de amor fizeram parte do livro O Presente do meu Querido Amor, lançado ano passado pela Editora Intrínseca.

 

Rainbow vive em Nebraska, é casada e tem dois filhos. Ela escreve para adolescentes e para adultos, cujos temas sempre envolvem experiências pessoais. Ela é atenciosa com os fãs (acho que ela não me aguenta mais falando do Levi) e não tem receio de expor suas opiniões online.

 

E a saga dela no mundo literário não termina em Ligações: em outubro deste ano, contaremos com Carry On, spin-off de Fangirl inspirado nas aventuras de Simon Snow, no gênero fantasia.

 

Não despreguem do Random Girl, pois haverá mais posts sobre Rainbow Rowell.

 

Visitem o site: Rainbow Rowell

 

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Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Fangirl como a gente <3

  • Mamma

    Você foi uma das primeiras que trouxe para o culto, vem gente! <3

  • Thuany Ramella

    Esse negócio de inspirar as pessoas ainda irá nos levar além! HAHAHAHHAHA Apenas adaptando ao nosso universo Random Girl :))
    Sou fã de pessoas que dispõe de seu tempo para inspirar outras pessoas, sejam elas conhecidas ou não. (aka minha mammy *-*)
    Li apenas um livro dela, Eleanor e Park, que foi presente da minha Metade mais linda, também conhecida como Mariana Barros, e foi amor na primeira página. Ela cumpriu seu objetivo de me fazer lembrar dos meus amores (nem foram tantos, ok? hahah) e principalmente, de como me senti quando percebi que havia me apaixonado pelo meu namorado. Foi lindo e muito bom, de verdade.

    Que ela continue a nos inspirar e a nos fazer se sentir tão bem com seus personagens e suas histórias!
    :)

  • Mônica Oliveira

    Rainbow é gente como a gente! <3