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19/fev

Em setembro vai rolar aqui no Random Girl um especial muito querido, que está sendo preparado com muito carinho, o Fear in a Handful of Dust. Serão trinta dias de posts sobre o Stephen King: resenhas de livros, filmes, séries e curiosidades diversas. Para não entrar no assunto sem preparação nenhuma e para chegarmos ao mês nove no clima certo, até lá vou preparar alguns posts de introdução, começando por este.

 

Então, quem é esse senhor que é tão importante para a literatura contemporânea, mas que poucas pessoas realmente conhecem?

 

Nascido dia 21 de Setembro de 1947 em Portland, Maine, nos Estados Unidos, Stephen Edwin King descobriu ainda criança que queria ganhar a vida escrevendo. Em On Writing, um livro sobre a arte de escrever, ele fala bem por cima sobre sua infância e adolescência e como seu relacionamento com a escrita evoluiu. É uma leitura indispensável pra quem gosta de escrever, e para a nossa alegria, a Editora Suma de Letras anunciou a publicação da tradução para Abril deste ano sob o título de Sobre a Escrita (se tudo der certo, a resenha estará aqui em setembro).

 

Quando eu comecei a me interessar pelo King, o que mais me chamou atenção nele foi que ele não teve uma vida fácil até conseguir publicar Carrie. Aliás, ele não tinha nada – nenhum privilégio, nenhum suporte da família, nada, – e mesmo assim continuou escrevendo, porque… Bom, por que não? Trabalhando em uma lavanderia e pouco depois conseguindo um trabalho como professor de inglês no colegial, King escrevia sem parar durante as noites e os finais de semana, eventualmente conseguindo publicar um conto ou outro em revistas masculinas.

 

Finalmente, na primavera de 1973, a editora Doubleday & Co aceitou publicar o livro sobre a adolescente com poderes telecinéticos que sofria bullying na escola. Dali em diante, King passou a fazer o que sempre quis: escrever e ganhar dinheiro por isso.

 

Em janeiro de 1971, ele casou com a Tabitha, a fonte inesgotável de suporte e apoio que vem o ajudando desde então. Eles devem ter sido aquele casal fofinho de nerds da faculdade: se conheceram na biblioteca da universidade e continuam juntos até hoje. A Tabitha é quem manteve o King no chão e na linha durante todo o tempo. Desde tirar os primeiros rabiscos de Carrie do lixo e devolver ao dono, falando para ele continuar a escrever, até brigar com ele até hoje se não levar o lixo para fora, ela acreditou no talento do marido desde o princípio, e juntos criaram um ambiente normal e saudável para formar uma família.

 

O casal teve três filhos – Naomi, Joe e Owen – e quatro netos. Dentre todos eles, a própria Tabitha, o Joe, o Owen e a esposa, Kelly, também são escritores.

 

A maioria das histórias do King se passa em Derry, uma cidade fictícia do Maine, e nem todas são de terror. Inclusive, depois de alguns anos lendo as obras dele, você começa a se perguntar quais delas são realmente de terror. Para mim, ele escreve sobre a condição humana ante as mais variadas situações. Mesmo O Apanhador de Sonhos, onde alienígenas são os monstros, considerado bem trash por muitas pessoas – principalmente por causa do filme –, ele trabalha muito bem a relação entre os amigos que protagonizam a história. Relações de amizade também são bem desenvolvidas entre as crianças de It e entre os ka-tets de Torre Negra. Impossível não se deixar envolver e não se sentir parte de um desses grupos.

 

Outra face do espectro de sentimentos que King gosta de usar é o amor: adolescente, de recém-casados, de casais que estão juntos há muito tempo. Em Saco de Ossos, o protagonista passa quatro anos sem sequer pensar em outras mulheres depois da morte de sua esposa; em Love, Lisey é obrigada a encarar uma dura realidade sobre o falecido marido quando começa a limpar o escritório dele.

 

Ano passado foi lançado o filme A Good Marriage, adaptação de uma história do King com roteiro feito pelo próprio, que conta a história de um casal que acaba de completar 25 anos de casamento quando a mulher descobre que o marido é um serial killer. Na época de lançamento do filme (foi lançado em outubro, direto em DVD e no iTunes), King deu algumas entrevistas dizendo que mesmo depois de muitos anos de casamento, a maioria das pessoas não conhece totalmente seus parceiros. O que, vamos admitir, é verdade e pode ser uma coisa assustadora.

 

A noveleta que deu origem ao filme vai receber o nome de Um Bom Casamento, e fará parte da coletânea de histórias Escuridão Total Sem Estrelas (tradução de Full Dark, No Stars, a ser lançada em abril também pela Suma). Os dois maiores exemplos de histórias que não tem nem um pingo de terror nelas são À Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade, que muitas pessoas não acreditam terem sido escritas pela mesma pessoa que escreveu Cujo e Cemitério Maldito.

 

Um acontecimento muito importante na vida do King, que afetou toda a sua obra e, de certa forma, mudou sua vida, foi o acidente que ele sofreu em 19 de junho de 1999. Ele estava caminhando na rodovia quando foi atropelado por um motorista distraído em uma van. Os danos físicos foram muitos: pulmão direito colapsado, múltiplas fraturas na perna direita, laceração no escalpo e um quadril quebrado. Depois de várias cirurgias, mais de trinta dias no hospital e inúmeras horas de fisioterapia, ele não conseguia ficar em pé e mal podia se sentar sem sentir dor.

 

Deitado na cama dia e noite, ele terminou de escrever On Writing e escreveu O Apanhador de Sonhos sob o efeito de remédios para dor. O acidente em si foi reproduzido em um episódio da série Kingdom Hospital, escrita pelo King. Além disso, os livros finais da Torre Negra foram muito afetados pelo acontecido. Deprimido pela lenta recuperação e sofrendo para reencontrar inspiração, o escritor anunciou em 2002 que iria se aposentar; coisa que evidentemente – e graças a Deus! – ele não fez.

 

Em toda a sua carreira, em meio às adaptações de suas obras para filmes, séries e quadrinhos, o King atuou como ator, roteirista, diretor e produtor. Para quem gosta de Sons of Anarchy, o escritor participou do episódio Caregiver (terceiro episódio da terceira temporada) como Bachman, o mesmo nome que ele usou para publicar sete livros entre as décadas de 70 e 80. Quem gosta de Lost tem um prato cheio de referências, já que os criadores são fãs de King. O mais impressionante são as referências à Torre Negra, que é o supra sumo da obra “Kingiana”.

 

Em 2007, inclusive, foi anunciado que A Torre Negra seria adaptada pelo J.J. Abrams, mas logo depois ele mesmo se retirou do projeto. Até hoje os fãs da Torre esperam por uma adaptação da série, mas até agora não há nada além dos quadrinhos da Marvel (um trabalho absurdo de bom, por sinal). Mas a relação King – Abrams continua, a dupla está produzindo uma minissérie que vai adaptar 11/22/63 (no Brasil, Novembro de 63, lançado no final de 2013 pela Suma) e terá o James Franco como protagonista.

 

Bem antenado ao mundo pop, o King escreveu para a EW (Entertainment Weekly) durante sete anos, assinando uma coluna chamada The Pop of King e referindo a si mesmo como Uncle Stevie. Fofura maior não há! Como se não bastasse, o Tio Stevie é fã de rock, tendo participado de uma banda com outros colegas escritores – os Rock Bottom Remainders, que tocaram seu último show em 2012. O King também tem uma estação de rádio no Maine chamada WKIT-FM: Stephen King’s Rock N’ Roll Station, que ouvi online enquanto escrevia esse post – e aprovei!

 

Descendente de escoceses e irlandeses, com quase dois metros de altura, olhos azuis e cabelo cinza, o King torce pro Red Sox, é fã de Harry Potter, não gosta de Halloween, é praticamente cego, foi alcoólatra e usuário de drogas, é um cara supersimples e é o meu escritor favorito.

 

Estou ansiosa para falar mais sobre ele até setembro!

Mônica
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