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24/fev

Meu personagem favorito “Rainbowniano” acredita em amor antes do amor à primeira vista, mas o que senti pela Mrs. Rainbow Rowell foi mesmo à primeira vista, uma conexão quase sobrenatural que devo agradecer ao Goodreads.

 

Goodreads expandiu totalmente meus parâmetros literários em 2012, apresentando novos gêneros e, consequentemente, novos autores, cujas vozes através de suas páginas sempre repercutiam e borbulhavam dentro de mim de alguma forma.

 

Como filha da geração Potter, encontrar uma ligação forte com algo D.H.P – Depois de Harry Potter – é uma tarefa impossível, afinal o “till the very end” é único e exclusivo para um Potterhead.

 

Nunca imaginei que alguma autora D.J.K.R – Depois de J.K. Rowling – conseguiria me enfeitiçar, porém, como não se encantar com alguém cujo nome simboliza um dos fenômenos da natureza mais belos e ímpares? Sendo chuva meu fenômeno favorito e o arco-íris nada mais do que o sol a brilhar sobre gotas de chuva, nasceria então um novo caso de amor literário, que até mesmo J.K. Rowling e seu menino bruxo compreenderiam. Afinal, traí-los sempre esteve fora de cogitação.

 

“To really be a nerd, she’d decided, you had to prefer fictional worlds to the real one.”

 

Se Boyhood mostrou a jornada de um jovem desde sua infância à adolescência, nós Potterheads criamos, cada qual a sua realidade e maneira, nosso Potterhood e a partir dele desbravamos realidades. Enfrentamos fantasmas em tempo real e encaramos longos caminhos para que, no final, toda essa experiência ajudasse a definir a pessoa que viríamos a ser, por mais que no momento não gostássemos tanto assim dela.

 

E um arco-íris entrou pela janela do meu quarto

 

Descobri sua existência em 2013 e mesmo com todo o marketing nesse mesmo ano sob Eleanor & Park, que acabara de ser lançado, resolvi começar do começo, comprando pela Amazon U.K seu livro debut Attachments (2011), recém-lançado no Brasil como Anexos, pela Editora Novo Século.

 

A escolha do livro não foi ao acaso e mesmo não tendo ido muito a fundo para descobrir detalhes sobre sua trama – gosto de manter o suspense –, a cada página virada me via representada, sentindo aquela conexão que me deixou até arrepiada.

 

Diferente da onda YA que se propagava, principalmente no Brasil naquela época – Estados Unidos já viviam a tendência a algum tempo –,  Attachments é o tipo de livro que conversa com a geração Y, a minha geração, tratando-se de uma temática mais jovem adulta/contemporânea. Acompanhamos de perto o boom da internet discada; mandávamos mais emails pessoais que profissionais durante o expediente; participávamos de fóruns de discussão de gostos em comum; e vivíamos em torno de referências culturais que marcavam àquela época. Sendo ou não uma viagem nostálgica, encontrara ali o meu livro.

 

Foi com a vinda de Rainbow Rowell, e também de Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida, que passei a deixar de me irritar com alguns livros YA que havia lido até então. Sabe porque resolvi baixar a guarda? Posso soar como “A Velha”, mas a verdade é que eles se ambientam numa realidade meio distante e mesmo trazendo algumas conexões com meu passado, destoam com o presente que batalho para formar.

 

O realismo, a identificação, a densidade de suas personagens e suas próprias paixões pela música, cinema e as diferentes formas de escrita, dentre elas o universo das fanfics, são vários dos pontos positivos de suas obras. Por mais distinto que Attachments seja de Eleanor & Park que é diferente de Fangirl e que bastante se distancia de Landline, fica nítido, seguindo ou não a cronologia correta de suas publicações, quanto de sua própria vivência conseguiu inspirar sua escrita.

 

“Eleanor was right. She never looked nice. She looked like art, and art wasn’t supposed to look nice; it was supposed to make you feel something.”

 

Como uma das mais promissoras escritoras da atualidade, mesmo que ela ainda não tenha a mesma popularidade – continue assim – do Sr. João Verde, a vida desta ex-colunista do jornal de Omaha pode hoje nunca ser aquilo que ela imaginava. Porém, para alguém que carrega este nome, Rainbow Rowell sempre esteve fadada a coisas grandiosas.

 

Uma memória por Lady Maricota

 

Anexada a minha mente, me recordo precisamente o momento que virei a última página dessa história de amor antes do amor à primeira vista chamada Attachments. Dentre trens da CPTM que passavam de um lado para o outro e uma incansável chuva pesada em junho de 2013 – imaginem vários emoticons com olhinhos em forma de coração –, me permiti chegar atrasada ao trabalho naquela época ao sentar na plataforma, deixando que Attachments acabasse comigo.Foi então que, a partir daquele momento, esse livro, hoje meu #2, nunca mais poderia ser classificado como “mais um livro que eu acabei de ler”. Lincoln e Beth, vou mandar a conta dos lencinhos Klennex pra vocês, ok?

 

“I pictured a girl who made every moment, everything she touched, and everyone around her feel lighter and sweeter.

“I pictured you,” he said. “I just didn’t know what you looked like.”

 

Propagando a palavra Rainbowniana

 

“I want everyone to meet you. You’re my favorite person of all time.”

 

Sabe aquela Testemunha de Jeová implacável, que bate de porta em porta em pleno domingo às nove da manhã propagando a palavra? Revertam essa figura a mim, porém, numa versão “propagando a palavra literária”. Aqueles que bem me conhecem sabem que minhas paixões pelos livros devem ser compartilhadas e que sou implacável na missão de fazer todos ao meu redor lerem uma das histórias que tanto amei. Sendo assim, nunca conseguiria deixar a Tia Arco-Íris presa dentro de um potinho de M&M’s. E foi aí que o movimento se espalhou, no que acredito que tenha angariado pelo menos dez convertidas ao culto do arco-íris, tendo que amigas minhas já leram um, dois ou todos os livros da Rainbow Rowell.

 

Meu mundo caiu por Maysa Rowell

 

Analogias à parte com a icônica canção da cantora e o apelido de minha terapeuta – explicarei isso logo mais –, uma entrevista em específico foi tão impactante que fiquei pelo menos uma semana refletindo a respeito dela. Algo como ler um livro ou ouvir um comentário encorajador e desejar que ele tivesse vindo até você nos seus 14 anos de idade.

 

“Things get better — hurt less — over time. If you let them.”

 

O intuito principal dessa carta aberta não é entregar detalhes da trama de nenhum dos quatro livros até hoje publicados e sim chegar a este exato momento.

 

Sua obra e a pessoa que ela representa impacta a maneira com que enxergo meu presente e principalmente meu passado. Afinal, se tem uma coisa que Rainbow foi capaz de provar é que seu passado não necessariamente precisava se repetir.

 

Como tudo acontece por um motivo, o BuzzFeed, em agosto de 2014, por meio da sua jornalista Ashley C. Ford, lançou uma entrevista com Mrs. Rowell, feita numa aconchegante livraria em Nova Iorque, aproveitando parte da ação promocional de Landline – Ligações no Brasil, será lançado em março pela Editora Novo Século –, sua mais recente publicação.

 

Intitulada de How Rainbow Rowell Turned A Bomb Into A Best-Selling Novel, a jornalista embarca numa visita ao passado difícil da autora e como tais experiências e privações a transformaram numa pessoa mais segura e livre.

 

O mundo da fantasia oferece um alívio bem-vindo em relação à realidade. Quando questionada se a criação de mundos era um mecanismo de enfrentamento, uma ferramenta de resiliência para crianças em situações ruins, Rowell leva alguns instantes para responder. Em seguida oferece, atenciosamente: eu tenho sentimentos divididos, pois há essa ideia de que crianças são resilientes, e realmente não acredito nisso. Eu penso que as crianças atravessam e fazem aquilo que necessitam para sobreviver e, então, elas meio que se transformam em bombas.

 

Então como neutralizamos a bomba?

 

Esperançosamente você chega a um lugar que lhe faça se sentir confiante, que o faça se sentir seguro e é aí que sai tudo. Ela respira fundo e diz: isso é o máximo que você pode esperar.

 

Foi esse trecho da entrevista em específico que trouxe um turbilhão de sentimentos, me fazendo viajar no túnel do tempo até minha infância, infância e até adolescência na qual vivi regada pela seguinte afirmação: Mariana, como você é forte.

 

Normalmente, as pessoas têm uma visão meio estereotipada daquilo que és, até porque, poucos, são aqueles que autorizas a conhecer além da fachada. De longe, fui uma criança forte. Fui uma criança amável, bondosa, que não sabia aprontar direito e muito menos mentir para os pais, de tamanho remorso que aquilo acionava dentro de mim.

 

Levei anos para entender que essa força que terceiros viam em mim era, na verdade, a minha resiliência, ou seja, meu mecanismo natural de me proteger das adversidades e dificuldades. Mas contrária a essa percepção translúcida, sempre soube que me transformara numa bomba relógio. Dentre tic-tacs emocionais, vivi boa parte de minha vida na impotência de não poder fazer muito para ajudar ou acalmar as constantes alterações que presenciei.

 

Por não se tratar de um problema diretamente relacionado à minha pessoa, encontrei maneiras de ser a melhor versão de mim mesma, a boa Mariana, sempre compreensiva e silenciosa, tentando sobreviver das maneiras mais criativas possíveis. Entre elas, ao encontrar na prateleira do Carrefour, um novo e companheiro amigo chamado Harry Potter.

 

Nunca gostei da palavra válvula de escape, pois na minha cabeça sempre dá uma conotação de fuga da realidade, sendo que propriamente nunca poderíamos nos desconectar. Afinal, uma hora ou outra, deveríamos lidar com tudo. O processo foi longo, árduo e muito meu, mas ainda que tenha encontrado o local que me fizesse sentir mais autoconfiança, a bomba continuava a ticar cada vez mais alto.

 

Dizem que quanto mais segura dentro de si, mais chances da explosão ser catastrófica. Ela explode em diversos pedaços de uma só vez. E foi exatamente isso que aconteceu com a Bob Esponja aqui em 2009, poucos meses depois de iniciar a terapia. Muitos ainda nutrem certo preconceito com essa prática. Não existe investimento mais humano e revelador do que sentar-se cara a cara com alguém e abrir camadas de sua mente, e principalmente de sua alma e coração, antes nunca exploradas.

 

Não pude deixar de fazer minha parte, assinado sua Person aka Stefs <3

 

“Mariana, nunca é tarde para começar algo, afinal quantos anos mesmo você tem?”

 

E foi assim que Maysa entrou em minha vida, com seus socos no estômago e reflexões acalentadas. Maysa não é o nome real de minha terapeuta, mas é dessa forma que a nomeio, pois em minha mente há alguma semelhança entre ela e a atriz que representou a cantora de MPB na minissérie da Globo, exibida inclusive no mesmo ano que iniciei minhas sessões. Como “Meu Mundo Caiu” meses depois, o apelido se tornou extremamente carinhoso, dado o impacto que esses encontros no divã teriam em minha vida durante os cinco anos nos quais habitei aquele local, que, segundo ela mesma dizia, era único e exclusivamente meu, o meu porto seguro.

 

Pode parecer superficial esse relato, mas não me vejo no direito de escancarar certas particularidades de minha vida, principalmente porque envolvem pessoas que amo, respeito e admiro incondicionalmente.

 

Falar de Rainbow Rowell sem falar do turbilhão que essa entrevista provocou em mim seria o mesmo que falar sobre Harry Potter e não agradecer J.K. Rowling por dividir seu melhor amigo com cada um de nós.

 

E aqui, só posso agradecer mais uma vez, pois em fases espaçadas de minha existência, tais universos e suas personagens trouxeram luz e significado a coisas que nunca imaginei que conseguiria compreender.

 

É com imensa gratidão que agradeço a honraria do convite feito pela Person, essa Garota Aleatória que tanto admiro e que tanto me inspira. Hoje celebramos, mesmo que a distância, o Dia do Nome de uma das nossas favoritas, essa dedicada e amada fangirl, escritora, esposa, mãe e mulher que a cada livro, tweet ou postagem em seu site, deixa seu arco-íris invadir nossa alma.

 

Feliz Aniversário Rainbow Rowell!!!!

 

Autor: Lady Maricota

Mari
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  • heyrandomgirl

    Momento da vida: vc jogou os livros praticamente na minha cara. Nunca recebi um tapa tão bonito quanto esse #pausadramatica. Nem novela da Globo consegue aprimorar o sucesso que foi esse golpe certeiro que me fez vomitar, literalmente, arco-íris.

    Comecei a lê-los no sentido oposto, e fiquei meio indecisa sobre qual me encontraria – até porque Fangirl ainda estava prestes a nascer. Mas, sem dúvidas, Anexos é meu número 2 no ranking Rainbow Rowell, justamente por ser da nossa geração, e eu recordei muitas das barbaridades, como A INTERNET ACABARÁ COM OS JORNAIS IMPRESSOS, AJUDA!

    E vc dividiu esse arco-íris conosco, porque você é Universal. Propaganda boca a boca mais bem-sucedida ever.

    E quando disse que este post estava lindo é porque estava, especialmente porque captei verdade nele. Não que vc seja falsana, alok*, mas eu vi minha Person em mais uma nuance transparente, oferecendo um pedaço dela, being brave.

    Vc me disse que ele fluiu, e eu captei isso enquanto lia. É muito insano quando algo impregna totalmente na nossa vida. É difícil isso acontecer, mas, quando acontece, não tem reversão. E eu gosto dessas coisas sem reversão, pois parte delas é o que me mantém de pé. Nos mantêm de pé. E Rainbow é parte dessas coisas sem reversão que inflam nosso coração <3

    Jamais poderia fazer esse especial sem vc, verdade seja dita! <3

  • Isis Renata

    to lindo ler, esperaí que logo amo vocês ♥

  • Mamma

    Melhor Metade comentando no meu post no blog da Melhor Pessoa. Existe coisa melhor? <3

    Acho que superficial pode ter sido a palavra errada, acho que quis dizer, meio vago, mas vendo pela otica do meu lado direito, sim, falei com liberdade no meu coração, mesmo sendo algo delicado a mim.

    O intuito desse especial texto foi justamente expor quanto amo essa escritora e quanto ela faz por mim, mesmo sem saber!

    Não vejo a hora que você leia Anexos, que btw está vindo para Dublin para se juntar com a cópia original. Tks Manoca <3