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26/fev

E chegou a minha vez de lhes dizer como o arco-íris entrou pela minha janela – parafraseando minha Person que teve o direito de dar o pontapé inicial sobre essa paixão literária, justamente porque peguei o bonde Rainbow Rowell quase saindo da estação.

 

Vocês sabem muito bem o quanto adoro falar de como conheci certas coisas, como cheguei nelas e o momento em que isso aconteceu. Momentos dóceis e mágicos. Neste caso, não foi nada romântico. Não foi amor pela capa. Não foi um insight do universo. Foi algo agressivo. Um tapa de livros bem dado. Praticamente um “pega essa, otária” dado pela minha Person.

 

2013. Um dia comum, banal e cheio de veneno saudável na casa da minha Person. Os assuntos quicaram, como sempre quicam, nas mais diversas pautas, até chegarmos a uma tal Rainbow Rowell. Em meio ao blá-blá-blá sem fim, essa cidadã joga uns livros muito coloridos na minha face, dizendo: olha P, encontrei uma escritora que escreve YA no nosso tempo. E ploft! Pega essa, otária! Nosso tempo: anos 90 feat. início da internet, com uma pegada dos anos 80. Em tradução literal, receita de Attachments e Eleanor & Park. Conheci-os na língua de origem.

 

Como uma pessoa que transborda sempre em emoções de fangirl – ainda bem que sou altamente controlada –, P começou a falar dos livros, calorosamente, e me emprestou a duplinha. Ambos me fizeram companhia na jornada ida e volta ao trabalho.

 

Rainbow às avessas

 

Se não começo algo do avesso, não sou eu, e com a Rainbow não foi diferente. Minha leitura de Harry Potter começou com Câmara Secreta, gente, percebam! No caso da Arco-Íris, o primeiro que li foi Eleanor & Park (sendo que Anexos também estava comigo e dava muito bem para eu respeitar a cronologia. Stefs não faz isso, jamais). Conforme me aprofundava nos dilemas desses dois personagens, mais entrava em desespero porque não queria que o livro acabasse. Nunca fiquei tão feliz quando, no percurso, era barrada por causa do trânsito ou de pane no metrô. Isso significava mais tempo para ler, pois, em casa, sem condições.

 

Quando terminei, me senti tão vazia. Não só por causa daquelas reticências, mas por reconhecer que havia em minhas mãos um livro realmente do meu tempo – por assim dizer, já que nasci em 86, e curti a cultura dessa década anos mais tarde. O importante é: houve reconhecimento. Uma troca. Ainda mais quando peso outros livros YA de hoje em dia. Todos têm a mesma fórmula, a mesma protagonista estereotipada, a mesma narrativa. Rainbow simplesmente trouxe uma quebra no estilo. Uma quebra em contar histórias que, de certa forma, as vivi em algum momento da minha vida. Histórias que conversam comigo.

 

Algo que aconteceu com Anexos, pois assisti ao bug do século como Lincoln e Beth. Peguei esse livro na semana seguinte, pós-luto Eleanor & Park, e demorei para terminá-lo. Para piorar, certas pessoas botaram pressão para eu ler logo (indiretas!). Nesse meio tempo, soube que Rainbow lançaria um título novo, Fangirl, e fiquei bolada.

 

Motivo: já estava apaixonada. Os direitos da Rainbow não tinham sido comprados ainda por nenhuma editora brasileira e, se eu quisesse ler Fangirl, teria que esperar cair na rede. E não tinha cartão internacional para comprá-lo. Ou seja, passei mal!

 

Enquanto passava mal, continuei muito bem acompanhada por Anexos, mais uma história cativante, na Era em que emails eram mais legais que WhatsApp, e suas conversas ficavam documentadas para lhe matar de nostalgia em algum domingo de tédio. Sempre amei emails. Até hoje os amo e me dou melhor que mil chats no Facebook.

 

Beth e Lincoln me ganharam com mais rapidez que Eleanor e Park – livro que se tornou especial mais pela cultura atrelada na trama. Ao contrário de Anexos que tem mais do meu carinho pela vivência. Mal sabia eu, a otária, o que tinha em Fangirl.

 

Depois de ter devolvido os livros para minha Person, a Editora Novo Século anunciou que publicaria os títulos aqui. Porém, no sentido reverso.

 

Mas antes de chegarmos lá, eis o que aconteceu.

 

 

A palavra segundo Fangirl

 

Não cheguei a ler a sinopse de Fangirl. Como minha Person, dificilmente faço isso. Não sei, tenho um imã para atrair coisas das quais me apaixonarei depois. Muitos dos livros que possuo na minha prateleira foram por mero insight. Fez cócegas no meu coração. No caso do 3º livro da Arco-Íris, o título foi apelativo, chamou minha atenção por motivos de… fangirl!

 

Contudo, antes mesmo de chegar perto dele, só consegui pensar em uma premissa sobre uma garota, com um fã-clube, se descabelando enquanto o namorado se mordia de ciúme.

 

Filma essa otária em nome de Jesus!

 

Como disse, nenhuma editora tinha comprado ainda os direitos de publicação dos livros da Rainbow aqui, não tinha cartão internacional, e me restou ler Fangirl na falcatrua.

 

Li o livro 3 vezes, em inglês. Meu PDF é todo marcado de amarelo.

 

Na primeira vez, engoli o livro. Na segunda, fui com mais calma, passando fome. Na terceira, já estava tão acostumada que terminei a leitura em poucos dias, saciada.

 

Foi aí que o furacão Rainbow me tirou do eixo. Enquanto achava que Anexos era o meu número um, veio o golpe baixo de nomes Cath e Levi. A história é tão pessoal que me atordoou.

 

Keep Calm and Carry On Stefs

 

Até onde me entendo por gente, nunca peguei um material sobre ficwriters que me representasse. Que representasse a minha trajetória como a garota que passava dias e noites diante da tela do computador tornando Harry e Hermione endgame, e James e Lily o melhor shipper da face da terra. Ao contrário da Cath, nunca escrevi histórias slash (entre personagens do mesmo sexo, como Simon e Baz), mas escrevi meus 50 Tons de NC-17 (para maiores de 18 anos). Até que chegou um momento em que sentei e resolvi criar uma história em universo alternativo, com foco em James Potter e Lily Evans.

 

Não queria apenas usar esses personagens de J. K. Rowling e dar-lhes um romance. Queria também dar-lhes o problema do qual vivia naquele tempo. Foi meu meio de externar a dor que sentia e jamais poderia imaginar que uma fic, com um plot meio que original (não entreguei tudo, óbvio), me curaria de certa forma.

 

Foi então que saquei que palavras e histórias são minha essência. Elas sustentam minha sanidade. Minha irmã diz que se eu não escrevesse ou tivesse um blog, já teria enlouquecido. Simplesmente porque não tenho controle das minhas emoções. Como geminiana nata, faço mil coisas ao mesmo tempo e, quando há crise, aumento a quantidade de tarefas para não ter que pensar. Enquanto algumas pessoas sabem como agirão em dado momento, eu não sei, pois posso ser 100% azeda, Elena Gilbert insuportável tirada da tomada, ou 100% Katniss Everdeen que sofre calada até o furacão me fazer vomitar tudo que estava entalado.

 

Geminianos com ascendente em Gêmeos. Mensurem.

 

Cath faz o mesmo e eu não poderia ter ficado mais lisonjeada pela Rainbow ter escrito uma personagem tão fiel, e ao mesmo tempo tão real, como se ela tivesse sido, em algum momento, minha parceira de escrita. Quando li Fangirl pela primeira vez, desacreditei. A menina que, supostamente deveria ser fã do Justin Bieber, era eu.

 

Fangirl é uma homenagem a pessoas como eu, que usaram da fanfic para expressar tanto o amor por algo quanto os próprios sentimentos. Os mesmos motivos que fazem Cath escrever são os meus. As mesmas inseguranças dela sobre escrever algo original são as minhas.

 

Quando estava nos primeiros anos da faculdade, ainda carreguei a fic de universo alternativo comigo e lia os comentários pelo celular. Finalizei com 63 capítulos. Foram 5 anos. Árduos 5 anos. Quando estava na bad, sempre algum review positivo caía no meu email, e isso até hoje acontece, depois de quase 3 anos em que foi finalizada. Gestos pequenos e aleatórios que me mostraram o que devia fazer da vida e foi o que me impulsionou a pausar tudo para escrever. Cath e eu tivemos uma vida sob disfarce que se alimentava de comentários.

 

Por mais que eu tenha spirit animals aos montes e maridos platônicos que mal cabem na minha pasta de imagens do notebook, nunca me vi tão representada em uma personagem e nunca me vi tão apaixonada por um personagem – no caso, Levi. Meu Mr. Darcy se chama Levi.

 

b>Por que você pode não entender Fangirl como eu?

 

Fangirl é uma carta de amor a fanfiction e ao fandom. Se você não vivenciou, por exemplo, o auge de Harry Potter dessa forma, você não entenderá esse livro como eu. Nunca. Jamais.

 

Fangirl é minha Bíblia. Vejo-me claramente lendo o livro no ponto de ônibus, em um acesso de loucura, que nem aqueles pastores evangélicos, sabem? E, claro, qualquer cara que quiser me conhecer terá que ler essa Bíblia. Rainbow vigiou minha vida para escrever esse plot, eu sei.

 

Eu estou dentro desse livro e é por isso que tenho tanto amor por ele. É um livro de ficwriter para ficwriter, sobre ficwriters que escrevem fanfiction. É um livro não aconselhado para mundanos (bateu o Jace de Instrumentos Mortais). Quem gosta realmente dele, assim, de um jeito desesperador como eu, é quem viveu toda essa mágica.

 

Para alguns pode até ser por motivos de Levi, mas a história é especial. É incrível para quem viveu, e de certa forma ainda vive, como eu, no mundo das fanfictions. Por isso, nem me abalo quando dizem que ele não é tão bacana quanto Eleanor & Park. Não é para ser se você nunca vivenciou o mundo das fanfics ao mesmo tempo que um fandom eclodia. Quanto mais haters, mais sobra Fangirl.

 

Além de fanfiction e do Levi, há uma problemática entre irmãs na história. E não tenho dúvidas que a minha sister é minha gêmea, só que com 8 anos de diferença. O pai delas seria a minha mãe, que nos criou por boa parte da vida sozinha (e continua). Enfim, são similaridades absurdas que ainda me chocam.

 

Retomando a publicação dos livros da Rainbow por aqui, o meu amor por esse livro é tão grande que só quem viveu assistiu minha compostura na Bienal do Livro do ano passado, em que Fangirl foi lançado pela editora Novo Século. Só eu, naquele calor do inferno, naquela desorganização, empacada em uma fila quilométrica, sem sistema para cartão de crédito, para bater o pé, decidida, a não sair dali sem o Levi.

 

Arco-Íris e seu estilo de escrita

 

Rainbow tem um feeling para escrita que muito me atrai. Isso em todos os livros – menos Landline, que será o 1º que lerei em português. Ela usa experiências pessoais para compor seus enredos. Quando escrevi a fic de 63 capítulos, era minha história que movia James Potter e Lily Evans, e eu sei o quanto isso faz bem e como faz mal. O mesmo vale para o We Project, pois todos os personagens têm partes dessa pessoa que vos escreve.

 

Rowling também fez o mesmo.

 

Essa realidade torna os personagens mais reais. Mais palpáveis. Por serem tão verdadeiros, a possibilidade de serem chamados de fantasia é brutal, como aconteceu com os garotos da Rainbow.

 

E eu gosto de pegar um livro e sentir que aquela escrita é verdadeira, ao ponto de me inspirar. Ao ponto de querer fazer algo parecido, justamente porque sou apreciadora da ideia de confortar qualquer pessoa por meio das palavras. E Rainbow fez isso ao escrever Fangirl e os outros livros. Por girarem em torno de experiências pessoais dela, o que nos deu aval de acreditar que esses personagens existem, bem como as situações que eles se encontram. Eu sou a maior prova de que garotas como Cath existem sim. E há um monte delas por aí.

 

E tenho absoluta certeza de que há Eleanors, Beths, e até mesmo Linconls, Parks e Levis. Esses garotos que ela tanto escreve são os tipos de garotos que também acredito, e são sobre eles que gosto de ler e de escrever. Sabem por quê? Porque são meninos que valorizam a mulher. Que apreciam o cérebro delas, a história delas, antes de qualquer coisa. E eu acredito nisso, piamente. Podem me achar trouxa, não ligo mesmo.

 

E, vale dizer, que minha Beth já passou por este blog. De nada!

 

Rainbow Rowell escreve para nós, sobre nós. Ela é simplista ao desenvolver uma ideia cotidiana. E funciona! A autora é original e confirma a cada livro o que já falou em incontáveis entrevistas: que escreve para fazer os leitores se apaixonarem, que escreve para tocar as pessoas, que escreve temas que lhe dão na telha. Amo autores que saem da zona de conforto. Não é à toa que a Arco-Íris escreverá um livro sobre Simon e Baz, o primeiro livro em primeira pessoa (até que se prove o contrário) e no gênero fantasia.

 

L&L and P&P – código Morse para quem manja de PLL (socorro!)

 

Minha Person estava certinha ao falar com amor sobre Rainbow Rowell. Você é Universal! Por essa e outras que agradeço a minha pessoa por ter jogado esses livros na minha face. E por essa e entre outras que ela marcou presença aqui, antes de tudo e de todos, pois não faria sentido algum eu iniciar este especial sem o prefácio dela.

 

Obrigada, P! Sem você, jamais teria conhecido Levi e por sua culpa sofro diariamente.

 

E foi assim que Rainbow me arrebatou e se tornou presença obrigatória na minha prateleira. Amém!

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Eu não me importaria nem um pouco de falar para sempre sobre Fangirl! <3

    Tentarei ler Landline em inglês antes de pegar em português. O bizarro é que tenho as edições em português, mas não consegui lê-las. Estão novinhas em folha hahahahahah E quando busco algo sobre Fangirl, vou direto no PDF.

    Hahahahha me confirme seu email vi redes sociais que te mando *-*

  • Mônica Oliveira

    Você pode passar o resto da vida escrevendo sobre Fangirl que eu não iria me importar nem um pouco! <3
    Ainda quero ler Attachments e Landline, mas preciso ler em inglês!!! As traduções de Fangirl e Eleanor & Park não são ruins, mas a Rainbow é tão amor que me deu desespero ler em português, sabendo que o original deve ser 3x melhor. Aliás, sua marida iria amar receber um email com o pdf de Fangirl, just saying. XD
    Amei o especial!