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16/fev

O mundo das Sombras não é um lugar. Ele nos cerca. Suas criaturas são belas, perigosas e irresistíveis aos humanos.

 

A 1ª vez que entrei em contato com este livro foi em PDF, no meu período de surto altíssimo com relação à The Vampire Diaries. Recentemente, rolou uma 2ª leitura, com o livro em mãos, e me perguntei de novo por que diabos gosto tanto dele. Juro! Não há nada de grandioso na história, mas me divirto à beça, como se fosse algo inédito.

 

Mundos das Sombras – Vampiro Secreto foi escrito por L.J. Smith e mais parece um conto a um romance. Após a leitura, você sente que faltou alguma coisa e isso não é necessariamente ruim. O livro é curto, com enredo pontual, sem ladainhas. A história traz Poppy North, a protagonista 100% humana que mora com os pais, que tem um irmão gêmeo chamado Phill, e um crush pelo melhor amigo – desde a infância – James, o vampiro secreto.

 

A jovenzinha não passa de uma adolescente comum que está empolgadíssima com as férias de verão. Uma empolgação elevada por motivos de James. Antes que possa saborear o merecido descanso, a vida de Poppy congela. As pontadas rasgantes que sente na barriga, uma dor que ignorou por meses, pioram e se revelam como sinais já drásticos de câncer no pâncreas.

 

O diagnóstico: o caso dela é terminal.

 

Quem entra em cena para salvá-la? O vampiro secreto, claro.

 

 

James conhece Poppy desde a infância. Ao saber do estado terminal da garota, o jeitão de “humano esquisito”, “humano misterioso”, “humano grosseiro e metido”, é destruído perante a revelação de que ele não passa de uma criatura da noite. Não só isso, um vampiro que vive sob regras e condições que não podem ser quebradas. No caso: se apaixonar por um humano e jamais contar para um humano sobre o Mundo das Sombras, lugar que afugenta não só a espécie dele, como lobisomens e bruxas.

 

Esse foi o principal motivo de ter gostado tanto do livro nas duas vezes em que o li. Uma “sociedade secreta” que não hesita em tratar humanos como coisas dispensáveis, como restos de comida. Literalmente!

 

E, obviamente, ele quebra todas as regras por amar Poppy. Com trocas alternadas de sangue, logo a menina se liberta do corpo humano e transita para o vampirismo. O que vem logo em seguida é uma dor de cabeça chamada Ash, o primo de James, que tenta avacalhar tudo.

 

De novo, pergunto-me como posso ter gostado tanto desse livro. Ele é bom, mas é fraco. Há ausência de aprofundamento e de caos, o que acarretou em uma trama morna, sem belos conflitos. Não que esse seja um ponto negativo porque Smith sempre escreveu para jovens e ela sempre romantizou as relações entre humanos e vampiros. The Vampire Diaries, maior exemplo (ou Diários de um Vampiro, se preferirem). Quando o título saiu do meu jarro de livros aleatório, pensei que não iria amá-lo de novo. E o amei de novo.

 

Há passagens muito engraçadas, como as de Phill, o humano no estilo Matt que se vê nesse universo secreto aos olhos humanos, e tenta aceitar as duras penas que vampiros existem e que Poppy se transformou em uma. A relação dele com James garante boas risadas, inspirado na disparidade da personalidade de ambos. Honestamente, os dois salvam o livro, pois Poppy não é uma protagonista interessante – acho que Smith nunca acertou a mão nesse quesito.

 

E, sinceramente, nem dava para Smith aprofundar a personalidade de Poppy, pois, como disse, Vampiro Secreto é pontual como um conto. As coisas acontecem rápido, sem tantos personagens e conflitos. Phill é o único empecilho, mas é facilmente dobrado. A mãe e o padrasto de Poppy nem suspeitam que a filha bolou um plano para sobreviver, só que como vampira. Ash causa o atrito final, mas nem isso é aproveitado direito. Até a conclusão é meio sem sal. Por isso, me senti como se lesse um conto, pois esse estilo não aprofunda os detalhes. Apenas oferece o plot, um conflito sutil e amarra o que faltou para encerrar a história.

 

 

Sei que meio mundo está de saco cheio de histórias de vampiros, mas Vampiro Secreto não tem nada de Crepúsculo, nem muito menos de Diários de um Vampiro. É diferente à sua maneira. Não é forçado. Não há a sensação de que a autora viajou na maionese ou inventou coisas incabíveis. Smith fez ótimas sacadas com esse Mundo das Sombras e foi inteligente em destrinchá-lo em mais 10 livros. James salva Poppy mais por não suportar a ideia dela morrer. O amor escancarado só ganha espaço após a transição, mas não é nada melado.

 

Falando no romance, relembrei do conceito de almas gêmeas, outro ponto que achei formidável, especialmente por ser um viés que se estende nos outros títulos. Como disse no parágrafo acima, Mundo das Sombras conta com 10 livros, com início de publicação em 1996. Cada um deles é continuidade da história de um personagem específico/secundário que ganha mais foco na sequência. No caso de Vampiro Secreto, Ash e suas “primas” bruxas fazem uma pontinha, mas são explorados no 2º livro, Daughters of Darkness, que também é muito legal. O conceito de Mundo das Sombras e de soulmates se aplica em todos eles.

 

Isso quer dizer que cada personagem que aparece em um livro não está ali à toa.

 

Considerando o ano em que Mundo das Sombras foi escrito, em uma época em que Anne Rice dominava o tópico vampirismo (ainda domina, vai) com sua escrita mais profunda, detalhista e “difícil”, o livro está de muito bom gosto. Ele aborda o vampirismo de um jeito condizente, ainda mais se considerarmos que os livros de Smith são voltados para o público jovem. Há troca de sangue, um mundo secreto tangível, uma garota humana que aceita a transição por querer sobreviver. Embora não haja uma entonação emocional em torno da doença – algo que poderia ter sido explorado –, a motivação da protagonista em se tornar vampira é até que justa.

 

É impossível não ver James como Stefan Salvatore e Ash como Damon Salvatore. A diferença é que ambos são primos. Tenho que dizer que os dois livros dessa série que li têm um ritmo muito gostoso de ler. Não é tão lento e viajado como The Vampire Diaries, que me custou uma atenção imensa a cada virar de página e só me conquistou a partir do 3º volume. Voltei a gostar de Vampiro Secreto, acho que a L.J. Smith deveria ser mais reconhecida por essa série, por ter uma mitologia muito mais bacana que o universo da Santa Gilbert.

 

Mundos das Sombras: Vampiro Secreto é encantador por ser simples e ingênuo. É uma boa distração para ter na prateleira. Pergunto-me porque não escolheram esse livro para adaptar, pois o Mundo das Sombras seria interessante de se ver nas telinhas.

 

Na Prateleira

Título: Mundo das Sombras:

Vampiro Secreto

Autora: L.J. Smith
Páginas: 221

Editora: Galera Record

Stefs
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