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06/mar

Algo que você queria mudar se pudesse no mundo.

 

Há muitas coisas que adoraria mudar, mas uma delas é a mídia. Mais precisamente, a cobertura jornalística. Nunca vi tanta matéria ruim, sem um pingo de otimismo, deturpada, como vejo hoje em dia. Pior é ver a reação das pessoas diante de tamanhos absurdos, o que acarreta comentários nada respeitosos.

 

A mídia virou um campo minado para disseminar o ódio, sendo que o mundo já está carregado de negativismo. O jornalismo visto um dia como uma ferramenta para salvar o mundo, tem se tornado uma piada diariamente.

 

Quando me dou conta de que me formei nessa área, procuro aquele orgulho que senti no dia que pisei na sala de aula pela primeira vez. Eu poderia fazer como tantos outros e culpar a queda do diploma, mas, como tudo no mundo, as grandes fatalidades, erros e absurdos acontecem por meio de pessoas.

 

E o jornalismo tem sofrido demais com algumas pessoas que sentam nas redações. Não só isso, como a chefia que faz o veículo girar em torno daquilo que acredita/despreza, destruindo o que muitos de nós, formados ou não, aprendemos: a imparcialidade.

 

E isso me mata!

 

É vergonhoso demais ver o que os veículos online e offline têm se transformado. É vergonhoso ver que um noticiário perde 30 minutos do seu tempo cobrindo sensacionalismo. É vergonhoso ver portais que antes eram muito bons perder a essência por causa de likes e de shares. É vergonhoso ver certos veículos ter muita influência, sendo que metade das matérias é nada com nada.

 

O jornalismo abraçou de vez o quesito ibope, que antes era uma ferramenta que nos fazia rir porque queríamos ver o Ratinho dançar na cadeira quando batia algum programa da Globo. Agora, virou alimento do ego, de quem publica primeiro, não importa se o fato é verídico ou não.

 

E o jornalismo influencia as pessoas. Algo que deveria ser pensado para o bem, pois é uma responsabilidade. É um compromisso com a verdade. Mas sem se esquecer de reportar o que nos apetece.

 

Foi um tapa na cara quando descobri na faculdade que todos os grandes veículos são manipulados por “pessoas grandes” e que a grande parte dos jornalistas precisa se “vender” para ter um emprego. Quando digo se “vender” é abraçar a ideologia que não acredita, só para ter trabalho. Isso é muito triste, pois não estudei para ser marionete.

 

O mais triste ainda é que essa “gangue” de “narcotizadores” manipula sem dó. A população mais carente é a maior vítima, pois não tem acesso a esse monte de informação que nós temos para fomentar um pré-julgamento daquilo que vale a pena ser visto, ouvido ou lido.

 

No Brasil as desigualdades são gritantes e o mesmo vale ao acesso a veículos de comunicação de qualidade, como incontáveis blogs/sites independentes. O que resta são os noticiários que são tão manipulados quanto uma capa de revista tratada no Photoshop.

 

E aí entramos no mal do século, esse compartilhar excessivo de matérias malfeitas, sem verificação de fontes e com personagens que nem foram realmente consultados. Tudo por causa do buzz. Sensacionalismo e imediatismo que, a qualquer erro, terminam em notas ridículas de retratação. Algo que não aceito porque é função do jornalista checar os dados. Não foi isso que aprendi na universidade, onde professores pregavam a boa informação.

 

É impossível não me sentir a maior iludida quando certas coisas começam a cair por terra sobre o jornalismo, sabem? Títulos vergonhosos, parágrafos sem lead, erros absurdos que nem dá para defender como de digitação. O pior de tudo: conteúdo vazio. Um conteúdo que deveria mover o mundo em direção a algo melhor. Que deveria inspirar mais as pessoas, especialmente em meio às tempestades.

 

É sofrido ver quem ainda dá ibope nos já “enraizados” veículos da nossa cultura, como o grande filhote da ditadura. Está na hora do povão parar de acreditar que se saiu em canal X é a mais pura verdade. Mas isso é utopia.

 

Vejo pontos positivos na regulação da mídia. Por quê? Porque diminuiria o controle dessas famílias da classe altíssima sobre os mais variados veículos de comunicação. Bem como de políticos que possuem mil emissoras de rádio somente para se promoverem. Acabaria com uma boa parte desse circo que o jornalismo se tornou. Sinceramente, não sei do que/quem sinto mais vergonha, da mídia sem limites ou do jornalista que abraça a sacanagem – sendo que muitos nem são formados na área e estão aí, ocupando posto de gente qualificada.

 

Tudo por dinheiro, certo? Certo! Porque jornalista que tem compromisso com a informação, sem filtro, sem blindagem e com senso jamais se submete a uma palhaçada dessas.

 

E, se cedeu, é um trouxa.

 

Ver um jornalista abortar suas ideias e suas crenças por um veículo me faz passar mal. Se ele ou ela se identifica, tudo bem, sucesso, mas vocês me imaginam trabalhando na Folha de São Paulo? Se disser SIM, dou unfollow.

 

Não há mais o gosto de pegar um jornal ou parar para ver o noticiário. Tudo é entretenimento esdrúxulo e sensacionalismo. Metade das pautas, especialmente as políticas, é manipulada.

 

Jornalismo desse tipo só sobrevive por causa das pessoas. São ideologias das famílias/donos dos respectivos veículos falando em nome de âncoras, de repórteres e de apresentadores, mas não é todo mundo que sabe disso. A imparcialidade não existe, mas a narcotização. Eles querem extirpar de você suas ideias e suas crenças. Alguns mordem a isca. Outros não.

 

No jornalismo ou você se vende ou se nega. Eu me neguei, o que faz meu diploma ser, em tese, apenas um papel.

 

Mas isso não me impediu de escrever sobre assuntos que importam.

 

O jornalismo brasileiro me incomoda. Talvez, não só pelos veículos, mas pelo que alguns compartilham. Informações vazias tornam pessoas vazias. Não há mais um empenho em pautas interessantes que propaguem um like ou um share relevante. Não é à toa que contamos com blogs/sites alternativos para ter um parâmetro sobre o que acontece no mundo, pois, se dependermos do que rola no Facebook, é melhor viver alienado.

Amanhã o desafio continua com a seguinte questão: descreva a melhor versão de si mesma.

Stefs
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  • heyrandomgirl

    ai, prima, se tivesse poder daria um reset nessa mídia vergonhosa! É cada matéria que meu estômago embrulha completamente. É mto triste ver a ~ ameaça do mundo ~ se tornar piada diária.

    Mais triste ainda é ter que olhar para o diploma e perceber que ele realmente não vale nada. Afinal, todo mundo escreve, né? Pobre de quem faz Letras, porque todo mundo ensina tbm… Basta ver esses sites de mulher totalmente fora do tom.

    Enfim, falar sobre isso me irrita HAHAHAHAAHHA
    Te amo! <3

  • Isis Renata

    ah, mas bate aqui my friend, minha companheira dessa profissão que dels, tá foda ><
    concordo contigo em gênero e grau, pois essa birosca chamada jornalismo está mais que morta!
    está um passatempo essa profissão. só querem escrever o que bem entendem, nem sabe se é sobre aquilo mesmo que interessa
    oh lord :') é triste demais de ver
    muda logo isso vai! vou votar em você para mudar essa boixta! ♥♥ hahaha