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24/mar

Para Sam.

Ouça. Você vai entender.

 

Esse foi o impacto inicial ao virar as primeiras páginas de A Playlist de Hayden, livro estreante de Michelle Falkoff. Por mais que a mensagem esteja na contracapa, foi impossível não ficar catatônica por alguns segundos devido ao momento em que ela é encontrada.

 

Não, não é um romance. É uma história que pode até ter sido ou é real para muitos adolescentes.

 

O Prólogo traz um exaltado Sam, crente de que teria mais um dia rotineiro, apressado para chegar até a casa de Hayden, o melhor amigo, para lhe pedir desculpas. Um pedido que entala na garganta para sempre, pois, assim que entra no quarto, não é o típico ronco do BFF que o atrai. É o atípico e desconcertante silêncio. Um mutismo que ganha nuances cinzas quando cai em si sobre o que aconteceu ao encontrar uma playlist e um bilhete deixado para ele.

 

Falkoff traz uma narrativa sob uma única ótica, a de Sam, trabalhando o ciclo da raiva/culpa/saudade acarretada pela perda de Hayden. Lançamento de abril da editora Novo Conceito, a autora partiu de vários clichês – Sam e Hayden são os típicos nerds, unha e carne, tratados como uma pessoa só –, mas destrincha esses assuntos, ainda muito delicados e que causam muito ruído, com certa personalidade.

 

Se é uma das coisas que acho arriscado é inserir o tema suicídio na literatura ou em qualquer produto da cultura pop, voltada para jovens. Uma palavra tão tabu quanto bullying – outro tema que faz parte de A Playlist de Hayden. A pessoa tem que saber desenvolver. Digo isso porque há autores e roteiristas que sempre seguem pelo mesmo caminho e exageram. No caso dessa obra, há certa “suavidade”. Isso não quer dizer que você não capta o que Hayden sofreu, pois a autora traz recortes das humilhações vividas por ele, um pouco da verdade nua e crua de quem passa por isso.

 

Um dos pontos positivos é que esses temas giram em torno de dois garotos, algo “sempre” associado a garotas. Falkoff saiu da caixa. Por eu não ter tanto o hábito de ler/ver sobre esses assuntos do ponto de vista masculino, fui facilmente envolvida por querer saber como meninos se sentem diante do bullying e por que eles desistem de viver. Foi possível reparar em algumas diferenças, afinal, são pautas que sempre abordam meninas. Achei bacana essa investida da escritora, pois eles também sofrem, e meio mundo acha uma banalidade.

 

É incômodo virar cada página em busca do motivo para Hayden ter desistido da vida. Logo de início, sabemos que houve uma festa, o provável estopim. Uma ocorrência que, ao longo dos 8 primeiros capítulos, é tratada a pinceladas por ser o fator instigante. O ponto-chave a ser desvendado com apoio da playlist. Até termos a pintura completa, acompanhamos Sam lidando com a perda. Em meio a culpa, a tristeza e a saudade do melhor amigo, o vemos duelar com outras incontáveis emoções ao mesmo tempo em que encara o ensino médio.

 

Há muito sentimento em cada parágrafo de A Playlist de Hayden, todos muito bem embalados por boa música que serve de título para cada capítulo. Músicas que trazem também um retrospecto da vida desses melhores amigos. Radiohead, Metallica, Arcade Fire. Tanto amor por uma única causa: desvendar a razão do suicídio de Hayden.

 

Nos 8 capítulos que li, Falkoff consegue transmitir os sentimentos de Sam, aflorando-os em momentos certeiros, calando-os quando é preciso. Comedido, do jeito adolescente. Ele é um narrador que nos chama para seu sofrimento. E você quer ouvi-lo. Você quer saber o que houve. Você quer ouvir a playlist para buscar as pistas que justifiquem o que o melhor amigo fez.

 

Repousei minha cortesia com uma pausa reflexiva. Dentre tantas coisas imprevisíveis e incompreensíveis da adolescência, Falkoff traz à tona dois assuntos que tendem a ser desconfortáveis para muitas pessoas. Dois assuntos que tendem a ser chamados de idiotice e de besteira. Sendo que não é! Ainda mais na adolescência.

 

O livro traz um enredo que consegue ser palpável por se apoiar em circunstâncias que fazem parte do nosso cotidiano. Um problema real, um dilema que abala meninas e meninos, especialmente no ensino médio, período do qual a vivência se torna uma competição. Período do qual a vivência se torna uma briga pela sobrevivência.

 

A Playlist de Hayden será lançado no dia 6 de abril pela editora Novo Conceito. O livro traz angústia, irritação e até um pouco de fantasia (no sentido positivo). Estou muito aflita para saber o que aconteceu com Hayden.

 

 

A Playlist de Hayden é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.”

 

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Stefs
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