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19/mar

Homens, eu gostaria de usar essa oportunidade para apresentar o convite formal. Igualdade de gêneros é seu problema também. Até hoje, vejo o papel do meu pai como pai ser menos válido na sociedade. Vi jovens homens sofrendo de doenças, incapazes de pedirem ajuda por medo de que isso os torne menos homens – de fato, no Reino Unido, suicídio é a maior causa de morte entre homens de 20-49 anos, superando acidentes de carro, câncer e doenças de coração. Vi homens frágeis e inseguros sobre o que constitui o sucesso masculino. Homens também não têm o benefício da igualdade.

 

Ainda estamos no mês com M de Mulher e resolvi destrinchar um pouco o que viria a ser o HeForShe. Um nome muito recorrente na mídia desde o ano passado por motivos de Emma Watson. Por mais que seja uma iniciativa interessante, ela está envolta de muitas críticas porque alguns não sabem do real apelo ou dizem que não há viés feminista por causa da inclusão masculina.

 

Por causa de tanta informação esparsa, resolvi ler o Action Kit e trazer os pontos mais importantes para vocês.

 

O que é HeForShe?

 

HerForShe (Ele por Ela) é descrito como um movimento solidário que tem como foco a igualdade de gênero. Um projeto que teve o pontapé inicial em 20 de setembro de 2014, em desenvolvimento pela ONU Mulheres. Dentre os porta-vozes está Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade, responsável pelo primeiro discurso, muito bem articulado, o que deu aval para o rebuliço.

 

Até então, a meta é engajar meninos e homens para que sejam agentes de mudança, a fim de alcançar o coração do projeto: a equiparidade entre os sexos. Não só isso, como conscientizar o sexo masculino sobre os direitos das mulheres. No geral, a campanha HeForShe quer encorajar meninos e homens a falar sobre esses e outros assuntos para impulsionar ações contra desigualdades direcionadas a meninas e mulheres.

 

As mensagens principais

 

Essencialmente, o HeForShe tem como foco atual erradicar a desigualdade de gênero, “o direito humano que mais sofre violações com o passar do tempo”, afirma o Action Kit. Ainda conforme esse documento, “independente da divulgação desse tópico, desigualdades entre meninas e mulheres vs. meninos e homens continuam a se manifestar de uma forma escandalosa ao redor do mundo”.

 

“Igualdade de gênero não é unicamente um problema feminino. É um problema de Direitos Humanos que afeta todo mundo. Todos nós nos beneficiamos socialmente, politicamente e economicamente com isso no nosso dia a dia. Quando mulheres possuem poder, toda a humanidade se beneficia”.

 

“Igualdade de gênero liberta a mulher e o homem de definir papéis sociais e estereótipos”.

 

Objetivos da campanha

 

No topo da pirâmide: eliminar a desigualdade de gênero até 2030.

 

A meta geral da campanha é a conscientização sobre esse tópico e acarretar ação entre meninos e homens para eliminar qualquer forma de discriminação e de violência contra as mulheres. A ONU Mulheres quer apoio de outras entidades da ONU para desenvolver medidas sustentáveis e programas voltados para a participação total do sexo masculino, a fim de trazer mais apoiadores sobre a igualdade de gênero.

 

Outra medida é, junto aos governos oficiais, organizações para homens, universidades e escolas, e outras organizações sociais e civis, criar e promover eventos e campanhas do HeForShe voltadas para as comunidades locais.

 

Não menos importante, há o intuito de inspirar as pessoas a tomar ação contra a desigualdade com base em discriminação e violência contra meninas e mulheres, e de criar uma plataforma para destacar como meninos e homens podem tomar partido globalmente.

 

O conceito

 

Muito tem sido feito por movimentos feministas e por organizações que visam o direito das mulheres, especialmente na promoção da igualdade de gênero até então. Porém, o alcance é baixo, pois o progresso é desigual, especialmente em países mais influentes que não agem contra a discriminação do sexo feminino. Ao menos, não no cerne do problema.

 

De acordo com o Action Kit, “é o tempo de capitalizar e reconhecer que mulheres bem-sucedidas são essenciais para o crescimento econômico, para a coesão, para a justiça social, para o equilíbrio ambiental e para o progresso em todos os âmbitos da vida”.

 

Por que os homens são tão importantes?

 

Porque “eles precisam promover os direitos das mulheres como advogados e porta-vozes da mudança para fazer a igualdade de gênero uma realidade. Isso não é só sobre mulheres e homens. É sobre fomentar uma visão compartilhada do progresso humano para todos. De criar um movimento solidário entre ambos os sexos para alcançar a igualdade de gênero”.

 

Como agir?

 

O HeForSHe tem mais alcance internacional. É uma campanha que precisa de apoio e de participação total das outras unidades da ONU, bem como da conscientização dos escritórios de outros países para ser bem-sucedida. Com isso, será mais fácil uma implementação global que pode acarretar o conhecimento aprofundado por meio de programas e de eventos.

 

Isso não quer dizer que brasileiras e brasileiros não podem promover o HeForShe. Assim como faço com este post, a campanha quer que seus simpatizantes compartilhem conteúdo, usem a hashtag (#HeForShe), contem suas histórias (tendo em vista a desigualdade de gênero), criem conversas offline e, claro, tragam os homens para a causa.

 

Como consta no Action Kit: “o sucesso internacional desse movimento requer participação, contribuição e ação. Sua paixão e determinação contribuirá para as metas do HeForShe em alcançar a igualdade de gênero, tendo em vista mulheres bem-sucedidas ao redor do mundo”.

 

Dicas de engajamento online

 

Não basta apenas amar a Emma Watson e dar o play no discurso. Fiz a seleção do que é possível fazer em território nacional:

 

• Dar RT ou compartilhar qualquer conteúdo das contas do HeForShe;

 

• Compartilhar insights com as respectivas contas e contribuir para a conversa global sobre igualdade de gênero;

 

• Enviar sua história seja em texto, foto ou vídeo;

 

• Doar para a campanha;

 

• Disponibilizar o logo do HeForShe no seu site ou no blog.

 

Engajamento offline

 

Apresentem quem puder para a campanha, especialmente homens, para se engajar. E con-ver-sem!

 

Por que há tantas críticas sobre o HeForShe?

 

Por causa dessa necessidade de apoio masculino, muitos desacreditam da campanha e a consideram nem um pouco feminista. É isso que tem tornado aos olhos de algumas mulheres o HeForShe a maior lorota do universo. Uma das frases que mais bati de frente é “o homem como salvador da mulher”, um pensamento que sinaliza o projeto como algo fora do tom.

 

Emma apoia uma campanha que tem pegada feminista, com o intuito de tornar esse mundão justo para as mulheres. Porém, frisa a necessidade do homem. Sim, ele é necessário, mas não é o protagonista da luta dela.

 

Entendo essa relutância, pois não são só os homens que precisam mudar certos pontos de vista. Há mulheres que também provocam essas desigualdades. Muitas são empoderadas e tratam outras como lixo. Por mais que Emma entoe ser um problema também masculino, há uma parte da mulherada que não contribui para a igualdade de gênero, não é corajosa para assumir o dilema e sabota outras mulheres.

 

Muitas mulheres também precisam sentar, ouvir e entender que pagar um salário menor para a colega só porque não vai com a cara dela também prejudica o empoderamento feminino. Que não há benefício social, político e econômico se as mulheres não se ajudam entre si.

 

Watson afirma constantemente que o intuito do HeForShe é educar sobre esse assunto. Não pensem que ela nos chama de burros. Não é isso. Há sim muita discrepância e ruído sobre igualdade de gênero e até mesmo sobre o feminismo. Todo mundo “acha”, mas nunca tem certeza, e essa é uma das metas dela por acreditar que tal esclarecimento engajará, principalmente, os homens.

 

Não, ela não se esqueceu da mulher na campanha. Ela frisou a nossa relevância no HeForShe na entrevista cedida ao Facebook no dia 8 de março. O problema é que o pontapé acarretou antipatia instantânea das mulheres por causa desse “desespero” em convidar o homem.

 

O que eu acho

 

O que me incomoda é a falta de atenção para o público feminino. O nome da campanha é autoexplicativo, mas não consigo ler HeForShe sem sentir um pouco de incômodo. Explico.

 

Assim como alguns homens precisam entender esse assunto, o mesmo vale para algumas mulheres. De que adianta convidar o sexo masculino, sendo que o universo feminino também precisa compreender a importância dessa igualdade? Sobre a importância de que #EqualPay também deve ser aplicado pelas chefonas a fim de valorizar a colega de trabalho?

 

Pode não haver tantas líderes em postos altíssimos, mas, as que assumem a cadeira de ouro, nem sempre pensam em igualdade de gênero. E sabotam. Meu Deus, como sabotam!

 

Não acho a intenção da Emma e da campanha 100% errônea. Na entrevista cedida no dia 8, ela quer as mulheres na campanha e quer conversar com elas sobre igualdade de gênero, para que todas se sintam confortáveis e inspiradas em aderir e aplicar os objetivos do HeForShe. Uma preocupação que ainda está fora da agenda.

 

Sim, os homens são importantes em qualquer assunto que beneficie a mulher. Não acho uma péssima ideia o sexo masculino impulsionar o protagonismo feminino. Acho isso maravilhoso. Dá gosto de ver marido apoiando esposa, se querem saber. Acho válido ele conhecer, aprofundar e apoiar qualquer causa que beneficie ela. Justamente por ser uma luta conjunta.

 

Por essas e outras que o HeForShe não desce por muitas goelas. Uma relutância, em parte, por ter o ele antes do ela. Contudo, é uma luta conjunta. Não digo por mim, mas o atrito geral é que o ele tem sido mais priorizado.

 

E, repito, desigualdade de gênero também é impulsionado de mulher para mulher e de homem para homem. O que todo mundo vê é a batalha entre os sexos opostos, mas nunca entre pessoas do mesmo sexo. Mulheres, essencialmente, que devem inspirar umas as outras, sabotam. Se nós mesmas não mudarmos atitudes e pensamentos, não há auxílio de homem que eliminará a desigualdade de gênero.

 

Há comportamentos femininos que também precisam mudar. Não é uma questão de “do it like a girl” individualmente, mas de um “do it like a girl” englobando outras meninas e mulheres também. De que adianta fazer o homem se voltar para a igualdade de gênero se há patroas riquíssimas que tratam a sua doméstica com asco? O problema mulher vs. mulher pode não ser tão grave quanto mulher vs. homem, mas o meu sexo também promove desigualdades com base em racismo, futilidade, inveja, etc..

 

O homem em uma causa como o HeForShe deve ser visto como um apoio a mais não a razão total para a mudança. Emma disse que eles também sofrem, concordo, mas não tanto quanto as mulheres. Ser julgado por chorar em público não é nada se compararmos as atrocidades vividas pelo sexo feminino diariamente, tendo até a vida tomada por ser mulher.

 

O dilema é que algumas mulheres ainda não se sentem inclusas no HeForShe por causa do excesso de convite aos homens. Emma é inteligente e influente, mas precisa brecar um pouco e focar no como a mulher vê a mulher. Como a mulher pode contribuir com a outra. Como a mulher precisa parar de limitar a outra. Como é importante ter mulheres bem-sucedidas para melhorar os âmbitos que a campanha almeja.

 

As mulheres precisam entender a relevância de seus papéis na sociedade e não cabe ao homem fazer isso.

 

Nisso, entramos no ponto que concordo: desigualdade, englobando todos os malefícios da humanidade, é um problema de ambos os sexos.

 

A realidade é que o HeForShe ainda não tem o #GirlPower. Porém, o que vocês precisam entender é que é muito cedo para cobrar, pois o projeto engatinha a joelhadas lentas. Não é à toa que se fala muito da igualdade de gênero, mas ainda não há uma pauta que inclua diretamente homossexuais ou transgêneros para participar dessa batalha. Elas/eles também sofrem desigualdades e muitos não são empoderados por preconceito.

 

Sem dúvidas, essa empreitada é ótima para gerar conversas que podem resultar em conscientização. Se é uma coisa que acredito é que o universo feminino precisa parar um pouco com o man hate, pois há woman hate em demasia neste mundo também. De elas por elas. A mulher precisa ver como trata e vê outras mulheres. A mulher precisa ver como se trata e vê a si mesma. Detalhes que podem ser minúsculos, mas, para mim, são fatores que também empacam as mudanças.

 

O HeForShe pode não ser ideal ainda, mas não esconde a dura verdade: somos responsáveis pela diferença. Temos parte da culpa que é motivada, essencialmente, por competição e machismo.

 

Vamos combinar: as mulheres que realmente precisam se conscientizar da igualdade de gênero nunca estão nas marchas de movimentos feministas. Porque elas estão seguras e confortáveis e não dão a mínima para as minorias. O mesmo homens que não acham o machismo uma calamidade, que acha que é frescura de mulher, bem como que o feminicídio é nossa culpa por sermos apenas mulheres. Essa turma é quem precisa de um martelo na cabeça para ontem.

 

Acredito na Emma. Ela ainda tem muito que aprender (como eu), mas a vejo como um poderoso agente de mudança, especialmente por ter influência no público jovem. E o que vocês acham, pessoas de bem?

 

Deveríamos parar de nos definir pelo que não somos e começarmos a nos definir pelo que somos. Todos podemos ser mais livres e é isso que HeForShe é. É sobre liberdade”

 

Site: HeForShe

 

Action Kit: Dowload (em inglês)

 

Discurso da Emma

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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  • sim sim me manda teu facebook! Eu vou te adicionar e te coloco por dentro, é um movimento de formiguinhas mais uma hora avança! 😛

  • heyrandomgirl

    Heyyy, Rafael, tudo bem? Fiquei TÃO feliz com seu comentário em todos os sentidos hahahahaahahah E adorei sua iniciativa de implementar o HeForShe aqui no Brasil. Sinto que estamos de fora da campanha, mas há muito que podemos fazer. Ambas as partes precisam de conscientização, sem dúvidas!

    Mto obrigada pelo convite. Adorarei fazer parte das discussões sim <3

    Beijossss!

  • Rafael Gonçalves Pereira

    Ola Randon GIrl, adorei seu post, eu sou um dos que tem aderido e estou buscando forças pra criar esse tipo de conscientização e encontrei seu post justamente por estar buscando as criticas e se tiver interesse entra em contato comigo gostaria de te convidar para fazer parte das discussões e implementar o HeForShe Brasil, mesmo, é necessario a conscientização de ambas as partes, do homem e da mulher!
    email: kazuk@outlook.com