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24/mar

Não escolhi o livro deste mês de propósito, foi muita coincidência mesmo ter tirado a Becky Bloom da minha TBR Jar no mês das mulheres. Mais emocionante ainda foi ter lido o livro durante a semana do THAT GIRL ROCKS, a semana mais linda que o RG teve até agora, em minha opinião de leitora/colaboradora/marida da dona. Apesar de ter amado o livro, confesso que dei uma de Becky e procrastinei a escrita da resenha até agora, com o deadline correndo atrás de mim. But that’s how I roll, e a vida fica mais emocionante assim. Tenho certeza que a nossa protagonista concordaria comigo.

 

Que jogue a primeira pedra a menina que nunca se animou ao comprar alguma coisa. E não estou falando apenas de roupas, sapatos e acessórios, mas também de livros, artigos de papelaria (minhas drogas favoritas), CDs… Qualquer coisa, na verdade. Não sei se é porque já passei da adolescência há alguns anos, ou se é porque os tempos realmente mudaram, mas acho que hoje as meninas não têm mais aquela ideia de que gostar de fazer compras é “coisa de patricinha”. Estou certa? Por favor, digam que sim.

 

Nascida e criada em Campinas nos anos 90, a melhor atração da cidade para uma família sedentária como a minha era o shopping. Eu gosto de brincar que fui criada no Iguatemi, porque a maioria das lembranças que tenho são dos corredores e das vitrines brilhantes e espelhadas. E, além da infância, passei boa parte da adolescência lá também. Não importa se eu ia para comprar alguma coisa ou não, ficava feliz só em olhar e passear pelas lojas. O ambiente do shopping era (e continua sendo) muito familiar para mim.

 

Não era à toa que eu sempre pensava “lar, doce lar” quando passava do calor do estacionamento para o fresquinho do ar condicionado. Também não é à toa que eu não me senti à vontade aqui em Curitiba até ter um shopping favorito. Então, não tinha como eu não gostar de Confessions of a Shopaholic.

 

Já gostava do filme, é verdade, mas é com o maior prazer que eu digo que o livro é mais divertido.

 

 

Rebecca Bloomwood é uma jornalista financeira (como a autora era) de vinte e tantos anos, que mora em Londres, não tem a mínima paixão pelo trabalho e está acomodada. Ela não entende nada sobre o mundo das finanças e sobre as conferências das quais participa a trabalho, mas consegue resenhar tudo direitinho depois, usando apenas as informações que recebe nos press kits. Seus textos são ok, o suficiente para ela ter um emprego estável em uma revista mediana. Mas Becky é também viciada em compras, e uma péssima administradora do próprio dinheiro.

 

O livro começa com cartas: a primeira é do banco, datada de dois anos anteriores ao tempo da narração, oferecendo um limite de crédito de 2 mil libras à Becky como “presente” por ela ter se formado na universidade; por-favor-abra-sua-conta-conosco. A segunda carta, já no presente da story line, é do gerente da sua conta, tentando marcar uma reunião para que eles possam conversar sobre a dívida que ela está acumulando.

 

As cartas continuam chegando, e, com muita criatividade, Becky sempre dá um jeito de se esquivar do gerente, inventando desculpas cada vez mais esfarrapadas. Sempre que chega uma nova cobrança pelo correio, ela vai parar na gaveta, ou na caçamba de lixo, e Becky vai às compras para tentar se animar.

 

Até a hora em que todos os seus cartões são cancelados, e ela passa a maior vergonha no caixa de uma loja de departamentos. Desanimada, envergonhada e decepcionada consigo mesma, Becky vai para a casa dos pais, e é lá que acaba se encontrando e colocando sua vida nos eixos.

 

Além de tudo, há também o envolvimento dela com o Luke Brandon, famoso no meio financeiro por ter uma empresa de publicidade e representar, com muito sucesso, os maiores bancos do país. O Luke é boa pinta e tem uma quedinha pela Rebecca, mas ele demorou um pouco para me ganhar. Mesmo sem saber, ele a subestima muito e a faz acreditar que não é boa o suficiente. É também por causa dele que ela acaba se sentindo um fracasso.

 

Determinada a fazer uma coisa boa e provar para todo o mundo que não é apenas uma casca fútil, Becky conquista a admiração de todos (e, o mais importante, de si mesma), sempre com o seu próprio jeito estranho e adorável.

 

 

Com muito bom humor, Sophie Kinsella criou uma mulher real, com vícios, paixões e problemas reais, com a qual todas nós podemos nos identificar. É verdade que me vi no livro do começo ao fim, mas a parte que mais me chamou a atenção e me fez rir alto e gritar “SOU EU!” foi quando a Becky resolveu tentar economizar. Ela até conseguia fazer um bom trabalho durante alguns dias, mas depois vinha aquela vontade de se recompensar. Afinal, ela merecia um presente pelo esforço.

 

Nunca cheguei a fazer dívida em banco, não sou tão louca quanto ela, mas entendo DEMAIS o que é comprar coisas desnecessárias e tentar se justificar dizendo que é um bom investimento.

 

Li o livro em inglês, então não sei se a tradução conseguiu manter todo o humor britânico da narrativa, mas acho que a história da Becky deveria ser leitura obrigatória para todas as meninas e mulheres, em qualquer língua. É claro que em inglês é mais divertido, até porque você lê com sotaque (eu não posso ser a única pessoa que faz isso!), então minha recomendação é o pocket book na língua original. Além de tudo, é bem baratinho. It’s an investment, really.

 

P.S.: A Becky volta no próximo mês 😉

 

 

Na Prateleira (Versão Brasileira)

Nome: Os Delírios de consumo de Becky Bloom

Autor: Sophie Kinsella

Páginas: 434

Editora: Record

Mônica
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