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06/mar

Sem dúvidas, Simplesmente Acontece entrou para minha lista de filmes queridos. Algo que não é de se surpreender, pois os últimos longas estrelados pela Lily Collins têm um carinho muito especial no meu coração, como Ligados pelo Amor (Stuck in Love). Dessa vez, ela assumiu a protagonista, Rosie Dunne, na companhia do adorável Sam Claflin, como Alex Stewart.

 

Simplesmente Acontece (Love, Rosie) chegou aos cinemas brasileiros esta semana, mas foi lançado em 2014 no Reino Unido. O roteiro é inspirado no livro Love, Rosie, que, anteriormente, era intitulado e vendido como Where Rainbows End (EUA), assinado por Cecelia Ahern (autora de P.S. Eu Te Amo). O longa é um romance britânico, com uma pitada dramática, dirigida por Christian Ditter, sobre Rosie e Alex, melhores amigos desde que se entendem por gente. Ambos são aquele tipo de BFFs que não se importam em compartilhar a mesma cama, se trocam um diante do outro e, se bobear, até tomam banho juntos.

 

Conforme crescem, essa amizade começa a ganhar nuances amorosas, mas que acabam caladas pelas circunstâncias. Circunstâncias que os perseguem o tempo todo, os grandes motivos desses dois não ficarem juntos logo. Mas, até chegarmos lá, os primeiros minutos do longa nos apresenta o momento crucial da história, aquele que finca que os dois se gostam: a festa de 18 anos de Rosie. Várias doses de tequila e um beijo acontece. Alex é o único que se lembra do ocorrido, mas não se atreve a cutucar a mente anuviada da melhor amiga. Uma pedra é posta em cima disso, a primeira de muitas que distanciam os dois do que realmente sentem um pelo outro.

 

Isso nem é a cereja do caos, pois temos o fatídico baile da escola. Aquela noite em que todo mundo perde o juízo. Ainda mais quando é o adeus ao ensino médio, timing perfeito para “fazer o que bem entender” antes da fase universitária. Um palco perfeito para acontecer uma burrada.

 

A vítima? Rosie. O incidente? Uma camisinha.

 

Uma camisinha que só ganha peso quando Rosie e Alex prometem sair de Dublin juntos para perseguirem seus sonhos na América. Cheia de entusiasmo, ela topa, sem saber que, em algumas semanas, descobriria que o incidente do baile a deixou grávida.

 

E isso não é um spoiler!

 

A surpresa da notícia barra todos os planos de Rosie. Uma surpresa tremenda, pois a personagem não levou adiante o mico da camisinha. Eram águas passadas! Mesmo com o impacto da informação, nada a impede de deixá-lo ir na frente. Não só por achar que sua nova realidade o faria retroceder, mas por ter entrado em negação. Um bloqueio que a fez crer que poderia “dar um jeito” na gravidez e, mais tarde, alcançar Alex.

 

Algo que não acontece, pois Katie é linda demais para se abrir mão. No fim, Rosie assume o posto de mãe adolescente e solteira. Uma novidade que Alex só fica ciente anos depois.

 

Mas isso não é nem metade da história!

 

And he’ll tell himself that she’s perfect and that he really must be happy, but she won’t be you.

 

Essa é a primeira separação de muitas, mas é o bastante para dar uma dor tremenda no coração. Porque você quer que ambos rumem para a América juntos. Você quer que ambos comecem a viver um relacionamento amoroso ao mesmo tempo em que batalham para conquistar seus respectivos sonhos. Simplesmente Acontece não entrega o jogo como estamos acostumados – garota se apaixona pelo garoto e se beijam. As coisas são complicadas, o que traz a entonação dramática.

 

Muito leve, diga-se de passagem, pois o longa é cheio de cores, humores, risinhos, atitudes e diálogos divertidos.

 

Esses detalhes alegres não impediram o filme de poupar na tortura com os desencontros, os empecilhos e as circunstâncias que os separam. Isso não quer dizer que, conforme os anos passam, ambos se tornem desconhecidos um para o outro. Na realidade, essas separações aumentam o desejo de ambos em ficar juntos, mas sempre há algo que os distancia.

 

O filme percorre 12 anos da vida de Rosie e de Alex, tendo em vista testar a afeição que um tem pelo outro enquanto constroem uma vida por si mesmos. De um lado, ela tenta vencer na vida com a filha. Do outro, ele se revela um cara bem-sucedido, envolvido com belas mulheres, cheio da grana, mas completamente vazio. Passam-se anos, mas os dois permanecem conectados. Há uma gravidade que sempre os fazem reencontrar o caminho de volta. Mesmo que não digam absolutamente nada sobre o que sentem.

 

Essa é a fórmula de Simplesmente Acontece. Por mais que saibamos que os dois se gostem, até mesmo os próprios personagens, o desejo de vê-los juntos é uma angústia. Um sofrimento muito bem norteado até o final. Literalmente, você começa a ficar frustrado, mas de um jeito bom. Sabe aquele OTP que você sabe que é endgame, mas os escritores não fazem logo o barro acontecer? Com Alex e Rosie é a mesma coisa! Dá vontade de acelerar o filme por causa do medo de que todos os desencontros rendam um final infeliz. Para quem leu o livro, essa sensação é de boa, mas, mesmo eu tendo feito isso, há um bom tempo atrás, fiquei inquieta na cadeira.

 

Uma das minhas maiores preocupações com Simplesmente Acontece foi o roteiro, pois a história no livro é contada por meio de cartas, de emails, de bilhetinhos e de troca de mensagens online. Informações picotadas que, adaptadas, tinham que, no mínimo, captar a essência dos dois personagens. Não apenas o que um sente pelo outro. Chego aqui satisfeita, apesar das típicas infidelidades – algo que nem gosto de pontuar porque adaptações literárias nunca são respeitadas, então, nos resta tirar o melhor da experiência.

 

You deserve someone who loves you with every single beat of his heart, someone who thinks about you constantly, someone who spends every minute of every day just wondering what you’re doing, where you are, who you’re with, and if you’re OK.

 

O que cativa é que a história não depende da amizade e do amor para encadear o estresse entre os protagonistas. Sabemos que tudo isso está lá, emaranhado, acompanhando-os, mas o interessante é vê-los moldar uma vida por conta própria. Ambos não sentam e esperam o destino trabalhar. O filme dá a chance de conhecermos Alex e Rosie na vida adulta, um ponto positivo que impediu o romance de ser a grande coisa da trama. Há olhinhos brilhando em meio às pausas dramáticas, mas o que prende é a batalha no âmbito pessoal e profissional deles.

 

Quem acaba por se destacar é Rosie, que proporcionou atuações intensas de Lily Collins em comparação aos outros filmes que já fez. Ela tem a vida, digamos, mais complicada, que poderia tê-la tornado amarga, especialmente por não ter perseguido seu sonho com Alex. Em cada salto no tempo, a vemos crescer, resultado de ter se tornado mãe muito cedo. A personagem é forçada a amadurecer rapidamente. Ela é forçada a trabalhar para sustentar Katie, e não para realizar seus sonhos. Ela vira pai e mãe do dia para a noite, e cria a menina dentro dos seus esforços, mesmo contando com o apoio do seus pais.

 

Como vocês bem sabem, tenho essa mania de ver além da história. Eu só tinha olhos para Rosie, embora Alex seja irresistível – graças às covinhas do Sam. Considerando que Collins ficou meio que de lado em Ligados pelo Amor e foi ofuscada nos outros filmes por Julia Roberts e Julianne Moore, finalmente a atriz tomou uma trama para si. Até mesmo o sotaque dela ficou convincente. Foi até estranho ouvi-la, porque me perguntei de onde tinha saído todo aquele british. Lily conseguiu transmitir os problemas da personagem. O combate de amar muito Alex ao mesmo tempo em que precisava viver sem ele.

 

Rosie passa por altos e baixos próximos da realidade enquanto Alex conflita com coisas banais e fúteis. Ela pode não ter sofrido apertos financeiros (um tremendo deslize), mas sentiu o drama ao ver todos os seus sonhos em pausa. Vejam bem, a personagem foi uma adolescente energética, cheia de vontades, e se silenciou em nome de Katie. Porque, em algum momento da vida, ela só quis pertencer a alguém. Ser amada e cuidada. Contudo, isso não a fez desistir. Isso a fez respeitar o momento. Viver o momento enquanto carrega dentro de si o amor permanente pelo melhor amigo que vive em outro continente.

 

O que a motiva, essencialmente, não é nem o seu amor por Alex, mas os sonhos. O pai de Rosie se destaca como o seu motor, o lembrete de que, apesar dos pesares, é sempre importante correr atrás do que se deseja. A situação da personagem me fez pensar: quando não se tem a quem pertencer é preciso ir atrás dos sonhos. E essa é uma verdade, 100% verdadeira. O que nos resta, especialmente quando não temos quase nada, são os nossos sonhos. A crença em algo. O motor que nos impulsiona para fora da cama. A protagonista foi atrás do seu em meio aos desencontros com Alex. Decisões que a tornam interessante, que nos faz torcer.

 

O amor vive dentro de Rosie. É vívido. Por causa do roteiro, poderia até dizer que o sentimento é palpável. Como se pudéssemos agarrá-lo e mantê-lo seguro entre nossas mãos. Esse misto de amor e de sonhos incitou algo dentro de mim que acredito muito: a partir do momento que você acerta sua vida, o resto flui. Qualquer coisa pode chegar até você, sem o mínimo de esforço. Até encontrar o amor é possível. Simplesmente Acontece pode não ter feito disso seu tema principal, mas, para mim, foi a real mensagem. Que de nada adianta ficar sentado ver a vida passar. Que, mesmo amando ou não pertencendo a alguém, você pode fazer muitas outras coisas.

 

Esse amor jamais teria vingado se ambos não tivessem vivências paralelas. Afinal, o que você sente na adolescência não é necessariamente o mesmo quando você se torna adulto. As separações acarretam incontáveis pontos positivos na trama, pois os fazem perceber quem são e o que querem. Só assim para ficarem juntos.

 

Eu não sei… Gosto de histórias assim, que se preocupam um pouco mais com o desenvolvimento dos personagens até que estejam prontos para algo maior.

 

I’ve realized, no matter where you are, or who you’re with, I will always, truly, completely love you

 

Simplesmente Acontece me fez lembrar um pouco de Like Crazy por causa dos cortes de cena que exploram os dois personagens e seus mundos diferentes. Mas este é melhor, acreditem! Há uma preocupação tremenda em situá-los com o passar dos anos. O filme em si tentou preservar a essência e a dinâmica do livro, como as SMS, que torna a adaptação mais interativa ao mesmo tempo em que nos situa quanto aos sentimentos dos dois.

 

E, cara, tem a primeira das versões do MSN. Quando vi aquilo, soltei um berro! Saudade!

 

Visualmente, Simplesmente Acontece funcionou muito bem. Ele conseguiu explorar de um jeito desconcertante a distância entre os personagens, bem como os respectivos anseios reforçados por causa dessa diferença de fusos. Lily e Sam me representaram como Rosie e Alex em meio a uma linda fotografia. Esses dois corações são muito bem embalados por uma trilha sonora que me deu muita nostalgia (e é excelente!).

 

Se vocês gostam de romance, daquele jeito frustrante, que dá vontade de arrancar os cabelos ao mesmo tempo em que jura de morte todos os roteiristas se não rolar um final feliz, eis o seu mais novo filme favorito. Os desdobramentos são irritantes, em um sentido positivo, porque, de certa forma, queremos que o amor vingue logo.

 

Simplesmente Acontece é divertido e emociona. É uma delícia acompanhar as espiadas por cima do ombro, os tropeços e a hesitação dos personagens. É maravilhoso ver esse amor juvenil ser carregado para a vida adulta e não se perder. Um sentimento que se fortalece. O longa não é de suspense, mas nos deixa grudados e inquietos por ansiar um reencontro (e que seja bem-sucedido, claro).

 

A história em si me deixou meio nostálgica, algo que acontece quando me deparo com tramas voltadas para o público adolescente. Lembrei-me das festas, da paquera, da hesitação, do desespero de sentir algo por alguém e de não ser capaz de pronunciar. O longa tem muito do “se estiver destinado, encontrará o caminho de retorno”. Indagação que nos prende justamente por querermos saber se essa predestinação entre Rosie e Alex é real. Se o destino dará o que ansiosamente esperamos: o bendito final feliz!

 

Simplesmente Acontece é um amigo pentelho que te pinica com uma agulha, sem parar. É extremamente provocador. Não no sentido de ser sexy, mas por não nos dar logo o que queremos. Você quer o primeiro beijo. Você se emociona com Rosie cuidando da filha. Você ri das trapalhadas de Alex. Você, se tiver deixado a adolescência pra trás como eu, sorri ao lembrar que passou por uma de todas aquelas situações.

 

É um filme gostoso, aconchegante, que explora as inseguranças emocionais de dois personagens que claramente nasceram um para o outro. É apaixonante do começo ao fim e tem muitos dos meus clichês favoritos (melhores amigos se amando? Stefs pira!).

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento
Stefs
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  • ótima resenha! O filme e muito bom mesmo! Confesso que fiquei nostálgica e angustiada do início ao fim, pensando que talvez o final não fosse como eu esperava. Amei o blog.

  • Hey, Rayssa, tudo bem?

    Bateu tanta nostalgia com esse filme. Sentia bastante falta do MSN, fatos reais! hahahaah E o computador usado na aula da Rosie e do Alex foi muito meu no passado, aquele dinossauro lindo e barulhento. #chora

    Um dos meus longas mais amados, reprisarei sempre que tiver chance e não tem como não querer entrar no filme para juntar esses dois.

    Obrigada pela visita e pelo comentário!

    Beijossss!

  • rsrs quem não sente saudades do msn?!? hahaha.
    Tive que ler o livro, bastante interessante também, embora as coisas aconteçam de forma um pouco diferente e demorem um tanto mais para se ajeitar. Recomendo a leitura, caso ainda não tenha lido! Obrigada por responder, *-*

  • Awn o livro é muito maravilhoso também e realmente as coisas demoram para acontecer e, quando acontecem, não é tão parecia como o filme – pra variar hahahahahaahha Mas eu adoro o humor da Rosie. Ela é muito mandona e sinto muito pelo Alex hahahahaha

  • heyrandomgirl

    Ai que ainda não superei esse filme, acredita? Virou um dos mais marcantes do ano e estou prontinha para uma nova dose. Lily e Sam me encheram de orgulho, especialmente o Sam que não fez nada mto importante a não ser Jogos Vorazes. Química perfeita, atuações perfeitas. #VoltaMSN hahahahaah

  • Mônica Oliveira

    Não! :///

  • Jéssica Simões

    O filme é simplesmente lindo, a dinâmica do casal foi muito bem construída, Lilly e Sam foram uns fofos, os dramas de Rosie foram emocionantes e ao mesmo tempo esgraçados!! MSN antigo foi o melhor!

  • heyrandomgirl

    Foi assistir? ó.ò

  • Mônica Oliveira

    Eu tô louca pra ver esse filme desde que uma amiga da Suíça me falou que ia ver no ano passado. Acho que vou tentar arrastar o Tiago hoje. Ou não, HAHAHA.