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04/mar

Viola Davis é THAT GIRL e arrasa porque ela é batalhadora e humilde.

 

“O grande propósito da minha vida não é a música, a dança ou a aclamação, mas a subida, o elevar dos outros, e de transformar o mundo e a indústria em lugares melhores”

 

Quando pensei nesta semana especial, me vi na saia justa em ter que escolher uma mulher que me inspira. É praticamente o mesmo que me fazer escolher um homem incrível da indústria do entretenimento. Meio que impossível!

 

Mesmo com tantas opções de mulheres maravilhosas, não poderia ter feito outra escolha a não ser Viola Davis, essa pessoa incrível, inspiradora, forte e que tem se revelado, dia após dia, minha aspiração nada secreta. Não sabia, até realmente conhecê-la, que passamos por coisas parecidas na adolescência e que queremos as mesmas coisas no futuro.

 

Há um tempo atrás, Viola era apenas um nome. Tinha um reconhecimento ali, outro aqui, mas o golpe dado foi com o filme Histórias Cruzadas, em que deu vida à Aibileen Clark. Uma personagem muito próxima de suas experiências de vida, que a lembrou do quanto sua mãe trabalhou para sustentar a família, cuidando dos filhos dela e das outras pessoas, e limpando casas. Um filme terrível, com péssimas atuações e que nem mereceu os prêmios em 2012 (ironias).

 

Dentre tantas mulheres maravilhosas no elenco, tais como Octavia Spencer, Emma Stone e Bryce Dallas Howard, lá estava Viola Davis, entoando um dos meus quotes favoritos:

 

“You is kind, you is smart, you is important”

Muito provavelmente, Viola não contou com palavras tão bondosas como essas ao enfrentar as intempéries da vida enquanto crescia. Da mesma forma que a vejo como minha maior conselheira, Aibileen poderia ter sido o perfeito grilo falante na vida da atriz. Porém, ela aprendeu do jeito mais difícil: vivendo. Não só isso, como batalhando por suas coisas. Como acontece comigo, diariamente (e com você, por que não?). Não aprendi ou amadureci tanto quanto vivendo. Tomei muito tapa, desde cedo, e coube a mim decidir o que fazer em seguida.

 

Isso moldou meu caráter.

 

Viola venceu incontáveis empecilhos que poderiam tê-la distanciado da vida e de si mesma. Uma das dificuldades que passou, confessada no Variety Power Of Women, em 2014, evento voltado para premiar mulheres poderosas e ativistas, foi que, quando era criança, passara fome. Ela se abriu, como sempre faz, com extrema humildade, agarrada ao prêmio que reconhecia seu trabalho e seu altruísmo pela Hunger Is, organização que tem como intuito erradicar a fome entre as crianças.

 

Ainda nesse evento, ela afirmou que sacrificou a infância por comida. Que nada lhe importava, a não ser correr atrás do jantar. A atriz admitiu que tem ótimas lembranças dessa fase, claro, mas o Jogos Vorazes que enfrentou é a memória mais ressonante. Davis emendou no discurso que foi uma das 17 milhões de crianças, entre os anos 60 e 70, que não sabia se teria a próxima refeição.

 

O que a fez sobreviver? Um sonho. O sonho de ser atriz.

 

Viola Davis arrasa por ter acreditado e se empenhado no seu sonho. E, como vocês bem sabem, amo sonhadores. Amo ainda mais quando sonhadores vencem e pisam nas dificuldades. Ter passado fome não a impediu de lutar pelo seu espaço. Não esmoreceu o seu talento. Ter passado fome a definiu como a mulher maravilhosa que se tornou. Dentre tantas coisas que me fazem admirá-la está o fato de ter conseguido, sendo que tivera motivos para desistir. Uma coisa é você lutar contra uma realidade aparentemente irreversível e sobreviver a ela. Outra é pausar e refletir o que foi tirado de lição.

 

Essa mulher teve a opção de seguir pelo caminho errado, mas não fraquejou. Pode ter havido dias em que ela e sua família não contara com um prato de comida, mas isso não a impediu de continuar a ir atrás. Isso a tornou forte e batalhadora. Acima de tudo, um poço de humildade.

 

Ao viver o sonho de ser atriz, um desejo alimentado desde o ensino médio, Viola ingressou seus estudos na consagrada Juilliard. Seu talento absoluto não demorou a ser reconhecido, engatando uma carreira na Broadway com Seven Guitars em 1996. Em 2001, ela abraçava seu primeiro Tony Award por King Hedley II.

 

Por mais que Histórias Cruzadas tenha lhe aberto incontáveis portas, Viola já era respeitada por seu trabalho em Dúvida (2008), que rendeu sua primeira indicação aos Oscar, na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. No mesmo filme há Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep. Ela também fez várias pontinhas na televisão e seu papel favorito foi em Law & Order, como Donna Emmett.

 

Atualmente, Viola é Annalise Keating, aquela advogada destruidora de How To Get Away With Murder, que lhe rendeu este ano um SAG de Melhor Atriz em Série Dramática, com direito a outro discurso que acabou com a minha vida. Sério, gente, me deu vontade de pegar essa mulher no colo.

 

Viola Davis arrasa por ter contado de coração aberto que chegou a ter vergonha de si mesma. Considerando a indústria do entretenimento, celebridades preferem camuflar suas falhas. É com gosto que a vejo subir em cada palco ou figurar na minha televisão, por saber que aquela mulher, com todos seus anseios, venceu lindamente. E continua a vencer e ser uma tamanha inspiração, não só para mim, mas para muitas mulheres e meninas espalhadas por aí.

 

Ela aceita cada gesto, cada elogio, cada prêmio com lágrimas nos olhos por não ter pavor da sua vulnerabilidade. E isso tem a ver com sua batalha, que não se resume apenas ao fato de não ter contado com uma mesa farta, mas por quebrar preconceitos todos os dias.

 

Por ter conflitado consigo mesma, especialmente sobre sua aparência.

 

Essa mulher que me inspira lacra vidas por não ter se deixado abater. Nem mesmo quando combateu problemas de autoimagem devido à Alopecia que a fez perder metade do cabelo, com apenas 28 anos. Isso a fez investir na peruca. Até mesmo para tomar banho. A primeira vez que li isso, me lembrei claramente do quanto odiava meu cabelo. Ele só vivia preso, rabo de cavalo ou um coque. A minha peruca, por assim dizer, era fazer escova. Era sofrido, porque, na minha época, não tinha tantas opções como há hoje.

 

E eu sofria mesmo. Meu cabelo tem fios grossos e são cheios, então, imaginem o quanto chorava quando puxavam todas as minhas mechas. Lembro-me do sofrimento da primeira vez que fiz progressiva. Gente, doeu demais! Lágrimas escorriam toda vez que aquele jato quente batia na minha orelha, mas não queria nem saber. Queria aqueles cachos longe-da-minha-cabeça.

 

Viola escondeu seu cabelo natural por muito tempo porque ela queria dar a impressão diante das pessoas de que era bonita. Eu fazia escova para que as pessoas me vissem mais bonita. Como se uma peruca ou um cabelo liso fosse nosso parâmetro particular de beleza. Como se a peruca ou o cabelo liso fizesse os outros nos amar mais.

 

Ainda bem Deus que há pessoas de sanidade para nos cutucar!

 

A atriz só abandonou essa insegurança, diminuindo o uso da peruca tanto em eventos como em photoshoots, por causa do marido, Julius, seu braço direito e esquerdo, sua perna direita e esquerda. Um homem tão maravilhoso que, se um dia magoá-la, terá que se ver comigo!

 

Ele pediu, praticamente implorou, para que a esposa usasse o cabelo natural.

 

Ele disse para a esposa se colocar na frente de todos como realmente é.

 

E Viola arrasa por ter levado o conselho ao pé da letra.

 

Arrancou a peruca e desfila nos tapetes da vida como realmente é.

 

E ela é linda e maravilhosa!

 

Até mesmo quando volta a usar a peruca.

 

“Todo mundo precisa crescer e ter chance no sonho americano”

– Viola Davis

 

Por mais que meus sonhos não sejam necessariamente americanos, Viola arrasa por sempre me lembrar que meus devaneios importam. Que tudo o que passei não foi porque Deus quis como os fracos costumam dizer, mas por algum bendito motivo. A fome poderia defini-la, guiá-la para um caminho errôneo, mas, todas as vezes em que arregaçou as mangas, foi para sanar uma necessidade. Foi para assegurar sua sobrevivência.

 

Porque ela acreditou no seu sonho americano, que era ser atriz.

 

Acredito que a luta e como lidamos com ela nos define. A experiência fez Viola se engajar no combate à fome. Ela fez da sua experiência um exemplo por não querer que outras crianças passem pelo mesmo. Por saber que é a melhor forma de não só recompensar o próximo, mas a si mesma. Isso tudo a transformou para melhor.

 

Viola é uma personalidade que torço. Muito! Que me faz acreditar que apesar dos pesares sonhos são possíveis sim. Ela ainda luta, especialmente contra uma indústria extremamente preconceituosa que sempre tem o que dizer sobre sua pessoa, valendo o comentário para aquela-jornalista-que-não-deve-ser-nomeada do New York Times que poderia falar tudo dela, mas preferiu cutucar a beleza. Isso a impediu de ir longe? Não!

 

Essa Deusa sabe que tem uma mensagem a transmitir por ter passado por intempéries semelhantes ao de qualquer mulher. Desde a infância sem equilíbrio financeiro, até as cobranças com a aparência.

 

Por essas e outras que a admiro muito. Não apenas pelos seus trabalhos, mas pela sua luta. Ela é sensível. Honesta. Verdadeira. E real. Uma perfeita inspiração, especialmente para nós mulheres que, em dado momento, acreditamos que não podemos ir mais longe, sendo que podemos ir muito mais além do que imaginamos.

 

Ela é uma prova viva de que as experiências do passado podem nos tornar imbatíveis. Ela é uma vencedora, um orgulho que faz meus olhos brilharem todos os dias.

 

Viola Davis arrasa porque ela se confessou uma nerd. E isso também a salvou!

 

Ela se empenha em cada projeto e quer criar os seus para apoiar as mulheres negras que, de acordo com suas palavras, não possuem tanta opção a não ser pegar as oportunidades e criar imagens por si mesmas. Porque dependem delas a procura por bons materiais e boas histórias para contar.

 

Viola Davis é THAT GIRL e arrasa por ser rainha da ABC, do universo e da minha vida. E eu a amo por ser extraordinária.

Stefs
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  • Autran Kevinlyn

    Belo texto! Parabéns!

    Viola demonstra ser uma persona incrível. Que mulher.
    "Histórias Cruzadas" é um filme sobre mulheres e suas lutas. E que filme, quantos diálogos lindos…Eu não consigo ouvir "living proof" "sem lembrar daquela cena final do filme. Da grande trajetória que ela teria. Sem final feliz, talvez.
    Viola, consegue tocar meu coração quando ela falo do filho morto. Quanta dor, lágrimas contidas. Não assisti novamente porque o filme ainda tem uma imagem forte em mim!

    E como diz a música final: "Eu sou a prova viva"

  • heyrandomgirl

    Sim, essa sou eu respondendo com séculos de atraso porque a vida já foi mais fácil hahhahaahahha

    Histórias Cruzadas é MTO AMOR! Uma dia tomarei coragem para assistir de novo @_@

  • Mônica Oliveira

    Não fazia idéia de tudo isso que ela passou na infância. Muito bom exemplo, e um post excelente, Marida. E eu AMO Histórias Cruzadas, é lindo demais esse filme!