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15/abr

A montanha estava me chamando. Eu tinha que fugir. E como tinha…

 

Vocês já devem estar familiarizados com este livro, já que postei minhas impressões no mês passado. Agora, chego aqui com uma perspectiva completa sobre A Mais Pura Verdade, livro debut de Dan Gemeinhart, cortesia cedida pela editora Novo Conceito.

 

Refrisando o que postei, A Mais Pura Verdade traz Mark, uma criança com uma doença grave. Ele ama o cachorro Beau, a melhor amiga Jessie, escrever no estilo haicai, fotografia e montanhismo. Em um determinado dia, aquele dia em que investimos em mudanças bruscas devido a uma decisão crucial, ele foge para realizar o maior sonho da sua vida: escalar a montanha Monte Rainier. Com o pet de um lado e a máquina fotográfica do outro, o personagem se entrega a uma aventura imprevisível, movido essencialmente pelo desejo de provação.

 

Sendo bem honesta, ao longo da leitura temi mais pelo Beau que pelo Mark. Não estou sendo insensível, tenham calma! Sou apegada as minhas cachorrinhas e tudo que envolve cachorros me deixa aos frangalhos. Em qualquer história, a inserção desse bichinho de estimação desvia minha atenção do protagonista. Compreendi os cuidados do personagem de A Mais Pura Verdade com relação ao Beau, a necessidade do carinho e do alimento, o que abriu espaço para a questão de lealdade. A todo instante, ambos chegam perto de se perderem um do outro, uma amizade em teste, e esses foram os momentos que meu coração ficou apertadíssimo.

 

Ao longo da jornada, há muitos sentimentos envolvidos. Pensamentos otimistas e pessimistas que quicam em cada passada dada por Mark, que refletem não só sobre a decisão de escalar a montanha, como também sobre seu estado de saúde. Há lembretes constantes da doença do personagem, mas, o bacana, é que esse dilema não é o miolo do livro. A enfermidade é apenas o motivo, o impulso. O que dá razão ao enredo é como uma criança larga tudo para perseguir algo na companhia de um cachorro.

 

No mesmo caminho, há uma abordagem sobre amizade e lealdade. E no rastro ficam as indagações: o que Mark quer realmente com isso? O que ele busca? Será que ele conseguirá?

 

Todos os sentimentos que me abordaram e que foram mencionados no post de impressões me acompanharam novamente ao ser mera espectadora da jornada do menino Mark. Mesmo adoecido, nada o impede de colocar seu plano em prática, cheio de estratégias que não funcionam como o esperado. A cada erro, o personagem tira algo de lição, e é essa a artéria principal do livro.

 

Sendo assim, a moral de toda a história tem a ver com amizade. Mark tem Jessie, a melhor amiga e responsável pelo ponto de vista em 3ª pessoa, que mostra o desenrolar da busca dele e o estado emocional dos pais. Ela é outro ponto que firma a lealdade, mas de um jeito infantil, mesmo ciente de que o amigo poderia estar em risco. Ambos representam uma amizade ingênua de amor ingênuo.

 

Em contrapartida, temos o protagonista e Beau, uma lealdade testada nos altos e baixos acarretados por essa decisão, desde ser atormentado por um bando de garotos, até aceitar a carona de um estranho para chegar até a montanha. Ser leal é um assunto trabalhado nesses dois pontos de vista, mostrando ao leitor o quanto é importante ter alguém que nos salvaguarde.

 

A Mais Pura Verdade é de rápida leitura, narrado em primeira e em terceira pessoa, uma divisão dada por capítulos e por capítulos e meio. Quando tive contato com essa história pela primeira vez, acreditei que o dilema de Mark seria explorado. No caso, a doença, já que é um tópico extremamente batido na literatura infantojuvenil. Acredito que, considerando que o autor é professor no ensino infantil, sua inspiração na escrita veio daí: contar uma história simples, de fácil entendimento, sem tanto aprofundamento para o público que tem afinidade. A linguagem denuncia por causa da sutileza e do cuidado para que cada parágrafo não soasse complicado.

 

É um livro 100% para crianças, dado o fato de que a doença não é o plot central, mas sim o que se aprende ao dar as costas para tudo e todos. O que se aprende ao abraçar a própria jornada e ao mostrar que é possível viver uma vida sem que alguém dite o que é preciso ser feito. Não se trata de uma fuga desobediente ou de um ato de rebeldia. É um salto ingênuo de um garotinho que só quer provar que ainda pode fazer algo mesmo debilitado. Aquela necessidade infantil de querer algo maior.

 

É uma história light, não tão sólida. Aborda provações em meio ao suspense e ao drama de uma dupla que sabe para onde ir, mas que não sabe se chegará em segurança ao destino. Mark cativa, tem uma ironia que faz qualquer adulto rir, as famosas puras verdades. Porém, considerando que o enredo transcorre tão rapidamente, foi difícil cultivar um apego. O protagonista não é tão marcante, mas as situações que o circundam, os pensamentos e as atitudes tomadas o tornam um xodó.

 

Em A Mais Pura Verdade tudo o que temos é Mark e Beau, os escudeiros que nos fazem temer pela sobrevivência em meio as mais súbitas intempéries. Não há abertura para outros personagens. A história traz um pensar sobre a vida de um ponto de vista infantil. Das puras verdades agridoces sobre as pessoas e o mundo. Uma análise que proporciona os mais aterrorizantes desafios.

 

É uma contagem regressiva da vida. É um rito de passagem de um menino que acredita piamente que não tem mais o que viver. Que centraliza seu último suspiro na tão sonhada montanha em meio a um frio tremendo e fortes tempestades.

 

Leiam as Primeiras Impressões.

 

Assistam ao Book Trailer

 

 

Na Prateleira:

Nome: A Mais Pura Verdade

Autor: Dan Gemeinhart

Páginas: 224

Editora: Novo Conceito

Stefs
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