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21/maio

É coisa da minha cabeça ou este finale de Chicago P.D. foi meio bleh? Bem… Se comparado ao da temporada passada, cujo drama do Jin foi estendido até o último episódio para engatar o cliffhanger, o foco no drama da Erin, do começo ao fim, não foi uma boa investida. Digo isso porque o que ela tem passado trouxe uma quebra significativa no ritmo da trama desta semana. Quando as coisas aceleravam, a detetive freava a ação. Esse viés poderia ter sido melhor, talvez, se a autossabotagem atingisse o emprego por culpa dela, só dela, como matar Roland, por exemplo. Agora, terminar nos braços da Bunny tornou a conclusão da S2 extremamente frustrante.

 

O episódio firmou a proposta desta temporada: corrupção. O mais interessante é que essa palavrinha trouxe duas quebras: Roland e Erin. De um lado, o caso semanal foi entre a boa e a má polícia, tendo Voight como personagem principal. O Sargento se viu obrigado a reviver o passado, só que de uma ótica diferente. Enquanto ele encontrou um jeito na vida, o outro “parceiro” de distintivo se entregou por inteiro a um desonesto esquema para conseguir grana. O negócio subiu muito na cabeça de Roland, algo que Hank deve ter sentido na vibe de corrupto, a ponto de nem ao menos hesitar ao apontar um revólver na cabeça de uma criança.

 

 

Enquanto alguns episódios trabalharam o undercover, o finale se apoiou em iscas atrás de iscas que poderiam culminar em uma bela tragédia. Não foi o que aconteceu. Rever o Comandante Perry foi mágico e fiquei triste pela morte à queima-roupa. Contudo, o aparecimento dele foi tão rápido quanto seu sumiço em CPD. Acreditei que Carter renderia pano para a manga, mas Roland foi o único ponto de interesse. Achei que a trama seria intrincada, pirei quando a turma de Narcóticos saiu imune do plano de Voight, mas nada bombástico aconteceu. Isso que me deixou passada, pois deixaram todo o drama do finale nas costas da Erin e não curti tanto assim.

 

O importante é que Voight voltou a ser o centro das atenções. De novo, o Sargento foi relembrado de quem era antes da UI. Do quanto sua antiga reputação ainda exerce influência entre policiais. Do quanto ele é idolatrado pelos motivos errados. Gostei de ver o personagem dentro de um capítulo parecido, só que com a responsabilidade de prender uma pessoa que, no passado, poderia ter sido seu parceiro na corrupção.

 

 

O caso semanal proporcionou o reviver de um momento que nem parece que aconteceu na vida dele. Hank esteve diante de um reflexo de si mesmo, bem distorcido, contemplando um cara sem controle, dominado pelo hábito corrupto, com a síndrome de Deus por acreditar que o distintivo o protegeria. Sem dúvidas, pensamentos que um dia foram de Voight. Literalmente, o Sargento sentiu na pele a emoção de capturar o que, em tese, era incapturável, e foi bem interessante acompanhar a frustração do personagem diante de uma novela muito familiar.

 

Roland foi um personagem interessante por mostrar a outra faceta da corrupção, a que Voight poderia ter mantido se não migrasse para a UI. Enquanto um encontrou o caminho para melhorar sua reputação, o outro foi engolido. O wannabe Hank era tão viciado no que fazia que não tinha mais estribeiras. O mais irritante de incrível é que todo o departamento acabou convertido, influenciado pela lenda chamada Hank Voight, que fez o que fez e saiu imune.

 

Voight vs. Roland teve lá seus pontos eletrizantes, mas acho que a forma como a investigação transcorreu não foi tão instigante. Senti que a resolução foi muito fácil, considerando que se tratou de um finale. Voight e Lindsay se ofereceram de isca, o plano falhou, rolou prisão seguida de soltura, alguém dedura e o cabeça do grupo simplesmente assume que é corrupto. O único ponto de impacto foi Erin entre a vida e a morte, algo remediado em segundos com a chegada de Atwater. Faltou apreensão e dificuldade, sendo que não poderia.

 

Último episódio da temporada, alow!

 

Acho que poderiam ter trocado o episódio da semana passada por este, que foi muito equilibrado, dosando a tensão de uma investigação na companhia do sofrimento da detetive. Mas…

 

Erin em: me segura que vou puxar o cabelo dela

 

Penso que o erro do finale foi se apoiar na Erin. A personagem foi responsável por tudo: acarretar preocupação com seu estado, tensão com a recusa de fazer o teste de urina até o “choque” de escolher Bunny em vez de Voight. Se eu não amasse tanto CPD, não tenham dúvidas de que deixaria a S3 rolar até ter certeza de que valeria a pena retomar os episódios. Afinal, esta temporada deveria se chamar all about Erin Lindsay, porque só ela teve transição de trama.

 

Como disse, a personagem representou outra fatia da palavra corrupção, uma corrupção pessoal, que começa a fazer um barulho incômodo. Lindsay ganhou tanto destaque nesta temporada que poderiam sim pegar mais leve com ela, especialmente no finale. Todo o drama foi empurrado para ela, sendo que só faltava um estopim para fazê-la abandonar o distintivo, algo muito óbvio desde que a detetive retornou para os velhos hábitos. Agora, fazer isso centralizando Bunny? Really?

 

 

Pensem comigo: Lindsay teve uma baita trajetória nesta temporada e avacalharam ao tirarem Nadia de cena – que tinha uma storyline com futuro e que barraram só para desmoronar a mulher guerreira da série. Até aí, ok. Nem todo mundo é maravilhoso o tempo inteiro, nem valente e nem alegre. Óbvio que Erin não lidaria com a perda de uma pessoa que salvou com excelência, ainda mais se considerarmos seu passado conturbado, o ponto tenso que Voight se mostrou preocupado.

 

A queda gradativa estava em um nível interessante, por quebrar a perfeição de Lindsay. E isso é excelente, porque não faltava muito para a detetive virar uma Mary Sue – linda, intocada, valente, desejada, perfeita. Resumindo: idealizada. Um tipo de personagem que não suporto.

 

Admito que nesta temporada houve momentos em que o foco constante nela me tirava do eixo (há outros personagens na série, duh!), ainda mais quando Linstead começou a ser alimentado muito depressa. Depois do que conquistou, do que fez, do que enfrentou, sério mesmo que a fizeram dar amém para Bunny? Esses showrunners, escritores e afins são masoquistas, se deliciam em ir contra a maré, com atitudes que pensamos não ser possíveis. Não que ache esses reveses ruins, os acho ótimos, pois não deixa a trama previsível.

 

Mostrar que Erin tem falhas merece um like, claro, só que essa quebra sinalizada pela escolha de uma pessoa idiota, cujo asco foi trabalhado vividamente nesta temporada, foi meio sem noção.

 

Foi insuportável vê-la, do nada, abraçar o lado negro da força e se alimentar da fonte que a destruiu. Erin pode estar mal, mas creio eu que não seja burra. Não chamaria isso de descaracterização, embora meu cérebro grite essa palavra, mas de regressão, uma desconstrução conveniente para ter o que desenvolver no arco dela na S3. Como disse na semana passada, não conhecemos a antiga Lindsay. A série não trabalha com flashbacks e nada mais inteligente que trazer à tona o passado dela e nos mostrar como isso funcionava.

 

Daí, entramos no que perguntei na semana passada: será que gostaríamos da Erin no decorrer da bad vibe? Neste episódio, ela me irritou, de verdade. E nem foi por escolher Bunny.

 

Imaginei que ela lidaria com os antigos hábitos ao mesmo tempo em que buscava uma fuga no trabalho, calhando no efeito rebote – comportamento arredio, poker face quando está em perigo, etc.. Atitudes que testassem seu posto na UI. Porém, até nisso facilitaram, pois a detetive se explicou o tempo todo para Voight. Estava nas feições dela a realidade de que contar com sua pessoa era um erro, e o que me incomodou é que não houve deslizes em serviço. Houve o teste de urina ou a chance de matar Roland, dois vieses que gerariam tensão e um auê tremendo. Foi péssimo o dia terminar com uma bronca e uma dispensa. Foi tão Atwater e a latinha.

 

Na boa? A personagem precisa ralar muito para recuperar não só o posto, mas o respeito. Se Hank mantiver a marra, como no bar da Bunny, sem insistir na “filha”, o amarei ainda mais. Sinceramente, é irritante geral passar a mão na cabeça da Erin e, depois de escolher a mãe, seria o fim da picada isso acontecer (é bem provável que acontecerá, pois é hábito).

 

 

Sem contar que essa escolha de Erin também pode abrir um caminho estreito para Jay, pois ele pode ser o único a salvá-la. Gostaria que isso não acontecesse. Cada um paga pelas escolhas da vida, então, a detetive precisa bater com a testa na parede. Só acho que na S3 ela precisa recolher os próprios cacos, lidar com as belas (ou não) consequências, sozinha. Quero vê-la trabalhar o dobro, sem ter o caminho facilitado. Voight já foi o anjo da guarda, não precisa ser de novo, pois Lindsay decidiu brincar de adolescente ao permanecer com Bunny.

 

E não sei vocês, mas pirei quando Voight comparou Erin a Bunny. Tava pedindo, né? Tenho certeza que esse foi o real estopim para o chilique de viver com a mãe e de pedir demissão. Orgulho envolvido.

 

Enfim, Lindsay está em regressão, considerando que começou a temporada maravilhosamente bem, mais madura na profissão e mais alinhada com Hank. Entendo o impacto da perda da Nadia, cada um tem uma forma diferente de lidar com o luto. Vê-la beber, se drogar e buscar no sexo uma fuga é tolerável por não fugir da realidade de várias pessoas que seguem pelo mesmo caminho. Ou da dor física e de posições de risco para ver se a mente e o coração voltam para o lugar. Porém, vê-la irresponsável e escolher Bunny foi demais.

 

O problema maior é que Erin não está aprendendo com o luto e nem com o que anda fazendo. Ela chegou a dizer que era uma péssima pessoa nos dias negros, o que me fez pensar se toda vez que a vida dela estiver ruim os antigos vícios serão resgatados. Para quem tem vergonha do passado, ainda mais com Bunny, a decisão, até então final, foi extremamente fora de tom. Tudo bem, assunto para a próxima temporada, porém, a passagem de tempo em Chicago é mais fulminante que férias coletivas, e acredito que poderiam ter optado por um encerramento (breve) diferente. Mas é aquela necessidade de mostrar quem era Erin Lindsay antes de Voight e, claro, testar se ainda gostaremos dela. Gostaremos?

 

Não posso julgá-la muito, pois não sei até onde essa história irá. Contudo, escolher Bunny foi a gota d’água, especialmente quando relembramos da trajetória das duas. Uma personagem que sempre foi sagaz diante dos mais variados casos e, de repente, se cegar para ter colo de uma pessoa que nunca lhe deu bola foi mais hard que vê-la esfregar o distintivo na cara do Voight. Em contrapartida, é o meio para evidenciar a autodestruição dela – essa senhora a deixará fazer o que bem entender.

 

Voight pontuou o que virá a ser o novo arco da jornada de Erin: descobrir o que realmente quer como policial/detetive. Pular do barco era algo já previsto, só faltava a mancada épica para fazê-la perceber que se tornou inútil até naquilo que deveria ser – e continuar – sua razão de viver. Não sei vocês, mas estou torcendo para que ela se dê tão mal, nível V de Vingança.

 

Os outros plots

 

Bunny passou dos limites! O que foi essa senhora entrando na Unidade de Inteligência, como se fosse íntima, achando lindo enquadrar a foto da Erin com Nadia? Não tiro em hipótese alguma a razão do Voight, achei lindo ele desmoralizá-la, pois essa cidadã está sim aproveitando o sofrimento da filha para provar que é melhor que o Sargento. Bastou o comportamento dela nos minutos finais deste episódio para ter certeza disso. O esquema agora é afundar Lindsay o quanto puder para que ela a salve e ganhe a medalha de mãe do ano. Que nojo!

 

Consegui aceitar Ruzek pedindo Burgess em casamento. Foi tão fofo, mas nada muda o fato de eu achá-lo um completo imaturo. Espero melhoras na S3.

 

Atwater voltou à UI e também espero melhorias quanto a sua storyline. Espero que ele tenha mais ação para representar o posto tão dignamente quanto Burgess. O personagem tem energia e não queria vê-lo na sombra do Al e do Ruzek de novo.

 

Falando em Al, ainda bem que inventaram uma história para ele. Parece que teremos mais lição de casa sobre os prós e os contras do trabalho disfarçado, um ponto comentado no episódio 2×17. O quanto é preciso ir a fundo para manter o personagem que esconde o detetive? Estou interessada.

 

Antonio querendo salvar crianças, onde compra um mozão desse? E onde está a mulher ou ex-mulher dele? Foi tanto mimimi na separação que… Adorei saber mais da história dele – sempre amo, na verdade, com todos os personagens. Também espero que ele faça mais na S3.

 

Concluindo

 

Foram poucos os episódios “ruins” desta temporada de CPD. A S2 foi relativamente ótima, o elenco estava mais maduro e mais alinhado. Até mais treinado nas cenas de ação. O ritmo foi mantido e houve amarrações poderosas, como o caso Bembenek, que foi um ótimo arco para o Halstead. A trama só se perdeu algumas vezes ao dar atenção para personagens que ainda precisam de muito para darem conta do recado, como Ruzek. E vale a infelicidade da ausência de plots sólidos para outros personagens, tais como Antonio.

 

E, não menos importante, teve Linstead, gente!

 

Agora, o finale ficou bem a desejar. Muito fraco em comparação ao da temporada passada que foi maravilhosamente encadeado, casado com os episódios que antecederam a morte de Jin – um belo de um cliffhanger. O abandono da Erin não intrigou. Na verdade, frustrou.

 

Inclusive, a abertura dos novos plots não animaram tanto, salvo o do Al. Detalhe que já me faz tremer, pois a S3 de Chicago Fire não foi lá essas coisas e CPD entrará no mesmo inferno astral no 2º semestre deste ano. Espero, mesmo, que Casey seja um ponto de interesse fincado já no começo do 3º ano de CPD, porque continuar o rodopio no drama da Erin matará o entusiasmo.

 

Obrigada a todos que leram, clicaram, comentaram nas minhas resenhas de CPD. Repito as palavras que disse em CF: não esperava que fosse dar certo. Por ter mais prática com as séries da CW (me julguem!), não sabia que iria longe ao escrever sobre essas duas séries. Nos vemos no futuro… Ou não!

Stefs
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