Menu:
08/maio

Não queria viver esse dia, nem dentro e nem fora da Unidade de Inteligência. Não teria concentração e fôlego para combater o crime – ou fazer qualquer outra coisa – depois do que aconteceu com Nadia. O dia nasceu cinzento em Chicago, aquele tipo de dia em que os músculos não respondem e o ar é rarefeito, causando a necessidade de não se mover para poupar energia. Atrelado a isso, aquela vontade de não fazer absolutamente nada. Nem falar. Nem erguer um dedo. Simplesmente ficar na sua, mastigar o que tem que ser mastigado, e encontrar uma forma de digerir a seco o que incomoda.

 

Resumidamente, o dia de Erin Lindsay, que se viu “obrigada” a manter o queixo empinado e o peito estufado. Porque policiais não são agraciados com folgas.

 

O episódio desta semana estava um rebuliço de sentimentos que se agarraram a trama para sinalizar que a perda de Nadia não passaria em vão. O drama conseguiu ofuscar o caso semanal que não passou de mais um incêndio culposo. Por outro lado, o acontecimento criminal da vez proporcionou boas cenas para alguns personagens, como Ruzek que teve a oportunidade de trocar de parceiro mais de uma vez. Adorei vê-lo junto com a Erin, acho que seria uma combinação interessante.

 

Gostei muito da postura do detetive em lidar com a investigação, tendo ótimas sacadas. Elogio até um pouco mais só porque ele não soltou as típicas piadinhas que sempre pipocam ou por falta de tato ou por achar que é superengraçado. Tudo bem que tinha o peso da perda de Nadia, o que faria qualquer gracinha inconveniente, mas vamos lembrar que esse cidadão nunca perdeu a chance de ser o bobo da Unidade de Inteligência.

 

Aproveito até para refrisar o quanto quero que Ruzek amadureça no futuro e que mantenha os humores controlados, como aconteceu neste episódio. O personagem estava sob medida.

 

Quem também estava sob medida foi a melhor personagem da série: a gaiola do Voight. Acho que nem preciso dizer o quanto surtei quando Antonio mencionou essa linda, algo que também foi espantoso, pois me fez lembrar o quanto ele foi relutante em aderir ao Voight’s Way. Como as coisas mudam, não? O que importa é que safado jogado atrás daquelas grades não sai sem apanhar, e lá fomos nós nos deleitar com mais um momento sangue nos olhos by Hank Voight. Situação que sempre rende as melhores ações e tiradas do personagem.

 

Voight até que estava muito bem para quem claramente combatia diferentes tipos de preocupação: tanto com Lindsay tanto com o caso. Ele sempre é tão focado no trabalho, tem esse posicionamento de pilar do Distrito, mas, quando aparece todo fraternal, é impossível o coração não derreter. Apenas morri quando Hank barra Erin no meio do caminho e lhe dá um pequeno conselho sobre não atingir o fundo do poço. Lindsay não é apenas uma detetive, é uma filha. E se já estava tensa com essa moça por causa da paquera com a bebida alcoólica, fiquei bem mais com essa súbita chamada de atenção. O Sargento sabe das coisas…

 

 

Platt roubou a cena de um jeito um tanto quanto inusitado. Juro que esperava uma reação à morte da Nadia totalmente diferente. Não choradeira no colo do Mouch, mas um desmoronar seguido de dureza mais irredutível a que abalou Erin. Sabemos o quanto a Sargento não se comporta bem diante de injustiças e de perdas, e, considerando que foi ela quem abraçou Nadia e a guiou rumo à carreira policial, era de se esperar um surto e não um inconformismo dosado com humor.

 

Mas isso tudo calhou tão bem, pois é dessa mulher que estamos falando. Sem um pouco de ironia não seria ela. Platt agiu como Platt, se recusando a cair. E, quando caiu, SOS.

 

A negação sempre esconde algo mais e foi destruidor vê-la afirmando o quanto é injusto Nadia não ter a típica pedra em memória aos policiais abatidos em serviço. Platt é o pilar dos pilares do Distrito, muito mais que Voight, o que a obrigou a manter o exemplo até onde deu. Mais um samba de força vs. vulnerabilidade que tanto amo nas mulheres dessa série. A personagem tinha que se segurar, do mesmo jeito que Hank, ou tudo e todos desmoronariam. Só sei que ela é mágica, sempre ajuda quando o tempo fecha, e nunca cansarei de elogiar o relacionamento dela com o boss da UI. Essa lealdade me emociona e adoraria saber como ela foi cultivada.

 

Assim, Hank não transitou para o 21º Distrito com a melhor reputação e sabemos que Platt exorciza meliantes. Gostaria muito de saber como/onde essa confiança se fomentou. Tenho certeza que esses dois têm alguma lembrança divertida, como Antonio tem com a Sargento (e que não deixou de ser trágica porque ela foi parar na parte burocrática).

 

Obviamente que não esquecerei de falar do moço Jay Halstead. Foi muito estranho vê-lo sem Will, pois me acostumei a ter a dupla colírio formada por ruivos toda semana. #VoltaWill.

 

Considerando as atitudes do Jay neste episódio, lanço oficialmente o programa de bolsa de estudos Halstead. Se você manter as notas lá no topo, ganhará um ano de bolsa Voight. Tá parei!

 

Gente, se é uma coisa que piro mesmo é quando mais da história desses personagens é dado. Imaginar que Halstead foi um jovenzinho criado a leite com pera, coroinha da igreja, e, de quebra, um valorizador das mulheres, foi minha morte. Enquanto Will é um claro mulherengo, temos o dócil e preocupado Jay Halstead, que só peca por ser desconfiado e temperamental demais.

 

Na cena em que Jay insiste na testemunha pela primeira vez, apenas observei como ele muda da água para o vinho. Do solícito e dócil, o timbre aumenta e sinaliza impaciência, o que leva aos surtos ignorantes e insolentes. Pelo menos, o detetive não tem histórico violento, algo que seria comum considerando a carreira no exército.

 

 

Quem merece um comentário é Atwater. Assim, ele não fez nada a temporada toda e mudará de posto por causa de uma latinha…? Admito que fiquei muito feliz com a troca, mas poderia ser por algo menos vergonhoso. Foi uma estupidez e não tiro o direito do Voight em querer manter a ordem na casa depois de um deslize desses. Nem posso me atrever a dizer que foi por causa das emoções, porque nem Erin estava tão desleixada. Shame do forte!

 

Nunca escondi o quanto fui contra a promoção de Atwater tendo em vista o que Burgess fez na temporada passada. Ironicamente, do nada ao nada, ele voltou ao nada. O personagem não teve uma evolução e se tornou uma sombra dos outros detetives. Essa transição não surtiu nenhum efeito, o que me fez lembrar do Mills em Chicago Fire, e o não mais detetive ficou apagado. Agora, com essa nova mudança – que nem imaginava que fosse acontecer tão cedo –, quem sabe ele volta a ser um cara interessante.Ainda mais porque Sean tem sido uma grata surpresa, outro dono de um temperamento nível Jay, e tem demonstrado grande camaradagem. Acho que a mistura dará certo.

 

Se gostei da Burgess finalmente na UI? Yes, more, especialmente porque não foi um convite de caridade, como aconteceu quando ela tomou um tiro. Espero que a personagem se dê muito bem, que não desça de novo, mesmo meu coração estando partido por ter acabado a parceria com Sean. Aprecio demais a amizade que ambos construíram. Tô triste, mas tô feliz!

 

Adendo: espero, espero mesmo, que isso não seja um fator influente para qualquer um se sentir no direito de brincar de casinha embaixo do nariz do Voight. É, é isso mesmo que vocês estão pensando. E isso também vale para o Ruzek, um personagem sem limites.

 

Vamos falar sobre Erin

 

“We don’t have time to grieve, we keep pushing and doing our jobs”. LISPECTOR, Sean 

 

Não há nada pior que ser obrigado a fazer algo quando não se está emocionalmente disposto por causa do luto. Internamente, você acha que precisa se ocupar para manter o foco e a mente distante do ocorrido, ao mesmo tempo em que, ao menor baque do silêncio, um vislumbre do que aconteceu passa diante dos olhos, com um gosto nada bem-vindo de nostalgia. Uma nostalgia que se torna amarga, especialmente quando há o sentimento de culpa envolvido.

 

Muitos dormem para não sentir ou se jogam em comportamentos arredios. Outros se calam e tentam sobreviver a mais um dia. Outros simplesmente têm que trabalhar, lembrando de sempre prender a respiração quando a tormenta está prestes a arrebatar. Esse foi o dia de Erin Lindsay.

 

Não há muito o que falar sobre ela. Só sei que, me colocando nas botas dela, não teria agido muito diferente. Quando a detetive fala que é “só uma mesa”, se referindo ao local de trabalho da Nadia, me vi naquela fala. Simplesmente porque sei o quanto é difícil segurar as emoções. Não para impedir a sinalização de uma fraqueza, mas por saber que, desmoronando, o fundo do poço fica mais próximo.Hesitar, negar e externar… Essas foram as palavras de ordem da personagem que manteve uma ótima compostura para quem poderia ter tirado uma licença ou ter um surto.

 

A endurecida de Erin não rebateu nos colegas de trabalho e isso foi muito bom também. Só acarretou a típica preocupação, um pouco mais do ponto de vista de Voight e de Jay. Os sentimentos da detetive foram bem expostos, bem talhados, bem comedidos. Também não a via se debulhando em lágrimas, pois Lindsay é obviamente aquela que se fecha e chuta as pessoas, algo que também me identifico horrores. Fingir que não vê é uma das várias válvulas de escape.

 

O que me chateou foi vê-la no bar da Bunny. Juro que me irritei só de ver essa senhora. Entendo a complexidade da situação, foi de doer ver Erin arrasada por uma perda que vê como um assassinato que cometeu em vez de uma circunstância – o de Nadia estar no lugar certo, na hora errada. Quando a mãe fala que é um momento de estar com a família, quis arrancar meus olhos. Nem família ela é, ué!

 

De frente para o diabo, Lindsay cedeu ao que vinha recusando desde o começo do episódio: o santo álcool. Se esse for o “pisar na jaca” – adaptando para o Brasil – a que Voight se referia, quero nem ver se investirem nesse viés. Sabemos praticamente tudo sobre essa personagem, mas não como ela lida quando está realmente machucada. Sabemos que ela chora, mas quando o drama é “superficial”. Agora, quando bate lá no âmago… Pensar nisso me deixa um pouco interessada e temerosa. Misturar café com um pouquinho de bourbon é algo assim que não me espantaria.

 

Emocionei-me com o memorial da Nadia, a carta de aprovação que Erin leu foi um tiro, mas achei fraco. Ok que ela não era uma policial, não esperava uma cerimônia com todos fardados, pois não teria o menor cabimento. Contudo, considerando o que aconteceu, faltou um tico de investimento. Não aceito “fim de temporada” como desculpa para algo tão rápido, pois essa moça merecia mais que uma pedra. Irônico.

 

Vamos ver se o dia seguinte terá um raio de sol. Porque depois de Atwater e a lata…

 

PS: e aquele depósito do Voight, hein? Já pensou que louco esse senhor na motoca? E, meu Deus, moraria naquele lugar só pra saber dos podres. Aquilo é armamento de guerra.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3