Menu:
26/maio

Só Deus podia curá-lo. E Deus não estava nem aí.

 

A Cadeira Vazia caiu no meu colo quando eu era uma adolescente rebelde no ensino médio e roubava, veja bem, livros da biblioteca. Estudava em um colégio público com uma biblioteca muito boa, mas que estava jogada às traças. Então, pelo menos uma vez por semana eu voltava para casa com um livro diferente. A grande maioria dos livros eu devolvia, mas o lugar era tão mal cuidado que alguns deles eu tive que manter na minha estante. O terceiro volume da série Lincoln Rhyme foi um deles.

 

Por algum motivo, quando eu era mais nova, tinha um fascínio enorme pelo filme O Colecionador de Ossos. Acho que era mais pelo nome que por outra coisa. Ao saber que A Cadeira Vazia era uma continuação da vida das personagens, todo o carinho que eu tinha pelo filme se estendeu ao livro. Ao reler as quase 500 páginas nestas últimas semanas eu entendi o porquê. Um romance policial incrível, é como ler um episódio de duas horas de Criminal Minds misturado com CSI.

 

Lincoln Rhyme é o melhor criminalista do estado de Nova Iorque, talvez de toda costa leste, mas é também tetraplégico e dono de um gênio insuportável. Acompanhado por Thom, seu assistente, e Amélia Sachs, sua parceira na NYPD e amiga (porque eles têm problemas em admitir que estão juntos), Rhyme viaja até a Carolina do Norte, onde uma cirurgiã famosa vai, se Deus quiser, ajudá-lo a recuperar alguns movimentos.

 

 

O xerife de uma cidadezinha vizinha fica sabendo da presença do criminalista e vai até o hospital universitário pedir sua ajuda num caso de homicídio e sequestro duplo. A princípio relutante em aceitar, Rhyme cede após a insistência de Amélia, que de maneira inconsciente estava fazendo de tudo para atrasar a operação.

 

Em Tanner’s Corner, um lugar estranho, insuportavelmente quente e obviamente não a praia deles, os nortistas estabelecem uma base improvisada em uma sala de depósitos no prédio da polícia. De lá, Rhyme orienta a pequena equipe liderada por Sachs nas buscas pelas cenas do crime primárias e secundárias. Contudo, o fato de serem estranhos no local – peixes fora d’água – e não conhecerem nada da geografia, natureza e costumes da região, além da falta de colaboração dos locais, atrapalha muito suas investigações.

 

 

Garrett Hanlon é o suspeito, um adolescente estranho que não conta com a simpatia de ninguém na cidade. Órfão há cinco anos, o menino perdeu os pais e a irmã em um acidente de carro, sendo adotado por um casal pouco agradável. Conhecido como “menino inseto” devido ao seu passatempo peculiar de colecionar marimbondos, aranhas e besouros, Garrett passa a maior parte do seu tempo enfiado na floresta e nas terras pantanosas.

 

Ele vive sujo e nunca conversa com ninguém, com a exceção de Mary Beth Mc Connell, uma jovem que o ajudou certa vez, quando alguns garotos da escola estavam batendo nele no meio da rua. Garrett ficou um tanto quanto obcecado por Mary Beth depois do ocorrido, de certa forma perseguindo-a e arrumando todas as desculpas que podia para conseguir falar com ela.

 

Naturalmente, quando outro rapaz da escola morre e Mary Beth é sequestrada, ninguém tem a menor dúvida de que o menino inseto é o culpado. Como se não bastasse, ele aparentemente sequestrou também uma enfermeira, Lydia Johansson, que havia apenas aparecido na cena do crime para deixar flores para Mary Beth. Geralmente, em casos como esse, a vítima tem 24 horas antes de perder sua humanidade aos olhos do sequestrador. Assim começa a caçada a Garrett Hanlon e a corrida dos investigadores contra o relógio.

 

Nós não temos tempo suficiente para andar depressa.

 

Rhyme impressiona ao analisar as pistas materiais encontradas nas cenas do crime, encontrando respostas que ninguém poderia imaginar, enquanto Sachs bate o pé e tenta convencer o amigo de que, talvez, Garrett não seja assim tão culpado. A dinâmica entre os dois dá o ritmo exato ao livro; ele absolutamente racional, convencido e impaciente, ela ansiosa, confiante de suas habilidades como policial e um tanto supersticiosa, ambos dispostos a fazer qualquer coisa um pelo outro e para resolver o caso.

 

Não vejo como alguém poderia ficar entediado lendo esta história, as sequências de ação são muitas e totalmente envolventes. As únicas coisas que quebram o ritmo da investigação são a natureza de Tanner’s Conner, com seus pântanos e areias movediças, e os agentes da polícia local, inexperientes em casos como esse e nem um pouco dispostos a obedecer aos metidos nortistas que nada deviam estar fazendo ali.

 

 

A trama d’A Cadeira Vazia é muito mais complexa do que parece ser. Ninguém ali, civil ou agente da lei, é quem aparenta, e as surpresas surgem até o último capítulo, mudando totalmente o curso da história e deixando o leitor na beira da poltrona. O fascínio de Garrett por insetos está presente do começo ao fim, ora perturbador e nojento, ora interessante e útil. Às vezes, tudo isso ao mesmo tempo.

 

Fiquei com muita vontade de ler os outros volumes do Jeffery Deaver sobre Lincoln Rhyme, e também suas outras séries, com personagens diferentes. O livro merece cinco de cinco estrelas, e fica a recomendação para todo fã de séries policiais.

 

Mariposas dobram as asas e caem no chão.

 

Na Prateleira

Título: A Cadeira Vazia 

Autor: Jeffery Deaver

Páginas: 491

Editora: Record

Mônica
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3