Menu:
28/maio

Lembram quando a J.K. Rowling lançou uma coluninha da Rita Skeeter, dando um parecer sobre a vida de Harry, Rony e Hermione depois da Batalha em Hogwarts, no Pottermore? Se não se lembram, aqui está um bom momento para recordar. Afinal, hoje é dia de #TBT.

 

No dia 8 de julho de 2014, Rowling perdera a timidez e publicara um conto assinado pela fofoqueira mais amada (e odiada) do mundo bruxo. Admito que relutei para lê-lo, pois, como sabem, sou meio contra ao fato da minha amada escritora mexer no que está quieto. Isso não só cutuca a ferida como abre a possibilidade dela gostar da brincadeira e não parar mais.

 

Não, não acho que ela deva abandonar a sua saga – o Pottermore existe, né, gente? –, mas, às vezes, dá a entender que não há outra coisa que Rowling possa fazer a não ser criar com base no mundo Potter. Amém que ela tem outros títulos publicados, mas depois daquele Epílogo, essa linda deveria cantar Let It Go ao mundo Potter. A conclusão da saga, considerando os filmes em 2011, foi perfeita demais, e toda vez que algo novo é publicado, me sinto no vai e vem de um relacionamento conturbado.

 

Namorar essa saga foi, e ainda é, conturbado. Voltar ao universo Potter é como reatar um relacionamento das antigas, aquele que teve momentos lindos e que deixou o gostinho de tristeza por ter acabado. Rowling é uma força maligna do bem que nos faz reatar com esse mundo quando menos esperamos, mas prefiro rememorar o passado quando sinto saudade por conta própria. Porém, é de Harry Potter que falamos, responsável por um masoquismo emocional para qualquer potterhead. Um ciclo sem fim e cada novidade é como um soco na face.

 

Enfim, quando li o artigo da correspondente Rita Skeeter no Pottermore, dei muita risada. Rita Skeeter sendo Rita Skeeter sempre foi e sempre será impagável. Amei todas as inserções dela entre parênteses, comentários que eu faria também sem sombra de dúvidas. Em meio ao final da Copa Mundial de Quadribol, ela não perdeu a chance de alfinetar os membros da Armada de Dumbledore, e é claro que a pena de repetição rápida estava lá, despejando o recalque em nome dos velhos tempos.

 

Lucius Malfoy deve ter se debatido ao ver que Harry e Cia. ficaram no camarote VIP da Copa, lugar aonde há as bebidas que piscam e o direito de conhecer os jogadores. Como era de se esperar, menino Potter ainda atende pelo apelidinho sem graça de O Escolhido, um detalhe que sempre me fará lembrar de Matrix. Desculpa, Jo!

 

O bom de ter lido esse conto é que deu para perceber que a rotina do Harry não ficou amena e florida, como deu a entender no tal Epílogo. Por mais que tenha ficado como rei do camarote na Copa, o personagem ainda conta com proteção extrema, escoltado por bruxos e encoberto por feitiços. Mesmo sem Voldemort, achei válido prezar essa preocupação, como se o bruxo ainda fosse um alvo, independente de ser Auror.

 

Nos trechos sobre Harry senti que, mesmo com o passar dos anos, nos seus 34 anos, ele empacou no tempo. Não que o quisesse bombadinho, com o cabelo entupido de gel, mulherengo, mas uma mudança não faria mal a ninguém, né? O personagem ainda preserva os óculos de aros redondos, que Rita descreveu como um visual mais adequado para uma criança de 12 anos.

 

A cicatriz em forma de raio existe também, a característica do menino bruxo que não pode, jamais, ser apagada ou corrigida com massa corrida. Por mais que seja horrível, Rowling fez bem em mantê-la, a recordação de todas as batalhas e pesadelos do personagem.

 

O que chamou minha atenção no suposto plot do Harry, foi a descrição de um corte na maçã da bochecha dele. Quando esse texto foi publicado, achei que Rowling aproveitaria esse viés para inventar alguma outra historinha para o dia 31 de julho. Só que fui trouxa!

 

O suspense em torno desse corte, que só aparenta ser insignificante, atiçou meu cérebro. Pensei sobre a possibilidade do Harry estar envolvido em novos mistérios que um dia explodirão sobre nós. Talvez, nos conectando em uma nova era de terror e de caos. Ok, também sou contra a ter mais livros da saga, mas não tem como segurar um surto só de pensar no trio sambando no carro alegórico de novos inimigos.

 

Já pensou se alguém colou os pedacinhos do Voldemort para que ele retorne? Não duvidaria… Se o Quirrell aceitou a ideia de tê-lo atrás da cabeça, vai que alguém brincou de remontá-lo por mais de 19 anos? Tem louco pra tudo, especialmente em Harry Potter (Bellatrix, cadê você?). No mais, acho que a Gina o azarou, porque está mais do que provado que o bruxo continua um boca aberta (gosto dos vilões, sim, tenham uma boa noite).

 

Outro ponto de mistério foi a recusa do Ministro da Magia em dizer algo sobre um trabalho secreto do Departamento de Aurores. Um “não” repetido 514 vezes para Skeeter (me rachei de tanto rir com a insolência inalterável dessa mulher. Pelo amor de Deus, quero ser estagiária dela). Senti cheiro de novo inimigo no ar e tenho medo do que Rowling pode fazer se resolver dar trela ao que escreveu, assinado em nome de uma jornalista duvidosa.

 

Dentre as melhores partes está o cutucão no relacionamento dos Potter. Tudo bem que isso me fez lembrar da entrevista da Rowling com a Emma, para a Wonderland Magazine. Não que esteja esperançosa sobre isso, mas ficaria feliz em ver esse shipper afundar. A matéria de Skeeter conta o quanto Gina estava feliz em deixar o marido e os filhos para cobrir o Mundial de Quadribol, e ainda caçoa dizendo que ela não tem experiência.

 

Assim, Gina saltou de paraquedas na trama da saga, como a garota perfeita e desejável de Hogwarts. Como se tivesse sido criada para combater Hermione em aparência. A única coisa que admiro na menina Weasley é sua independência, a poker face dada aos haters, algo que o texto frisou e que me fez feliz. Ela não é obrigada a calar seus desejos só porque se casou com Harry Potter. Acho essa liberdade de cigana dela um máximo!

 

Skeeter ainda chamou a Weasley de interesseira. Parafraseando-a: quando seu último nome é Potter, portas se abrem. Não é que pensei nisso quando os artigos da Gina pipocaram aos montes no Pottermore? Calmaí, que esse talento só me incomoda pela falta de construção e desenvolvimento dessa personagem na saga. Ela tem muitas particularidades para quem se destacou 6 livros depois. Não, né?

 

Já que estamos falando dos Weasley, temos Rony, mais conhecido como sombra do Harry (baixou o Draco Malfoy em mim, me deixem). No texto, há uma novidade que achei bem bacana: ele saiu do Departamento de Aurores para ser um dos empresários da loja dos gêmeos. Tudo para ajudar o Jorge. Isso me deixou tão triste que…

 

Sem dúvidas, foi a melhor decisão do menino ruivo. Nunca vi talento nesse jovem a não ser seguir o Harry (acho que deu para perceber que a Sonserina corre forte desse lado, mas eu amo o Sr. e a Sra. Weasley, ok? Meu problema sempre foi Rony e Gina).

 

Essa decisão do Rony me fez feliz porque, pelo visto, ele cansou de ser a sombra do Potter. Não duvido que isso tenha acontecido, pois o Weasley sempre foi complexado. Tenho certeza que até Hermione aumentou alguns dos complexos dele. Porém, é fato que o personagem voltou à zona de conforto, um sinal de que, depois de tudo, houve regressão. Algo que pode até ser visto como positivo, pois, até então, o bruxo foi o único que apresentou efeitos pós-traumáticos depois da 2ª Guerra Bruxa. E isso é um ponto que sempre senti falta.

 

A prova disso foi Rita pontuar a afirmação de Rony sobre o medalhão do Salazar. O objeto o sugou completamente. Só consegui imaginá-lo com problemas psicológicos, algo que adoraria. Não por não gostar dele, mas para dar realismo aos efeitos negativos da guerra – algo que Rowling se esqueceu. Digo isso porque no Epílogo todo mundo pareceu bem para quem foi, por exemplo, torturado. Também não, né?

 

Verdade seja dita: ainda não aceito o fato de todo mundo ter terminado bem. Amo finais felizes, mas o trio passou por muita pressão psicológica e, no fim, ninguém pareceu sofrer nem de estresse pós-traumático. Ok que não daria tempo de Rowling destrinchar isso, mas o Epílogo, com toda aquela fuleragem, aqueles nomes terríveis, aquele clima de final de ano, ainda me faz indagar se outra pessoa não o escreveu no lugar da tia Jo.

 

Adendo: queria que Harry ou terminasse morto ou no St. Mungus. Seria mais justo que mantê-lo ainda no posto heroico. Jamais ele teria tanta fibra para ficar em forma depois de tudo que aconteceu. Afinal, a treta com o Voldemort começou quando ele tinha 11 anos. Traumas não se apagam com um aceno de varinha, né?

 

As partes divertidas

 

Encontro do Harry com Krum. Perguntei-me se Hermione foi até o ex-crush, mas certeza que Rony deu uma de Laerte e não deixou. O bacana desse trecho foi mostrar que o que aconteceu no labirinto, literalmente, morreu no labirinto. Ninguém sabe o que se passou por lá, pois nem o Dumbledore aprofundou o ocorrido com Cedrico (como sempre!). Tudo que se sabe foi que o Lorde voltou no Torneio Tribruxo, e menino Potter não falou o que aconteceu com Vítor.

 

A alfinetada contra Hermione tinha que acontecer e, claro, foi sobre o cabelo. Mas isso não importa quando a bruxa nos enche de orgulho ao pertencer ao alto escalão do Ministério da Magia, como a cabeça do Departamento de Execução das Leis da Magia. Vomitei arco-íris, de verdade. Ainda mais por ela ser sangue-ruim, honrando a comunidade desde sempre.Meu coração parou na garganta com as menções honrosas aos outros membros da Armada, tais como Neville, nosso professor lindo de Herbologia (que deveria ter se casado com a Luna). Com a esposa Hannah, que é curandeira, ele mora em cima do Caldeirão Furado. Além disso, os dois são um par de bêbados fãs de firewhisky.

 

E tem a Luna, gente! Sempre excêntrica, muito bem casada com Rolf Scamander, neto de Newton Scamander, ela compareceu à Copa sem os gêmeos. Rita lacrou vidas ao descrever a ausência das crianças como “muito perturbadas para serem vistas em público”. Gente, idealizem as roupinhas dos pequenos Lovegood, por favor!

 

Rita deu um parecer também sobre a carreira dos outros Weasley: Jorge ainda mantém a loja, ao lado de Rony; Carlinhos continua com os dragões; Percy é responsável pelo Departamento de Transportes Mágicos (e é culpa dele que a rede de flú estava congestionada); Gui, meu xodó, continua com seu dilema de ter sido mordido por um lobisomem e ainda está casado com a Fleur – um relacionamento que aos olhos de Skeeter é milagre ou efeito de uma Poção do Amor. Teddy Lupin (Stefs grita!), com seus gloriosos 16 anos, metade lobisomem, também recebeu uma menção. Amei a ideia dele ter cabelo azul, uma dedicatória à Tonks. Por ser meio alternativo, Rita cutucou o menino com a inabilidade de se encaixar na realeza do mundo bruxo desde que chegara ao acampamento VIP – herança do pai.

 

Master Lupin, como é conhecido, tem um caso com Victoire Weasley, e ambos inventaram um meio de respirarem através das orelhas. A gargalhada vem quando Rita se indaga no como ambos conseguiram sobreviver por tanto tempo sem dar uns amassos. Bem, se no Epílogo já tinha aquele fogo todo, nem imagino o que virou no futuro.

 

Assim, estou ansiosa pelo divórcio dos Potter. Tem como adiantar isso daí? Obrigada!

 

Vocês podem ler o texto na íntegra, e em inglês, no Pottermore (será preciso fazer o login).

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3