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20/jul

Algumas pessoas me perguntam de onde vem essa minha fascinação pela Branca de Neve. Sim, eu sou a cota das cotas por amar essa princesa clássica da Disney, simplesmente porque o VHS foi um dos meus grandes companheiros durante a infância – tenho até hoje essa relíquia. Conforme crescia, só percebi o quanto minha vida em casa se assemelhava a dela no castelo.

 

Meu amor pela Branca de Neve vem pela história. Eliminem a parte do príncipe – que sempre considerei um tremendo avulso. Ele só foi inserido para dar início ao ciclo de finais felizes da Disney. Nem plot esse cidadão tem para chegar beijando os outros, eu hein. Focaremos na índole da Snow vs. a madrasta e sua obsessão de ser a mais bela de todas.

 

Branca de Neve não é tão levada a sério porque ela foi o que chamo de projeto piloto. Ela é a primeira princesa da Disney, cuja história é uma versão do conto assinada pelos irmãos Grimm com algumas alterações pertinentes. Ao rever o filme com mais idade, apenas vi a inserção de várias coisas ao mesmo tempo para ver o que dava certo. Por isso o príncipe sai como o maior avulso, mesmo com o humilde elo emocional com a Snow. Esse cidadão só canta, some e surge para salvar o dia.

 

Snow foi lançada em 1937, durante a 2ª Guerra Mundial, época em que as pessoas precisavam de certa dose de otimismo. Nada mais justo que a princesa ser salva por um mozão, sendo que muitas mulheres eram deixadas para trás porque os pares iam para as zonas de conflito. Sem contar que a idealização de uma senhorita ser salva por um senhor de cavalo branco era cultivado a pleno vapor.

 

Só que no caso da Branca de Neve, amigos, ela foi tombada por inveja e não por amor.

 

Por ser a primeira princesa, muitas histórias se desenvolveram a partir dela. O que poderia manter? O que poderia mudar? Por isso, temos princesas bem distintas umas das outras. O que me faz ter grande identificação com a Branca de Neve – e acho que é um ponto de semelhança com grande parte das princesas – é que ela não mudou quem ela é, nem mesmo por medo da Rainha. Na realidade, Snow nem entendia porque diabos era tão detestada. Ela só fazia faxina, ué.

 

Da mesma forma que Cinderela só queria algo genuíno que a fizesse feliz por uma noite, Branca de Neve só queria sua liberdade. O problema é que ela era a mais bela de todas, o que a condenou. As duas se assemelham por serem praticamente presidiárias no próprio reino. Ambas não tiveram um contato mundano que as corrompesse – como a Bela, que viu de perto o outro lado da moeda, algo que trincou seu teto de vidro, todo perfeitinho como seus livros.

 

Mais crescidinha, o que me faz ainda mais encantada com a história da Branca de Neve, e até mesmo da Cinderela – mesmo não sendo fã dela –, é que elas foram meio que obrigadas a se conformarem ao que não eram. Por mais que a Disney não tenha seguido por essa curva, a Rainha e a Madrasta impuseram um poder psicológico naquelas meninas que eram uma ameaça ao trono/liderança delas. As vilãs impulsionaram as mocinhas a controlarem tudo, a serem perfeitas, mas por medo de punição. As princesas não faziam a menor ideia do poder que tinham.

 

Cinderela e Branca de Neve vivem trancafiadas, são ingênuas e acham que, por algum motivo, merecem ser subestimadas por mulheres que deveriam ser suas mentoras.

 

As duas histórias abordam a inveja feminina. O medo de uma ser a mais bela ou a mais inteligente. Características que nunca subiram na cabeça dessas duas personagens porque, de alguma forma, ao menos no meu ponto de vista, elas estavam conformadas com o que supostamente eram e achavam que não poderiam ir mais adiante. Cinderela se escondeu não por amor ao príncipe, mas por medo do que sua Madrasta faria ao descobrir que o bendito sapatinho de cristal era dela.

 

O mesmo vale para a Branca de Neve que, mesmo que não tenha sido explorado, é mais do que claro que ela viveu e cresceu em função da Rainha – que não era Rainha coisa nenhuma. Ela cresceu tendo em mente que deveria agradar essa mulher não por amá-la, mas por temê-la.

 

A partir do momento que Cinderela e Branca de Neve se tornam desejáveis aos olhos masculinos, que sei que muitas mulheres reclamam por ser o “passe” para a liberdade, elas se tornam perigosas. Porque começam a quebrar as regras. Elas começam a notar que podem cruzar a linha tênue. Porém, não o fazem por medo. Mulher maligna consegue ser pior que homem, fato.

 

Não sou tão dura com as histórias da Disney em alguns quesitos, especialmente os clássicos, porque considero bastante o timing em que elas foram produzidas – e nem adianta revirar os olhos porque isso é um fato real. O príncipe sempre foi um personagem que aguçou a mente feminina, algo que considero mais saudável que reverenciar um homem abusivo como acontece hoje em dia.

 

Óbvio que defenderei o cara do cavalo branco que salva a moça para amá-la e não para objetificá-la. Os estúdios Disney ainda têm muito o que melhorar sobre suas mulheres, mas devemos levar em conta que as histórias retratam amor genuíno, seja de mulher para homem, da mãe para os filhos, da princesa por seus costumes e assim por diante. O que importa é o amor vencer no final e se isso lhe dói, vá se tratar.

 

Por mais que Branca de Neve seja a primeira, a que não contou com um bom desenvolvimento – o filme dela é o mais curto –, o que sempre tirei de lição dessa princesa é seu instinto de sobrevivência. A personagem quase foi assassinada, mas manteve o sorrisão. Acho lastimável ninguém dar a ela esse crédito. Há uma força suave dentro dela. Ok que Snow é norteada pelos animais até a casa dos anões, mas, simbolicamente, ela não desiste.

 

Ela foi caminhar com o caçador, ciente de que só colheria flores para agradar a mulher que a odeia – e esse ódio nunca passou pela cabeça da Snow até ser atacada. Em uma crise de consciência, o homem a deixa ir, mas não faz a menor ideia de que aquela jovem poderia morrer de qualquer forma ao ser largada na floresta. Pela Rainha e pelo caçador, ela foi chutada sem ter a mínima ideia do que fazer. A princesa sai de um cativeiro e é jogada no mundo, sem saber das malícias. Poderia retornar, com o rabo entre as pernas, mas a noção de perigo a arrebata e a norteia ao nada.

 

Por isso que gosto quando pegam esse choque da Snow para torná-la uma guerreira.Daí, entramos no encontro dela com os 7 anões. Esse percurso poderia fazê-la perder o maior traço da personalidade dela: a bondade. Mesmo sendo odiada e minimizada por ser quem é, ela não fez o mesmo tipo de julgamento ao dar de cara com os homenzinhos que pensou ser crianças. Ela os tratou como iguais, não os julgou pela aparência – e ela acabou, de novo, sendo julgada por ser quem é, vide o comportamento do Zangado que não a suportou no primeiro momento.

 

Snow não foi lá no reino dar uma tombada na Rainha, sendo que deveria. Ela passou a viver sua nova vida, se mantendo como é, bondosa e prestativa.

 

Comparando essa história com a minha, fui – e acho que ainda sou – a maior faxineira de todas. Sempre que digo que minha identificação principal com a Snow se dá por ela limpar o castelo de cima a baixo, é a mais pura verdade. Aprendi a me virar dentro de casa muito cedo, e isso inclui trocar fraldas da minha irmã. A minha mãe sempre foi meio cri, cri, cri com praticamente tudo nesta vida – mal de virginianos – e eu tinha receio dela botar defeito no que poderia não ter sido feito.

 

Claro que não era punida, gente, calma, mas não suportava ouvir os resmungos de uma pessoa perfeccionista. Nossa, isso me tirava, e ainda me tira, do sério.

 

O mais bizarro é que, por mais que tivesse minha liberdade, eu me sentia presa. Fazia tudo que tinha que fazer, às vezes, de má vontade, e acreditei piamente que isso não mudaria.

 

O que conflita comigo é essa bondade mágica da Snow. Sempre fiquei inconformada com o fato dela não se rebelar. Ela é princesa, meu Deus, pare de fazer papel de trouxa! Por isso repito: amo o viés guerreira. Daí entramos no que sempre me irritou na hora de retratar mulher em qualquer história: a passividade. Acho meio surreal Snow, Cinderela, etc.. não possuírem desejo pela liberdade. De viver. Nossa, isso me enlouquece. Dou créditos a Bela socando a porta, gente.

 

Branca de Neve é passivona, eu sei. Sempre que assisto ao filme, sinto falta da faísca de querer algo diferente. Afinal, a personagem foi submetida a maus-tratos, algo que deveria ter despertado seu lado negro. O mesmo vale para o momento em que quase foi assassinada, depois menosprezada por alguns segundos pelos anões. Mas eu a perdoo. Justamente por compreender um pouco dessa passividade. Quando era mais nova, não tinha como combater meus pais e me impor. Isso só foi acontecer quando eles se separaram. Meu lado negro se manifestou com um estalar de dedos.

 

E há o ponto delicado: a história retrata uma das principais temáticas da era clássica das princesas da Disney – uma mulher pisando na outra. Como isso acontece? Pela aparência. Snow não tem noção que é a mais bela de todas. Ela não tem noção da sua realidade. Na mente da personagem, não há essa de mais bonita. Só servir para não ser punida. Para uma criança, Branca de Neve tem uma baita lição sobre pré-julgamento e o julgamento propriamente dito.

 

Quando julgam o fato dela ser tombada no sono, sempre friso que isso aconteceu por inveja, não porque a Rainha queria tomar o crush da sua rival. O que incomoda muitas pessoas é que o príncipe é o passe de liberdade da Snow, ao contrário da Bela que é o passe da Fera.

 

Uma princesa que acho perfeita é a Jasmine, porque ela sai da zona de conforto querendo ver o mundo além do seu castelinho. Ela tem argumentos ótimos, uma ousadia e uma malícia sob medida, faz o Aladdin comer na mão dela, o mesmo Jafar. Ela tem independência, mesmo sendo uma princesa. Outro ponto pertinente que a difere do arco Branca de Neve é o fato de ter sido criada por um homem. O mesmo a Bela.

 

Vejam bem: parte das princesas são controladas por mulheres. Disney, arrume isso!

 

Indiretamente, o estúdio alimentou esse conflito feminino, em que uma não pode ser mais bonita que a outra, em que uma não pode ir ao baile por também ser bonita. Esse tipo de coisa não faz a menor diferença, mas é um conflito real e que ainda perdura, sem precisar de calabouço.

 

O que me faz apaixonada pela Snow e pela sua história não é o fato dela ter sido beijada nos minutos finais, mas por não ter se deixado levar pela maldade da Rainha invejosa. Ela pode não ter lutado, ter invadido o castelo, ter partido o espelho ao meio, mas revidou com bondade e gentileza. Tenho certeza que se as pessoas revidassem tudo com bondade e gentileza, muitos vilões pensariam mil vezes antes de soltar uma crítica. Simplesmente porque não há como combater isso.

 

Por ter mantido sua personalidade, essa princesa conquistou novas amizades que a protegeram até o final feliz. Quem a salvou não foi o príncipe, foram os anões. O crush pode até ter sido o passe de liberdade por fazê-la acordar, mas quem a libertou foram os 7 homenzinhos.

 

Eles detonaram a madrasta, uma vingança justíssima.

 

Snow me ensinou muitas coisas das quais não compreendia quando era criança. Que é preciso ter paciência para determinadas coisas acontecerem na vida. Que você pode ser você mesma quando alguém diz que ser você é errado – a Rainha. Que o que faz a pessoa bela é o caráter.

 

É tudo uma questão de perspectiva. E essa é minha perspectiva sobre o que aprendi com a Snow White. Tô nem aí se ela ganhou uma bitoca para sair do seu sono de beleza. Ela fez muito pelo próximo e é isso que levo em conta. Ainda mais quando Branca de Neve foi basicamente uma princesa da guerra, em que o cinema era o entretenimento principal. Ter um final feliz, por mais piegas que fosse, era regra, pois os anos 40 foram de total de desesperança.

 

Para finalizar, preciso comentar a minha morte terrível com as adaptações da Branca de Neve. Desde Kristin Kreuk até Kristen Stewart, tenho vontade de chorar. A única que aceitei foi com a Lily Collins (foto acima) – que só me cativou por eu gostar muito dela. A Branca de Neve e o Caçador teria sido perfeito se fosse a Collins no lugar da Stew. Espelho, Espelho Meu seria melhor se a Rainha fosse a Charlize e não a Julia.

 

Tudo errado!

 

Nem em Once Upon a Time fiquei feliz. A personagem ficou insuportável, só é bacana nos flashbacks, e foi meio impossível não torcer pela Rainha – Lana Parrilla, gente! Como não amar?

 

O quote da Branca de Neve é: “lembre-se que você é a única que pode preencher o mundo com a luz do sol”. Sozinha ou bem acompanhada, ela não deixou a peteca cair.

 

Maldita seja aquela maçã.

Stefs
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  • peraí, a Lily fez um filme que é o conto da branca de neve? eu não vi isso aí braselll! preciso ver
    agora, você tá com azar no seu conto mesmo gata, nenhuma adaptação foi inteligente o suficiente para dizer 'parabéns'.
    Em Once, como não amar Lana dentro e fora das telas? socorr que molier maravilhosa!!. Mas a Snow do passado era bem mais cool mesmo, sem príncipe.
    Meodels dá pra debater isso no IATG, vamos? essa coisa da princesa e os valores usados nos filmes. Porque você disse uma verdade, essa coisa da INVEJA é ate hoje, sem precisar de prisões.
    Das princess, amo Cinderela, e muitas das versões também amo. A da Drew é uma das minhas favoritas – Para Sempre Cinderela. ♥

  • Nem-me-fala-das-minhas-adaptações-flops-que-me-revolto! hahahahahahah Nossa, só da Lily salva em partes, porque não gosto da Julia Roberts – que para mim é só um filme e olhelá! Em Once sou Team Evil Queen, mto difícil defender minha princesa quando ela é uma porta – e nunca entendi isso sendo que a série pegou o plot de caçadora. VAI ENTENDER!

    Tá ANOTADO! Acho que se bobear dá pra fazer em outubro,hein? Apesar que não tenho tema pra agosto ainda tralalalalalallala

    Pra Sempre Cinderela é lindo, mesmo não gostando da Drew tbm hahahahhaha Mas gostei muito dele, apaixonante <3