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07/jul

Hoje não sou eu que falarei sobre Brooke Davis. Na verdade, só darei minhas considerações no fim deste post – porque o que trago é uma carta dedicada a personagem, postada no site Zap2it, em 2012, às vésperas do series finale de One Tree Hill.

 

Uma carta de agradecimento para Brooke Davis, por ser mais do que suficiente

 

“Quando One Tree Hill estreou na Warner, em setembro de 2003, tinha 16 anos. Assisti porque Dawson’s Creek tinha saído do ar e não tinha nada melhor para fazer assim que terminasse minha lição de casa de física.

 

Quase 8 anos depois desse dia que eu, uma adulta de verdade, visitei o set da série para realizar entrevistas com o elenco e para observá-lo enquanto filmava um dos episódios finais.

 

Sentei atrás das câmeras no set do Karen’s Cafe, assistindo a esforçada transformação de Sophia Bush para Brooke Davis, dirigida por Greg Prange. A cena não era triste ou particularmente comovente – ela flertava com seu marido antes dele ver algo na rua e correr para fora. Foi praticamente uma encheção de linguiça, mas pisquei para conter as lágrimas. Naquele momento, me senti conectada a minha versão de 16 anos e, simultaneamente, desconfortavelmente distante dela. Caí na real que, em alguns meses, diria adeus para um amigo de infância.

 

Quando Brooke fez sua primeira aparição no segundo episódio de One Tree Hill, ela poderia ter sido escrita facilmente como alguém sem cérebro, uma cheerleader sensual. Inicialmente, ela foi –sua melhor amiga a rotulou como fútil, os pais dela a alimentaram com suas carteiras. Garotos sentiam pena conforme ela se colocava entre eles, nua em chuveiros e em bancos traseiros.

 

Naquele tempo, não poderia dizer os motivos de ter me relacionado com a Brooke. Com 16 anos, não era promíscua – não era nem corajosa. Mantive notas sólidas, mantive o banco quente para os meus companheiros de equipe e quando meus pais saíam da cidade sempre me voluntariava para dar festas, porque, desse jeito, sabia que seria convidada. Meus diários do ensino médio alternam entre a indagação das pessoas não gostarem de mim e o por quê elas gostavam, indo e voltando.

 

Apesar disso, de alguma forma, na Brooke encontrei uma companheira ficcional sobre quem eu poderia facilmente projetar todos meus problemas, dores no coração, a angústia adolescente. Na 4ª temporada, ela confessa a um amigo que mentiu para ele. “Estava preocupada de não ser o suficiente para você”, ela disse. “Era disso que estava com medo, não ser o suficiente. Não ser boa, inteligente, bonita o suficiente”.

 

E lá estava ela. Com toda sua ousadia, sua coragem de estar nua no banco traseiro, Brooke foi uma garota que, frequentemente, se sentia minimizada sobre quem queria ser. As pessoas tinham baixas expectativas sobre ela, e, frequentemente, elas estavam erradas, mas, às vezes, estavam certas. Ela teve seu coração partido, repetidamente, por pessoas que confiou, e as perdoou, desarmada e despreparada para a próxima reviravolta dolorosa da faca. Ela fez péssimas escolhas e sofreu consequências.

 

Sem mencionar – em uma série que girou em torno de romance – que Brooke foi a única personagem principal que não encontrou o amor da sua vida no ensino médio.

 

O salto de 4 anos depois da formatura do ensino médio mostrou Brooke como uma estilista, o rosto da sua própria marca. Ela conseguiu, para todos os efeitos, ser bem-sucedida em alcançar as metas que traçou para si mesma quando era criança. Várias vezes, sua queda está relacionada em confiar nas pessoas que, em última análise, a decepcionou. Seu império se desintegrou ao confiar na mãe. Sua melhor amiga não apareceu em seu casamento. O bebê que planejava adotar lhe foi tomado.

 

Brooke é ainda, em muitos aspectos, a garota que foi no ensino médio. Ela ainda tem a convicção extrema que a fez uma amiga leal, mas agora conquistou meios de ser leal a si mesma primeiro. Essa temporada, depois de um exame de consciência, ela se opôs ao homem que a agrediu anos atrás. Ela se abriu ao perdoá-lo, descobriu que não poderia, e, finalmente, estava certa em priorizar sua própria segurança acima do seu instinto de compaixão.

 

Por outro lado, ela confiou em seu pai ausente para ajudá-la a cultivar um projeto do qual era apaixonada. No final, ele priorizou o dinheiro acima dela, e ela ficou furiosa, enganada de novo. Na semana seguinte, ela o perdoou por sua transgressão, mais uma vez procurando sua aprovação.

 

Se ela estava certa ou não em dar a ele outra chance é irrelevante. O importante é que, durante 15 anos de mágoa, Brooke teve ainda que construir um muro ao redor do seu coração. Ela sabe, agora, que é o suficiente – boa, inteligente e linda o suficiente – e conseguiu a confiança de saber que ninguém decidirá isso. Ela merece ser priorizada e protegida, e respeitada pelo que é e não pelo que finge ser. Ela não precisa perguntar os motivos das pessoas gostarem dela. Ela não se importa se não gostam.

 

Brooke, Haley, Nathan, Mouth, Dan, Chase e o restante dos personagens de Tree Hill representaram muitas coisas para muitas pessoas com o passar dos anos e, hoje, veremos finalmente como a jornada deles termina. Lembraremos quem eles eram, 9 anos atrás, e, como uma extensão disso, lembraremos onde estávamos 9 anos atrás.

 

Assim que as luzes se apagarem no River Court, agradecerei Brooke Davis pelas risadas, lágrimas e pelos milhões de pequenos lembretes de que sou a única pessoa a quantificar meu próprio “suficiente”.”

 

Acredito que nunca me dei a chance de entender quem era B. Davis na época que OTH transcorria, porque não conseguia me relacionar. Um dos pontos que sempre me incomodou na storyline dela, além de ser fútil (#Peyton), foi o fato de sempre perdoar para ser trouxa de novo. Muitos dos momentos em que ela teve o coração partido foi por mera burrice. Perdi as contas das vezes que disse: “lá vai ela de novo”.

 

Não conseguia entender também como ela simplesmente abaixava a cabeça para os pais. Sendo que poderia enfrentá-los pelo descaso e não lamuriar pelos cantos.

 

Quando maratonei One Tree Hill – as duas primeiras temporadas – depois do término, entendi que algumas coisas que me irritavam na Brooke coincidiam com quem eu era na época em que acompanhava a série fielmente. Episódio por episódio.

 

Peyton foi com quem tive uma conectividade inicial, pois amei o gosto dela pela arte. Enquanto ela desenhava para aliviar os demônios dentro dela, eu escrevia. Inclusive, eu passava muito tempo sozinha em casa (como a personagem), porque minha mãe vivia sempre fora, trabalhando/viajando, então, tinha que me virar.

 

Não sei, juro, o momento em que Haley se tornou a melhor pessoa para mim. Isso só foi revelado anos mais tarde: a paixão dela pela música. Não pela sonoridade, mas para contar histórias. Na season 4, a personagem tem a convicção de que será professora, na S5 lá estava ela, expondo uma relação profunda com as palavras – “às vezes, as pessoas escrevem coisas que não podem dizer”.

 

Outra coisa que fui entender anos mais tarde foi o momento que Haley larga tudo pela música. Lembro que a odiei, meio mundo a odiou, mas, depois, eu a entendi. Quando você se prioriza e prioriza seus sonhos, você sempre será um monstro insensível por não pensar nas outras pessoas. Já adulta, entendi completamente essa decisão. Teria feito o mesmo, sem pestanejar! E até que fiz ao sair do emprego para me dedicar ao meu livro, que nem sei se um dia dará certo.

 

No começo deste ano, comecei a ver OTH pela milésima vez. Não lembro se já comentei por aqui, mas ver essa série, como adulta, traz outros pontos de vista para determinadas situações. Alguns momentos ficaram mais coerentes ou mais impactantes. O que descobri como um belo tapa na cara é que não deveria ter ignorado por tantos anos quem era Brooke Davis.A personagem poderia ter me ajudado o mesmo tanto que a Haley, mas não permiti. Porque sempre fui contra a qualquer sinal de fraqueza. Isso, na adolescência, um pensamento que me endureceu com o passar dos anos.

 

A verdade é que tenho um gosto pelos personagens que parecem que precisam de um tipo de remendo. Eles tendem a ser os que mais surpreendem, por crescerem dentro da história devido aos desafios que garantem um sucesso. É muito mais fácil eu me relacionar com essa caracterização. Quando sentei para ver OTH, a referência que tinha era Joey Potter, de Dawson’s Creek.

 

Mensurem a vida dela: destruída. O que ela fazia? Se matava de estudar com medo de não ser alguém na vida. Essa foi eu na faixa dos 15 anos em diante. Quando Joey vence, lida com o pai criminoso, contorna os problemas financeiros e consegue ingressar na universidade, vi isso como uma inspiração. Eu poderia vencer também.E venci.

 

Por mais que Dawson’s Creek seja muito mela cueca, e admito que Miss Potter tinha momentos que socorro, ela foi uma personagem que venceu por si mesma.

 

E quem venceu por si mesma em OTH foi Brooke Davis. WTF, Stefs?

 

Demorei muito para ter conectividade com algum personagem de OTH, pois nenhuma delas tinha o que eu precisava. À primeira vista, elas eram muito perfeitinhas, com problemáticas muito simples, tendo em vista que se tratava de um trio de adolescentes. Acabei amando cada uma por um fragmento da storyline. Peyton poderia ser emo gótica e dramática, mas minha identificação aconteceu por ela ser meio Joey (embora seja Haley a personagem que veio aos moldes da Miss Potter, ao ponto de zombar dela em vários momentos na S1 com o Lucas).

 

Haley me arrematou por dar voz aos seus desejos, dar a louca para ir atrás do que queria. Não só isso: fazer da música a leitura e a tradução dos seus sentimentos. Dois pesos que sempre imponho na minha escrita.

 

Onde entra a Brooke? Depois de passar pela 2ª temporada, notei que essa personagem representa uma parte do meu passado que me dá arrepios só de lembrar. Não que tenha saído pelada por aí, quicando no banco traseiro dos caras. Eu busquei aprovação pela minha imagem.

 

No início da sua história, Brooke acreditou que bastava ficar nua para se dar bem. No meu caso, ser magra era o passe para a felicidade eterna. Nós duas tomamos na cara!

 

Os arcos dela na 2ª e na 4ª temporada foram os mais significativos e os mais influenciadores. Poderia ter me aberto para ela, mas não quis. Era o mesmo que admitir minhas fraquezas, e, meu Deus, isso só foi acontecer quando me formei na faculdade. Quando toda a angústia maligna terminou.

 

Uma das coisas que nunca deixei de admirar na Brooke foi a independência. Algo que Joey teve. Sempre quis ser independente e conquistei isso pouco a pouco. Sempre gostei de coordenar minhas coisas sozinha e de sentir orgulho de mim por mim mesma. Dois sentimentos que não mudaram em nada e que só ganharam mais intensidade quando fiquei mais velha.

 

Antes, com 17/18 anos, posso não ter sentido logo de cara orgulho de mim mesma, mas agora tenho. Porque passei por tudo que tinha que passar para ser a pessoa que sou agora. Um update muito melhor, algo que aconteceu com B. Davis que destruiu o rótulo de fútil e de amigável, se revelando um grande ser humano.

 

Não tenho mais vergonha de mim mesma, do meu corpo, da minha mente e da minha voz. Um exercício aprendido na labuta. O mesmo aconteceu com a Brooke. A personagem estava o tempo todo ali dizendo que isso não importava, embora fosse sua aflição juvenil.

 

Agora mais velha, entendo todos os fragmentos de Brooke Davis com mais propriedade. É um fato que ela é sim a personagem mais desenvolvida da série, saindo da bolha da imaturidade e se tornando uma mulher foda. Ela aprendeu a não calar os seus instintos, outro detalhe que admirei na sua fase estilista, em que partiu em defesa dos problemas de autoimagem da Millicent.

 

Se eu fosse escolher um exemplo para as jovens meninas atualmente seria Miss Davis.

 

Não que as outras não sejam um exemplo, nada disso. Haley e Peyton sempre tiveram muito a oferecer. Mas, como disse a carta, Brooke foi um lembrete diário de que qualquer menina tem e é o suficiente.

 

Miss Davis tinha mania de se diminuir. Até que chegou um momento que ela se tocou que precisava tratar melhor a si mesma por si mesma. Indo contra a regra das pessoas terem muito a dizer sobre o que somos, sendo que nem metade é verdade. O grande desafio da personagem.

 

E, como diz a carta, essa personagem foi a única que não encontrou o amor no ensino médio, o que lhe deu todo o tempo do mundo para se descobrir como mulher. Ficar confortável na própria pele. A personagem desenvolveu um mega instinto de sobrevivência enquanto as amigas estavam muito bem confortadas pelos garotos que se apaixonaram aos 15 anos.

 

Romance é lindo, mas meninas e mulheres precisam de mais exemplos independentes. Que empodera a si mesma e outras. Brooke fez isso pela Millie e pela Alex.

 

Brooke Davis viveu em um constante redescobrimento e isso me faz até lembrar de um quote da Sophia (não usarei as palavras exatas): quando se está confortável nos próprios sapatos, o resto se desenrola a partir daí. Foi assim que essa personagem conseguiu seu final feliz: ela aprendeu a se amar primeiro e conseguiu todo o resto.

 

A mensagem que a personagem tem a transmitir é que todas nós somos boas o bastante sim. Que precisamos agradar a nós mesmas em primeiro lugar. Que precisamos sentir orgulho do que fazemos diariamente.Minto?

 

Fonte da Carta: Zap2it

Stefs
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  • Dps desse post, ela ganhou mais uma admiradora! E a vc, Stef, qro dizer: obg pelas postagens q me engradecem, encorajam e ajudam… um dia ainda te dou um abraço! Um dia ainda ganho um autógrafo seu. Vc é especial. De longe a gente sente.