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24/jul

Querida Narcissa Black (sem o Malfoy sim!),

 

Sei que a senhora deve estar assustadíssima em receber uma carta tão de repente, ainda mais de uma sangue-ruim que está pedindo seriamente para ser exterminada com tamanho atrevimento.

 

Mas há algumas coisas que adoraria dizer e que, muito provavelmente, a senhora nunca tenha lido. Ou escutado. Ou se leu e escutou deve ter no mínimo ignorado.

 

Primeiramente, muito obrigada por ter cuidado, à sua maneira, do menino Draco Malfoy. Sim, o seu filho foi e ainda é uma pessoa extremamente incompreendida, mas isso é culpa do seu marido. Como colocar nos ombros de uma criança a responsabilidade de ser o reflexo de um homem um tanto quanto fracassado – estou sendo amena, pois sabemos que Lucius Malfoy é um completo perdedor.

 

Há certos males que vão para o bem, e o bem dessa história é que seu bebê cobrinha viu de perto os horrores da guerra e o que ela acarretou.

 

Não teve nada a ver com era dourada ou momentos de glória não é? Posso chamar os Malfoy de trouxas – que, no meu mundo, faz referência a pessoas feitas de otárias?

 

Apenas imagino o quanto deve ter sido complicado criar uma única criança em meio aos Comensais da Morte. Pergunto-me até como a senhora aguentou, já que não cedeu seu braço para ser tatuado pelo Voldemort – nada de Você-Sabe-Quem porque aqui é ousadia. Draco viveu em um ambiente opressor. Não só isso, falso, em que todo mundo brincava de ser mais que o outro. Em que todo mundo brincava de ser quem não era. E isso inclui o seu marido que pagou de bonzão por anos e foi um zero à esquerda. Sério, dona Narcissa, como a senhora disse “sim” a um estúpido desses?

 

A senhora nunca foi Comensal, amém!, mas desfilou entre esses homens babacas para manter as aparências da sua família. Se você fosse tão leal a eles, é bem capaz que a Segunda Guerra Bruxa ainda estivesse rolando. No fim, você escolheu Draco. No fim, você escolheu o amor.

 

Mesmo a senhora sendo durona, antipática, metida – e linda, maravilhosa e elegante –, quero que saiba que sua escolha apenas firmou que o amor sempre vence no final.

 

Não sei a concepção de amor para pessoas crescidas e criadas na Sonserina, mas a senhora, bem como o meu querido Snape, optaram por sacrifícios que visaram pessoas que amaram ou amam. Pode ter sido em um momento de pressão, por motivos fracos ou deturpados, mas ambos fizeram a diferença.

 

Mostraram que os bebês cobrinhas não são tão ruins assim.

 

O amor não difere quem é sangue-ruim, quem merece viver ou morrer. No fim, a senhora optou por parar tudo em nome do Draco, e essa foi a maior prova de que sua pessoa não era tão malvada quanto aparentava. Há a arrogância, afinal, uma vez sonserina, sempre sonserina. Uma casa de Hogwarts é mais poderosa que um signo do zodíaco, mas, no caso da Casa verde e prata, há algo maior que se mantém à frente de tudo: o nome. Vocês podem não reconhecer um ato de amor quando ele acontece, mas observei a senhora quicando entre Comensais desesperada para sair dali.

 

Esse ar aristocrático de puro-sangue pode ter lhe feito bem, mas quase foi sua ruína. E, na boa, ele nunca me enganou. Veja Regulus, seu primo, que morreu depois de ter visto para crer. O mesmo Draco, que não tinha emocional para lidar com tanta coisa ruim.

 

Vamos ser francas: jamais que seu filho mataria Dumbledore, por favor! O menino chorou litros no banheiro em crise – nosso segredo.

 

Mentir ao Voldemort foi seu sinal de bravura. Quebrar as correntes, driblar e trair até mesmo a própria irmã não é para qualquer pessoa. A senhora usou seu sangue frio a seu favor. Provavelmente, nem deve ter mais contato com Bellatrix, já que, automaticamente, sua pessoa a apunhalou da pior maneira do mundo – mexeu com o Lord, mexeu com os Lestrange.

 

Sério, nunca entenderei como os Black feat. Malfoy feat. Lestrange foram e são fiéis a um ser sem nariz, tão sangue-ruim quanto eu. Como vocês seguiam tão cegamente um “tipo de pessoa” que repugnavam? Não compreendo até hoje. Falsiane mesmo, a senhora, viu?

 

Optar pelas pessoas que amamos nem sempre é fácil. Não porque não queremos, mas por haver fatores que tentam nos impedir. Por vezes, simplesmente deixamos rolar até atingir o limite. Ou, no mais trágico, desistimos ou fingimos que nada acontece.

 

A guerra aconteceu com você. Sentada na sua mansão, a senhora viu Lucius fracassar e ser preso. Viu Draco ser escalado para matar Dumbledore.

 

Como uma mulher tão orgulhosa contornaria todo esse dilema? Mal posso crer que escreverei isso, mas é a verdade: a senhora se humilhou.

 

Tirando as cortesias do “senhora”, você se humilhou diante de quem não confiava. Abraçou cenas de humilhação em sequência, desde ouvir as piadas do Voldemort, mensurando a estupidez de Lucius, até apertar o passo para sair de Hogwarts. Você se humilhou aos pés daquele que deveria ajudar a capturar: o santo Potter. Você o tinha nas mãos, sabia que ele seria o seu passe de liberdade, mas não sem antes de ter uma confirmação: a sobrevivência de Draco.

 

Correr atrás de Draco não remendaria a imagem da sua família. Mas, mesmo assim, você foi lá e confiou em um adolescente que poderia sim mentir. No meio do desespero, do mico das falhas, do cansaço de acompanhar pessoas que não se equiparam a sua posição de não Comensal, lá foi você trair o seu patrão. Foi seu golpe certeiro que não resgatou sua integridade, mas lhe deu paz de espírito. Você disse chega para tanta morte e tanta hipocrisia.

 

A Narcissa Black parou a guerra, e nem todos dão crédito a isso.

 

Você é uma mãe, teve que agir como tal para salvar o filho. Enquanto Lucius empurrava Draco para ser seu igual, você o empurrava para o outro lado, na tentativa de vê-lo crescer como os outros garotos da sua idade. Não deve ter sido fácil já que seu marido era a voz da família. Mas você acabou com a festa.

 

Por mais que não reconheça, você é uma das mulheres mais incríveis que já passou por Hogwarts. Mesmo continuando metida e chata.

 

Você carregou o fardo de dois homens. Você poderia desistir, arranjar um novinho e passar as férias em Cancún, mas resolveu ficar. Engoliu a humilhação dos seus homens calada. Relacionou-se com Comensais para sobreviver. Tudo o que você fez foi em nome da sua família e não é toda mulher que aguenta tanto perrengue sem se manifestar.

 

Não a considero uma passivona, embora ainda não entenda essa permanência com Lucius. Não há amor que suporte tanta burrice, tanto fracasso, tanta estupidez, e sinto que você está com ele por estar. Fora isso, sei que há uma lutadora dentro de você, calada na guerra, calada pelo tradicionalismo do universo puro-sangue.

 

Mesmo com todos os seus defeitos, você é uma mulher admirável. Você acompanhou a maré para sobreviver e a prova disso é o fato de não ter se tornado Comensal da Morte, como Bellatrix. Você viu atrocidades, mas se forçou, todos os dias, a manter o rótulo e a buscar a tal glória. Sendo que era Draco o desesperado em reconstruir a imagem dos Malfoy, quase morrendo por isso.

 

Dona Narcissa, você merece todos os prêmios. Você é uma prova de que há como quebrar as amarras, botar em prioridade quem ama e dizer não ao sofrimento calado. Há muito em jogo quando se vive de aparências ou nas sombras de alguém que não vale um galeão. Foi uma ilusão que você efetivamente quebrou. Está de parabéns, miga!

 

Agora, venha cá: tem como você largar o Lucius? Você merece um crush novo, cheio de amor pra dar.

 

Atenciosamente,

Sua grande puxadora de saco.

Stefs
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  • Sensacional!
    Até eu que pouco me relacionei com essa mulher me senti no dever de dizer 'a senhora é destruidora, ein viado'. Você cravou uma verdade que muitos (eu, inclusa) não vêem – Narcisa parou a guerra. Parou a confusão. Parou as mortes.
    E para alguém tão escondida nas linhas, merecia uma carta desta sim!
    Incrível como nós de sobrenome nada bem visto "black, lestrange, malfoy" temos sempre que ser julgadas de – a ruim/malvada/do mal' me poupem! há muito mais em uma pessoa que somente o nome.
    Todos temos o bem e o mal, já diria Sirius fodão ♥
    um beijo

  • Tinhaaaaaaaaaaa que citar o cidadão aqui na minha casa, assim não dá! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Só perdoo porque é parente querida, caso contrário te chutava daqui HAHAHAHAHAHAHA

    Minha paixão por sonserinos é por causa da complexidade deles. Eles são mto complexos, cheio de camadas que os protegem – o caso da aparência. Narcissa faz parte desse combo e a acho uma personagem tremendamente interessante. Pena que não foi explorada, até porque não dava. Ela fica em off, o tempo todo, e saiu como a traidora da Sonserina que geral achava que JAMAIS existiria.

    Algo meio Peter vs Narcissa, duas pessoas que não eram levadas a sério e, BANG!, recebam! hahahahahaha

    Amo demais da conta! <3