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03/jul

Hoje a dica de série vai para o meu mais novo xodó: Chasing Life. A série retorna no dia 6 (coração batendo de ansiedade) e me senti no direito de falar um pouco sobre ela. Spoilers free, gente!

 

Como muitos bem sabem, sou uma pessoa que contorna qualquer coisa que envolva a palavra câncer. Quando me deparei com a sinopse de Chasing Life, tive que pensar muito. Não comecei a assisti-la de imediato, deixei a coisa toda rolar, e conforme acompanhava os avanços percebi que a história era mais intensa e realista em comparação ao que muitos filmes/livros/séries pregam por aí.

 

Esperei o momento certo para dar uma chance a ela. Não sabia muito bem o que esperar, mas estava com medo. Sabia que, a partir do momento que mergulhasse nessa, reabriria algumas cicatrizes. No fundo, torci para que a série fosse ruim, uma imitação barata de um livro de Nicholas Sparks, cheia de clichês terríveis que me fizesse abandoná-la. Mas fui tragada já no 1º episódio.Chasing Life foi inspirada na série mexicana chamada Terminales. A versão americana é produzida por Susanna Fogel e Joni Lefkowitz, trazendo April Carver, na glória dos seus 24 anos, com o desejo de ser uma jornalista bem-sucedida. O único objetivo da personagem é sair do status de cota dos estagiários para ser uma profissional efetivada, que assina as próprias matérias.

 

No Piloto, ela corre ensandecida por um furo de reportagem para ser notada pelo editor-chefe do jornal de Boston. A jornada de April com o câncer começa nessa aventura, num hospital pediátrico, em dia de campanha de doação de sangue. A jornalista perambula pelo local atrás de uma personalidade esportiva para ter essa exclusiva, mas acaba barrada, mesmo com suas credenciais.Chorando para o Tio George, que trabalha lá, um empurrão de leve é dado, mas não é o bastante. A personagem ainda encena para chegar mais perto do atleta em questão e doa sangue.

 

Um desmaio é o bastante para uma averiguação sanguínea. Já no 1º episódio, April recebe o diagnóstico de câncer. No caso, leucemia.

 

A doença a pega de jeito no que chamaríamos de momento errado, já que teve um ótimo dia antes de receber a notícia. April consegue a exclusiva e, finalmente, sai com o crush, Dominic, um colega de trabalho. A personagem nem chega a ter o direito de ficar nas nuvens, pois é puxada de forma brusca para uma realidade que nenhum ser humano está preparado. Ainda mais tão jovem.

 

Com a verdade diante de seus olhos, April investe no prático: segredar o status da sua saúde até onde dá. A única pessoa que fica por dentro do impasse é Beth, a melhor amiga, um amor de pessoa – e minha personagem favorita depois da protagonista.

 

Por que Chasing Life é awesome?

 

Não é mais um clichê sobre câncer. Ao menos, não para mim. Penso que é uma das poucas histórias que mostra como a doença realmente é e como ela impacta a pessoa no pós-diagnóstico. Até April aceitar o tratamento, a vemos lamuriar pela vida que, possivelmente, perderá ao mesmo tempo em que lida com os típicos sintomas.O que achei bárbaro é que a situação dela não precisa de um alicerce romântico. A personagem continua com Dominic, mas não deposita toda sua fé no crush. Um detalhe que acontece aos baldes – e que já é insuportável – em muitas tramas por aí.

 

Em cada episódio vemos April matutando sobre a vida, ciente de que pode perdê-la por causa do câncer. Cada fragmento da história mostra a experiência da protagonista após saber da sua nova condição. No primeiro momento, a única coisa que a jornalista quer é manter a rotina. Insistentemente, ela repete que está tudo bem, ao ponto de fugir do tio, mas os sintomas começam a abalá-la.Lentamente, vemos aquela mulher saudável, cheia de vida e de perspectiva empalidecer, fraquejar e se sentir derrotada. Isso, sem o tratamento começar.

 

Os 10 primeiros episódios de Chasing Life desenvolvem a caminhada de April até o tratamento. Nesse ínterim, ela ignora que está com câncer e abraça a carreira que está prestes a se solidificar – e que não deixa de ser seu escape. E há o relacionamento com Dominic que começa a engatar. Tudo perfeito, mas seu organismo, o vilão da história, é o constante lembrete de que há algo errado.

 

Assim, April passa a viver cada dia tentando se conformar e há uma dose de egoísmo nisso. Afinal, ela demora para contar o que acontece para a família. A personagem não sabe lidar com o fato de ser uma pessoa vivendo com um tipo de câncer, uma situação que sente não ser capaz de contornar. Um conflito pertinente que torna o enredo de Chasing Life sensível e palpável.

 

Conforme a trajetória dela ganha passadas largas por causa do diagnóstico, a protagonista quer continuar vivendo. Daí, há um confronto de emoções, e o que pesa mais é o gosto da injustiça. Como uma pessoa tão nova é “condenada” no auge da vida? Castigo? Redenção? Fim da trajetória? April lida com vários picos emocionais, desde raiva a impotência.Vemos a quebra de uma personagem que não tem mais controle de nada. O efeito do impacto é tão humano quanto as aflições dela, pois o dilema a faz ver a vida diferente. Ela sinaliza o que não fazemos até tomarmos um susto: prestar mais atenção nos arredores, no quanto as pessoas resmungam por coisas supérfluas, no quanto poderíamos fazer mais. Literalmente, a jornalista percebe que uma pessoa começa a viver só quando sabe que tem chances de morrer.

 

Todos nós morreremos um dia, mas não é uma preocupação constante. Esse raio só nos abala quando vem da boca de um médico. O caso de April. Por saber que pode vir a falecer, a personagem não consegue dizer a família logo de cara que está doente, bem como no trabalho e para Dominic. Ela passa a viver, tudo de uma vez, por causa da sensação de que perderá tudo, até a si mesma.Aqui temos outro dilema que intensifica a negação dela sobre o câncer: admitir algo tão sério em voz alta é o mesmo que torná-lo realidade.

 

E, a princípio, ela não quer que esse pesadelo seja real.

 

Balanço da 1ª temporada

 

April fica desnorteada em boa parte dos episódios, o que contribuiu para um ótimo andamento da trama de Chasing Life. Da garota decidida e brilhante, ela passa a ser a garota tensa, apática e totalmente preocupada com o que pode acontecer no dia seguinte. Depois do diagnóstico, a personagem pesa muitas coisas em meio ao desejo convicto de continuar a viver. Conforme o andar da carruagem, a jornalista se conforma, pouco a pouco, que é uma pessoa que tem câncer.

 

O primeiro passo é entrar em um grupo de apoio, o que a faz ter contato com outras pessoas que já enfrentam algum tipo de câncer há muito tempo. Não só isso, ela vê no nu e no cru a dura realidade de uma pessoa estar na roda de conversa um dia e, no outro, não estar mais. April ingressa no “universo” daqueles que batalham contra essa doença, um meio de entendê-la e de se entender, já que todos ali falam na mesma língua sobre uma aflição que a faz dormir demais (um sintoma).

 

Nisso, conhecemos Leo, o arrogante que de arrogante não tem nada. Sim, isso abre margem para um triângulo amoroso, mas respirem. Isso não vinga, embora o coração de April fique dividido.

 

Quando digo que a doença não é romantizada por causa de um crush é a mais pura verdade. Sim, o amor está presente, mas o que me fez muito feliz foi a série ter engatado esse viés tendo em vista a sua pertinência para a história e para o desenvolvimento da protagonista.

 

Dominic a lembra da vida que perderá assim que iniciar o tratamento. Leo a lembra do câncer a ser combatido. Ambos são exemplos de quem ficará ao lado dela na batalha contra a doença.A morte é o que April mais teme, não ficar sem um homem – outro ponto positivo. É um sentimento recorrente, bem como as oscilações de humor e a insegurança. Quando ela decide se cuidar, depois de revelar o segredo para a família, a jornada da personagem fica mais intensa e triste, calhando em vieses superemocionais.

 

Outro ponto positivo é que a trama abarca pontos que são, quase sempre, ignorados devido a romantização do assunto. Como os sintomas, a dificuldade do tratamento e de conseguir um doador. A storyline de April é muito bem explorada e encadeada. A cada episódio ela se torna uma fonte de inspiração, com toda certeza.Sou eternamente apaixonada!

 

Mais motivos para assistir Chasing Life

 

Chasing Life tem o peso de uma protagonista com leucemia, mas há outros subplots que apresentam os membros da família Carver. Um lar dominado por mulheres moderníssimas, ao ponto de até a avó usar tablet e ter Instagram, e amorosas.

 

Cada componente da família de April, tirando George, tem um perfil que torna essa série digna de ser visitada toda semana: a avó, viciada em jogo e dona de um senso de humor incrível; Sara, a mãe terapeuta e viúva, que assume o papel de pai para manter a casa nos conformes; Brenna, a adolescente que faz o tipinho rebelde e que tem sérios complexos com a dita perfeição da irmã.Por mais que todas tenham uma boa relação, o peso do lar vem das cicatrizes causadas pela perda de Thomas Carver, o pai das meninas, o ídolo e um novelista reconhecido – que tem um segredo bafo.

 

Tio George é o meio que desenvolve esse subplot. Ele não está ali apenas por ser o médico que perturba April. O personagem é tão amor também que você o quer o tempo todo por perto.

 

O que me fez ser uma fiel de Chasing Life é que a série trata o assunto câncer desde o início. O diagnóstico, os sintomas, a reação, o agridoce da injustiça, a realidade de ver a vida passando como um flash e um medo devastador da morte. A proposta é diferente, e até mesmo rara, sobre essa pauta, focando nas emoções e nas decisões de uma personagem que precisar lidar com isso. Não só dela, como de todos que estão interligados sentimentalmente com o drama.

 

Não é uma série romântica. É real até demais. O câncer abre margem para o processo de aceitação e não é algo fofinho de assistir. A história impacta. É impossível não prender o fôlego quando April é consumida, pouco a pouco, pela doença. O momento do adeus ao cabelo, olha…

 

April não depende de um crush para segurar a sua mão, até porque, isso é distante demais da realidade de alguns pacientes que só têm o suporte da família. Ela é o cerne de tudo, traz novos pontos de vista sobre o que acontece quando uma pessoa descobre que um ente querido recebeu tal diagnóstico. Isso também torna a história muito interessante, porque parece que só há negação, e não é bem assim.

 

Chasing Life é sobre priorizar a vida. É uma mensagem direta para quem não olha ao redor, não respeita o próximo e só resmunga, independente do quão ruim ela esteja. É sobre apreciar todos os momentos na companhia das pessoas que ama e não se deixar abater no que diria ser uma tremenda provação. Câncer é uma doença imprevisível, um prato cheio para qualquer um desistir, mas April quer ser uma sobrevivente e ela desbrava essa grande luta maravilhosamente.

 

April Carver é uma mulher palpável. Ela é a causa de ter me feito continuar a assistir a série. Italia Ricci está incrível nesse papel, sendo forte quando deve ser, e frágil quando necessário. Dá para ver como a atriz abraçou a personagem, como se ela mesma estivesse doente. A protagonista é humanizada, longe dos padrões à la Nicholas Sparks ou de qualquer outro autor que já criou uma fórmula banal para tratar do assunto – e que precisa ser banida!

 

Não consegui passar um episódio sem chorar. Esse assunto mexe muito com a minha cabeça e considerei seriamente não assisti-la mais por ficar muito, muito baqueada. Talvez, é uma nova forma para que eu possa lidar com o assunto. Assistir alguém passar por isso é igualmente doloroso e acredito que não há como extirpar um episódio desses. E April me comoveu sendo aquele tipo de pessoa que gostaria muito de abraçar nos momentos de incerteza, nos momentos em que rolam as indagações do quão injusto é certas pessoas, ainda mais crianças, terem câncer.

 

No fim, Chasing Life também é sobre propósito. Sobre se reencontrar. Sobre várias formas de amor. Sobre momentos – um detalhe que faz a abertura da série a coisa mais linda do mundo.

 

É uma história preciosa que conseguiu sair da pegada melodramática sobre personagens que lutam contra a leucemia. Ao contrário da garota que fica doente, tem um namorado e uma família religiosa para segurar a onda, a série traz a doença de forma humanizada. Inclusive, há intenção de mostrar como família, amigos e conhecidos reagem diferentemente quando um assunto como esse vem à tona.

 

Em Chasing Life, você acompanha a jornada de uma garota que quer ter um futuro. E queremos que ela o tenha. #CancerSucks #FuckCancer

 

A abertura mais linda do universo. Te amo, ABC Family!

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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