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06/jul

Então que decidi fazer 3 dias com algumas menções honrosas a uma das pessoas mais maravilhosas deste mundo: Sophia Bush. A começar por um dos episódios cruciais da trajetória da sua personagem Brooke Davis, em One Tree Hill: Pictures Of You.

 

Este é aquele episódio que tem um tema delicado para qualquer turma do ensino médio: a questão dos rótulos. Não só isso, como o fato de que não falamos com metade dos colegas de sala, o que acarreta uma vivência cheia de suposições – que nem sempre são gentis.

 

Se estivesse na escola, amaria fazer o exercício que desencadeou essa trama reflexiva, basicamente sobre o quanto é difícil ser você mesmo. Sei que haveria uma relutância, mas queria ter tido a chance de falar com os que estudavam comigo. Isso nunca foi uma dificuldade, sempre saltei de tribo em tribo, mas queria sentar e conversar mesmo, a fim de dissolver o rótulo. Afinal, alguns abraçavam o “emblema” por uma questão de sobrevivência.

 

O bizarro de ter reassistido este episódio é que me lembrei de um momento parecido, só que na faculdade: o professor organizou duplas com o intuito de cada aluno traçar um perfil do coleguinha, um trabalho jornalístico, como uma biografia. Uma pena que esses curtos minutos de interação não mudaram praticamente nada, pois minha turma era composta por muita gente competitiva.

 

Este episódio abre com o professor indagando se aquela aula importava. Logo em seguida, ele chama Mouth e o convida para descrever em uma palavra como os colegas de classe o viam. Ele afirma “incrível”, porque é o Mouth, né, gente?

 

O cutucão se dá pelo ceticismo do professor, que parte para a lousa e escreve 5 supostas categorias que dividem o convívio no ensino médio (e isso não inclui incrível): atleta, rainha do baile, nerd, solitária e a garota “amigável” aka a que muitos chamam como a “mais dada da escola”. Todo mundo se vê na saia justa de definir um colega com uma dessas palavras. Mouth é inserido na categoria nerd por Shelley e a atmosfera fica carregada.

 

Entendam: hoje pode até ser lindo ser chamado de nerd, mas não até o início do século 21. Era um dos piores “xingamentos” que uma pessoa poderia receber na adolescência.

 

A situação fica mais desconfortável quando o professor joga na cara que todos se conhecem tão bem ao ponto de não saberem o sobrenome um do outro. Salvo Haley e Lucas, por motivos. O docente ainda insiste ao pedir para a sala descrever Nathan, Lucas e Brooke, algo fácil para todos. Rachel se ofende ao ser chamada de amigável e Peyton se julga como uma solitária.

 

O conflito do episódio logo se revela em forma de tarefa: um sorteio que define o colega de classe com quem um passará o dia para fazer as perguntas de uma listinha para conhecê-lo melhor. O cerne de tudo é um debate formidável sobre a realidade de quem somos sob outros pontos de vista. Sobre a realidade de que todos os rótulos escolares não significarão nada na transição para a vida adulta.

 

O professor indica que todos podem apagar aqueles rótulos e escolher quem querem ser assim que saírem da escola… A facilidade que alguns terão em dissolver isso e outros não – no caso, aqueles que dependem muito da imagem para “serem alguém”.

 

Às vezes, quem somos no ensino médio é uma baita falcatrua. Só quem está de fora consegue nos ver com clareza. Uma atitude que não muda tanto quando estamos livres da escola. Nem quando os séculos mudam. Hoje, a internet está aí para provar que muitos ainda pregam uma imagem que não representa quem eles são de verdade. O filtro camufla a transparência.

 

Isso dá respaldo a atitude da Peyton, que se acha solitária, mas ela sobrevive do status de namorar um atleta e de ser uma líder de torcida. Coisas que não a preenchem tanto quanto a música, por exemplo. Ninguém daquela sala, a não ser Brooke, Nathan e Lucas, conhece Peyton para saber que, apesar do status de popular, ela é realmente solitária. Rainha do baile não combina em nada com a personagem. Se não fossem as atividades escolares, diria que ela é bem introvertida.

 

É difícil acreditar que uma pessoa envolvida nas atividades de praxe do ensino médio seja solitária, mas, tão novos, não vemos além de uma pessoa assim que um rótulo é dado. E é esse rótulo que carregamos até nos formarmos para dar espaço a outro que nos identifica no universo adulto.

 

Ele é mais que uma simples palavra. Acho que todos nós somos.

 

Antes de chegar na Brooke, preciso fazer um breve comentário sobre o arco do episódio que envolve Lucas e Glenda. Para mim, depois da B. Davis, foi a passagem mais emocionante da trama.

 

Lucas sempre será conhecido como o personagem intenso e emocional de OTH. Justamente por causa da sua sensibilidade, sempre aflorada, até mesmo dormindo. Assistíamos a história de Tree Hill sob o ponto de vista dele, embora cada um fosse independente e dono da própria storyline. Óbvio que as interações com Glenda foram tiros dados em lugares certeiros na minha pessoa.

 

O que o faz refletir sobre Glenda é a primeira pergunta: contar algo pessoal. Ela revela o quanto sua mãe a pressiona para ser bonita, a ter um namorado, do quanto um par de brincos é mais importante que ela. Uma realidade que a fez buscar meios para se desligar dos arredores.

 

Lucas admite seu problema cardíaco e revela o livro que escreveu. Ele confessa que tem medo de flopar na carreira de escritor também, já que seu problema de saúde barrou o futuro no basquete.

 

Um dos pontos fortes dessa interação é que Glenda diz que sentirá falta da escola apesar de tudo. Ela reflete sobre o que poderia ter feito para não parecer uma idiota. Lucas devolve que, às vezes, todos se sentem assim, porque as pessoas não se veem como realmente são.

 

Eu queria retornar ao ensino médio. Há muitas coisas que adoraria mudar, mas…

 

Admita algo que você tem medo.

 

E, então, temos Brooke Davis e uma das suas cenas mais icônicas: a de frente para a luz do projetor. Em vários ângulos, lá estão suas inseguranças, impregnadas na pele dela.

 

Esse momento entre Brooke e Chase é mais sobre a definição de ambos. Ele, todo ativista, quer ser piloto e que o Clean Teens seja badass. Ela, toda insegura, quer ser estilista. A proposta desse plot é mostrar a decisão/indecisão sobre quem você quer ser assim que o ensino médio terminar. O conflito mais claro sobre a proposta do episódio: derrotar o rótulo.

 

Algo muito pertinente já que Brooke vinha de uma trajetória que destruía, pouco a pouco, a sensação de que ela não passava de uma cabeça de vento.

 

Chase representa o adolescente decidido, muito consciente de quem é, enquanto Brooke dribla, em off, seu pavor de achar que não é boa, bonita, inteligente o bastante. Medos que poderiam barrar seus sonhos. Um balde de inseguranças que mergulha diariamente por causa do descaso dos pais.

 

Sendo bem sincera: não dava 1 Dilma para Brooke. Na season 1, realmente a detestava, uma experiência que me abateu mais tarde ao ser apresentada a Summer, de The O.C.. Fico fora de mim com garota adolescente correndo atrás do garoto adolescente, totalmente escalafobética, ficando quase nua (ou nua) para chamar a atenção. É algo que acontece na vida real, eu sei, mas me irrito da mesma maneira.

 

Outro ponto que definiu a personagem da Sophia para mim, à primeira vista, foi a futilidade. Não conseguia levá-la a sério, por isso amei tanto a Peyton – até Haley ser explorada.

 

Brooke me provou o contrário ao ingressar como presidente do grêmio estudantil na S2. Daí sim comecei a prestar mais atenção nessa jovem. Nesta mesma temporada, outro ponto que me marcou foi o momento em que ela diz ao Felix, depois de vencer, que sentia orgulho de si mesma por causa da conquista. Foi o obrigada dela pelo apoio e achei isso demais na época!

 

Uma mensagem que gerou certo conflito dois anos depois, quando a vemos diante do projetor que realça várias das suas ditas imperfeições. Tudo errado: ela conseguiu ser presidente, ainda era na época, tinha uma marcha de seguidores, o que havia de tão errado?

 

Brooke é a personagem mais desenvolvida de OTH. Ela migrou da menina fútil até uma versão de si mesma que queria batalhar pelo próximo. Não é à toa que a chamo de eco da Sophia, pois as duas são praticamente gêmeas. Davis conseguia ser forte quando deveria ser e frágil quando era necessário. O mesmo Sophia.

 

O que passou a me irritar na personagem, anos mais tarde, foi a permanência no ciclo de dar o benefício da dúvida para geral. Porém, no fim, essas decepções a tornaram mais forte.

 

Rever este episódio, e reler todos aqueles nomes na pele da Brooke, foi tão impactante quanto na primeira vez que o vi. Porque é uma realidade. É muito mais fácil uma garota não se sentir boa o bastante a admitir que é solitária, como Peyton. Foi até engraçado ver logo a Miss Davis revelar seus temores dessa maneira, porque sempre vi Miss Sawyer como a mais insegura ever.

 

Ao contrário de Peyton, que ruminava o fato de ser solitária, e de Haley que era, em grande parte do tempo, segura por ter consciência do que sempre quis, Brooke simbolizou todas as inseguranças de uma garota de 15, 16, 17 anos. Ela é mais palpável que as outras personagens da série, não nego, embora minha preferida continue a ser a senhora Scott. Miss Davis é a mais identificável em vários pontos. Ela é perfeita e imperfeita, com qualidades e defeitos que enriqueceram sua jornada.

 

O que você planeja ser em 10 anos?

 

Este episódio voltou a mexer comigo ao ponto de eu voltar a minha antiga sala de aula. Em um estampido. Somos meros expectadores da vida um do outro. Não só no ensino médio, mas na vida.

 

Podemos afirmar que conhecemos alguém com a palma da mão, mas não conhecemos. Há uma chave dentro de cada um de nós, menor que todas aquelas que distribuímos para várias pessoas saber quem somos: a que protege medos, inseguranças, traumas. Sentimentos que escondemos.

 

Por vergonha? Por medo do julgamento? Não sei, mas há nuances de nós carregadas com muito filtro, o que impede que outros as vejam com transparência. Ainda podemos ser sinceros em vários aspectos, Brooke nunca deixou de ser mesmo amedrontada, mas ainda relutamos em ser quem somos. Quem não lembra do quanto Miss Davis tentou agradar os pais, até na fase adulta?

 

A cada episódio, a cada season, Brooke foi lá e destruiu um rótulo. Da insegura que achava que os pais a definiriam para sempre, ela se provou e viveu o sonho no ramo da moda. A personagem sempre encontrou um jeito de ouvir sua própria voz e de se colocar em primeiro lugar. Mesmo que isso acontecesse depois de uma mágoa acarretada por alguém que amava muito.

 

As pessoas irão te rotular, mas é como você supera esses rótulos que realmente importa.

 

Provar que se é boa o suficiente não é uma tarefa fácil. Vivi nesse ciclo até meus 25 anos. Por outro lado, foi algo que escolhi para mim e por mim, e continuo a dar um jeito em todo o resto me colocando em 1º lugar. Só preciso parar de ser desconfiada, porque, ao contrário da Brooke, ninguém é permitido passar na minha linha de proteção. Isso é meio Peyton, sempre barrando geral.

 

Outro viés que aplaudi de pé, pfvr! E o da Bevin também.

 

Acredito que tudo que precisamos está dentro de nós, algo que Brooke provou ao longo da sua história. Essa é uma verdade que ninguém nos diz quando somos adolescentes. Até mesmo quando somos adultos. Não somos os rótulos, embora alguns sejam maravilhosos por oferecerem certa segurança.

 

Rótulos escondem a nossa verdadeira faceta. Nem sempre uma foto mostra quem a pessoa realmente é (outro item da lista deste episódio) e sempre a atacamos com uma única palavra. Uma palavra que se torna uma definição, talvez, permanente.

 

É o julgamento. Julguei demais quando era adolescente e continuei a julgar quando entrei na faculdade. Fui julgada na escola e tenho certeza que continuo a ser julgada como adulta. É como se nunca houvesse liberdade de você ser quem você é, algo enraizado na adolescência. A sociedade diz que é ok você sair de casa sendo você, mas sabemos que não é assim que as regras funcionam.

 

A mensagem essencial deste episódio é que, passado o ensino médio, está nas nossas mãos se aquelas categorias nos representarão. Um detalhe que praticamente nenhum adolescente faz ideia. Alguns absorvem tanto a popularidade que, quando o barulho esmorece, não sabe como seguir adiante. Ele/ela passa a viver uma vida de aparências.

 

Porém, há outros que têm plena consciência do que querem e penso que são eles que conseguem tirar de letra a transição para a vida adulta. Mas há alguns que empacam devido ao peso do rótulo.

 

No fim, o que importa é você saber quem realmente é. Como nortearemos quem somos na nossa própria história. Como queremos que o mundo nos veja. Um rótulo não significa nada quando o que realmente importa é quem você quer ser e quem você quer se tornar.

 

Algo que Brooke tirou de letra assim que saiu do ensino médio.

Stefs
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