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21/jul

Na última coluna Help, Escritor! falei um pouco sobre como organizar o outline dos personagens. Agora, chegou a vez de falar de um negócio que é pânico de geral: o enredo. Aquele processo de reflexão árduo em que você definirá o que contará no seu livro.

 

Para isso, é preciso pensar em plot e subplot. Somando os dois, você terá a trama nas mãos para desenvolvê-la com base no outline.

 

A maioria das histórias parte dessa organização:

 

• Objetivo da história (ou plot central);

 

• Subplots:

 

1. Que gera tensão;

 

2. Que engatará o plot twist e clímax;

 

3. Que trará a resolução/conclusão (que responde ao plot central).

 

Há quem não siga essa ordem. Às vezes, nem há resolução, mas um Epílogo só para dar um tapinha na história. Às vezes nem há aquele plot-tensão, que serve para impulsionar os personagens rumo ao término, pois há tramas que sobrevivem de várias reviravoltas ou de passagens no tempo.

 

Pensando no We Project, que acho que posso chamar de trilogia, preciso de vários subplots para alimentar o plot central de cada livro. É muito mais fragmentado – e complicado – porque nada pode passar despercebido. Preciso de muitos inputs para os personagens seguirem em frente, até darem de cara com as reticências que engatarão o que acontecerá na parte seguinte.

 

Quando fiz o post sobre outline, dei o exemplo do Titanic: o plot central é o naufrágio. Como os roteiristas preencheram a trama até lá? Jack e Rose entraram como subplot para ritmar a história.

 

O mesmo vale para outro exemplo que dei: em Harry Potter e a Pedra Filosofal, o plot central é encontrar a bendita pedra, mas como preencher a história até o protagonista chegar nela? Rowling se apoiou na introdução da escola e dos personagens. Nisso, ela trabalhou pistas, como o andar proibido que se revelou importante para o trio rumar para a resolução/conclusão.

 

Também comentei sobre o Mind Map, lembram? O outline monstro que terá o mapeamento de toda a história. Para começá-lo é preciso pensar no objetivo central da história. Ainda mais se for no gênero fantasia ou distopia – no caso de trilogia é preciso pensar em um plot central para as 3 partes. Pense no como o último livro fechará o ciclo iniciado no primeiro. E assim por diante.

 

Tendo o objetivo (plot central) é preciso pensar nos empecilhos/conflitos (subplots) – onde habita a carga emocional de toda a história, seja tristeza, frustração, cansaço e morte. São os subplots que levarão os personagens a uma série de conquistas e de derrotas. Não se trata apenas de criar um embate. Acho importante explicar também o que fulano aprendeu com aquilo.

 

Não houve um só momento que Harry não refletiu sobre os acontecimentos de Hogwarts, especialmente no final dos livros. Por mais teimoso que fosse, ele descobria algo novo e esse algo novo o norteava para mais um ano na escola.

 

Por isso livros-sequência trabalham com plots centrais por livro. Ou vários plots centrais – é possível e, no máximo, são 2. Depende muito do que você quer contar.

 

Já os subplots costumam ter uma resolução no mesmo volume. Há quem os desenvolva e os segure até o volume seguinte, o que deixa a mente do leitor em parafuso ao ponto dele pensar: “nossa, como é que não notei antes?”. Gosto bastante quando isso acontece, o enredo fica mais intrigante.

 

Por isso é importante que plots e subplots estejam muito alinhados, independente dos caminhos diversos que os personagens percorrerão. No fim das contas, todos terão que voltar ao objetivo central da história. No caso de Harry foi Voldemort, a motivação da trajetória dele.

 

Rowling sabia que Harry enfrentaria Voldemort em dado momento, por isso a importância da divisão dos livros com plots fortes e subplots, aparentemente fracos, que serviram para aproximar o herói do vilão. Nada do que aconteceu em Hogwarts foi aleatório, pois, a todo momento, a escritora afinava o percurso para seus dois reais personagens principais se confrontarem no final. Um teria que destruir o outro, a autora escreveu, uma regra.

 

Até lá, o protagonista precisou amadurecer, passando por vários desafios. Rowling escreveu uma sequência de empecilhos, perdas/conquistas, recompensas, consequências até a vitória.

 

Isso tudo é o que move o plot central.

 

É o que abrirá brecha para todo o resto. É a ideia central do livro que precisa ter como apoio um conflito e a interação dos personagens. É a causa que tira o protagonista da bolha, que o faz matar alguém, ou se casar, ou se divorciar ou brigar com um amigo de infância. A problemática, o empurrão, a razão que fará o enredo inchar, evoluir até ser concluído.

 

É a razão que fará o leitor levar o seu livro até para o banheiro.

 

Tive muita dificuldade de definir o objetivo central do WP, justamente porque ele é dividido em 3 partes. Até eu descobrir que precisava de um plot central por livro, se passou 1 ano. Simplesmente porque fui escrevendo, sem controle, e a história virou uma bagunça. Com a fase atual de releitura/edição, consigo enxergar melhor essa necessidade e tenho afinado a trama desde então.

 

Definido o plot central, vários braços se estendem ao redor dele: os subplots. Um conjunto de fatores que calham nas reticências de uma parte rumo a outra – pensando em trilogias. Em sequências, um tema cai como uma luva também, como Harry Potter e bruxaria.

 

É essencial ter o plot central muito claro, algo que tive muita dificuldade no início e que me fez chutar para todos os lados. Você precisa pensar: o que precisa ser conquistado na última página, tendo em vista o que houve no 1º livro?

 

São os objetivos secundários. No universo televisivo é o que geralmente chamamos de encheção de linguiça quando não se tem um assunto para investir. No mais, é o trajeto dos personagens, como sair de casa tendo em mente chegar ao trabalho no horário (plot central): caminhar até o metrô, contornar as pessoas lerdas, perceber que não há crédito no bilhete único diante da catraca, voltar para recarregá-lo para só depois embarcar.

 

É um exemplo besta, mas acho que dá uma visualização do que seriam os subplots – que servem para impulsionar os personagens.

 

O que aprendi enquanto escrevia é que o objetivo central da trama será o plano de fundo. Isso dá para sentir em Harry Potter. Duelar com Voldemort é uma ideia presente, mas que só acontece no último livro. Assim, os subplots são o primeiro plano, o sustento da história, porque são eles que farão os personagens chegarem ao plot twist, clímax e resolução.

 

Há quem escreve o plot central acompanhado dos subplots. Isso é possível em histórias policiais. O grupo quer o bandido, mas precisa coletar pistas. Não há um desvio tremendo, a não ser morte, sequestro, etc.. É preciso captar o que será pertinente ao enredo.

 

Guardem: os subplots promovem o desenvolvimento da história e do personagem.

 

Parece simples para quem escreve 1 livro. Com uma saga, o trabalho é mais complexo, já que é preciso de muitos subplots para sustentar a história do livro 1 ao último. Rowling não inseriu nada aleatório. Ela engatou vários revivals ou comebacks que tiravam Harry da zona de conforto.

 

A morte do Dumbledore é o grande plot de Enigma do Príncipe. Vemos Draco maquinando algo, provocando vários subplots que faziam o enredo crescer por causa do mistério. Quem diabos queria matar o diretor? De onde veio o colar que quase custou uma aluna? Daí, tudo se revela e Snape arremata oferecendo uma resolução com gosto de reticências por causa do 7º livro.

 

Pensando na saga como um todo, a morte de Dumbledore é facilmente julgada como um subplot, porque Harry é o protagonista e ele precisa encontrar Voldemort para derrotá-lo – o plot central. Foi mais um impulsionar para que o menino bruxo corresse atrás para dar cabo no vilão.

 

Os subplots representam a tensão da história também.Por isso, essa é a parte trabalhosa e para mim foi/é. Dividi o WP em 3 partes e tive que resgatar coisas da 1ª para responder outras nos últimos minutos da prorrogação. Sem dúvidas, os subplots são as partes mais difíceis de preencher do outline, por serem as artérias do coração da história. Se uma arrebentar antes do tempo, ou sem um aprendizado, ou sem gerar uma consequência/recompensa, a história perde a força.

 

Sendo assim, os subplots são camadas essenciais da sua história por mostrarem diferentes perspectivas do plot central. Eles seriam o que chamaria facilmente de teasers. Eles cutucam, reforçam a motivação, geram capote rumo ao objetivo. Inclusive, o personagem acaba por ser explorado por meio deles, revelando nuances da sua personalidade.

 

Vale dizer que os subplots poupam o esforço de escrever parágrafos enormes com descrições. Você pode explicar/mostrar o que precisa por meio deles, como revelar o interesse amoroso de dois personagens. Por meio de uma treta ambos podem contar o que sentem.

 

Não é preciso criar uma cena especial para dois personagens descobrirem que se gostam. Como Katniss e Peeta, os Jogos não foram deletados para ambos continuarem com a encenação de ser um casal. O mesmo vale para os diálogos, que podem ser usados para revelar características e traços da personalidade de um personagem ou descrever uma situação ou um ambiente.

 

É importante também pensar que subplots são estopins de mudança. Pense assim: se eu tirar esse subplot a história muda? Se não, tire esse negócio daí right now!

 

Não tenho muito o que dizer sobre esse tópico, já que ele é o apoio essencial da história. É a razão que faz o leitor não largar o livro. Também chamo de um teaser, em que você não pode tensionar e nem revelar demais. Afinal, o enredo não precisa ser construído só com estresse, perdas, etc..

 

Deve haver um momento para a história respirar e isso geralmente acontece quando os personagens decidem conversar sobre o que acontecerá de um ponto em diante. Daí entra a tensão como uma pausa para debater os resultados de um subplot. No caso, mais um solavanco para acarretar uma ação.

 

Clímax para Stefs é quando tudo dá errado nos últimos minutos da prorrogação. Isso me agoniza de uma maneira que não tem explicação. É aquele beco sem saída, com sangue nos olhos, desespero, que parece não ter mais solução. O plot twist é o prenúncio do fim, quando todas as expectativas e as emoções estão elevadas. Inclusive, quando há uma desesperança no ar.

 

O plot twist engata o clímax que engata na resolução. É a reviravolta. 

 

Em Relíquias da Morte, Harry morre. Bang! Do nada, o cidadão salta do colo do Hagrid e bang! É a tensão da tensão que engana o leitor. Um último sopro que precisa doer no âmago.

 

Porém, há o duelo terrível de evitar o clichê, mas acredito que dá para trabalhar um clichê e elevá-lo a outros níveis. É preciso ser criativo, de uma maneira que não chateie quem lê – todos esses livros para terminar assim?, um comentário batata em sagas/trilogias.

 

O vilão precisa de plot e de subplot? Talvez?

 

O plot central já é algo mais intrínseco ao herói. Penso que, no caso do vilão, isso é um processo automático, pois todos os empecilhos desencadeados na história tendem a ter dedo do anti-herói. O inimigo é o mestre do jogo, ele/ela fica sentado/a no escritório, tratando o/a protagonista como um peão.

 

O inimigo é quem dá ritmo ao herói por meio dos subplots. Ele/ela é a outra faceta da história, tudo que os bons personagens não devem conquistar. Voldemort poderia não ter um corpo, mas ele não parou um só segundo de ter o que queria enquanto Harry dava um jeito de cortar o barato dele – e vice-versa.

 

Há muitas formas de trabalhar o plot central e os subplots (entremeando tensão, conflitos, conquistas, plot twist, clímax e resolução/conclusão). Há quem escreve o final primeiro para ter um embasamento de como chegar até lá. O importante é, algo que aprendi a duras penas, não entregar demais. Suposições são legais, cria um raciocínio. Deixar reticências então é top!

 

É aí que entra outra parte meio chata. Você precisará dividir tudo isso por capítulo ou nos capítulos. Enquanto o plot central transcorre de fundo, os subplots é quem tomarão toda a atenção. Criei o costume de ter pequenos outlines para cada capítulo. Neles coloco o que acontecerá, quais personagens estarão em cena e como será o fim.

 

Partindo do que já contei aqui, minha protagonista lida com o primeiro subplot dela que é a amnésia. O que trabalhei: as pessoas acreditam nisso?, a amnésia será confirmada? É conspiração? Enquanto ela se readapta, há os subplots incitados pelo vilão, na tentativa de tirá-la do seu atual ponto de segurança. Cada passada dela é administrada por capítulo e aprendi que não é preciso segurar a mesma problemática por mais de 2.

 

No caso do exame cerebral, foi em um só. Ela foi absolvida e tive que definir o que viria a partir daí, ao mesmo tempo que dava um jeito do conflito dos vilões atormentá-la. Escrever assim parece muito fácil, mas, às vezes, você se pega sem ter assunto para o próximo capítulo. É aí que, talvez, seja conveniente um momento de reflexão. No meu caso seria uma nova discussão sobre o estado dela, se ela mente ou fala a verdade, se não passa de uma tramoia de espionagem.

 

Como tudo na escrita, repito: é tudo uma questão de prática. Ainda mais para quem está começando agora. Não sabia de metade desses detalhes na época que escrevia fanfics, pois ia muito por instinto – o que sempre tinha um jeito bizarro de funcionar. Fazendo assim, percebi que dispersava demais. Quando adotei os outlines, aprendi a fechar mais a história e só escrever o que realmente interessa.

 

Custou-me 1 ano e meio, mais ou menos, para ter essa disciplina, pois amo sair cuspindo palavras.

 

Não é uma tarefa fácil alinhar um outline com uma porrada de subplots, especialmente para quem quer escrever uma trilogia, por exemplo. Muitas histórias se perdem se não houver um cuidado com as informações dadas ao leitor. É bem treta, porque você fica com medo de deixar algo em aberto.

 

Se for um romance, acredito que seja mais fácil. Só definir o que a/o protagonista deseja e acrescentar um monte de empecilhos que ela/ele driblará até alcançar o objetivo.

 

Lembrem-se que outlines são alteráveis. Às vezes, o plot central se apresenta como um subplot, detalhes que só serão descobertos escrevendo. O segredo é não pirar (é difícil, mas você consegue)!

 

Essa é uma observação que também calha nos personagens. Às vezes, o real protagonista pode não ser aquele definido no começo da história. Passei por essa crise, achando que deveria trocar a menina pelo menino, mas descobri que os dois funcionam como norteadores do enredo.

 

Conselho final da titia: muito dificilmente, ainda mais se sua meta é fantasia/distopia, sua história permanecerá igual conforme você a desmembra para organizá-la. Não se agarrem tanto ao que escreve no início. Digo por mim: só fui me conformar 4 manuscritos depois.

 

Espero tê-los ajudado. Penso que na próxima coluna trarei um pouco de desenvolvimento do universo, tendo em vista distopia/fantasia. Vamos ver as possibilidades…

Stefs
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