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02/jul

Hoje é dia de #TBT e não poderia deixar de passar a chance de falar da trilha sonora de Titanic.

 

Recentemente, uma coisa que me deixou bem triste foi o falecimento do meu querido James Horner, a pessoa que orquestrou os acordes desse filme épico. Nunca cheguei a comentar aqui no blog sobre minha obsessão pela adaptação, pela sonoridade, pelo Leo DiCaprio e pela Kate Winslet, e acho muito justo falar sobre algo que me revelou como a maior fangirl para o mundo.

 

As atenções deste post estão no compositor que assina essa trilha sonora que continua a significar muito para mim depois de 18 anos.

 

Titanic foi o primeiro filme gringo que vi no cinema (o primeiro foi O Noviço Rebelde por motivos de Sandy e Jr). Agradeço minha prima por isso, porque meus pais jamais teriam se esforçado para esse badalo acontecer. Não, eles não me mantinham em um sótão. Eles me convenciam com um rolê no shopping, com lanche do McDonald’s e um balão rosa com algum personagem da Disney. Nunca me incomodei, porque não demonstrava interesse. Porém, quando fui apresentada àquela tela maravilhosa, comecei a visitá-la com frequência… Só que escondida e com dinheiro do lanche.

 

Saudade anos 90 em que cinema não passava de 10 reais! E o lanche do Mc de 5.

 

Minha obsessão pelo Titanic foi muito além do filme, do meu crush pelo DiCaprio (que me fez montar pastas e mais pastas que tenho até hoje e não tenho coragem de jogar fora) e da minha admiração pelos cabelos vermelhos da Kate Winslet (que me deixou bem mal quando descobri que, na realidade, ela é loira).

 

Fiquei obcecada pela tragédia. Sabia de todos os números, de quem se salvou, as horas até o navio afundar de vez, etc.. Tornei-me perita! Uma enciclopédia ambulante (e chata!) sobre essa história (e também tenho as revistas). Claro que todo esse amor se estendeu a trilha sonora, que comprei, tenho até hoje e o encarte está acabadaço.

 

Horner foi responsável em me puxar para esse mundo de trilhas sonoras. Um universo que, de alguma forma, deixava passar batido. Por ser muito nova, não compreendia a magnitude de uma música em um filme, e automaticamente ignorava. Não consigo ficar impactada com a trilha de E.T., por exemplo, como fico ao ouvir a trilha de Titanic. Sou um tanto quanto sensitiva, preciso ter um elo emocional com a orquestra, e isso acontece se o filme tiver um tipo de significado.

 

Não menos importante, a trilha precisa ativar minha imaginação. Atualmente quem tem esse poder é a de O Jogo da Imitação. Desplat faz parte do meu top 10.

 

Sei que esse é o objetivo das trilhas, fazer uma pessoa recriar o filme por meio da música. Porém, Titanic tem uma composição muito vívida, muito palpável, algo que sentia com os primeiros filmes da Disney. A sonoplastia rebatia nos movimentos dos personagens, uma onomatopeia musical. Fantasia, clássico musical dos anos 40, maior exemplo, gente!

 

Isso acontece com a trilha de Titanic. Ela é puro movimento. Você consegue sentir quando Rose e Jack se beijam pela primeira vez e se arrepia com a nota que simboliza o navio rachando ao meio. Na semana passada, tirei meu CD da caixa e o escutei de cabo a rabo. O que também vale para a edição Back To Titanic, que tem faixas que não estão na versão lançada em 1997.

 

Sério! Era como se assistisse ao filme (e faz muito tempo que não vejo Titanic). Fiquei besta com a minha capacidade imutável de recriar todas as cenas e de identificar em cada acorde o que aconteceu. E repetir as falas! Recordei o momento em que Rose e Jack se conhecem, quando o flashback da Rose dá margem para a apresentação do navio, a batida no iceberg… Passei bem mal!

 

A trilha sonora de Titanic é simples e embalou uma história simples. Se vocês analisarem de perto – o que não precisa ser tão de perto assim – o filme só tem efeitos especiais. A história de Jack e Rose foi um clichê pertinente para a trama não ficar chata. Os dois dão intensidade a cada revés do naufrágio. Você não sabe se torce por eles ou por todos que não terão chance de salvação. Se não fosse por isso, o longa de 3 horas seria um saco. E isso exigiu tons musicais aflitivos.

 

Quando a ouvi de novo, reencontrei o simbolismo. Sempre brinquei que minha obsessão pelo Titanic só é explicável porque alguma reencarnação minha esteve lá (fui camareira, tenho certeza!). Era paixão mesmo, de ficar triste e pensando na tragédia (adolescente mórbida!). Acredito que meu envolvimento com a trilha é tão profundo por eu ter compreendido o que aconteceu.

 

James Cameron queria acentuar o romance por meio da trilha sonora, mas acredito que o impacto dela vem ao ritmar o naufrágio. Para isso, Horner buscou inspiração nas origens do navio – na Irlanda. Uma sonoridade que vocês podem captar com excelência na festa da 3ª classe. Há muita referência da música celta, algo que estava na moda nos anos 90 justamente por causa da Enya. Houve também uma lição de casa com sons da Escócia, que credita o barulho dos canos e os assovios misturados com outros instrumentos que deram força a tragédia nas telonas.

 

O arrepiante são as vozes presentes em algumas faixas, ecos da fantasia, como “The Sinking” e “The Death of Titanic”, que sinalizam as pessoas em desespero no transcorrer do naufrágio. Há som de telégrafo e até das comportas se fechando quando o navio bate no iceberg. Você sente o impacto e é impossível não ficar arrebatada.

 

Sou grande fã da música irlandesa/escocesa. Uma sonoridade facilmente capturada em uma faixa de Back To Titanic: “Jack Dawson’s Luck”. Parece uma canção tirada de um filme medieval e que depois arremata na correria deles para entrar no navio depois da partida de pôquer. Ugh! Muito perfeita!

 

É fato que essa trilha sonora nos faz visualizar as cenas, sem precisar do filme, e é isso o que mais me deixou admirada na época em que coloquei o CD para tocar pela primeira vez. Foi como se tivesse aberto uma comporta para um mundo mágico – e triste.

 

Perambulando pelas resenhas da vida, encontrei uma que disse que o mais interessante na trilha de Titanic é que ela é simples na construção e na execução. Não poderia resumi-la melhor. As músicas especificamente coincidem com o timing dos personagens, dá compasso a eles e realça a tragédia. Não foi preciso de muito para criar uma sonoridade marcante. Bastou pegar o cerne da trama, destrinchá-lo e amarrá-lo musicalmente com os outros plots do filme.

 

Essa trilha de Horner trabalha com picos na execução. Ela é de baixa entonação e, do nada, cresce, como os fatos no filme. Com apenas 1 minuto de música, é possível capturar a cena completa do longa e vice-versa.

 

Isso vale para a do jantar da 1ª classe, que toca ao fundo em meio a apresentação de Rose sobre as pessoas que Jack suportaria até o fim daquela recompensa. Totalmente esquecida e que faz parte de Back To Titanic. Mesmo que você não a tenha marcado, como aconteceu comigo, é fácil dar um pulo feliz ao identificá-la.

 

A trilha também é muito organizada. Saudosista, romântica e perigosa, simbolizando os 3 arcos do filme. Não é barulhenta – algo que até me agrada, depende muito, muito mesmo –, mas serena com um misto de tensão que me deixa fascinada. A história tem um impacto emocional desnorteador que, se você se permitir, é possível revivê-la com a trilha sonora. Não tem como não ficar mexida, nem que seja por alguns segundos.

 

Penso que a música de Titanic passaria batida justamente por ser simples. Ela poderia ser ignorada se fosse pensada como um apetrecho para o filme não ficar mudo, especialmente na hora do naufrágio, momento em que os diálogos só não são totalmente ausentes porque Jack e Rose ainda estão lá. Por isso que não dou tanto crédito ao fato de Cameron querer uma trilha com foco no romance. A força está no momento em que o navio bate no iceberg.

 

Há muita simbologia na trilha de Titanic. Os diálogos até serviram de ponto de partida, como “Take the Sea, Mr. Murdoch”, fala marcante do Capitão Edward para seu parceiro de navio. A salva de aplausos vai para os prelúdios de “My Heart Will Go On” que pontuam onde o romance acontece. Isso é só um teaser do quanto é fácil ver o filme com apenas a trilha sonora.

 

Uma curiosidade: usava essa trilha para dormir. Ainda sou normal, ok?

 

Música de karaokê também, por favor!

 

A trilha arrematou altas posições na lista da Billboard, “My Heart Will Go On” (também assinada por Horner) foi a mais tocada nas rádios na época (e usada em todo casamento dos anos 90) e o filme levou quase todos os homens dourados no Oscar de 1998. Tudo um sucesso ao ponto de render até uma treta entre Horner e Enya – o papo de plágio. Inclusive, marcou a reconciliação de Horner com Cameron, uma parceria que voltou a ser reprisada em Avatar.

 

Não menos importante, Horner ajudou a alavancar a carreira da minha rainha Céline Dion. Chorei largada na BR com o pronunciamento dela sobre o falecimento do amigo.

 

Se eu continuar falando da trilha de Titanic, a polícia do Titanic mandará me prender. Sim, a obsessão continua, tenho certeza que estava naquele navio, porque só assim para explicar o apego.

 

Para quem nunca chegou perto da trilha, tá esperando o quê? Escute a versão de 1997 e o álbum Back To Titanic – segura firme que tem aquela que marca a despedida dos músicos que, no fim, retornam e tocam juntos até o oceano engoli-los (essa cena nem Deus explica!).

 

É, queria estar morta com esse revival!

 

#RIPJamesHorner <3

Stefs
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